Dia: 12 de dezembro

Warning: file_get_contents(http://graph.facebook.com/?ids=http://algarvemaisnoticias.pt/index.php/component/k2/item/2067-nao-sou-nem-de-direita-nem-de-esquerda-considero-me-antes-um-liberal-libertario-acredito-que-o-estado-deva-intervir-mas-nunca-ao-ponto-de-criar-uma-regulacao-tao-restrita-ao-ponto-de-estrangular-a-iniciativa-privada-diz-noel-vieira-presidente): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 403 Forbidden in /home/newsalga/public_html/plugins/content/bt_socialshare/bt_socialshare.php on line 895

“Não sou nem de Direita, nem de Esquerda. Considero-me antes um Liberal Libertário...”, diz Noel Vieira

O jovem dirigente associativo sonha com uma “Baía de Armação de Pêra pirata” a caminho de uma cidade turística, animada e sempre piscatória. O «Algarve Mais Notícias» acompanhou este armacenense de gema durante uns dias e, aquele que supostamente passa por um quimérico, despistado, é, afinal, um futuro génio criativo de riqueza a nível das artes e da comunicação empresarial, de que os algarvios se vão orgulhar um dia. Assim sendo, cabe-nos a nós, apresentar Noel Vieira ao grande público, pelo que vale a pena ler a extensa entrevista de vida acerca do mesmo, que de uma forma informal não se resguardou em respostas evasivas e diz o que lhe vai na alma.

Entrevista: João Pina | Fotos de Arquivo da “Polis Apoteose” 

Noel Vieira nasceu em Caracas, Venezuela, mas, com apenas 8 meses veio para Armação de Pêra, onde cresceu e estudou. “Primeiro na antiga Escola Primária e depois na E.B. 2,3 Dr. António da Costa Contreiras, que havia sido construída há pouco tempo e portanto, tive a sorte de me «aguentar» por Armação de Pêra até mais tarde. Aliás, foi nesta magnífica escola, que tive o primeiro contacto com o associativismo, pelo estímulo do corpo docente, que nos incentivou a fundar na altura a primeira Associação de Estudantes, onde fiz parte do Conselho Fiscal”, refere o nosso interlocutor, acrescentando: “Quando acabei o 9º ano, tinha na altura 13 anos quando começou a peregrinação diária para a secundária de Silves. Com os colegas, todos os dias, lá íamos nós para a capital do concelho às sete horas da manhã... Frequentei as Humanidades, mas no furor da rebeldia fui tirar o curso de Técnico de Instalações Elétricas”, recorda, bem-humorado, Noel Vieira.

E depois do ensino secundário? Questionamos: “Ainda trabalhei quase um ano na área, mas depois ganhei juízo, peguei nos livros, fiz os exames e fui para a Universidade da Beira Interior, onde me licenciei em Ciências da Comunicação. Pelo caminho aventurei-me pela gestão de projetos, na rádio, no marketing, nos primeiros eventos que fui fazendo e coordenando num clima de grande cooperação com equipas multidisciplinares. Aprendi os valores da Autonomia, da Diversidade e da Coesão. Do espírito crítico e do inconformismo, embarquei então no Mestrado em Ciência Política, onde estudei os clássicos e os contemporâneos, onde de forma sistémica debatíamos a política e o mundo, respondendo afirmativamente ao convite dos nossos mestres para deixar de lado as paixões partidárias que abalam o juízo e toldam os sentidos”.

(…) “Naturalmente, que bebemos os nossos copos e é inegável que edificantes trocas de ideias tiveram lugar pautadas por um bom vinho ou umas cervejas. No entanto, reduzir o nosso trabalho a uma qualquer dimensão que diz respeito à nossa esfera íntima é um reflexo bárbaro e degradante dos políticos que nos governam e dos tais velhos do Restelo que resistem ao progresso” (…)
No entanto, até regressar da Covilhã com o "canudo" era mais um jovem anónimo, mas, inconformado com os modos como a sua terra "reinava", não passava de um dormitório com uma bela praia com toldos para alugar.
À noite, mormente, nos meses de verão só existia a marginal para o habitual "passeio dos tristes”, a juventude tinha de ir para Albufeira, Carvoeiro, Praia da Rocha, entre outros locais onde as "bifas curtiam a noite".

No verão e ao longo dos anos, os armacenenses e os forasteiros em visita à vila, só tinham como garantido os apartamentos e olhar o mar - num dormitório de uma terra para a terceira idade - aguardando o dia da partida celestial.
E os jovens e os homens e mulheres de meia-idade? O que fazer?

