Dia: 23 de Mai
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Sander Guerreiro, um dos mais jovens treinadores de futebol do país faz sucesso no Clube de Futebol “Os Armacenenses”

“Sou uma pessoa com grande ambição e com grande vontade de vencer. Transmito isso aos jogadores. A minha forma de estar é motivá-los sempre a darem o seu melhor e fazer com que acreditem muito nas suas capacidades”, disse ao «Algarve Mais News».

A vila piscatória de Armação de Pêra sempre foi falada por via faina do mar e dos seus pescadores, figuras típicas há mais de um século pela entrega ao trabalho e pela hospitalidade com um sorriso nos lábios para com os turistas e forasteiros; mas e, também, pelo futebol praticado nas areias movediças pelos jovens da terra.

O mar, a praia, independentemente, das zangas da natureza, continuam bem vivas e os velhos lobos-do-mar lá estão todos os dias nos seus postos de trabalho e durante décadas a fio de mãos dadas junto ao «Campo das Gaivotas» com os futebolistas armacenenses e, ao fim de 80 anos já feitos, com o Clube de Futebol “Os Armacenenses” a liderar o desporto rei na terra.

O futebol de pé descalço a correr pela areia e no «Campo das Gaivotas» alegraram centenas e centenas de jovens e muitos deles a dar cartas no futebol fora de portas em clubes ditos nacionais.

O Clube de Futebol “Os Armacenenses”, a comemorar os 81 anos de vida no próximo 6 de setembro, sempre foi um viveiro de futebolistas para outros clubes. Durante décadas só jogavam e treinavam no clube os armacenenses de gema, nascidos e criados na terra, porém, há uns anos que tal não acontece devido à globalização, estando assim, o clube mais aberto à dita globalização, ou seja, cerca de 50 por cento dos futebolistas são oriundos e vivem à distância de 10 a 15 minutos do novo Estádio Municipal de Armação de Pêra, neste caso, entre Portimão e Albufeira.

O motivo deste trabalho jornalístico é, de uma forma informal, uma pequena homenagem a Armação de Pêra e ao seu clube, que ao longo dos 80 anos caminham de mãos dadas em prol da vila, porque “Os Armacenenses” não é só futebol, se bem que pelo estádio entre a formação e o futebol sénior passam cerca de 300 jovens, no entanto, pela sede do clube com restaurante junto ao mercado municipal, entram e saem diariamente mais de uma centena de pessoas beneficiando de outras atividades desportivas do âmbito social, teatro, música, consultas médicas, palestras e para outras ações solicitadas ao clube por não haver outro espaço na vila com capacidade para grandes audiências de pessoas ao mesmo tempo.

Sander Volmer Guerreiro é, ainda um jovem, 27 anos, de Portimão, onde estudou na Escola Secundária Poeta António Aleixo e no ISMAT – Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, na área de Educação Física. Desde muito cedo que se interessou pelo desporto, começando a praticar futebol em Alvor, no Grupo Desportivo Recreativo Alvorense e como futebolista a sério, passou a partir da época 2005/06 pelo Portimonense, Odiáxere, Estombarense e Grupo Desportivo de Lagoa até à época de 2012/13, abandonando os campos de futebol como futebolista “porque tive a oportunidade de trabalhar na área que estava a estudar e era uma oportunidade que não queria desperdiçar”, acrescentando que, “também, porque o projeto do Clube Futebol Esperança de Lagos, a convite do Mister Paulo Nunes e Vieirinha era muito ambicioso”.

Sander Guerreiro tem dupla nacionalidade, portuguesa e holandesa por ser filho de mãe holandesa, mas continua a viver em Portimão. Com formação académica ligada ao desporto, e estando na flor da idade, escolheu a difícil profissão de treinador de futebol “devido à grande paixão que tenho pelo futebol”, referiu, adiantando, que se iniciou no Esperança de Lagos “só como sénior pois já tinha sido treinador nos infantis do Clube Desportivo Odiáxere com apenas 18 anos e adjunto dos juvenis do mesmo clube”, recordando: “No Esperança de Lagos era adjunto do Mister Paulo Nunes que agradeço muito a oportunidade que me deu e que confiou na minha capacidade. Depois com a sua saída veio o Mister Edmundo que continuou a apostar em mim, ao qual, também, agradeço a confiança que depositou em mim. Subimos em ano de centenário e foi uma experiência na qual aprendi muito, tanto com os Misteres Edmundo e Vieirinha, como com os Jogadores que foram fundamentais no nosso sucesso”, sublinhou Sander Guerreiro.

