Dia: 21 de outubro

Warning: file_get_contents(http://graph.facebook.com/?ids=http://algarvemaisnoticias.pt/index.php/component/k2/item/2110-tudo-isto-e-fado-com-valentim-filipe-homem-dos-7-instrumentos): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 403 Forbidden in /home/newsalga/public_html/plugins/content/bt_socialshare/bt_socialshare.php on line 895

“Tudo isto é Fado” com Valentim Filipe, o homem dos “7 instrumentos”

Toca acordeão, piano, guitarra portuguesa, viola de fado, viola baixo de fado, cavaquinho, saxofone, acordina (derivado do acordeão), guitolão (derivado da guitarra portuguesa), e outros de música tradicional, adormece e acorda ao som da música, sabor a papéis de outras músicas e com mais de 50 participações em programas de televisão.

Valentim Filipe, músico profissional, maestro, maestro coralista e professor de música, mas é nos palcos e nos estúdios de gravação que atinge os seus orgasmos de felicidade e se esquece de algumas agruras da vida. O convidado de hoje da «Algarve Mais Notícias» é um homem simples, do povo, não se “arma aos cucos” e apresentamo-lo na primeira pessoa aos nossos leitores.

Entrevista: João Pina

Valentim Filipe nasceu e cresceu em Boliqueime num ambiente recheado de música e de instrumentos. Começou a tocar o seu primeiro instrumento aos seis anos de idade ao mesmo tempo que aprendia as primeiras letras do alfabeto e como se pegava nos talheres sentado à mesa.
Conhecedor do músico e do seu crescimento musical e, como homem, podemos afirmar que é dos algarvios que mais tem contribuído para a cultura musical a nível regional e, neste contexto, marcamos uma conversa informal para falarmos sobre o 8º Concurso de Fado Amador do Concelho de Loulé, no entanto, não resistimos a recordar um pouco da vida de Valentim Filipe através das suas palavras na primeira pessoa:

À primeira questão, Valentim Filipe referiu de imediato com um sorriso nos lábios: “Posso dizer que entrou ainda no ventre da minha mãe, pois o meu pai era acordeonista e ao ensaiar lá em casa para tocar nos bailaricos decerto que eu já ouvia” e quanto à primeira vez que tocou em público. “Tinha nove anos quando toquei pela primeira a ganhar dinheiro, não que antes não o tivesse já feito, sobretudo na taverna dos meus pais e quando muito insistiam, mas a história merece ser contada mais em pormenor: Um dia o meu pai com ar de aflito chegou junto a mim e disse: Valentim, estou numa enrascada: Por engano aceitei tocar em dois bailes no mesmo dia, agora não consigo descalçar esta bota e por isso peço para me ajudares. Assim, eu vou tocar no baile que acaba mais cedo e assim que acabar vou ter contigo e toco no teu baile até ao fim. O meu baile era na altura dos mais populares: O famoso baile da FABIANA em Vale Parra. Ainda hoje não sei e nunca irei saber se foi verdade ou invenção do meu pai no intuito, que eu me soltasse e perdesse o medo do público que era nessa altura qualquer coisa de aterrador para mim. Ah! Resta dizer que acabei o meu baile e ainda esperei cerca de uma hora que o meu pai chegasse”, acrescentando que quem recebeu o seu primeiro cachet foi o pai, “não sei, mas creio que à volta de 200 escudos”.

O jovem acordeonista, segundo as suas palavras, começou na música de baile e conjuntos musicais, “muito cedo e porque na altura começava a despontar o turismo, sobretudo, na zona de Albufeira, passei a ser requisitado para festas de Barbeques, e consequentemente para restaurantes e bares”, recorda.
Além de músico quase prodígio, sempre estudou, frequentou a escola até ao 12º ano e depois no Conservatório de Música, completou o Curso Complementar de Formação Musical, paralelamente o 7º ano de Acordeão, e ainda teve aulas de piano e viola, até porque a família sempre esteve ligada à música.
“A música começou na família com o meu pai. Depois eu e um pouco mais tarde o meu irmão, embora este mais como hobby. Atualmente o meu filho Tiago que tirou o Curso do Conservatório em guitarra e depois a licenciatura em Ciências Musicais é profissional a tempo inteiro”.