O Noel e um punhado de amigos reunidos nos bares da praia de Armação, entre um copo e beijos roubados lançaram as cartas da revolta estudantil - mudar a terra dos pais, a sua terra, alterar hábitos e preconceitos de vida, pensar o futuro, o deles e dos amigos a caminho da cidade de Armação de Pêra - e, se beberam copos no verão de 2013, na ressaca nasceu a "Polis Apoteose" com apresentação pública no dia 7 de dezembro de 2014, na 1ª Mostra Itinerante de Artes, onde foi assinado o Tratado Álvaro Gomes - um protocolo que estabeleceu um inequívoco compromisso de cooperação entre a Polis Apoteose e a Junta de Freguesia de Armação de Pêra, o Agrupamento de Escolas Silves Sul, o Clube de Futebol “Os Armacenenses” e a ASTA - Associação de Teatro e Outras Artes.
Noel Vieira parece não ter gostado a forma como o jornalista colocou a questão, mas, frontalmente, abordou: “É curiosa essa história dos copos! Esta é uma ideia que começou por ser lançada por algumas pessoas que nos governam e que pretendiam tirar o crédito ao nosso movimento. Naturalmente, que bebemos os nossos copos e é inegável que edificantes trocas de ideias tiveram lugar pautadas por um bom vinho ou umas cervejas. No entanto, reduzir o nosso trabalho a uma qualquer dimensão que diz respeito à nossa esfera íntima é um reflexo bárbaro e degradante dos políticos que nos governam e dos tais velhos do Restelo que resistem ao progresso”. E, já empolgado no tema, adianta: “Recordo-me com notável nitidez da aparência atónita de um membro do atual executivo que nos visitou durante a primeira edição do Pirate Weekend. Parecia que tinha visto o Diabo! Mas isto, mas isto... Isto é uma Feira Medieval que está aqui! Vocês estão malucos? Mas quem é que vos deu autorização para usarem aquelas baias? No meio de uma operação logística sem precedentes, eu e toda a equipa estávamos a mil. Sabíamos que estávamos a fazer história em Armação de Pêra, mas a adrenalina e o cansaço consumiam-nos. Correr, mas nunca desistir. Respondi-lhe que tinha todo o gosto em ter um debate aprofundado sobre políticas públicas, mas que aquele não era o momento. Foi daí que começou a ecoar essa coisa dos putos bêbados e drogados. É verdade que estávamos a produzir um festival. Adiante...”.

Noel Vieira no seu estilo magricelas, mas, com pêlo na venta como sói dizer-se, contínua na defesa dos ideais da “Polis Apoteose”, a tal associação de jovens rebeldes, todavia, com uma ganância danada de remover os concarmacenenses.“Há uma música brilhante dos At the Drive In que contém uma frase que guardo com particular entusiasmo: "A single sparkle can start spectral fire". As ideias e as palavras são coisas muito poderosas, porque uma vez ditas e partilhadas são contagiantes, propagam-se e tornam-se maiores que nós próprios. Foi o que aconteceu quando na Primavera de 2013, numa conversa com o David Simões e o Áxel Correia, surgiu a ideia de fazer um festival pirata em Armação de Pêra. A grande diferença foi que esta não foi só mais uma ideia e cedo começámos a estruturá-la. Como estava no Mestrado em Ciência Política procurei desenvolver o projeto do ponto de vista da sua concepção e esquematização”, sublinha, recuando um pouco no tempo para frisar como tudo nasceu oficialmente, ou seja, a “Polis Apoteose”. “Daí até à formação da associação, foi a distância desse Verão. No nosso círculo de amigos a ideia floresceu, porque todos sentíamos essa necessidade de pôr Armação no mapa, de começar a construir uma oferta cultural sólida e diferenciadora. Juntamos uma equipa de pessoas capazes das mais diversas áreas do conhecimento e a 1 de Outubro nasceu a Polis Apoteose - uma espécie de tubo de ensaio de pesquisa assente na prática e ao mesmo tempo um Observatório para o Fomento da Cidadania”.

