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“Eles Querem €… Fado e Baile” ou “Toma lá Fado! E Ri-te! no Boa Esperança de Portimão - Centenas de pessoas do Algarve vestem-se de gala para ver mais uma Revista à Portuguesa que em ritmo de sucesso após sucesso se apresenta há mais de meio século

“Eles Querem €… Fado e Baile” ou “Toma lá Fado! E Ri-te! no Boa Esperança de Portimão - Centenas de pessoas do Algarve vestem-se de gala para ver mais uma Revista à Portuguesa que em ritmo de sucesso após sucesso se apresenta há mais de meio século”

É o espetáculo do povo para o povo, no qual a burguesia e os novos-ricos são retratados com barrigadas de riso servidos pelo mestre do improviso, Carlos Pacheco, portimonense de gema que vive para o teatro e do teatro.

Desde a noite de 13 de fevereiro, data de estreia da revista em cena que o Teatro do velhinho Boa Esperança, no entanto, acolhedor e com o mínimo de condições para a cultura e entretenimento na cidade capital do barlavento algarvio, que esgota em todas as sessões às sextas-feiras, sábados e duas matinées aos domingos, ou seja, cerca de 800 a 1.000 espetadores por semana.

Nos dias de hoje é «obra», nem nos bons tempos do Parque Mayer, em Lisboa, ou Sá da Bandeira, no Porto – a tradicional revista de carnaval do Boa Esperança de Portimão em cena até meados de maio e depois em tournée pelo Algarve até setembro outubro – contínua sem perda de público.

 

   

 No domingo de 28 de fevereiro, excursões de Estoi e Olhão esgotaram com público o teatro e no final, Maria Santos proclamava: “Não falho uma revista há uma data de anos. É um pagode de riso, bons artistas e depois no verão quando vão para os meus lados lá vou outra vez. Só os cenários é que são os mesmos, a conversa do Pacheco é sempre a jeito, dá umas pazadas no que se passa na terra que uma pessoa ri-se à farta, mas depois a câmara vai logo reparar o que está menos bom na freguesia”.

 

   

  De êxito em êxito, Carlos Pacheco, a «alma genial» da troupe portimonense a longevidade das revistas mantém-se ao longo dos anos com muitas horas de ensaios e de preparação técnica e a confeção das roupas, cenários e o mais difícil é compor os textos e músicas sempre diferentes e da autoria do referido Carlos Pacheco que comanda cerca de 30 pessoas, entre bailarinos, atores, carpinteiros e técnicos de som e luz. Nesta temporada sobem ao palco, além de Carlos Pacheco, os atores Flávio Vicente, Telma Brazona, Sandra Rodrigues e Miguel Ângelo, que entre o guião escrito e decorado, improvisam muito com grande à vontade e profissionalismo e seguram as deixas do público e inventam sem desnorte do quadro.

Neste revista, que coincide com outra presidência da Câmara Municipal de Portimão e também do governo, há menos críticas em termos políticos a nível do concelho e também do país. A mudança da sátira tão popular e polémica deveu-se a cansaço, a «bater sempre no mesmo e sem mudanças», ou represálias por parte do poder e que inevitavelmente prejudica o Boa Esperança?