“Embora, tenha andado na barriga da mãe embalado com a música do pai e as palmas da mãe, Valentim Filipe ainda tentou ganhar a vida de outra forma. “Digamos que fiz de tudo um pouco, desde vendedor de automóveis, agente de seguros, gerente e empresário no ramo hoteleiro. No entanto, paralelamente a estas atividades nunca deixei de tocar e penso que sempre como ocupação principal, muito embora seja professor do quadro de docentes nacionais. Aliás, há algum tempo, alguém se lembrou que eu deveria fazer uma festa comemorativa dos 50 anos de carreira e quando fui contar os anos já passavam desse número, pelo que terá de ficar para mais tarde, ou seja, mais anos”.

O nome de Valentim Filipe faz parte da base de dados de qualquer canal televisivo, rádios nacionais e de produtores e empresários de espetáculos, dada a qualidade musical que tem e a versatilidade de projetos a que deu o nome e muito trabalho: “Tenho fundado e dirigido vários projetos, sobretudo na área da música tradicional e do fado, como: PORTUGUESÍSSIMO, VERDES TRIGAIS, RASTEMENGA, RANCHO FOLCLÓRICO DE BOLIQUEIME, MADRAGOA, AMALIA SEMPRE, ALFAMA, AL- MOURARIA, GRUPO CORAL DO CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DE ALBUFEIRA, CORO DA CÂMARA MUNICIPAL DE ALBUFEIRA e, ainda pequenos grupos em que fui convidado a formar e ensaiar em algumas colectividades”.

Valentim Filipe considera-se um curioso na área musical e nesse contexto fez várias experiências, “como por exemplo, pôr o Ângelo Freire (cantor vencedor do "Bravo Bravíssimo" e hoje guitarrista privativo de Ana Moura) a cantar acompanhado pelo coro do Conservatório, ou ainda mais recentemente, os Al - Mouraria tiveram projetos com os "Corvos" e com os "All Four Quartet".

Concursos de Fado Amador

Qual o “papel” que têm tido os concursos de fado amador no Algarve? Quisemos saber, aliás, era o motivo principal desta entrevista, pelo que Valentim Filipe não se fez rogado e começou por afirmar:

“Posso afirmar sem medo de errar que se eu não tivesse começado com estes concursos, o fado hoje no Algarve seria uma mão cheia de muito pouca coisa em número de fadistas”, no entanto, recordando um pouco dos concursos antigos. “Artistas que têm feito carreira a partir do momento em que venceram os concursos, não sendo o Algarve uma região com tradição fadista. Onde não existem, como em Lisboa, colectividades que organizam noites e tarde de fado vadio. Onde os que pretendem começar, têm em Lisboa guitarristas pagos para isso. Onde começariam a cantar toda esta geração de fadistas que atualmente existem nesta região se não se realizassem concursos de fado amador no Algarve”, diz Valentim Filipe. “Mesmo até para alguns mais velhos que tiveram a oportunidade de concretizar o sonho de cantar num palco acompanhados por músicos, penso, ter sido o mais importante estes eventos darem a oportunidade que muitos deles nunca teriam”, referiu, para prosseguir: “Dos fadistas que ganharam concursos praticamente, todos eles são atualmente convidados para cantar nos mais diversos espetáculos, sobretudo nos restaurantes onde o fado tem tido forte implantação nos últimos tempos. Depois os concursos começaram a fazer-se por todo o lado e devo deixar aqui a minha pequena crítica por nem todos seguirem o caminho que foi por mim indicado. Exemplo: Chega-se ao ponto de avaliar os concorrentes pelo tempo que o público bate palmas. Por amor de Deus… até na Grande Noite do Fado de Lisboa acabaram com isso, pois eram três minutos de fado e 30 de aplausos. Outra inovação que de vez em quando aparece é a da imagem, se é ou não bonito o concorrente. O Nelson Ned nunca ganharia nenhum concurso (nem a Maria de Lurdes Resende). 

8º Concurso de FADO AMADOR  Concelho de Loulé

Depois de alguns anos de interregno o concurso de fado amador de Loulé regressa, tendo como inovação o factodesta vez visitar o concelho no seu todo, o que não acontecia devido ao elevado número de freguesias do município.