(…) “Tinha um novo pretexto para ir para os concertos e para os festivais: entrevistar bandas, conhecer os bastidores, descobrir o que está por trás da cortina que separa o público. Foi fascinante! Deixei de ser "público" e passei a ser "imprensa" (…)

 Noel Vieira divide o tempo entre Armação de Pêra  e a Covilhã, cidade onde se licenciou, fez um  mestrado e já trabalhou na rádio e produziu alguns  eventos: “Sempre gostei de música. Tinha  para aí uns 12 anos, e os Verões eram  passados entre a praia com os amigos, a  ler e colado ao ecrã a devorar os  videoclips dos canais especializados e  as transmissões em direto que a SIC  Radical fazia dos festivais de verão.  Vibrava com aquilo, mas era muito novo  e a minha mãe não me deixava ir. Aos 17  anos, estive numa mítica edição do  Passadeiras, perto de Messines e umas  semanas depois fui pela primeira (e  única!) vez ao Rock in Rio e foi a loucura.  Fiz crowdsurfing durante o concerto dos  Kaiser Chiefs, perdi-me dos meus amigos  e só os encontrei horas mais tarde.  Meses depois fui conhecer o Sudoeste à  Zambujeira do Mar e a partir daí, saltar  de festival em festival passou a ser um  hábito”, recorda, sublinhando, ainda:  “Conheci centenas de pessoas, comecei  a promover concentrações de  festivaleiros de todas as partes do país e  fiz grandes amigos. Na altura havia o CP Musicard, que era uma pechincha e dava para correr uma série de festivais da Música no Coração. Foi num desses festivais que conheci um grupo de estudantes do 2º ano de Medicina, que me falaram maravilhas da Cidade Neve”. Noel Vieira emociona-se por regressar na memória aos tempos de juventude: “Na altura de decidir apercebi-me que Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior estava em 2º lugar no ranking nacional, muitos dos nossos professores eram os autores dos livros estudados nas outras universidades e logo, por sinal, havia para lá um estúdio de rádio. E foi aqui que deu o clique!” e, continua sem que o jornalista insistisse, “Nesse tempo haviam apenas dois ou três de colegas do Mestrado que faziam programas. Em Dezembro de 2009, comecei a produzir e a realizar o "Frequências Alternativas" - um programa de autor semanal onde divulgava artistas emergentes, fora do circuito mainstream na Rádio Universitária da Beira Interior e pouco tempo depois também na Rádio Cova da Beira. Tinha um novo pretexto para ir para os concertos e para os festivais: entrevistar bandas, conhecer os bastidores, descobrir o que está por trás da cortina que separa o público. Foi fascinante! Deixei de ser "público" e passei a ser "imprensa"! (Risos) Fiz uma vez as contas e em cerca de três anos entrevistei umas cinquenta bandas nacionais e internacionais”. O entrevistado faz uma pausa, puxa de um cigarro e após a primeira fumaça continua: “Cedo a febre da rádio começou a alastrar-se na turma e comecei a partilhar aquilo que ia aprendendo com os meus colegas, começamos a organizar-nos e chegado ao quarto ano, já quase não fazia transmissões. Dedicava parte do meu tempo a dar formação aos novos alunos que se iam juntando e a coordenar as equipas editoriais.

Em Janeiro de 2010 numa dessas idas ao Porto estive numa daquelas festas míticas no Teatro Sá da Bandeira, na altura em que o electroclash fervilhava na cena eletrónica nacional e dias mais tarde, de volta à Covilhã, conheci uma pessoa incrível que sem saber tinha partilhado essa mesma noite comigo, só que em cima do palco. Era o Rodolfo Quintas - um artista e pensador, que dava aulas no curso de Design Multimédia. Um dia encontrei-o na Biblioteca Central e fui dar-lhe um olá. Ele disse-me que estava a trabalhar num projeto para fazer umas conferências de Arte e Media Digital e andava a tentar encontrar um nome para o projeto. Explicou-me o conceito, envolvia engrenagens, círculos de trabalho, work in progress, pesquisa assente na prática, progresso, e surgiu-me então o nome - GEAR Up. Ele sorriu, gostou da ideia e perguntou-me se queria entrar no projecto para ficar responsável pela Comunicação. Bora! Fui ter com ele no final de uma aula e conheci os colegas de Multimédia. Formou-se uma equipa brutal e no espaço de um mês e pouco tínhamos reunido duas dezenas de investigadores e artistas de Oxford, de Cambridge, dos Estados Unidos, Holanda e Portugal. O formato dividiu-se entre dois dias de palestras e networking durante o dia, concertos, live acts e dj sets durante a noite mais três dias de workshops sobre coisas tão estranhas como visuais reativos ou espacialização do som”. 

