Dia: 21 de outubro

Isabel Ribeiro acerca da sua pintura assume: “Gosto de ser mulher, sou mãe de uma mulher e filha de uma mulher. Na minha opinião um corpo de mulher é lindo e sensual. Temos formas e contornos, como os seios as pernas os cabelos, tudo isso são formas

Isabel Ribeiro, alentejana de nascimento e, também das cores vivas e quentes d’alma, veio d’abalada até ao Algarve, onde se autodescobriu como pintora, quiçá, a olhar o azul dos mares a sul temperado pelos sais de Castro Marim.

Isabel Ribeiro há quase 20 anos que se apegou aos pincéis e trinchas, besuntando os dedos e as mãos com as cores dos óleos, guaches e aguarelas de tingir, semeando o que lhe vai no génio de pensamentos, por vezes lascivos, outros sensuais de corpos nus, nos seus silêncios no atelier até a tela transmitir aos outros o que a visionária presenteia pintando.

Foram seus padrinhos formadores os pintores Ramon Delgado, em Ayamonte e Fonseca Martins, em Tavira, corriam os anos à volta de 1997 e, depois foi pintando, pintando, até ser convidada para expor os seus quadros quais filhos paridos do muito amor pela arte – nascera uma pintora – afagada, louvada e estimulada para prosseguir:

«Centro Cultural António Aleixo», Vila Real de Santo António; «Casino de Vilamoura»; «Galeria Yosefos», Lisboa; «Casa do Algarve», Lisboa; «Eurotel», Altura; «Fundacion El Monte», Huelva; «Hotel D. Fernando», Évora; «Convento de S José», Lagoa; «Galeria Samora Barros», Albufeira; «Arte é Feminino», Vendas Novas; «XIV Salón Otõno de Huelva»; «42º Salon Nacional de Pintura de Ayamonte»; «Galeria Municipal de Arte, Pintora Charo Olias», Isla Cristina; «Casa do Alentejo», Lisboa;

A pintora recebeu o “Prémio Revelação do 42º Salon de Pintura Ciudad de Ayamonte”. Isabel Ribeiro tem outras exposições no seu currículo, no entanto, analisemos a sua mostra recente – até ao dia 15 de agosto no “Galeria Espaço A”, em Tavira. “Nesta exposição vou apresentar somente pinturas a óleo, embora, utilize também o pastel e acrílico, o qual teve a influência de um grande pintor Espanhol, meu amigo, Adolfo Morales”, confidencia a artista ao «Algarve Mais Notícias», aliás, é sobejamente conhecida na vizinha Andaluzia e já recebeu criticas da comunicação social de «nuestros hermanos», como o «El Publico» que publicou que a pintura de Isabel Ribeiro "navega entre duas águas", sobretudo, as do Rio Guadiana, de um lado e do outro, também o «Huelva Informacion», referiu que as suas pinturas se destacam "por um uso muito pessoal da cor, que prevalece sobre qualquer outro elemento". E, igualmente, a nossa «Algarve Mais» citou em tempos. "As cores apaixonadas de Isabel Ribeiro, ilustram a versatilidade desta artista de corpo e alma". Gabriel Tourinho escreveu. "Vejo nas obras de Isabel Ribeiro, um colorido intenso, vibrante e sedutor" que considera fruto de "um grande talento natural e de uma grande e persistente imaginação, privilegiando-a em relação a outros artistas porventura mais académicos, mas menos originais".

Folheando o registo profissional de Isabel Ribeiro, encontramos os seus quadros desde 1998, ora no «Hotel dos Navegadores», Monte Gordo; no «Parador de Ayamonte», Ayamonte; no «Inatel de Beja»; «Castro Marim Golf»; «Centro D'Artes da Manta Rota»; «Galeria Passagem, Ayamonte»; «Galeria Yosefhos», Lisboa; «Sonhos na Casa Amarela, Fábrica da Cerveja», Faro, entre outras exposições individuais e coletivas.

A mulher Isabel Ribeiro

A artista navega nos olhares entre o seu Alentejo e o Algarve fronteiriço de Castro Marim com Ayamonte frente a SanLúcar deGuadiana, onde vive e revive os sonhos realidade de ser pintora e, para além das telas que temos à frente, quisemos descobrir a mulher, Isabel Ribeiro e o porquê das suas escolhas? Como já vivo nesta zona há quase 40 anos, é por aqui caminhando, e observando, que vou encontrando as deslumbrantes paisagens que passo para a tela. O rio Guadiana está como o mar, umas das minhas paixões para pintar”, confessa, em jeito de remexer no passado. Mas, terá sido o acaso da vida? Sim... Foi o acaso da vida. Sou uma mulher de paixões, apaixonei-me por um algarvio e por aqui fiquei. Hoje sou mais algarvia do que da zona de onde nasci”, enfatiza Isabel Ribeiro, antecipando a resposta ao tema que tínhamos curiosidade em saber a sua opinião - as rotinas para pintar, horários e, sobretudo, como pinta? Por obrigação? - “Não...Não tenho horários para pintar. Quando tenho algum tempo livre (o que por vezes não acontece) e já tenho um tema específico, pego na tela, coloco no cavalete, e tento passar para a mesma o que sinto. Nem sempre o consigo. Pode levar muito tempo até que termine um trabalho. Por vezes penso, já terminei, mas no dia seguinte olho para a tela e vejo que ainda tenho algo para acrescentar”.

Observando mais uma vez os quadros da presente exposição em Tavira, desafiamos a artista a desvendar os motivos que a levam a pintar nus de mulheres? Não se fez rogada e assumiu: Gosto de ser mulher, sou mãe de uma mulher e filha de uma mulher. Na minha opinião um corpo de mulher é lindo e sensual. Temos formas e contornos, como os seios as pernas os cabelos, tudo isso são formas de beleza, que por vezes, eu transporto para uma tela”.

Qual a grande tela que deseja pintar e que a poderá imortalizar? Tem algum tema especial?
“Tenho dois quadros que já foram feitos há alguns anos com uma técnica muito específica que me deram os meus cinco minutos de glória. Um porque foi selecionado num concurso de grandes pintores de Espanha. Concorreram 86 e foram selecionados 28 e o meu foi um deles. Senti-me como se me tivessem premiado. Foi uma alegria imensa. O outro revejo-me nele pois tem de nome, o «Abraço». Olhando para ele sei que me sinto abraçada. Foi maravilhoso quando o terminei. Não sei se alguma vez vou superar esses trabalhos. Mas vou tentar fazer um trabalho ainda melhor para que diga...É o quadro que me vai imortalizar”.

Por fim, desejámos saber o que lhe tem dado esta forma de vida? Ou melhor, o que significa a pintura para Isabel Ribeiro? “Como sabemos, por aqui no Algarve não temos muitas pessoas interessadas em arte. Umas porque não sabem apreciar, e outras que não podem comprar, principalmente nos últimos anos. Como forma de vida? Já teria morrido de fome. Mas como realização pessoal a pintura tem um significado muito especial. É muito bom quando alguém que não conheces chega junto a ti e te diz. Tu és maravilhosa. A tua arte demonstra a tua beleza interior. Isso para mim é o melhor de tudo. Parece que algumas pessoas têm o dom de ver o meu interior através da minha pintura”, remata a pintora meio algarvia, meio alentejana, todavia, uma mulher que respira e vive a arte no seu todo.

Entrevista: João Pina

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