Dia: 18 de outubro

Praias algarvias em segurança e bem vigiadas

Nestes dias de veraneio excecionalmente escaldantes e, não só calorentos, mas também, do estado de espírito que os portugueses da "nova geração" exibem a gastar os dinheiros que acossam através dos cartões de crédito, andam todos de cabeça no ar e com os nervos à flor da pele com os desatinos da trupe em férias no Algarve.

Nas praias algarvias nadadores salvadores olham pela vida dos turistas e forasteiros e, são observados por estes, sendo que a maior parte dos banhistas do sexo masculinos andam esgazeados com o que veem e as mulheres invejosas, também, pela desenvoltura de algumas nadadoras salvadoras...
Hoje, em dia, um pseudointelectual em férias ou desocupado de longa duração, tem ao seu dispor, seja antes do almoço ou depois de meia dúzia de sardinhas assadas e três copos de branco à pressão no "Zé Leiteiro", um par de horas de perfeito entretenimento, bastando estar atento às redes sociais e à conversa da treta que se escuta na mesa ao lado ou na praia na zona dos toldos alugados às madames da treta.


“Tenham paciência, é só um mês! O resto do ano é todo vosso. Enfim, mais vale ficar no silêncio às vezes, não se pode descer ao mesmo nível, nem remar contra a maré, minhas migas”

E, como estamos em julho, aqui vou eu de iPhone na mão para gravar alguns excertos de conversa fiada e captar algumas imagens à laia de paparazzi.  
"Já vale a pena sim senhor! Depois duma semana intensa de trabalho à espera da folga para ter um pouco de descanso e paz... Tenho que apanhar com estes tugas que vêm de férias e pensam que é tudo deles", refila a D. Alzira, quarentona, do Barreiro, que comprou as horas da tarde por debaixo do toldo alugado ao Zé João, na praia de Armação de Pêra para se tostar e espreguiçar ao sol.
Ao lado da D. Alzira, a Mena Patuleia, aposentada da antiga Caixa de Previdência da CUF, nascida na Zebreira, Idanha-a-Nova, mas uma vida a viver no Barreiro, acompanha a amiga na conversa de fim de tarde.
“Estamos num condomínio em que jogar à bola é normal e permitido. Apanhar com aqueles baques da bola é normal... E, que, educadamente, se pedirmos para pararem, apanhamos com uma família inteira a caírem em cima de nós. Igual, a uma família de ciganos em que a moral da história é ter paciência ou então que fechemos as portas e janelas e nos deitemos a dormir...”, argumenta. “Pois! É assim de férias no Algarve, e não vale a pena pedirmos que se portem civilizadamente, porque de seguida, a dita família descontraidamente entra na piscina a matar e a falar tão alto que para mim é mais biqueirada que outra coisa. E a rir à gargalhada, refresca a garganta a beber cervejolas pela garrafa à beirinha da água da piscina”, responde a D. Alzira do alto dos 60 anos, ao que a Mena Patuleia atira. “Paciência! Fechar portas e janelas e ir dormir...? Mas afinal! Eh pá! Nem sei o que diga sobre o porte destas famílias que caem no Algarve de paraquedas. Não tenho argumentos educativos para falar com esta gentinha de merda”.
No toldo da direita e com rabo ao sol, a Dalila, outra amiga de férias dos lados da Moita, mete-se na conversa:
“Tenham paciência, é só um mês! O resto do ano é todo vosso. Enfim, mais vale ficar no silêncio às vezes, não se pode descer ao mesmo nível, nem remar contra a maré, minhas migas”.
Esta e, outras conversas de tardes de praia, ficam gravadas no subconsciente do jornalista armado em cusco.


“O Prof. Marcelo, ora, Presidente "Rei" de Portugal, implementou uma nova estratégia de comunicação político/social, marketing desportivo/jovem e que vende bem a imagem da bem-aventurança lusa”

Ao final da tarde, abanco no "Olival Mar", um espaço giríssimo, na foz da ribeira do Vale do Olival, na praia de Armação e agarrado às redes sociais, saboreio um gim tónico servido num copo baixo, boca larga e perfeito, e reflito nas últimas notícias para escrever esta croniqueta sem nome e de entretenimento a mexericar em tempo de férias:
Mudando de assunto, porque nesta esplanada de gente rica, pensarei à rica e, então vamos lá, despachar este "linguado" à moda antiga dos jornalistas cotas...
O Prof. Marcelo, ora, Presidente "Rei" de Portugal, implementou uma nova estratégia de comunicação político/social, marketing desportivo/jovem e que vende bem a imagem da bem-aventurança lusa.
Assim, num piscar de olhos, o digníssimo professor universitário, ex-jornalista, antigo comentador encartado e político de nascença, acabou com a partilha das medalhas e condecorações no "10 de Julho - Dia de Portugal" às chamadas personalidades do Estado, quais embalsamentos de pagamentos de favores institucionais, mal tomou posse.
Antigamente e, até ao reinado de Cavaco Silva, reinavam o culto das condecorações à Brigada do Reumático, como que a completar o currículo de políticos, antigos governantes, corruptos ou não, Capitães de Abril, Generais do antigo regime fascista, milionários, banqueiros em férias presidiárias, escritores da "direita" e de "esquerda", poetas do reviralho, músicos da desafinação de todas as cores, antigos bombistas e revolucionários. Aliás, cada presidente, qual «Rei das Medalhas» condecorava em média centenas de figuras do «beija-mão presidencial».
É, óbvio, que se os amigos de Marechal Carmona, Américo Tomaz tinham como obrigação ser condecorados na qualidade de séquitos de afilhados, já Salazar, que também não passava férias, nem recebia medalhas, também não gastava notas de mil em condecorações com os amigos ou mercenários da ditadura.