Sem interrupções, Noel Vieira ajeita o cabelo, olha de frente, quiçá, com saudades do mar de Armação de Pêra e prossegue: “Esta foi, a bem dizer, a minha iniciação à produção de eventos. Meses depois, surgiu-nos uma nova ideia com duas amigas nossas de Comunicação e de Sociologia - o Speech n' Rise. O Speech n' Rise era uma espécie de TED, em que selecionámos um conjunto de 7 pessoas para falar durante 7 minutos sobre aquilo que as motiva: as suas paixões, os seus trabalhos, as suas visões do mundo e o porquê de tudo isso. De origami à fotografia, da poesia à street art, da política e do cinema até à ovnilogia tivemos uma bela tertúlia feita por pessoas comuns com formações distintas a partilhar um mesmo espaço onde livremente todas as visões encontravam uma plataforma de comunicação. Tirámos lições importantes dessa experiência, pois na sabedoria das multidões há ideias e potenciais desconhecidos. Talentos por descobrir, forças apenas separadas pelo isolamento. É este o poder da associação, o dom da cidadania, a capacidade de pessoas comuns se agruparem e moldarem o meio que as rodeia. A VICE era o nosso Media Partner no Gear e depois também no Speech n' Rise e desse encontro com os editores de um meio de comunicação alternativo com dimensões globais surgiu o convite para começar a escrever para eles. Pelo caminho, fui cooperando com o Rodolfo num espaço de cowork que chamámos MOZAIK e desempenhei funções como copywriter em campanhas de Marketing de Guerrilha Digital e Ativações de Marca, um dos quais nos deu o reconhecimento do Clube Criativos de Portugal”, enfatiza Noel Vieira.

(…) “Os covilhanenses veem com bons olhos a nossa presença e lamentam a chegada do Verão, que coincide com a nossa partida. A Câmara Municipal tem consciência disso e, pela minha experiência, posso afirmar que apesar dos constrangimentos orçamentais existe a vontade de acolher e apoiar as iniciativas da comunidade académica (…).

Como é que um algarvio habituado ao calor, praia, família e amigos de infância se apaixona por uma cidade de hábitos e clima tão desiguais como o frio e a neve? Como são as gentes serranas? Estão mais evoluídas por terem polos de ensino universitário e outras mentalidades? Como é que o Noel se vê e se sente nesta mudança de ares? “Bom, apesar de já ter dado pistas sobre esta questão, o ponto prende-se muito com uma certa facilidade que sempre fui tendo em conhecer pessoas. E a Covilhã tem esta magia de possibilitar os encontros a cada esquina, em cada recanto e em cada tasca. As mesas de café transformam-se em espaços de tertúlias e desses encontros surgem as ideias e as ações conducentes sucedem-se. A morfologia da cidade a isso é propícia. É normal o convívio e a troca de ideias entre professores e estudantes; não apenas dentro das paredes da universidade mas também fora dela. Não é uma cidade perfeita, longe disso, mas é uma cidade onde as pessoas importam. É claro que também existem tensões nas relações de poder e por vezes até mais acentuadas do que aqui, mas com uma vantagem sacramental: estas lutas e tensões são sustentadas por massa crítica e aqui a Universidade desempenha um papel fundamental. Alguém dizia há uns anos atrás, em tom de brincadeira, que havia uma Troika na Covilhã: a Câmara Municipal da Covilhã, a Universidade da Beira Interior e o Centro Hospitalar da Cova da Beira. Dizia isto, claro está, porque estas são as três grandes instituições públicas que fazem girar a cidade. Há um grande espírito de hospitalidade e os estudantes são bem acolhidos. Os covilhanenses veem com bons olhos a nossa presença e lamentam a chegada do Verão, que coincide com a nossa partida. A Câmara Municipal tem consciência disso e, pela minha experiência, posso afirmar que apesar dos constrangimentos orçamentais existe a vontade de acolher e apoiar as iniciativas da comunidade académica. Volto a dizer que não há anjos e que nem tudo são rosas, mas há uma diferença brutal que precisa ser salientada. Olho para a Câmara Municipal da Covilhã e há opções que podem ser questionadas, mas vejo também um foco e uma consciência sobre aquilo que importa - e em defesa dos estudantes, não há como contornar a questão: os estudantes e a Universidade são o veio condutor da cidade. A Covilhã, "a Manchester portuguesa", cidade fabril, cidade de assimetrias sociais (vale a pena visitar o cemitério e perceber isto mesmo: por um lado, os imponentes jazigos das notáveis famílias e do outro as campas rasas da classe operária) mas fonte de riquezas imensas, foi desmantelada nas últimas décadas. O desemprego levou ao êxodo e não fosse a Universidade, a cidade estaria às moscas. A Covilhã enfrenta grandes desafios, mas creio que existem condições para a superação. Esta era uma conversa que se poderia estender por muitas linhas, mas ficará para outra altura”.

