Dia: 21 de outubro

Antigo futebolista profissional, XICO BARATA vira músico cantor

No Algarve, com os seus quase 500 mil habitantes, pelo menos 400 mil já dançaram e bateram palmas ao «Rei do Kizomba», ao antigo futebolista do “Torralta” e, de outros emblemas algarvios, e muitos tomaram drinkyes com Xico Barata nos mais afamados bares da região, pois é dele que vamos falar, aliás, escrever. Minhas senhoras e meus senhores, damos a conhecer um pouco mais a personalidade humanística de Xico Barata na primeira pessoa.

Por João Pina

Carteira Profissional de Jornaista Nº 4 408

Xico Barata, de seu nome completo, Francisco Barata Mota Lemos, nasceu em Angola a 31 de março de 1964, pertencendo a uma família de grandes futebolistas angolanos. Da sua infância recorda os quatro irmãos e todos jogaram futebol no Sporting Clube de Portugal nas camadas jovens, “onde eu comecei”, sublinhando, ainda, “fui muito feliz em Angola até começar a guerra”. Os amigos de Xico Barata já se habituaram a ouvi-lo recordar os tempos passados no Andulo, província do Bié, em Angola. “Foi nessa terra que fui agraciado com o muito ou pouco talento para a música e o para futebol. Aos cinco anos de idade já fazia os meus shows muito próprios para os militares e encantava no «Chá das Seis», um programa da antiga Emissora de Angola”. 

“Em 1975 tivemos de fugir para Portugal devido à guerra em Angola que se instalara”

Cheguei à Metrópole aos 10 anos com os meus quatro irmãos. “Depois estudei na escola Almada Negreiros, no Lumiar, no Liceu de Oeiras, onde concluí o 9º ano”, relembra Xico Barata, continuando. “Era um menino traquina, como sempre fui e passado pouco tempo ingressa no clube do coração, o Sporting Clube de Portugal. Aos 16 anos tornei-me jogador profissional no então promissor Clube da Torralta, em Alvor”.

O jovem futebolista, Xico Barata aquando representou o Clube Desportivo da Torralta, nos tempos dourados do turismo algarvio e dada a sua popularidade e as suas primeiras grandes noitadas no Algarve, apercebeu-se que se não viesse a ser como o Eusébio, tinha sempre à mão a carreira de músico, “nasci com o dom de cantar, se não desse em estrela no futebol ia ser cantor”, enfatiza.

Xico Barata companheiro de Futre no Sporting

É com emoção que Xico Barata recorda os primeiros anos de vivência em Portugal e, ficamos a saber: Antes de se tornar no popular cantor de música Afro-Latina, foi um prometedor avançado que deu nas vistas nos escalões mais jovens do Sporting ao ponto de ser chamado às seleções jovens.
No entanto, uma lesão inoportuna não deixou que Xico Barata se estreasse pela seleção, pelo que terminou a formação no Torralta, fazendo parte na primeira época de sénior da equipa de Portimão, que pela primeira e única vez subiu à 2ª Divisão Nacional, em 83/84.

Depois de passagens por Santiago do Cacém, Almada e Açores, Xico Barata volta ao Algarve para alinhar no Quarteirense e jogando já a médio ofensivo, passa pelo Vianense, Campomaiorense, Palmelense antes de se fixar definitivamente no Barlavento algarvio. Aí protagoniza uma das transferências mais polémicas e caras do Distrital dos anos 90, uma vez que em 93/94 o Messinense pagaria cerca de 400 contos ao Mexilhoeira Grande pela sua transferência. Terminaria a carreira no Juventude Aljezurense para depois se dedicaràsua carreira de popular cantor demúsica africana, passando a ser muito requisitado por todo o Algarve.

Questionado sobre os futebolistas com quem se iniciou no Sporting Clube de Portugal, diz: “Comecei em “Alvalade” com o Futre de quem continuo amigo, Mourato, Alegre e depois no “Torralta” com o Décio, Barrocal, Seca e outros”, adiantando que, “como amador já tocava nos bares” e “o melhor clube por onde passei foi sem dúvida o “Torralta”.