“Não, felizmente o Boa Esperança sempre foi acarinhado pela Câmara Municipal e Junta de Freguesia de Portimão. O Clube do Boa Esperança já teve futebol e outras modalidades desportivas, mas estamos num processo de renovação de associados e de hábitos e frequência da sede, uma vez que nos últimos anos temos perdido sócios, uns por morte e outros porque a idade não perdoa e a crise não permite o associativismo e não podemos viver só com a revista. Por isso, houve que atrair a população mais jovem, daí termos a Escolas de Danças de Salão a funcionar, a Escola de Fado e sempre as Marchas Populares. Ao todo é mais de uma centena de praticantes e todos eles são sócios e esperamos que fiquem por toda a vida, salienta Carlos Pacheco, adiantando: “Continuamos a fazer crítica porque é um mal necessário da Revista à Portuguesa e gostamos muito. No entanto, criticamos com leveza para que as pessoas descontraiam e continuem a vir. Não queremos aborrecer com as politiquices e as desgraças do país. Queremos dar-lhes noites bem passadas, que riam porque o rir faz bem e não paga por enquanto Iva” e a finalizar a conversa informal, o artista salienta as quartas-feiras do fado no bar do Boa Esperança, onde para além dos petiscos, cerca de duas dezenas de guitarristas e violas e às vezes 30 ou 40 fadistas oriundos e alunos da Escola de Fados não faltam: “São noites fabulosas, autênticas tertúlias, em que os artistas e músicos consagrados convivem com os mais novos e acontece o chamado «fado vadio». É muito bom! Aliás, um dos meus projetos é, talvez a partir de outubro passar a realizar de quinze em quinze dias ou uma vez por mês uma grande tertúlia do tipo café concerto com music-hall e fado, no salão principal do Boa Esperança onde está plateia que se desmonta e monta depois. Transformar aquele espaço com mesas e servir um bom jantar com variedades à moda antiga”, sublinha Carlos Pacheco.

  

   

No final dos espetáculos de revista, o ator e encenador Carlos Pacheco destaca sempre o papel dos atores, bailarinos e técnicos e agradece acima de tudo a presença do público que vêm de todo o Algarve para ver a revista. “A vossa presença é o motivo da nossa felicidade e o culminar de meses de ensaios, construção de cenários são sempre diferentes, escrita dos textos e das letras das canções originais”,diz todas as noites e tem sempre uma palavra de agradecimento especial para oator Flávio Vicente (o palhaço Salsinha), que é o criador pela conceção e fabrico dos cenários ao longo dos anos.

 O «Algarve Mais News» a propósito da Escola de Fado, e da grande revelação desta revista que é o jovem João Leote, ou seja mais uma descoberta do Carlos Pacheco, questionamos se o sucesso do jovem artista era aguardado e até onde vai com o seu talento? Quisemos saber, ainda, que conselhos lhe dão o produtor e amigo?

“O João já há três anos que quis entrar no espetáculo, na altura, disse-lhe que noutra oportunidade iria mostrá-lo ao grande público. Este ano e, para não ter sempre uma fadista, que aliás estava indisponível, falei com ele e uma das minhas preocupações foi que conquistasse o que está a alcançar, ou seja, fazer em palco o que lhe pedi e expliquei, relatou o encenador, acrescentando: “Existem dois elevados momentos sérios que dão a garantia de um grande espetáculo de revista. A parte cómica e a parte musical. Aproveitei o João para cantar vários géneros musicais e sempre de registos diferentes”.

 

   

 Quanto a conselhos, Carlos Pacheco refere que o João é dono de uma voz que já faz dele um fadista de muito bom nível, e que a sua presença no palco como ator conquistou o público que não poupa com aplausos no cada vez que entra em palco. No entanto, acrescenta: “Já lhe disse que é preciso continuar a trabalhar muito e todos os dias. O sucesso é por vezes efémero, para se alcançar demora anos, mas pode perder-se de um dia para o outro. Receitas não há! Além do talento, humildade, seriedade no que se faz, no querer aprender sempre... Nada de vedetismos e de se pensar que se tem o «rei na barriga» para toda a vida”.A terminar a análise amiga a João Leote, Carlos Pacheco destaca a postura correta da família, designadamente dos pais, “apoiam-no, mas não andam a pressiona-lo para cantar todas noites nos restaurantes que hoje em dia dão fado, não andam atrás dele para serem agentes e cobrarem os cachés. O João está no 12ºano e deve continuar a estudar acima de tudo. O teatro e as cantigas são um complemento. No futuro logo se verá! Primeiro um curso universitário, porque e como lhe digo a ele e a todos, o sucesso é efémero e depende muitas coisas”.

 

 Reportagem: João Pina

Fotos: Robson Studio

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