Dia: 12 de dezembro

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Reviver a “Glória do futebol no Campo das Gaivotas” de Armação de Pêra

O presente faz-se a partir do passado e, se o Clube de Futebol “Os Armacenenses”, tem na sua equipa de futebol sénior o título de campeão distrital do Algarve na época de 2015/16, também se deve a outro título de campeão da 2ª divisão da Associação de Futebol do Algarve, zona do Barlavento e é desses factos que a «Algarve Mais Notícias» relata por escrito o ocorrido num jantar informal há dias.

Texto e fotos: João Pina *

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

Realizou-se um jantar de confraternização entre os futebolistas, equipa técnica e dirigentes do Clube de Futebol "Os Armacenenses" que se sagraram campeões do Algarve do Barlavento da 2ª Divisão do Distrital da Associação de Futebol do Algarve na época de 1994/95 e que subiu à 1ª Divisão na época seguinte:

O restaurante escolhido para o jantar comemorativo dos 21 anos de campeões, recaiu no "Lobo do Mar", bem pertinho do velhinho Campo das Gaivotas, local onde os jogadores comiam e bebiam muitos dias após os treinos e jogos de futebol aos sábados.

A ideia deste repasto festim partiu de uma conversa do futebolista, Zé Maria e do treinador da altura, Zé d' Angola que levaram por diante a presente jornada fora dos relvados, assim, elaboraram a lista dos participantes no feito histórico dos “Armacenenses” e passaram aos convites aos futebolistas a viverem nos tempos que correm um pouco pelo Algarve país, mas como nunca deixaram de se ver e contatar aos longos destes 21 anos, não foi difícil.

O dia marcado foi um sábado e o jantar só começou após os términos dos jogos de futebol na televisão e, sob a batuta do treinador campeão, Zé d’ Angola, sentaram-se os futebolistas veteranos, Alberto, Marco Nuno, Veiga, René, Augusto, Zé Maria, Simões, João Cabrita, João Gonçalves, Armando, Dionísio, Roberto, Vitó, Nuno Beça, Jimmy, Baixinho, Rui Hipólito, Hélio, Chiquinho, e os dirigentes, Fernando Santiago, Coutinho, Fernando Serol, Xico Zé, Carlos Palma, Rui, Paco e João Pina.

O jantar decorreu muito animado, contaram-se algumas histórias e risos, aliás, foi difícil o início das alocuções, porque a seguir ao café e aos digestivos à descrição, até porque não havia jogo no dia seguinte, os cânticos antigos do balneário e das viagens de autocarro e carrinhas a caminho dos jogos fora, foram recordados em conjunto e em voz afinada.

Zé d’ Angola, puxa dos galões e de whisky na mão foi discursando: “A palestra vai ser igual há de 21 anos. Dizer-vos que a ideia de fazermos este jantar de confraternização com os jogadores que contribuíram para a subida de divisão já tem algum tempo, mas, por questões várias, como o impedimento de muitos, só agora foi possível. Vocês foram os obreiros desta subida, não posso esquecer uma pessoa e enaltecer o seu trabalho, porque me deu o que eu quis, refiro-me ao presidente de muitos anos, o meu amigo, Fernando Santiago. Um dia foi falar comigo e disse-me: Zé, eu quero subir de divisão, porque os Armacenenses têm esse direito e merecem subir de divisão”, fez uma pausa e, o antigo jogador e treinador do clube piscatório, continuou: “Houve cedências de parte a parte, nessa época o clube começou a ter uma certa semiprofissionalização. Os almoços e o convívio antes dos jogos e a amizade do presidente passaram a estar sempre presentes, desde os treinos, aos jogos e nas muitas deslocações”.

Zé d' Angola agradeceu especialmente a presença de Augusto, "fez 300 quilómetros para estar aqui", sublinhou. Visivelmente feliz por reencontrar os antigos companheiros.

Outro jogador que passou pelo clube, o Roberto, referiu: "Tenho um feitio especial, acho que só joguei um ano nos "Armacenenses", hoje sinto a nostalgia desses tempos, afastei-me a seguir à subida sem motivos, tinha a cabeça mais quente. No entanto, foram bons momentos que passei convosco e agradeço terem-me convidado, Armação de Pêra marcou-me muito". «Baixinho» referiu, igualmente, o ambiente criado no balneário naquela época, "contei com a vossa amizade e o excelente convívio. Vamos continuar pela vida fora", adiantou, ainda. Também, Augusto frisou: "Foi muito bom ter jogado em Armação de Pêra e faço muito gosto em estar neste jantar e rever a malta que comigo suou a camisola". Alguém, disse, que o Zé Maria até pagava para jogar, ao que este respondeu: "Este jantar já vem tarde, proporcionou-se agora, foi um grupo extraordinário. Um grupo unido. Marcava a diferença. Gostávamos de jogar nos "Armacenenses". Hoje será assim?", questionou Zé Maria a finalizar a sua intervenção.