 Todas as eliminatórias irão disputar-se às Sextas-feiras pelas 21,30 h, tendo a primeira lugar na Sociedade Recreativa de Vale Judeu, no dia 23 de Setembro.

Podem inscrever-se concorrentes a partir dos oito anos de idade.

Um fadista convidado por cada eliminatória fechará todos os espetáculos.

A grande final será disputada no Cine Teatro Louletano, no dia 2 de dezembro, tendo como convidados, Jorge Fernando e Fábia Rebordão.

As inscrições dos potenciais concorrentes deverão ser feitas para: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. acompanhadas da fotocópia do cartão de cidadão ou do B.I, indicando quais os temas (três dos quais um será eliminado) que desejam interpretar e a que eliminatória que pretendem concorrer. 
Mais informações: 969 069 636 ou 966 426 478

Fado no Algarve nas últimas décadas

Falar sobre o fado no Algarve nas últimas décadas no Algarve, é saber os nomes em destaque pela positiva, as revelações na canção nacional, também, o nome dos guitarristas e violas de fado, instrumentistas indispensáveis para uma boa noite de fado e, Valentim Filipe dá-nos a sua opinião: “A minha ligação ao fado começou há cerca de 40 anos quando conheci um técnico que veio trabalhar na construção do hotel Montechoro. Ele tocava guitarra e eu como “arranhava” um pouco de viola começámos a tocar juntos. Na altura eu era recepcionista estagiário (mais uma profissão) no Hotel da Aldeia, dando sequência ao curso tirado, e conheci o dito senhor. Talvez, inconscientemente tivesse sido ele o causador de não ter seguido aquela atividade porque não era compatível. Havia na altura alguns lugares onde podia ouvir-se fado em Albufeira como «Restaurante da Orada», «Disco Bonanza», «Hotel da Aldeia» e «Rocamar», isto em Albufeira, Em Lagos que foi sempre uma referência nesta área musical chegou a haver algumas casas de fado a trabalhar ao mesmo tempo (casa de fado é quando há fado todos os dias e não pontualmente uma vez ou duas por semana) como a «Caravela», «Muralha», «Jota 13», “Típica». Depois construíram a «Torralta» que com uma série de espaços dava trabalho a muita gente. Havia, ainda, empresários que abriam casas de fado, aqui e ali, e houve uma altura há cerca de 20/30 anos em que era moda haver fado nos hotéis.

É claro que não havia gente para cantar nestes lugares (hoje há de sobra) e constantemente vinham fadistas, sobretudo, de Lisboa (Adelaide Rodrigues, Constância Baptista, Celeste Rodrigues, Elsa Laboreiro, e outras, foram algumas com quem trabalhei). Outros vieram para cá e abriram as suas casas de fado como, Carlos Barra e Odete Mendes, Praia do Vau, Rodrigo, em Vilamoura, Nuno de Aguiar, Vale Parra, Romy e Eduardo César, Albufeira, João Braga, Montechoro, e outros.

Aqui havia alguns fadistas como, Tonia Silva, Zé Conde, Lucília Cordeiro, Helena Ferreira, Estrela Maria, Susete Leote Luísa Mira e Cremilde mas que não chegavam para as solicitações. Dizer, portanto, que o fado no Algarve apenas começou com os concursos e teve depois forte incrementação com a classificação da Unesco a Património Imaterial da Humanidade não é verdade. Não havia efetivamente muitos recursos humanos (fadistas e guitarristas) e esses vieram sem dúvida com os concursos.

Para confirmar estas palavras, direi que sem estes, não teríamos seguramente hoje a cantar fado a maioria dos seguintes nomes (a ordem é arbitrária e sem qualquer classificação qualitativa da minha parte): Sara Gonçalves, Raquel Peters, Filipa Sousa, Isa de Brito, Teresa Viola, Inês Graça, Pedro Viola, Arnaldo Santos, Luís Manhita, etc, etc. Por curiosidade estes nomes começaram praticamente logo no início dos concursos, uns concorrendo na vertente sénior e outros ainda na vertente júnior. Ultimamente e, muito honestamente, não vi aparecer ninguém com a qualidade destes que referi. Talvez, apenas, César Matoso e Nádia Catarro”.