Após este bom percurso, surgiu o convite de ir para Moura, no Alentejo: “O Convite surgiu através de um ex-treinador do Moura que acreditou na minha capacidade. Também, porque havia jogadores que iriam pertencer ao plantel do Moura idos do Esperança de Lagos que deram boas referências minhas. Vivi no Alentejo e vinha todos os fins de semana para estar com a família e com a minha namorada que é parte fundamental na minha carreia, apoia-me e sempre me deu forças para continuar, mesmo nos momentos mais difíceis”, esclarece o treinador algarvio.

A seguir a Moura, surgiu o Clube Desportivo Pinhalnovense e como a vida de treinador é ter sempre a mala feita, Sander Guerreiro recorda: “Depois da mudança de treinador em Moura houve a hipótese de eu sair também. A direção do Moura quis que eu ficasse; acabei por aceitar a oportunidade que me estavam a dar de continuar num grande clube. A vinda do Mister Bruno Ribeiro que para mim é sem dúvida a minha grande referência na qual aumentou sem dúvida o meu nível como treinador foi sem espetacular. Surgiu, depois o convite ao Mister Bruno para ir representar o clube satélite do Vitoria de Setúbal, o qual aceitou e convidou-me para ir com ele. Claro que aceitei, para mim era o seguimento de um sonho, estar ao pé dos melhores. A passagem pelo Pinhalnovense foi muito positiva no qual estávamos condenados a descer de divisão e recuperamos na tabela classificativa de forma espetacular 10 jogos, oito vitórias, um empate e uma derrota. Depois o Mister Bruno recebeu o convite para o Vitoria de Setúbal e o clube decidiu que eu ficasse à frente da equipa do Pinhalnovense com treinador principal. Era uma etapa nova e com grande responsabilidade sabendo-se que tinha apenas 26 anos e era o treinador mais jovem de todos os campeonatos nacionais a nível sénior. Sentia que estava preparado e conseguimos em dois jogos tirar o Pinhalnovense da zona de despromoção. Aí tudo mudou, não sei se por interesse de quem, a verdade é que os clubes entraram em rotura, ou seja, o Pinhalnovense e Vitoria Setúbal e as consequências disso foi a saída de toda a equipa técnica do Pinhalnovense. E assim acabou a aventura que estava a ser muito boa”.   

 

 Plantel do Clube de Futebol “Os Armacenenses”, da época 2015/16, sendo que alguns futebolistas saíram em janeiro: Em cima: Vítor Pimentel, Carlos Gomes, João Correia, Ruben Monteiro, Joni Pereira, Michael Duarte, Dante Ulrich, Sander Guerreiro, Carlos Serol, Miguel Guerreiro, Ricardo Piedade, Rodrigo, Fernandes, Flavio Pimentel, André Araújo, Ricardo Duarte, Marco costa.Em baixo:Tiago Costa, Pedro Duarte, Micael Pinto, Micael Liljenberg, Flávio Vitorino, Fábio Tavares, José Salvador, Marco Santos, Marco Silva, Diogo Santana.

 O presente e de novo no Algarve                

No final da época de 2014/15 surgiu o convite do Clube de Futebol “Os Armacenenses”. Foi fácil aceitar? Já conhecia o clube a nível de dirigentes? Estes pediram-lhe objetivos, como o da subida? Questionamos: “Foi fácil sim. Sabia das condições que o clube tinha e das perspetivas que os dirigentes tinham para esta época. Os dirigentes só os conheciam de vista e não pessoalmente. Mas digo já que tem sido muito agradável trabalhar com pessoas sérias como esta Direção. Têm sido incansáveis para dar as melhores condições aos atletas do clube. Os objetivos que me pediram foram poder fazer o melhor possível, uma classificação que pudéssemos no fim dignificar o clube e a terra que bem merece. Jogo a jogo alcançar vitórias e depois no fim se verá como fica a nossa classificação final”.

