Dia: 22 de Jul
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Fanancialtimes. Edição especial. Mercados.

António Costa está ciente de que não precisa tomar quaisquer medidas adicionais.
António Costa tem razão.

Nem precisa que lha deem, porque se tem razão, tem razão, pese embora, eu entenda que para se ter razão é preciso que alguém lha dê? (razão).
Mas isso a mim nem me preocupa porque a razão de António Costa a mim não me aquece nem arrefece, pois com António Costa ou outro primeiro-ministro qualquer, se eu não fizer pela minha vida, ninguém vai fazer, o que não é o mesmo que as pessoas que votam no António Costa e que esperam que ele faça alguma coisa pela vida delas, pois a maior parte nem já sabe o que fazer à vida e espera que António Costa tenha razão.

Eu até acho que António Costa tem razão, a Europa está uma merda, acabaram com o Estado Social, os tratados estão todos errados, já nem os refugiados querem vir para Portugal, e nem tem a ver com o António Costa, que está farto de tentar convencê-los.

Dão-lhes casa e eles fogem na mesma.

Mas apesar de tudo isto, António Costa tem toda a razão.
O problema de António Costa é, que para a razão ser efetivamente dele, alguém tem que lha dar, e até agora nem mesmo a Geringonça está a dar-lhe toda a razão. Se bem que esse é o menor problema da razão dele.
Ora, desta forma, a razão não se aplica e nem serve para coisa nenhuma.
Portanto, o problema deve vir de outro lado, a saber:
António Costa é primeiro-ministro de um governo estável, com uma maioria absoluta na Assembleia da República. Recebeu os votos daqueles que achavam que ele ia fazer alguma coisa pela vida deles, que não pela vida do país, e tem o apoio dos partidos à esquerda, que também acharam que António Costa ia fazer muito pela vidinha deles.

E tem feito.
Ora, tudo isto está certo e dá razão a António Costa, não fosse o pequeno problema de não produzirmos o suficiente, para que António Costa trate das vidinhas da malta e temos que ir buscar dinheiro, imaginem vocês, aos mercados.
E este é mesmo o maior problema da razão que António Costa.

Os mercados, não lhe querem dar razão.

Estava tudo a correr tão bem, mas os mercados não compreendem.

O português é uma língua difícil, nós sabemos, ainda por cima com um sotaque da Venezuela, mas deviam entender... os mercados, e dar razão a António Costa.
Esta semana, mais uma vez, e porque ainda o deixam ir aos mercados, mesmo sem lhe darem razão, António Costa arranjou dinheiro, com juros um pouco acima dos 3%. Muito bom para um governo estável, que governa com o apoio da maioria e ainda muito abaixo dos 7% que é o número do futuro resgate.

Tudo bem.

Porreiro pá.

António Costa tem razão.
Mas esta porcaria de ter razão dá muita chatice, imaginem vocês que 3% é mais do dobro, do que paga a Espanha, que não tem governo, nem de esquerda e muito menos estável.

Mais uma injustiça.

António Costa começa a parecer o Calimero.
Lá estão os mercados a não reconhecer o esforço de António Costa, ainda por cima, sabendo os mercados que para ter um governo de esquerda estável, temos que ir aos mercados, porque queremos trabalhar menos e ganhar mais, o que além de democrático é legítimo, como o nosso governo.

E aí dou razão ao António Costa.
Porque é que não havíamos de ganhar mais e trabalhar menos?

Isto não é uma democracia, e de esquerda?
Logo neste ponto de vista, o problema de António Costa nem são os tratados, que ele e os apoiantes do governo até querem mandar às ortigas com um referendo, como na França para repetir a final, coisas com bom senso, problema são mesmo os mercados. Que merda, outra vez os mercados.
Mas isso tem solução, deixamos de ir aos mercados e declaramos a verdadeira independência nacional.

Já. " Independência ou muerte."

Pois muerte é assim mais fino e mais Venezuelano.
Vamos imprimir escudos, aumentamos os funcionários públicos em escudos, o que será muito bom para o Algarve e eventualmente mau para a TAP, mas agora é privada e pode dar prejuízo, e evita que façam férias lá fora.
Com escudos já vamos ter muito mais dinheiro para comprar melões, desde que não sejam importados, pois o preço seria qualquer coisa injusta.
No entanto vou concluir, acho que vocês já não podem ouvir falar de mercados, nem de melões.
Se, a Espanha, sem governo, tem dinheiro emprestado, muito mais barato que o nosso, seria de pensar em não dar razão a António Costa, pois além de ter dinheiro mais barato ainda não tínhamos de lhe pagar ordenado, o que daria para uns melõezinhos.
Mas acho que vocês perceberam, o problema não está em António Costa, que tem toda a razão, o problema está no preço que os mercados estão a cobrar pelos melões, para que António Costa continue a ter razão. 


Abraços

 

 Por Fernando Santos

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