Dia: 22 de fevereiro

Mendes Bota afirma: Paguei um preço elevado por sempre me ter assumido algarvio, regionalista e dizer aquilo que pensava, no seu mais recente livro - Talvez... Adeus!

 
Numas cerimónia realizada na Biblioteca Municipal de Loulé, presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, foi apresentado o último livro de Mendes Bota - Talvez… Adeus!
Mendes Bota foi uma das figuras marcantes da cena pública do Algarve desde o ano de 1974 até 2014, desempenhando cargos políticos, como, Presidente de Câmara de Loulé, sendo na altura o mais jovem de sempre, seguindo, depois vários mandatos de deputado, totalizando 24 anos na Assembleia da República e no Parlamento Europeu.
Foi, ainda líder do PDD/Algarve eleito por oito vezes, desempenhou, igualmente, funções de grande prestígio nacional e internacional.
Mendes Bota é, provavelmente, o político algarvio de maior visibilidade a nível regional nos últimos 50 anos. Nos anos de via pública foi jornalista editor de jornais e revistas e tem publicado vários livros.
No dia 21 de dezembro lançou mais um livro – Talvez… Adeus! – desta feita, bilingue e de despedida com 248 páginas, metade em Português e metade em Inglês. “É dirigido aos universos interno e externo dos meus potenciais leitores, talvez o encerrar de um longo capítulo de vida sem deixar trancas na porta, que o destino tem muitas voltas”, sublinhou Mendes Bota, na Biblioteca Municipal de Loulé, num evento que contou com a presença de muitos amigos e correligionários partidários e de outros quadrantes sociais.
“Trata-se de um documento de balanço, de quem sempre prestou contas do exercício aos detentores do capital da democracia representativa, ou sejam os cidadãos e as cidadãs do meu país, referiu de improviso acerca do livro. Aliás, o atual assessor de Carlos Moedas em Bruxelas, sempre se norteou por caminhar muito jovem pelos trilhos a que chamou - trilogia do coração - Algarve-Portugal-Europa.
São públicas as batalhas por que lutou durante décadas:
O antigo eurodeputado manifestou-se pela exclusividade no exercício dos mandatos parlamentares, lutou contra a promiscuidade entre a política e os negócios, “esta é uma das várias razões pelas quais decidi ser o momento de sair de cena, descrente que estou na capacidade de autorregeneração da classe política”.
Mendes Bota revela no seu último livro muitas das causas por que lutou - a implementação do Acordo Ortográfico, “um crime de lesa-pátria, a contratualização da exploração de petróleo na costa do Algarve e nas costas dos Algarvios”, bem como a “inviabilização do processo de regionalização administrativa tal como preceituado na Constituição da República Portuguesa”, referiu.
Mendes Bota consagrou a última década, à defesa dos Direitos Humanos, Igualdade de Género, Violência contra as Mulheres e, nomeadamente, o combate à corrupção, sendo reconhecido a nível internacional.
Mendes Bota explicou aos presentes a motivação da publicação regularmente ao longo dos anos e o respetivo envio das suas newsletters. “Nelas deixei transparecer o meu contributo decisivo para o que considero obra política completa, útil e consistente dos meus mandatos, designadamente a Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica, também conhecida como “Convenção de Istambul”, aliás, e segundo o publicado na imprensa internacional, Mendes Bota esteve em todas as fases e frentes, propositura, redação, aprovação, assinatura, ratificação e entrada em vigor, assim considerando cumprido o essencial da sua missão.
Neste livro “Talvez…Adeus”, Mendes Bota divulga: “Paguei um preço elevado por sempre me ter assumido algarvio, regionalista e dizer aquilo que pensava. Mas dou graças por sair da cena política, três décadas e meia depois de nela ter entrado, igual a mim próprio, mantendo viva num corpo de homem maduro, a criança que comigo nasceu e cresceu”. Segundo, as suas emotivas palavras, “surpreendo-me, até, por ter chegado onde cheguei sem nunca ter pertencido a sociedades secretas, juventudes partidárias, escritórios influentes de advogados ou de grandes grupos económicos”.
Mas, nem tudo são rancores, guarda no coração a sincera homenagem de que foi alvo no dia 26 de novembro de 2014, em que teve a despedida com que sempre sonhou, no plenário da Assembleia da República, “com o aplauso geral e palavras de apreço e reconhecimento por parte de todas as bancadas parlamentares, da esquerda à direita do espectro político, num momento raro de comunhão, um privilégio concedido a poucos”.

 

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