Dia: 23 de Mai
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Napoleão Mira, das "Entradas" na vida, passa pelo "Rossio de Lisboa como Príncipe" a caminho dos palcos do diseur dos romances "Ao Sul" nos tons do "Fado" e “De Coração D’ Interiores” com "12 Canções Faladas e 1 Poema Desesperado"

Napoleão Mira nasceu humilde, alentejano de gema, algarvio de coração, estudante de dia e à noite numa porrada de anos em Lisboa. Desde cedo que puxou para as artes, porém, a necessidade fez com que abraçasse a hotelaria e turismo num hotel aos 15 anos – Hotel Príncipe – onde aprendeu de tudo; até os meandros de um “bom malandro” lisboeta. De rececionista hoteleiro, estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde cursou cinzelagem, ao mesmo tempo que escrevia poemas e foi vocalista de um conjunto de baile, chegando, porém, à conclusão que não tinha muita vocação para ser cantor, no entanto, o vírus dos palcos contaminaram-no até aos dias de hoje. Apaixonou-se em Lisboa e casou, sendo pai de dois filhos desse casamento inacabado. Contudo, o destinou-se mudou-lhe a vida quando veio passar férias ao Algarve e, passados 32 anos, ainda por cá anda encantado com o sul e com os amores da sua Natália e de outra filha, a Catarina Mira, cara conhecida da Sic e hoje a estudar arte em Londres. O «Algarve Mais News», de uma forma informal, conversou com Napoleão Mira, hoje um dos melhores diseurs de poesia do país, e ainda, poeta e escritor com livros e álbuns gravados, cujas palavras recordações oferecemos aos nossos leitores:

 

Texto e fotos: João Pina

 

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

 

Napoleão Mira nasceu em Entradas, concelho de Castro Verde, Alentejo, no ano de 1956 e, quando chegou a hora de se agarrar os livros, aos sete anos, fez a mala e foi de abalada para a cidade grande, ou seja, Lisboa, Depois de concluída a primeira classe em Entradas, como tantas outras famílias alentejanas, tivemos de nos fazer à vida para escapar à fome. Os arredores de Lisboa, Camarate, propriamente, foi o nosso destino. Curiosamente, fomos viver para um bairro clandestino (Fonte da Pipa) que nem eletricidade possuía, enquanto lá no meu Alentejo profundo esta facilidade já tinha sido inaugurada”, disse Napoleão Mira no início da conversa com o jornalista, por sinal, amigos de outras andanças, adiantando de seguida: “Estudei até à quarta classe na escola primária da Charneca do Lumiar. Depois, prossegui outra espécie de estudos na família, já que os meus irmãos ao atingirem este patamar eram encaminhados para o mercado de trabalho. A mim, coube-me em sorte continuar, para o caso, na Escola Técnica Elementar Eugénio dos Santos em Alvalade onde conclui os dois anos de transição que aí se praticavam. Depois desta etapa, prossegui os meus estudos na Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde cursei Cinzelagem, tendo sido o último estudante a terminar esta aprendizagem artístico/profissional, já que depois de mim foi descontinuada, passando a chamar-se Artes do Fogo abrangendo outras valências”.

Napoleão Mira estudou até aos 17 anos, dois anos no ensino noturno, tendo concluído, enquanto jovem o equivalente ao quinto ano escolar e, segundo relatou ao«Algarve Mais News» começou a trabalhar aos 15 anos no Hotel Príncipe em Lisboa, adaiantando: “Ao tempo para ingressar na hotelaria era necessário ter uma cunha. Alguém que nos fizesse o favor de nos recomendar. Ordenado por assim dizer era coisa que não existia. Éramos pagos “ao ponto”, ou seja, a divisão da taxa de serviço (10 por cento) era efetuada somando todos os pontos das categorias profissionais, (mínimo um e máximo nove) e assim se encontrava o valor do “ponto”. Os pagamentos eram efectuados a cada quinze dias, mas em determinadas alturas, recebia-se pouco mais que nada, já que os funcionários viviam da flutuação da ocupação hoteleira e da vontade dos clientes gastar dentro da unidade.