Antes de falarmos do treinador Sander Guerreiro, como se define enquanto futebolista que foi? Em que posição jogava? Já explicou os motivos de abandonar a carreira como praticante, acha que podia chegar a outro patamar, ou era um jogador normal? Quisemos saber: “Como jogador considerava-me um jogador normal com algumas qualidades mas também com algumas lacunas. Comecei como médio ofensivo e com o passar dos anos fui recuando acabando como, médio defensivo”, refere Sander Guerreiro.

No plantel que tem à sua disposição jogadores mais velhos. Como lida com esse facto? - “É verdade que temos jogadores mais velhos que a equipa técnica, são atletas muito sérios e com uma grande capacidade a todos os níveis. São verdadeiros homens e só assim poderia haver a relação muito boa que temos entre todos. Lidamos bem com isso. Existe um grande respeito mútuo”, realça o treinador.

O clube está no início da segunda volta do Campeonato Distrital de Seniores da 1ª Divisão da Associação de Futebol do Algarve nos lugares do pódio. A que se deve esta boa classificação? – “Esta classificação deve-se essencialmente à capacidade dos jogadores ao serviço do clube. Eles têm sido incansáveis para poder dar o máximo. São pessoas de grande carater e com grande capacidade a todos os níveis. Tem sido um prazer enorme poder trabalhar com este grupo fantástico. Existem, também pessoas que trabalham para o sucesso da equipa e todos eles e que são muito importantes, dirigentes, fisioterapeutas, técnicos de equipamentos e o homem da nossa mística (Zé Gregório) que sem dúvida é um ser humano espetacular e que tem transmitido aos atletas a mística de Armação de Pêra”.   

Os jogadores do plantel foram escolhidos pelo Sander Guerreiro ou foram-lhe impostos? – “Os atletas foram escolhidos pela equipa técnica, todos eles muito competentes e com grande capacidade, são sem dúvida também grande parte do sucesso que temos tido este ano, analisando o perfil de cada um a todos os níveis. A direção foi muito importante na construção do plantel”

Para o treinador Sander Guerreiro quais as qualidades que o jogador deve ter, desde os treinos, aos jogos em si e fora dos relvados, ou seja como cidadãos? – “Essencialmente procuraram jogadores de grande caracter e que quiseram pertencer a este projeto de corpo e alma. Todos os atletas têm de ter uma atitude de treino muito forte e de grande competitividade, para depois poderem corresponder às exigências que o jogo tem. Fora dos relvados é claro que a este nível existem muitos fatores que não podemos controlar, mas basicamente são pessoas responsáveis e honestas. Encontramos neste grupo um conjunto de características que procurávamos e Armação de Pêra pode orgulhar-se destes homens que todos os dias defendem as cores do clube e da terra”.  

Quem assiste aos jogos que dirige como treinador, apercebe-se que raramente se senta no banco, gesticula e dá instruções e aplaude por vezes os seus jogadores, embora, sem excessos. É a sua maneira de ser, atendendo que é jovem, tem receios que pode ser criticado ou cair no ridículo perante os futebolistas, dirigentes, árbitros e associados, ou ainda anda à procura do seu próprio estilo como treinador? – “Essencialmente aquilo que me caracteriza, uma pessoa com grande ambição e com grande vontade de vencer. Transmito isso aos jogadores. A minha forma de estar é motivá-los sempre a darem o seu melhor e fazer com que eles acreditem muito nas suas capacidades. Raramente me sento no banco, porque vivo muito intensamente cada lance e cada momento do jogo. Sinto que isso nunca vai mudar. Não tenho receio do que se possa dizer, tenho grande confiança no meu valor e no valor das pessoas que me rodeiam da equipa técnica, direção e jogadores, pois só assim, poderemos ter sucesso”

Depois dos treinos e nos jogos aos sábados e porque ainda é jovem, convive com os seus pupilos nas horas vagas? – “Sim, antes de serem meus atletas muitos foram meus colegas e amigos. Sabemos separar as coisas. Nos treinos e nos jogos sou treinador deles, amigo deles e que pretende que eles sejam sempre sérios no que estão a fazer. Fora dos “Armacenense” convivemos como amigos. Um grupo unido convive dentro e fora do clube, como já devem ter ouvido em várias declarações de jogadores e treinadores, ali temos de certeza absoluta a nossa “segunda família”.                  