Valentim Filipe é dos músicos com mais trabalho no Algarve e é presença assídua nos canais de televisão portuguesa e em outros países, nomeadamente com os “Al – Mouraria” que fundou e dirige há mais de uma década, por isso, às vezes puxa dos galões que a longevidade lhe confere: 

“Há, no entanto, em minha opinião fado muito mal tratado no Algarve. O fado está na moda. Contratamos uma fadista e dois guitarristas (se for só um, ainda melhor e há quem o faça. E pior ainda, quem se disponha a faze-lo) e mesmo ali à ponta do balcão fazem as sessões. Ninguém se preocupa em ver as condições acústicas. Se o local onde querem que se cante não é zona de serviço ou de passagem. Os artistas preferem não protestar com medo de perderem o trabalho e na semana seguinte já estarem lá outros (aqui a fartura de fadistas acaba por ser prejudicial), etc. Infelizmente isso não se passa só aqui pois, há poucos dias fui tocar a uma casa de fados em pleno Bairro Alto e vi lá a mesmíssima (ou pior) coisa. A diferença é que lá existe escolha pois as más casas têm a concorrência de outras onde as regras são sagradas.

Falando de instrumentistas o Algarve tenta seguir os passos do que se passa em Lisboa, onde existe uma grande gama de excelentes guitarristas mas, é inegável que sobretudo a nível da guitarra portuguesa o panorama não é famoso. Na AFA - Associação de Fado do Algarve temos uns quantos alunos e vamos tentando fazer algo na área, sublinha o entrevistado.

Há quem afirme que existe falta de apoio institucional no presente e enquanto os chamados fadistas de Lisboa ganham razoavelmente, os artistas algarvios às vezes recebem cachets de esmola, questionamos Valentim Filipe acerca deste assunto pertinente: “Não é bem assim: Os fadistas normais e sem cartel não ganham mais nos restaurantes e casas de fado em Lisboa do que os daqui. Antes pelo contrário. Posso até dizer que há fadistas aqui que gostariam de tentar a sua sorte por lá e nesse sentido têm recebido convites; no entanto quando começam a fazer contas ao que lhes oferecem chegam à conclusão que não dava para lá subsistirem. Os que ganham bem são as vedetas que vêm fazer espetáculos, mas isso acontece em todo o lado.

Associação de Fado do Algarve

Valentim Filipe é, como já nos apercebemos, um cidadão que respira música desde que nasceu, vive da e para a música, fundou e dirigiu vários projetos, sendo assim, dos profissionais mais experientes e conhecedores das realidades e carências dos artistas e dos espetáculos na região algarvia, pelo que criou em conjunto com outros fadistas a Associação de Fado do Algarve.

“O objectivo foi unir a classe não só em termos de relacionamento aproveitando, a minha experiência nesse campo para demonstrar a todos que podem ter o seu espaço, sem se atropelarem e tentar também unificar a nível de cachets”, são palavras do próprio. “Tendo promovido reuniões nesse sentido onde acertámos condições mínimas para cada tipo de trabalho. Posso dizer que foi conseguido quanto baste e, se não na totalidade, é porque como em qualquer atividade há sempre pessoas que olham demais para o seu umbigo”, confessa a seguir, finalizando os objetivos da Associação de Fado do Algarve: “Outro dos objectivos foi promover noites de fado onde as regras sejam cumpridas. E quando falo de regras, falo sobretudo do staff dos restaurantes que não se sabem comportar nestas noites. Não são capazes de fazer uma pausa no serviço no momento do fado, passando muitas vezes pela frente dos artistas, produzindo barulho que incomoda quem quer realmente ouvir. Para isso criámos o conceito “FADO, TAPAS & VINHO” e sempre que podemos propomos o evento aos restaurantes”.

Ver mais imagens em baixo na Gallery

Comentar e partilhar

Deixe um comentário

Make sure you enter all the required information, indicated by an asterisk (*). HTML code is not allowed.

voltar ao topo
×

Sign up to keep in touch!

Be the first to hear about special offers and exclusive deals from TechNews and our partners.

Check out our Privacy Policy & Terms of use
You can unsubscribe from email list at any time