De qualquer modo, este foi um tempo bom. Um tempo de descoberta. Um tempo de crescimento. Nesse emprego conheci uns e travei amizades com outros, gente de entre a qual ainda preservo alguns bons e leais amigos.

Assim, a talhe de foice, recordo-me do grande ator Steves Reeves que fazia filmes da época romana, as chamadas fitas de gladiadores muito em voga na altura.

Este ator, já no ocaso da sua carreira, vinha andar a cavalo nos arredores de Lisboa. Quando chegava pedia a um de nós para o ajudar a descalçar as botas de montar. Quando me tocava a mim, o homem punha-me de costas, cravava uma das botas entre as minhas pernas que eu segurava com as duas mãos, e com a outra empurrava-me até que a bota se soltasse. Depois, repetia-se o processo com a outra perna. Resultado: gratificava-me com cinco dólares que representava qualquer coisa como cem escudos. Muitos chefes de família com um bom emprego não ganhavam cem escudos por dia! Conheci muita gente. Toureiros, músicos, cantores, futebolistas, o Benfica estagiava lá. Fui e ainda sou amigo de muitos jogadores que passaram pelo clube do meu coração. Bem! Se fico aqui a falar desses tempos não fazemos uma entrevista. Escrevemos um livro! Foi aí, no Hotel Príncipe que conheci a Isabel, a minha primeira mulher, por quem loucamente me apaixonei, com quem casei e de quem tenho dois filhos, o Samuel e a Susana, de que me orgulho de sobremaneira. E foi daí, que um dia rumei ao Algarve.

 

Napoleão Mira, alentejano de raiz, adolescendo e feito homem em Lisboa, fala com nostalgia desses tempos de descoberta e descobre-nos o seu feitiço pelo Algarve falando com sonância poética: “Quando cheguei ao Algarve para repensar a minha vida depois de uma conturbada separação da minha primeira mulher, aterrei na Praia do Carvoeiro. Como era amigo do Joaquim Oliveira, proprietário do Bote, uma famosa discoteca nesta vila piscatória, confessei-lhe que não pensava regressar a Lisboa. Logo ali, entre dois whiskies, me foi proposto começar a trabalhar no dia seguinte. E assim, deste modo surpreendente, deixei tudo o que tinha na capital e dei início à minha vida à beira-mar plantado.

Os anos do Bote (1983/84) foram anos gloriosos.

Aqui voltei a conhecer muita gente.

Aqui me voltei a reencontrar.

Aqui me voltei a apaixonar.

Por aqui deixei que o coração voltasse a ditar a sua lei.

E aqui voltei a ser feliz.

Tive um restaurante, trabalhei em aldeamentos turísticos, até que um dia resolvi enveredar pelo marketing turístico, coisa que ainda hoje é o meu ganha-pão.

Nesse período conheci a Natália, minha atual mulher de quem tenho uma filha, Catarina Mira, e com quem me sinto realizado.

A vinda para o Algarve foi uma decisão acertada e uma bênção na minha vida!”

A Napoleão Mira não é necessário perguntar como é costume fazer-se aos entrevistados, puxar por eles, ele sabe do ofício, de jornalismo e em jeito de escritor, relata o que ainda, retém na memória, o nome e a imagem dos amigos de tempos passados, as primeiras saídas à noite, os primeiros amores ditos para casar e, os chamados clandestinos das noites bem passadas, passamos-lhe a palavra na primeira pessoa: “Muitos dos amigos desses tempos perderam-se na voragem do tempo. Outros, repousam agora lá pelas planícies eternas.

É assim a lei da vida.