 Regressando ao Algarve 365 dias, em concreto a  Armação de Pêra, vila piscatória onde está  encaixado, como está a vida, o mercado de  trabalho? Trabalha-se no duro dois meses no  verão e os algarvios passam os restantes meses a  fazer contas à vida? A sazonalidade na região  algarvia é longa? Que remédios um jovem  licenciado e mestrado e, cheio de ideias, tem para  o Algarve sair da crise ano após ano?

 “O Algarve está para a Covilhã, como o  Polo Norte está para o Polo Sul. Costumo  dizer que "o Verão é na Praia, o Inverno  é na Neve". A Covilhã também sofre da  sazonalidade, como já disse atrás, mas  apenas por um curto período de tempo  que é compensado pela visita de muitos  emigrantes. Por cá, o Verão são três meses e o resto do ano está às moscas. A sazonalidade no Algarve e, concretamente, em Armação de Pêra vai continuar a ser um problema enquanto não houver coragem para adoptar as medidas necessárias. Repare que se olharmos para o mapa da região, Loulé é o nosso concelho homólogo. Tem uma faixa litoral relativamente estreita e um barrocal gigante. No entanto, Loulé é o concelho mais rico e Silves está no estado que conhecemos. O potencial existe, mas falta visão estratégia e um projeto consistente”, relembra o entrevistado.

(…) “Quem é eleito deve preocupar-se em governar, em vez de fazer oposição ou procurar travar a iniciativa privada. O problema é que quem governa está mais preocupado em manter o poder do que em governar, e os resultados são ruinosos” (…)

Pegando, ainda, nos eventos e outras ações organizadas e produzidas pela "Polis Apoteose", o currículo de Noel Vieira melhorou substancialmente em experiência, como em contatos com as forças políticas e entidades diversas. Como tem sido o relacionamento quando os agentes do poder se reúnem com um jovem, sobretudo, ideias apresentadas? Tem sido difícil tolerante e com espírito de ajuda? “Há um sentimento generalizado de apoio e abertura às ideias em Armação de Pêra. Em bom rigor, estamos cá todos para o mesmo e há um grande espírito de entreajuda e partilha entre as instituições. Naturalmente que isso não tem sido bem visto pelo executivo. Na minha tese aponto os binómios partidários como um dos principais entraves ao desenvolvimento dos territórios. No nosso caso concreto, o tratamento que temos sentido por parte de quem está à frente da Câmara Municipal de Silves é um reflexo de como esta se sente em relação a Armação de Pêra. Lembremos-mos de que Armação de Pêra contribui com 48% da receita de IMI, mas o retorno não se faz sentir. Há uma política de exploração, de desgaste, porque Armação por si só não decide eleições. Este é um problema político, que vai além-fronteiras do atual mandato. Sei que é frustrante e que esta é uma frustração partilhada por muitos dos que aqui vivem e investem, no entanto, é preciso resistir à tentação de adoptar um posicionamento bairrista ou separatista. Em vez de uma deficitária gestão corrente, precisamos de visão estratégica e de uma visão agregadora e global do nosso território. Claro que tenho as minhas ideias, mas este não é o momento. Agora uma coisa é certa: Quem é eleito deve preocupar-se em governar, em vez de fazer oposição ou procurar travar a iniciativa privada. O problema é que quem governa está mais preocupado em manter o poder do que em governar, e os resultados são ruinosos. Aflige-me assistir a esta inércia política, à ineficiência que esta emana, ao critério duplo com que se julga, ao excesso de zelo em questões triviais e à negligência para com a sua população.

É inadmissível que conscientes das proporções logísticas do Pirate Week, tenhamos solicitado à senhora Presidente uma reunião com as autoridades civis e militares para traçarmos um Plano de Proteção Civil, em conformidade com as boas práticas e com a Lei, e a responsável máxima pela Proteção Civil se tenha recusado a cumprir com as suas funções, pondo em perigo a população e pondo em causa a segurança do evento. 

Felizmente, Armação tem um corpo militar bem preparado e com experiência, pelo que mantivemos sempre um diálogo regular e bons canais de comunicação para mitigar eventuais desacatos e assegurar a ordem pública.

É triste dizer, mas Silves é hoje um concelho perigoso para investir. É perigoso porque não há estabilidade política, é perigoso porque as regras estão sempre a mudar. 

A burocracia do papel é o novo estado do regime e quem quer fazer alguma coisa é desencorajado. Não é à toa que quem gere carteiras de investidores está a empurrá-los para os concelhos vizinhos.