Já agora, o Sander Guerreiro vive do futebol? Dá para viver com os valores recebidos nos distritais? Ou tem outra profissão e qual? – “De momento sou só treinador de futebol. Claro que não dá para sozinho sustentar uma família, mas com o apoio da minha namorada tem sido possível ate á data”.                                      

Treinar à noite, deslocações a partir dos locais de trabalho e de residência e chegar a casa cerca das 23,00 horas é cansativo para si e para os futebolistas? Como lidam com isso? – “Claro que temos de saber lidar com isso. Noutros clubes treinávamos de manhã, mas eram profissionais. Aqui temos de saber gerir a situação até com os jogadores que trabalham. Temos de saber tudo sobre eles para gerirmos a nível físico, mas essencialmente a nível psicológico. Lidamos bem, não há outro caminho”, esclarece.

Quais as expetativas em relação à classificação final do campeonato para o CF”Os Armacenenses”? – “As expetativas são fundamentalmente voltar a colocar o clube onde merece, sempre nos lugares cimeiros. No fim veremos como acaba”, analisa.   

Independentemente da classificação final, ainda é prematuro saber se vai continuar ou não na próxima época no clube? – “Sim, ainda é prematuro falar dessa situação, vamos a meio da competição mas a passagem pelo “Armacenense” está a ser muito positiva, pois quando encontramos pessoas sérias a todos os níveis, a vontade é sempre de permanecer”.

Atendendo que tem apenas 27 anos, quais são as suas referências a nível de treinadores? – “Tenho algumas referências claro, gosto de vários estilos e tento “beber” o melhor de cada um. Mas os nomes são claramente o Bruno Ribeiro, Mourinho, Klopp, Jorge Jesus, Pep Guardiola”, sublinha. 

Daqui a uns anos, onde espera estar a treinar? Na Liga principal? – “Tento ser sempre o mais ambicioso possível. Isso é sempre objetivos que estão na cabeça de qualquer treinador. De momento pretendo subir degrau a degrau sabendo que o caminho é longo e muito difícil. Mas sim, é um desejo que tenho”, sublinha com um pequeno sorriso nos lábios. 

Finalmente, como se define como treinador? – “Defino-me como muito sério e profissional ao máximo. Tento sempre passar isso a quem me rodeia. Claramente, procuro ser um treinador próximo dos jogadores. Com uma relação treinador - jogador muito forte. No treino sou exigente com eles para que possam corresponder às exigências do jogo. Procuro estar em cima de todas as situações e que não falte nada aos jogadores. Como diz uma das minhas referências acima, sigo aquela linha e não me desvio dela”, garante, acrescentando por último: “Por fim, gostava de agradecer a toda a massa adepta que nos tem apoiado e que tem marcado presença nos nossos jogos. São fundamentais nas nossas conquistas. É com grande alegria e um sentimento muito grande que em jogos fora conseguimos colocar mais adeptos de Armação de Pêra do que os clubes visitados. São claramente o nosso 12 Jogador. Em nome do grupo, um obrigado e que continuem a apoiar-nos. Quantos mais melhor”.

O lado “B” de Sander Guerreiro:

Além de profissionalmente se dedicar ao futebol, como é Sander Guerreiro enquanto jovem cidadão em casa, entre os amigos e ainda do que gosta e não gosta. É extrovertido ou inibido – Sinto que sou uma pessoa normal. Depende do ambiente em que estou.

Para além do futebol, tem alguns hobbies – Gosto de ir ao cinema e de estar com os amigos e família.

O que é que lhe chama mais à atenção no sexo oposto – O sorriso da minha namorada. É sem dúvida para mim sempre um momento muito bom.

E o que é que aprecia mais e detesta no ser humano – Falsidade.

Em casa é uma pessoa arrumada ou assim, assim – Mais ou menos. Quando vivia na casa dos meus pais era desarrumado. Na minha casa gosto que esteja tudo arrumado.

É jovem para ajudar nas tarefas domésticas – Ajudo muito, ainda mais agora que brevemente serei pai.

Sabe cozinhar – Sei alguns pratos. A minha mãe é uma excelente cozinheira.

Que prato aprecia mais – Bacalhau à Brás.

E o que detesta e não come mesmo – Comida com cogumelos.

Quanto tempo passa em frente de um espelho antes de sair de casa – Nunca muito tempo.Quem me conhece sabe que não sou em nada vaidoso.

Entrevista e fotos: João Pina e Mário Cabano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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