Desses tempos algarvios em que para mim as noites eram dias, os amores ocasionais foram mais que muitos. Alguns vividos com grande intensidade, outros até com promessas de vidas em comum que nunca se chegaram a concretizar.

Foram anos de euforia e de descoberta. Livre como só os pássaros o são, deixei que o meu coração decidisse para onde ir”.

Continuamos a conversar e à baila vieram os anos em que viveu em Lisboa, a convivência com artistas, cantores, músicos sonantes do panorama musical. Andou pela noite de braço dado com a cultura e com a boémia, as amizades e, sobretudo, aquele ambiente despertou-o para a escrita, poesia, música, a vontade que hoje tem de subir aos palcos:

"A Lisboa sempre regresso. É a minha cidade, aí despertei para a escrita nas suas diversas formas.

Aí concretizei alguns sonhos.

Alguns efémeros, outros mais palpáveis.

Foi na cidade branca que tive o meu projeto musical, numa altura em pensava saber cantar. Ainda bem que pouco durou, porque, para cantar, nem no chuveiro tenho jeito. Mas, aqui fica o retrato. Chamava-se Superfly e ainda fizemos meia-dúzia de apresentações até ao seu prematuro desmembramento.

Como ensaiávamos no Intendente, numa dessas casas regionais, julgo que a de Figueiró dos Vinhos, tínhamos por acordo e contrapartida abrilhantar um baile por mês. Só aconteceram dois na minha vigência de projeto falhado de vocalista de conjuntos de baile.

Recordo que a maralha que aparecia nessas matinés para um pé de dança, eram os locais da região, mas sobretudo as prostitutas e respectivos proxenetas que ao tempo enxameavam as ruas do velho bairro lisboeta.

Eu, lá de cima do pequeno palco, já me encantava com esta espécie de fauna urbana que tanto aprecio. E enquanto debitava com a minha voz de cana rachada um slow a imitar o Demis Roussos, avaliava da evolução dos engates que ocorriam na pista”, recorda com um brilho de saudade no olhar, continuando a vasculhar no baú das memórias:Foi em Lisboa que tive o meu primeiro projeto literário. Chamava-se “Sulcos”, com o subtítulo “De Gritos Nas Escarpas”.

Era uma revista poética e literária que não resistiu ao primeiro número. Ficámo-nos pelo número único. Com o material que deveria ocupar as páginas do segundo, fomos vender os poemas em folhas avulsas na feira do livro. Amarrotávamos os poemas e, como se fossem castanhas, eram metidos em cartuchinhos feitos de folhas das páginas amarelas e depois vendidos à dúzia e já não me lembro do preço que cobrávamos. Recordo sim, que com o dinheiro que arrecadámos, gastámo-lo em vinho e cerveja.

E assim nasceu e morreu a Sulcos”, confessa Napoleão Mira.

 

 

A paixão pelo Algarve

 

Corria o ano de 1983 e o homem já feito em termos de maturidade na casa dos “trintas”, descobre o Algarve, qual paraíso encantado a caminho de um ciclo intelectual e artístico. O «Algarve Mais News» questionou Napoleão Mira os porquês? Os motivos? Para estar mais perto da terra Natal, «Entradas», ou atrás do bom clima, das oportunidades de trabalho?

“O sul sempre foi a minha perdição. Por alguma razão o meu primeiro livro se chama "Ao Sul"!

Quando pensava em viver noutro lugar, era sempre o sul que me surgia como imaginário ponto cardeal. O Algarve estava em franco crescimento. Muitos profissionais eram recrutados em Lisboa para colmatar a falta que por aqui faziam, e eu, se calhar de forma intuitiva, também aqui vim procurar o meu futuro.

Entenda-se que, ao tempo, estava farto de Lisboa, tinha-me separado recentemente e, quando naquela noite de princípio de verão decidi partir, dei não sei quantas voltas a Lisboa à procura de um rumo. De um norte que afinal apontava a sul. Apenas sabia que tinha de abalar e não sabia para onde. Como não se deve contrariar o destino, fiz-me à estrada e passados 32 anos ainda por aqui estou”, começa por recordar a grande aventura por terras do sul, ou a paixão pelo Algarve.