 Xico Barata tem dois grandes amores, o futebol e a música e ainda tem muitos amigos do futebol e dirigentes desportivos e treinadores. “Quem se lembra de mim, garante que espalhei os meus dotes prodigiosos em diversos clubes de norte a sul do país. E foi entre os relvados e a noite algarvia que iniciei a carreira de cantor no Algarve, tornando-me em pouco tempo uma referência da música africana na região. Construí aos poucos a minha carreira de músico e entertainer,  como gostam de definir”, refere orgulhoso de imediato: “Tenho dado espetáculos por toda a Europa e Brasil. A minha grande satisfação é representar Angola, cantando em Umbundu e homenageando assim a gente da minha terra”O antigo futebolista e agora músico profissional prossegue dedilhando em palavras a sua carreira da mesma forma como toca guitarra e canta: “Aprendi a tocar guitarra, sozinho com 16 anos e faço 25 anos de estrada este ano” e, com alguma vaidade, garante que foi o percursor do ensino de Kizomba no Algarve. Comecei há 10 anos a dar as primeiras aulas, porque quando cantava, aplaudiam mas ninguém dançava. Então, fui conversando com o público e decidi mais o Badoxa a darmos aulas em Lagos e Portimão. Fomos os pioneiros, assim como sou também o precursor a cantar Kizomba há 25 anos, é obra”, referindo, ainda, “Alguém tinha que abrir o caminho da Kizomba nestas zonas. Esse alguém fui eu e o «puto» Badoxa. Demos tudo quando o Kizomba era vista como a música de pretos e dança de pretos. Só brancos corajosos e atrevidos dançavam e também eram apontados como amigos dos pretos…”

 Xico Barata é um nostálgico da vida, mas, não sofre por ter visto passar ao lado duas grandes carreiras, futebolista e cantor. “Sou um gajo calmo, sou do povo, adoro o Algarve e sei que sou muito querido aqui, os meus filhos nasceram cá, não nasci aqui, mas sou daqui…”, desabafa, continuando.“Sou feliz assim, peço a Deus saúde para criar os meus filhos, o resto corro atrás… Já passei a idade das fãs, agora é pro meu puto Badoxa, mas às vezes com o barulho das luzes ainda consigo dar um ar de graça a dançar e conviver com as fãs”, (risos). Recordações? Saudades? “Claro que sim! Tenho em casa dos meus pais os meus troféus e dos meus manos e não é coisa pouca. É o meu museu”.

O criador do popular e fenómeno Badoxa

“O Badoxa veio ter comigo com 12 anos, vinha da “Capoeira”. Não queria estudar e queria tocar precursão comigo, porque fazia isso na “Capoeira”. Peguei nele como se fosse um filho e andamos na luta por esse mundo. Aprendeu tudo o que tinha que aprender. Um talento nato. Tenho um orgulho muito grande no seu sucesso. Está ali muito de mim…”, confessa Xico Barata, como se falasse de um filho. Quem se lembra de ver o Xico Barata chegar aos bares, auditórios, festas para atuar, ainda tem aquela imagem de ver ummiúdo atrás dele com os instrumentos e equipamentos de som e montar tudo no palco. Aos pouco começou a experimentar o som e depois a afinar a guitarra do artista principal e a seguir já a acompanhar o Xico e a fazer a segunda voz. Aos poucos ia aprendendo e imitando o Xico Barata no palco. Cresceu na idade e no peso, o público e os amigos do Xico pensavam que era filho, sobrinho ou afilhado.

O Badoxa era isso tudo, era e é o filho musical do Xico Barata.

 “Alguém tinha que abrir o caminho da Kizomba nestas zonas. Esse alguém fui eu e o «puto» Badoxa. Demos tudo quando o Kizomba era vista como a música de pretos e dança de pretos. Só brancos corajosos e atrevidos dançavam e também eram apontados como amigos dos pretos…”

   

Afinal o que se passou em relação à separação musical? 

“Estive um ano em Angola em 2012, disse ao Badoxa – faz-te à vida. Tens talento e tens tudo para seres melhor do que eu… Tudo o que eu sabia, ensinei. Com o teu talento vais rebentar isto tudo…”. 

   

E, rebentou, hoje em dia, o Badoxa é dos artistas mais populares em Portugal e em África, cobrando milhares de euros por espetáculo.

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