Nunca tivemos a pretensão de agradar a gregos e a troianos, mas temos uma vantagem enorme em relação aos governantes: tudo o que fazemos parte da iniciativa privada e não está sujeito ao sufrágio dos eleitores. Sabemos o que é preciso ser feito e fazemos. Como isso incomoda, surge a necessidade de inventar malabarismos para desviar a atenção e nada melhor que procurar o descrédito na base da esfera íntima”.

(…) “Tudo o que fazemos acaba por envolver política, somos seres políticos na medida em que temos consciência do meio e interagimos com ele, mas lá porque temos uma equipa de pessoas capazes, com provas dadas nas mais diversas áreas, não quer dizer que estejamos dispostos a ser mártires nesta terra queimada” (…)

Estes contatos, colaborações no terreno e, atendendo aos conhecimentos em "Ciências Políticas" que cursou, pensa em enveredar pela política? Aliás, já teve convites, atendendo que se avizinham eleições em 2017?

“No seguimento do que dizia há pouco, temos uma vantagem em relação aos governantes, que se prende com essa coisa tão linda que é a Liberdade e, consequentemente, com o desprendimento de agradar a todos. Se há uns tempos dizia que a Polis Apoteose é um movimento apartidário, hoje prefiro dizer que é um movimento suprapartidário. Não se trata de uma mera questão de não se pertencer ao partido A ou B. O nosso colectivo tem obviamente as suas posições políticas, uns mais à Esquerda, outros mais à Direita, mas ao contrário dos partidos conseguimo-nos entender. A própria ideia de oposição é, por si só, um entrave à convergência e ao consenso.

Pessoalmente, não sou nem de Direita, nem de Esquerda. Considero-me antes um Liberal Libertário. Acredito que o Estado deva intervir, mas nunca ao ponto de criar uma regulação tão restrita ao ponto de estrangular a iniciativa privada. Por outro lado, a defesa da esfera íntima é sagrada: ninguém pode ser coagido em função das suas opções, credos, preferências sociais, hábitos, etc., etc. É nesta harmonia que, creio, estar a chave para a Concórdia: Intervenção racional do Estado, respeito pela dignidade humana, pela natureza, pela pluralidade, pela diversidade, pelos valores da Justiça e espaço amplo para a iniciativa privada. Tudo o que fazemos acaba por envolver política, somos seres políticos na medida em que temos consciência do meio e interagimos com ele, mas lá porque temos uma equipa de pessoas capazes, com provas dadas nas mais diversas áreas, não quer dizer que estejamos dispostos a ser mártires nesta terra queimada. O pouco que há de bom está a secar. Gosto muito da minha terra, do meu concelho, resisto aos impulsos separatistas e acredito que o nosso território só vai prosperar plenamente .Agora sejamos francos: tenho 26 anos, estou no início da minha vida profissional, prefiro fazer a diferença onde sei que posso realmente fazer a diferença”.

(…) “Experimente perguntar ao Presidente da Câmara de Lisboa até onde está disposto a ir para que o Rock in Rio permaneça em Lisboa, ou experimente perguntar ao Presidente da Câmara de Algés se o Alive faz lá falta. Pergunte às gentes de Santa Maria da Feira se a Viagem Medieval é importante para a cidade. Por aqui, parece que não.

Se em anos anteriores o apoio da Câmara Municipal de Silves esteve próximo do zero, este ano foi mesmo negativo. O que importa é que o evento está feito, graças ao trabalho de todos os que continuam a acreditar e a contribuir com o melhor que podem, nem que seja o seu tempo e energia” (...).

A conversa vai longa e, passados que estão os dias do "Pirate Weekend 16" que balanço faz? Correu bem? Podia ter corrido melhor? Deu lucro financeiro ou nem por isso?

“O público adorou e isto é consensual. Há sempre coisas a melhorar e a ideia é mesmo essa: crescer ano após ano, testando formatos, estabelecendo novas parcerias, separando o trigo do joio e insistindo em proporcionar a todos uns espetáculo com uma crescente qualidade. Repare que de ano para ano, temo-nos desdobrado para crescer exponencialmente e isso tem implicações financeiras. Todos os anos temos aumentado o nível de exigência e qualidade. É bom chegar ao fim e aperceber-me que apesar de todas as tentativas de nos esgotarem o projeto foi conseguido, sem prejuízo. Nada me orgulha mais do que o nível de trabalho que esta equipa mostrou este ano. Estamos alinhados, com pica e cheios de vontade de continuarmos a fazer coisas boas, enquanto sentirmos que temos condições de base e suporte para o fazermos. As principais dificuldades com que nos deparamos esbarraram quase sempre no domínio da política e dos lamacentos jogos de bastidores. Experimente perguntar ao Presidente da Câmara de Lisboa até onde está disposto a ir para que o Rock in Rio permaneça em Lisboa, ou experimente perguntar ao Presidente da Câmara de Algés se o Alive faz lá falta. Pergunte às gentes de Santa Maria da Feira se a Viagem Medieval é importante para a cidade. Por aqui, parece que não.