Lançamos o desafio a Napoleão Mira para rememorar o que lhe ia na alma há 32 anos: Foi a melhor qualidade de vida decerto do que em Lisboa, o tal bom clima, o saboroso peixe assado, o glamour das noites, a beleza das algarvias que contribuiu para a paixão de Napoleão Mira pelo sul do país e que lhe relembrou que «até tinha jeito para escrever». O que se passou? Afinal, sobretudo, que passados anos, fundou e dirigiu a revista «O Trigueirão» e passou a colaborar com jornais e revistas regionais? “Para responder a esta pergunta tenho de ganhar fôlego”, diz Napoleão Mira, prosseguindo de imediato:

“A escrita sempre esteve presente na minha vida. Recordo um episódio que até já publiquei em forma de crónica. Lá pelos idos anos 60, o meu falecido pai, nesse mesmo bairro para onde fomos viver nas aforas de Lisboa, apostava rodadas de copos de vinho se os seus amigos me encontrassem sem um livro debaixo do braço. Um orgulho e uma responsabilidade para aqueles dois palmos de gente que era eu. Julgo que tais rodadas nunca chegaram a ser pagas.

Depois veio um tempo, literariamente falando, em que hibernei. Fi-lo por muito tempo. Escrevia uma coisita aqui, outra ali e ia guardando. Mas falamos de episódios verdadeiramente episódicos. Lá de quando em vez saía um poema, um pequeno texto de prosa poética até que deixei mesmo de escrever por largo tempo.

Aquando do meu regresso ao Alentejo, dá-se esse “alcoolicoepifânico” momento (inventei agora a palavra!) e resolvi dar vida ao «Trigueirão». Uma pequena revista com sede em Entradas, que falava da terra em particular e do Alentejo em geral.

Eu não sabia, mas o que eu queria era escrever estórias, e este era o canal aberto que acabara de engendrar. Aí sim! Não voltei a parar. Depois veio a Internet e a blogomania. Eu também criei um (pulanito.blogspot.com) para relatar as minhas viagens solitárias em bicicleta por esse país fora.

O blogue foi crescendo em número de artigos e leitores e, às tantas, tinha alguns convites para escrever na imprensa regional. Daí ao livro foi um pequeno grande passo. A partir desse momento fiquei com vontade de deixar por cá a minha peugada. É isso que tenho vindo a fazer nos últimos anos, ainda que sempre insatisfeito com o resultado do material que tenho produzido”.

Do seu currículo consta que na música, criou «Pratica(mente)» e «Slides — Retratos da Cidade Branca» para o aclamado disco «Pratica(mente)» de Sam The Kid, seu filho. Participou com o tema «Subúrbio», no disco «Eu e os Meus» de Dino & The Soulmotion. Integrou o projeto «Hip Hop Pessoa», por altura do 120º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa, recriando e dizendo «Tabacaria». Em parceria com Sam The Kid, criou e interpretou, para o primeiro «Festival Silêncio!», o espetáculo «Palavras Nossas». Em 2010 lançou o livro «Ao Sul», uma compilação das suas melhores crónicas. Recentemente participou nos trabalhos discográficos da reconhecida banda Orelha Negra e no esperado CD de Sir Scratch editado em 2012. Em 2012 editou o seu primeiro romance intitulado «FADO», obra que atingiu uma notoriedade assinalável junto do público. Em 2014 editou o livro de crónicas, estórias e textos intitulado: «De Coração D’Interiores».

À nossa frente, e depois de confirmar o currículo que acabamos de lhe reviver, Napoleão Mira olha o infinito, quiçá, memorando os trilhos da vida e quanto tempo perdeu para ser evocado como escritor e recitador de poemas seus e de poetas famosos, questionamo-lo se ainda se se lembra da primeira vez que declamou um poema, onde e porquê, ao que respondeu?