Fernando Santiago conta a história da contratação do Zé d' Angola

Depois de agradecer o convite da comemoração do primeiro grande feito Armacenense na área desportiva e à gerência do restaurante pela recepção e excelente jantar, o antigo e carismático presidente do Clube de Futebol "Os Armacenenses" e da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, começou por afirmar: "Estamos aqui três presidentes, qualquer um fez um bom trabalho. Foi pena que eu e vocês não apanharmos as condições que hoje existem. Falta aqui uma pessoa, o Paco. Foi ele que me convidou para a direção. Os “Armacenenses” só tinham uma equipa de futebol. Uma noite, estávamos numa reunião de direção e tivemos de vir para a rua porque chovia dentro da sede”.

"A nova sede demorou 14 anos. O clube sempre assumiu os compromissos, repito. Isso é que conta para mim e que tem valor", diz Fernando Santiago.

Depois de andar com uma sede velha às costas, improvisada e onde chovia, Fernando Santiago tinha dois grandes desafios pela frente: Conseguir mobilizar esforços humanos, financeiros e institucionais para construir uma sede digna e funcional para o clube.

Como, era, em simultâneo presidente da junta de freguesia, aos sócios pedia esforços físicos e profissionais, a construtores civis da terra e a outros que investiam, também, em Armação de Pêra, pedia tijolos, cimento e outros materiais de construção e, foi assim, carregado de boas vontades durante semanas atrás de semanas, meses e meses, e anos a fio que as obras foram avançando durante 14 anos até ao dia da inauguração no dia….

O outro desafio foi conseguir que "Os Armacenenses" subissem à 1ª Divisão da Associação de Futebol do Algarve: "Falei com o Zé d' Angola, entre outros treinadores sem eles se aperceberem, pois já estávamos há muito tempo no escalão inferior. Depois de os examinar à minha maneira, escolhi o que mais confiança me ofereceu, o Zé d’ Angola que era a pessoa mais organizada e disse-lhe que queria subir de divisão e que só tinha o campo das gaivotas e alguém que pegasse na equipa e que subíssemos”, recordou Fernando Santiago, prosseguindo, “O Zé pediu-me que lhe facilitasse a vida, e o que ele queria? Que organizasse os almoços antes dos jogos, fatos de treino, bolas para treinar, ora, lá andei a pedir a uns e a outros, até fui várias vezes a Silves com o Zé para falarmos com os pais de alguns jogadores para autorizarem os filhos a jogar nos “Armacenenses”, o que naquela época e ainda hoje é quase impossível e vocês sabem porquê”.

Fernando Santiago realçou, também, a colaboração e conhecimentos do dirigente Coutinho, que era o vice-presidente, “uma pessoa que percebia de futebol e, sobretudo, como era bancário, ajudou muito na estabilização das finanças do clube”, sublinhou o antigo presidente Santiago, o homem da sede dos “Armacenenses”, “os sócios e a população dizia, - este homem é maluco – mas, a verdade, é que a sede está lá feita e para durar”, e, coçando o queixo, acrescentou, “O Augusto parece que tinha botas de algodão, ninguém dava por ele no campo, aparecia de repente e roubava a bola dos pés aos adversários”.

Fernando Santiago recordou várias peripécias dos seus mandatos: “Hoje e neste jantar, só vou relembrar mais esta. Na semana anterior ao jogo em Aljezur, no qual os “Armacenenses” se sagraram campeões do Barlavento e consumaram a subida à 1ª divisão, o Zé d’ Angola fechava-se no balneário com os jogadores, às vezes davam uma ou duas volta ao campo para desentorpecerem as pernas, mas treinar com a bola nada disso. Comecei a andar preocupado, bem como outros dirigentes e sócios que não arredavam pé do campo para assistir aos treinos. Na véspera do jogo, disse ao Zé à saída do balneário – Então Zé! Como é? Não treinam, nem nada? O que é que se passa? – O Zé volta-se para mim e respondeu – A gente vai lá ganhar – não se preocupe, presidente”. Fernando Santiago, passados 21 anos ainda não se esqueceu da resposta do seu treinador de eleição e visivelmente emocionado terminou o seu discurso de improviso:

“E ganharam, o treinador ganhou, os jogadores ganharam. Os presidentes passam, os homens do futebol jogado também, mas o clube fica. Obrigado por vocês estarem aqui. Tenho muito orgulho em todos. O clube sempre assumiu os compromissos, repito. Isso é que conta para mim e que tem valor”.