Se em anos anteriores o apoio da Câmara Municipal de Silves esteve próximo do zero, este ano foi mesmo negativo. O que importa é que o evento está feito, graças ao trabalho de todos os que continuam a acreditar e a contribuir com o melhor que podem, nem que seja o seu tempo e energia”.

 (…) “Em todo o lado há "barulho", porque  é o barulho que agita a economia e faz  os territórios prosperar. Em todo o caso,  estamos a recolher contributos e  acreditamos que começa a ser possível  repensar as datas (…).

 Na altura, surgiu alguma controvérsia e críticas  negativas por parte de grupos de comerciantes  quanto ao excesso de stands em concorrência  direta com os estabelecimentos que estão abertos  todo o ano. Que chega o verão, altura da  recuperação económica, e depois aparecem estas  autênticas feiras que lhes prejudicam o negócio.

 Os veraneantes queixaram-se do muito barulho à  noite em detrimento do descanso nos  apartamentos pagos para dormir. Também, criticas  à acumulação do lixo nas ruas da vila e até na  praia, nomeadamente, aos acessos. É óbvio, que  houve e há muitas críticas favoráveis, mormente,  que a "Polis Apoteose" pôs a vila no mapa

da comunicação.“Lá está, a controvérsia só acontece se alguma coisa acontecer. Embora não vivamos com a pretensão de agradar a todos, estamos atentos e não vamos ignorar preocupações legítimas. Por outro lado, é preciso levar em consideração que o Pirate Week está em fase de crescimento, e sem notoriedade, de pouco adiantaria fazer um evento com estas características na época baixa. Em bom rigor isto dá para todos, quanto ao barulho foram tomadas todas as medidas que estavam ao nosso alcance para reduzir o ruído. De resto, também é preciso dizer em abono de todos os que investem em Armação o ano inteiro que já vai sendo altura de fazer uma reciclagem no turismo de pouca qualidade que critica muito e que pouco contribui. Em todo o lado há "barulho", porque é o barulho que agita a economia e faz os territórios prosperar. Em todo o caso, estamos a recolher contributos e acreditamos que começa a ser possível repensar as datas. Agora isto só será possível no pressuposto de que haja um maior envolvimento do comércio local e tendo em conta que já há um trabalho feito no sentido de produzirmos um atrativo cartão-de-visita que permita trazer mais gente, mais cedo.

Ainda, subordinado ao tema "Pirate Week" que papel tem tido a Junta de Freguesia de Armação de Pêra? Existem sempre as vozes da discórdia. A oposição é voz dos sem voz que, em muitas das vezes expressa a visão de uma parte dos perdedores, ou daqueles que nada faz e não quer que se faça. No agoiro destes «Velhos do Restelo», dizem que a "Polis Apoteose" é o «braço armado» do executivo da referida junta de freguesia e, que quando o seu presidente deixar o cargo, acaba o "Pirate Weekend" e demais eventos de animação na vila. Como é que o Noel Vieira, o responsável máximo da "Polis Apoteose", o ideólogo, o trabalhador de horas sem minutos, voluntário a cem por cento e sem remunerações, reage a tais comentários à boca fechada, mas, que todos depois têm conhecimento?

(…) “Não nasci com torneiras de ouro, mas nunca me faltou nada. Tive acesso a uma boa educação, à cultura, fui sempre incentivado a experimentar e a aprender e espero estar a altura deles quando chegar o momento. Tenho uma companheira fantástica que me acompanha, que adoro, e mais não digo, porque lá está... pertence à esfera íntima” (…).

“A Junta de Freguesia tem desempenhado as suas funções em linha com aquilo que propôs à população antes das eleições. Ainda que não agrade a todos, Armação tem tido um desenvolvimento que está à vista, que é evidente. Agora, objetivamente, a Junta de Freguesia tem tido um papel ativo e determinante quer na defesa das iniciativas, como na mobilização dos seus recursos, quer connosco, quer com todas as instituições que se apresentam ao serviço pela sua comunidade. Vale a pena salientar o importante papel do PAIFAP, que veio simplificar processos burocráticos e criar um padrão claro, justo e transparente na atribuição de apoios às instituições locais.