“Lembro-me e tenho vergonha. Aliás é das poucas coisas que, quando olho para dentro, me envergonho.

Fui passar umas férias ao Rosmaninhal, a tua terra (é verdade sou natural dessa maravilhosa terra raiana), só para que vejas da pertinência da tua pergunta.

Era verão. A rapaziada reunia-se junto a uma fonte debaixo de um candeeiro, aí, desafiei já não sei quem, a fazer comigo uma espécie de teatro de improviso. Inventei um personagem e ficámos ali naquela galhofa até às tantas.

Alguém do grupo que não recordo, disse que ia haver um espetáculo na terra, uma coisa assim popularucha que metia crianças da escola.

Já não sei se incentivado pelos comparsas de ocasião, se por algum “vibe” da minha loucura momentânea, invadi o palco e pedi para dedicar um poema ao Rosmaninhal. Alterei ligeiramente o poema e cheguei-me ao microfone. Confesso que estava ligeiramente tocado. Ou será que estava para lá de Bagdad? (risos!) Bem, agarrei no microfone e disse o poema. Esse poema, curiosamente é, hoje em dia, o tema com que abro os meus espetáculos.

É disto que eu gosto. De me surpreender. A tua pergunta fez-me vasculhar na memória esta feliz coincidência que tem a ver com passado e presente, contigo e comigo e sem qualquer intenção. Obrigado por perguntares!”, sublinhou o escritor poeta e ator, visivelmente emocionado também.

Ao longo dos últimos dois anos, o jornalista e o Napoleão Mira têm feito muitas viagens, ele como parte integrante de um espetáculo seu e o signatário como amigo e em trabalho, diga-se, agradável sempre e de muito convívio; pelo que não consideramos uma entrevista a presente publicação, mas sim, o relembrar de horas e horas de estrada e de confidências.

Em 2015 Napoleão Mira participou nos trabalhos discográficos do coletivo Reflect chamado: «Gata», e ainda, na mixtape de Grilocks intitulada: «Carisma» e criou com o coletivo «Reflect» a performance de spoken word: «12 Canções Faladas e 1 Poema Desesperado», estando o lançamento do CD marcado para o dia 20 de fevereiro no Teatro Municipal de Portimão «TEMPO». Quisemos saber que balanço faz destes últimos anos e que expetativas tem para o ano de 2016?

“É pá, o balanço artisticamente é muito positivo. Economicamente um desastre!

Vou apenas falar do sonho e deixar para outras calendas o pesadelo. Não podia estar melhor! Aos sessenta anos vou editar um disco (lançamento oficial a 20 de fevereiro no Teatro Municipal de Portimão – Tempo). Tenho de confessar que devo estar um tudo ou nada insano e ao mesmo tempo orgulhoso. São sentimentos contraditórios mas, neste momento é o que me vai na alma.

Tenho de deixar aqui o meu agradecimento ao Pedro Pinto e aos Reflect, uma malta que me empurrou para estas lides. Sem eles, esta realidade jamais passaria disso; de um sonho de projeto!

Esta jovem comunidade de artistas sediada na Kimahera, em Armação de Pêra, produz arte em catadupa, diria mesmo às pazadas. São gente capaz, com talento e valências que ombreiam com o que de melhor se faz em Portugal, e eu, tenho o maior dos orgulhos em fazer parte desta família”, adiantou a finalizar esta conversa amiga e jornalística.

Napoleão Mira está neste momento a trabalhar em dois novos livros, um de viagens e um novo romance com lançamento previstos também para o corrente ano de 2016. Desafiamos o escritor a descobrir o véu destes dois livros que ainda estão na fase de produção literária?