Entre várias «bocas» dos antigos futebolistas dos “Armacenenses”, muitas delas com imensa graça, partidas feitas nos balneários após os jogos, as apostas ganhas e perdidas, demonstraram o excelente ambiente e espírito de grupo ganhador que se viveu na época de 1994/95 no clube sob a batuta de Zé d’ Angola e Fernando Santiago.

Na altura, a vedação do campo feita à pressa para determinados jogos, acabava por ser inutilizada numa noite de vendaval e dos suestes que afloravam a praia dos pescadores, onde o Campo das Gaivotas estava inserido. “Havia jogos de futebol em que os “Armacenenses” passavam largos minutos ao ataque, a outra metade do campo era absorvido pelos bandos de gaivotas supervisionadas pelo guarda-redes Marco Nuno”, relembrou o Zé Maria e, “às vezes ia marcar um penálti ou um livre direto e tinha de bater as palmas antes, para que as gaivotas levantassem voos e deixassem a área livre”, adianta o «Baixinho» (risos). “Estava tudo combinado com as gaivotas para distraírem os adversários”, diz o Zé d’ Angola.

A época de 1994/95 marcou a primeira grande mudança de mentalidades em Armação de Pêra quanto à relação da população com o futebol da freguesia. Até aquela época só jogavam futebol no clube e, também, assumiam o papel de treinadores, quem fosse armacenense e oriundo da comunidade piscatória, embora, depois, começassem a fechar os olhos aos jogadores de Alcantarilha e Pêra.

Este título da subida à 1ª divisão assinalou o fim de mais de 20 anos de prática futebolística em que os jogadores tinham que tratar dos equipamentos, das botas e até comprá-las e viajar para os jogos fora em carros dos amigos ou dos pais. “Ainda me lembro de vir equipado de casa antes dos jogos e depois ir a pé com a camisola suada nas mãos e às vezes descalço porque já não aguentava as botas encharcadas de areia e água”, comenta outro dos grandes futebolistas que sempre jogou nos “Armacenenses”.

Recordações que hoje têm um efeito de grande valor clubístico e, quiçá, a fazer falta nos tempos que decorrem no novo Estádio Municipal de Armação de Pêra, onde o clube milita no Campeonato de Portugal Prio, depois de no ano transato se ter sagrado Campeão do Algarve da Associação de Futebol do Algarve e subir ao escalão nacional.

O jantar estava no fim, pelo que e, a pedido dos dirigentes campeões de há 21 anos e dos futebolistas presentes, o presidente atual do clube, Dr. Fernando Serol usou da palavra: “Começo por agradecer o convite ao Zé d’ Angola, uma excelente iniciativa, uma vez que este grupo de atletas engradeceu o clube e a terra. Há aqui dirigentes de outras direções e as de hoje. Eu entrei dois anos a seguir à vossa vitória”, começou por afirmar. “As dificuldades eram grandes, mas a partir de 1994 as condições melhoraram, pelo que o que vocês criaram facilitaram-me quando assumi a direção”.

Fernando Serol realçou o papel dos seus colegas de direção nestes anos, relembrou as lutas travadas com a tutela por causa do novo Estádio Municipal, “e ainda não acabaram”, desabafou acerca do campo de futebol e do que falta terminar. “Conseguiram elevar o prestígio do clube, foram campeões distritais com jogadores praticamente da terra, fizeram história, aliás, brevemente, a direção a que presido vai homenageá-los noutro local com pompa e circunstância”, frisou Fernando Serol e, como o clube sempre assumiu os seus compromissos, os campeões de 1994/95 ficam a aguardar.

Entre aplausos, cânticos “Campeões! Campeões” e brindes aos “Armacenenses”, Fernando Serol, ainda, teve tempo para enaltecer as dificuldades das equipas técnicas, mas, igualmente, sublinhou, “as dificuldades de hoje são iguais”, adiantando: “Faço-vos um repto, unam-se ao clube, regressem, temos uma equipa de veteranos. Os que são de Armação de Pêra participem mais nos jogos dos veteranos. Aproximem-se. Têm experiência, ainda são jovens, sentiram o clube como poucos, têm o dever moral de apoiar os futebolistas de hoje, façam renascer a mística armacenense”.

Com mais um brinde aos presentes e ao futuro futebolístico, verificamos que entre os 21 campeões de 1994/95, hoje juntos num jantar de confraternização sem grandes pretensões, para além do convívio e atualização dos contatos, o mais velho tem 53 anos (René) e o mais novo 40 anos («Baixinho») e foi em euforia que se foram despedindo uns dos outros, esperando, segundo ouvimos, a próxima homenagem prestada pelo clube.

*Fotos do jogo que assinalou a subida de divisão em 1995: Henrique Vicente

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