Em época de summer season e, com o devido respeito, permita-se, Marcelo Rebelo de Sousa que lhe dé um pequeno recado: É tempo de gozar umas pequenas férias, falar menos, que os jornalistas precisam de férias e que deixe respirar o amigo António Costa, também, a precisar de descanso.

O Presidente, Rei do Povo, Ministro dos Ministros, chefe dos sindicalistas, professores e reitores, todos em uníssono obedecem. A continuar com este ritmo, qualquer dia já ninguém passa cartão ao que diz. Desde que tomou posse, não devemos estar enganados, mas, todos os dias falou aos jornalistas, aos futebolistas, ao Fernando Santos, campeão europeu e ao Ronaldo e Éder, juntando uns quantos atletas campeões.

Calma, meu Presidente, o país precisa de si durante 10 anos!

“Oh meu! Reparaste bem naquela nadadora salvadora”

Na esplanada do “Xico Zé”, na Praia da Rocha, o Casimiro tomava café com um grupo de amigos e comentava no que vira à beira mar. “Oh meu! Reparaste bem naquela nadadora salvadora”, dizia. “Então, não! São as consequências dos cortes no orçamento ou os efeitos do aquecimento climático na região”, respondia o amigo de Portimão, “Fonix!  Estive quase a afogar-me!”, “Zé! Estes cortes no I.S.N. até vieram a calhar. Tens é que ter cuidado com a paisagem, ou até podes dizer à menina que não sabes nadar…”, enfatizava o Dito, de Alvor, e acrescentava o Casimiro. “Já nem levo boias nem braçadeiras pá Praia! É só gritar ahahah”. E a mulher do Xico, do balcão, picava. “A austeridade aliada ao aquecimento global deu nisto... Ainda não vi o equipamento dos rapazes mas …”, “E os cortes começaram por baixo. Digam lá que assim não têm mais vontade de se afogarem para serem salvo com a piquena”, finaliza a Adélia que se juntara ao grupo.

“O melhor, é fechar os chapéus e meter os nossos. A praia é de todos. Ignorar os que se julgam espertos”. “Eu por mim falo, se chegar à praia e precisar de lugar, fecho um desses guarda-sol e instalo-me”.

Ainda, ponderando sobre as tardes de praia em Armação de Pêra, tínhamos de abordar o tema dos «toldos à revelia», porque se existem concessionados centenas de toldos, que são pagos naturalmente pelos utentes, também, existe uma grande superfície de zonas da praia destinadas aos chapéus e toalhas gratuitamente.

No entanto, proliferam autênticas colónias de banhistas que ano após ano passam férias na vila e logo pela manhazinha chegam à praia e marcam os seus locais preferidos, enterrando na areia um ou ais chapéus-de-sol, estendem algumas toalhas de praia, colocam areia, pedras ou cadeiras e depois regressam às suas casas, vão ao mercado municipal, leem o jornal numa esplanada da vida a troco de um café e voltam à praia quase ao meio-dia. Cerca das duas horas da tarde, esses utentes à força de lugares marcados, vão almoçar, dormem a sesta, e regressam à praia por volta das cinco horas da tarde, onde permanecem até às oito horas e enquanto houver sol.

Resumindo: As zonas destinadas aos chapéus de praia estão marcadas desde as oito da manhã até às oito da tarde, mas só ocupados 50 por cento do tempo em que mais ninguém pode usufruir de uns quantos centímetros quadrados de areia e de sombra.

Isto só na praia de Armação de Pêra e há mais de 40 anos com a cumplicidade das autoridades marítimas.

Dando uma volta pela praia, escutámos alguns diálogos: Se querem lugar marcado, é começarem a pagar os toldos! Para tal efeito, existem e estão lá as concessões! Eu sou Armacenense desde que nasci e não vou abdicar da minha praia por pessoas egoístas e com falta de civismo! Acho uma vergonha e uma falta de respeito”, diz uma senhora habituada à praia, enquanto outra amiga diz “O melhor, é fechar os chapéus e meter os nossos. A praia é de todos. Ignorar os que se julgam espertos”.“Eu por mim falo, se chegar à praia e precisar de lugar, fecho um desses guarda-sol e instalo-me”. Outro banhista, esclarece: “Simples de resolver. Tirar os chapéus do local e de seguida colocar os mesmos junto aos eco pontos. Se, entretanto, chegassem os donos e fizessem perguntas a respeito, era só dizer que quando cheguei, não estavam ali”.

Podíamos continuar a transcrever outros diálogos, alguns bem pertinentes e radicais:

Vai pegar a moda, toda a gente vai passar a deixar o chapéu na praia e quem primeiro chegar escolhe em qualquer um quer ficar. Assim vai haver muita sombra a toda a hora! Vantagem prós donos dos chapéus que deixam de carregar os ditos de madrugada e levá-los para casa”, remata um cavalheiro, observando, a finalizar. “Faz de conta que são bicicletas, ficam na praia durante o verão e quem precisar de sombra e borla, é só servir-se…”

Por João Pina

Modificado emquinta, 21 julho 2016 17:34

Deixe um comentário

Make sure you enter all the required information, indicated by an asterisk (*). HTML code is not allowed.

voltar ao topo
×

Sign up to keep in touch!

Be the first to hear about special offers and exclusive deals from TechNews and our partners.

Check out our Privacy Policy & Terms of use
You can unsubscribe from email list at any time