“Sim, tenho dois projetos literários em andamento. Um deles chamar-se-á «Olhares», e é um livro de relatos de viagens. Nos últimos três anos tenho viajado com a Natália, minha mulher, por terras asiáticas. Fui tirando notas a que chamei olhares/instante, uma espécie de fotografia feita relato e, quando dei por mim, tinha material mais que suficiente para ser editado em livro.

Durante a minha recente estada na Índia resolvi mesmo dar-lhe corpo e é nele que agora estou a trabalhar.

Quanto ao romance, já está escrito na minha cabeça, falta apenas passá-lo para o papel. Não sei quando o terminarei, mas é o trabalho que levarei a acabo depois do disco e do livro de viagens.

Será um romance localizado entre o Algarve e o Alentejo. Começa na segunda guerra mundial e termina em 2001 e mais não posso dizer”, finaliza Napoleão Mira. 

 

 Confirmação de um talento “diseur” de poesia

 

 Em final de entrevista, recuperamos algumas palavras escritas e publicadas acerca de Napoleão Mira pelo jornalista em tempos não muito remotos:

 A poesia apresentou-se pela noite de um sábado, véspera do "Dia Mundial da Poesia", no «Clube de Futebol “Armacenenses», na voz do escritor poeta e diseur, Napoleão Mira.

 Este alentejano algarvio fez-se acompanhar pelo jovem filósofo de palavras escritas, Pedro Pinto, divulgador da obra e pensamentos de Carolina Tendon e, os dois acompanhados pelos "Reflect", qual gang de um punhado de jovens criadores musicais de outros sons vanguardistas do tempo que passa.

 Uma noite especial de poesia ao vivo em Armação de Pêra, novo polo de cultura feita por jovens em crescimento banhados pelas brisas sopradas nas ruas com o mar ao fundo.

 Napoleão Mira! Porra! Companheiro!

 Alentejano que conheci na noite de Lisboa e que nos reencontramos nas madrugadas da Praia do Carvoeiro, trabalhador nas ondas turística do Algarve e, que nas horas vagas, parias crónicas escritas feitas livros depois.

 Amigo que viajas pelo mundo à procura de outras culturas.

 Que tens dois filhos criadores que vagueiam profissionalmente entre as luzes da ribalta.

 Que trabalhaste e trabalhas para ti e para a família uma vida inteirinha.

 Finalmente decidiste subir aos palcos da cultura maior - a poesia teatro das palavras escritas e faladas quais gritos de palmas -, porra, de novo - que noite meu amigo!

Eu, que vivia de saudades de João Villaret e Mário Viegas, descobri um diseur maior, amigo, apaixonado pelo pão com queijo e chouriça alentejana a trincar azeitonas regadas a vinho d' Entradas.
Obrigado! Napoleão Mira, pelo sarau poético que ofereceste a cerca de duas centenas de pessoas em noite de primavera nascente.
Este 20 de Março de 2015 fica na história do já velhinho «CF Armacenenses» como a data da confirmação do melhor espetáculo de poesia dita e falada deste país em crise mas recheado de cultura e criadores a ferver à procura de oportunidades.
Um abraço ao jovem Pedro Pinto, espelho mágico dos «Reflect», que acrescentou e produziu este espetáculo “Napoleão Mira & Reflect – 12 Canções Faladas e 1 Poema Desesperado” com o talento nato do Napoleão, novo mirante poético português pelos atalhos da cultura.
A hotelaria turística e as marcações de viagens perdem um profissional a tempo inteiro e por conta própria, mas o país ganhou um criador sem medos das palavras e dos palcos.
Faz-te à "estrada", Napoleão Mira, tens o melhor espetáculo de palavras faladas do país.
A juventude e os amantes e entendedores de cultura precisam do teu talento criador de emoções faladas escutadas nos silêncios da vida.
Vai em frente amigo!

 

Texto: João Pina

Fotos: João Pina, Camille Leon e Diogo Correia

 

 

 

 

 

 

 

 

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