O respeito que o Ricardo conquistou foi pelo seu trabalho, não foi pelo partido que o apoiou nas Autárquicas, mas sim pela capacidade de trabalho e não pelas cavalgadas partidárias. E é isso que tem procurado fazer. Fico contente por de algum modo ter partilhado este percurso com ele, não há dúvida de que quando as pessoas e as instituições estão alinhadas e trabalham com propósitos semelhantes, o território e a comunidade ficam a ganhar.

Existem pessoas com uma notável capacidade de trabalho em todos os partidos políticos, conheço muitas e o futuro naturalmente se encarregará de fazer uma seleção dos mais aptos. Os tempos que vivemos são outros.

Os velhos do Restelo estão a morrer e a minha geração já não tem pachorra para a complacência. A educação e os media já mudar a forma como se faz política e, sobretudo, a forma como a base encara e vigia a ação política. 

Quanto ao ideólogo e às horas sem minutos, é preciso dizer que isto é tudo menos um one-man-show! Temos uma equipa muito forte que tem dado provas inequívocas da sua capacidade de trabalho. Nada disto seria possível sem a ousadia criativa, o empenho e a persistência do David Simões, sem as aptidões organizacionais do Bruno Alves ou sem a sensibilidade social e a capacidade humana da Catarina Seguro, apenas para mencionar alguns exemplos entre o nosso círculo mais próximo. Está à vista de todos o trabalho que estas pessoas têm desenvolvido seja no CF Os Armacenenses, na Casa do Povo de Messines, ou noutras instituições como é o caso do Nuno Neto na Apexa. Temos pessoas com muito talento e o engenho como o Tiago Mendes, como o Alexandre Prata, futuros gestores como o André Sequeira, formação em Marketing como o Áxel, pessoas com muita experiência no com o contacto com o público como a Sónia Santos ou a Mafalda Martins, apenas para mencionar alguns dos muitos voluntários que nos tem acarinhado com o seu quinhão de virtude. Lá está a pedra angular da Polis Apoteose: o todo é maior que a soma das partes e, tal como no banquete de Aristóteles este será mais rico e farto se cada um contribuir com o que tem de melhor, na medida das suas possibilidades.

As ideias têm o seu espaço e o seu tempo de maturação, mas depois precisam de suporte e força para verem a luz do dia. É essa mística que nos une, onde quer que estejamos, por mais dispersos geograficamente, sentimos que procuramos dar o nosso melhor e empregar a mesma paixão a cada nova missão ou desafio. Por isso, quando o momento decisivo se aproximar, saberemos o que fazer, sem dúvidas ou hesitações.

 Finalmente e, depois de tanta provocação  jornalística, mas, também ele, Noel Vieira, do ramo  da comunicação, como se define um jovem adulto  e o que preconiza em relação ao seu futuro? Em  Armação de Pêra, no Algarve, ou na Covilhã?

 “Tenho aprendido muito nestes últimos  anos, tenho recolhido muito feedback e  torna-se cada vez mais evidente que há  muito por fazer. Por isso, seja aqui ou na  China, vou estar onde sentir que tenho a  capacidade, a autonomia, o suporte e os  meios para fazer a diferença”.

 Quem é Noel Vieira? Como se define na primeira  pessoa, é um romântico, namoradeiro à boa  maneira latina, jovem bem-disposto com os  amigos e com a vida? Finalmente e, meio a dormir  e meio acordado sonha com a Baía de uma  Armação de Pêra pirata a caminho de cidade  consigo na cadeira do poder...

“Já respondi ao longo do texto, em todo o caso... Faço uma vez mais a apologia da defesa da esfera íntima. Sou um jovem, como tantos outros, há momentos para tudo, importam-me as pessoas, quero crescer, amar, constituir família e tentar dar o melhor aos meus filhos, da mesma maneira que a minha mãe e os meus avós fizeram comigo.  Não nasci com torneiras de ouro, mas nunca me faltou nada. Tive acesso a uma boa educação, à cultura, fui sempre incentivado a experimentar e a aprender e espero estar a altura deles quando chegar o momento. Tenho uma companheira fantástica que me acompanha, que adoro, e mais não digo, porque lá está... pertence à esfera íntima”.

Deixe um comentário

Make sure you enter all the required information, indicated by an asterisk (*). HTML code is not allowed.

voltar ao topo
×

Sign up to keep in touch!

Be the first to hear about special offers and exclusive deals from TechNews and our partners.

Check out our Privacy Policy & Terms of use
You can unsubscribe from email list at any time