Dia: 21 de outubro

Imigrantes do leste felizes (…) “Sim, sim, sim, não é a minha terra, mas adoro aqui…” e (…) “Eu já vai morrer aqui. Estou na minha casa”, afirmam na reportagem «Família ao Lado»

Não é todos os dias que um estranho se senta à mesa composta por mais de dez pessoas para almoçar, jantar, reunião de trabalho e, respira-se felicidade na troca de palavras, de histórias, de tradições. Come-se e bebe-se «novas amizades, cumplicidades, esperança no futuro» e, nada de ressentimentos, invejas, discriminação, racismos.

Na presente reportagem, o jornalista observou, viu e ouviu ao vivo o que vai na alma de uns quantos e quantas imigrantes do leste europeu e africano residentes em Portugal e que já falam a nossa língua, trabalham, pagam impostos, têm os seus filhos que crescem, estudam, trabalham e são felizes entre nós.

A «Algarve Mais Notícias» reporta ao que se passa na «Família do Lado».

 

Texto e fotos: João Pina *

(Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408)

 

Nos tempos que decorrem, cada vez mais se fala na implementação da globalização, nomeadamente, nos EUA e na EU, ou seja, na Federação dos Estados Unidos da América e dos Países da Europa Unida e, um pouco pelo resto do mundo, através de várias associações e de protocolos de amizade.

Em nosso atender, a chamada globalização acaba por ter mais o efeito da circulação de pessoas e bens entre os povos e do conhecimento teórico entre todas e da informação do que se passa, tudo e todos transversalmente pelas redes sociais e difusão maciça da internet.

Este fenómeno positivo - o do conhecimento – torna, contudo, o isolamento das pessoas e sobretudo das famílias que se fecham em casa, correndo desenfreadamente de emprego e de trabalho em trabalho, sem tempo ou vocação para a convivência entre eles, mesmo que de vizinhos se trate.

As famílias e os vizinhos nas últimas décadas a habitarem nos mesmos prédios, lotes e blocos de apartamentos, cruzam-se nos elevadores, entrada e saída dos prédios, mas, nem se cumprimentam, conhecem e muito menos entram nas casas de uns e de outros.

Os dias são passados a correr de casa para o trabalho e deste para casa, cansados e desejosos de uma ou duas horas sentados nos sofás a ver televisão, futebol e no Facebook.

Quanto às crianças, nas escolas mal brincam, por que todo o tempo é pouco para estar a ler e a enviar mensagens e a jogar nas redes sociais.

As pessoas, desde crianças, adolescentes, homens e mulheres até aos idosos vivem aos encontrões nas ruas, nos metros, autocarros, mas não convivem, não tomam café, vivem os tempos do consumismo e da internet, é, óbvio que existem exceções dos nichos de comunidades e de vizinhança.

 

O grito da tolerância e da afeição

 

Na velha Europa, conhecida pelo poder de intervenção, das mudanças, da luta pela liberdade, nasceu na República Checa, em 2004, um movimento, ou um novo conceito de viver, que consiste na integração efetiva dos imigrantes que diariamente aumentam nos países abertos à mão de obra e, como tal, recebendo-os como vizinhos, o que rapidamente passou a ser encarado pelos próprios residentes da mesma nacionalidade.

Inicialmente, este ideal de vida implementou nos ditos bairros inclusivos, porém, alastrou-se a outras zonas de bairros, vilas e cidades, não tanto como se pretende, mas está-se no bom caminho, ou no regresso aos tempos dos nossos avós em que as portas de casa estavam sempre abertas aos mais próximos.

No passado domingo, 27 de novembro, oito famílias portimonenses e imigrantes mostraram a sua hospitalidade ao aderir à iniciativa “Família do Lado” e abriram as portas das suas casas a dez outras famílias que não conheciam para a realização de um almoço convívio, típico da sua cultura de origem, como forma de acolhimento do “outro”.

A partir das 13h00, e em simultâneo com tantas outras “Famílias do Lado” que em Portugal, Espanha e República Checa se associaram a esta iniciativa, em Portimão, vários pares de famílias - uma imigrante e outra autóctone (ou vice-versa) viveram um almoço de domingo bem diferente onde, foram partilhadas à mesa, não só iguarias gastronómicas de cada país como hábitos e costumes de cada um.

Famílias de nacionalidade portuguesa, angolana, brasileira, moldava, ucraniana, gaulesa, britânica e refugiados da Síria e de Eritreia neste momento a serem acolhidos em Portimão, viveram decerto momentos de especial convívio que abriram caminho para novas amizades e futuros encontros, aproximando culturas e fomentando a integração e o acolhimento local.

Este desafio foi lançado pelo segundo ano consecutivo pela Câmara Municipal de Portimão, no âmbito da iniciativa transnacional dinamizada pelo Alto Comissariado para as Migrações - “Família do Lado” - centrada na hospitalidade entre famílias como forma de promover a inclusão e as relações interculturais. 

A «Algarve Mais Notícias» teve conhecimento de que um desses almoços se realizava este ano em casa de uma família de um português, Rogério Pinto e de uma cidadã russa, Svetlana Menshova, há muito tempo, a viver no sítio do Quintão, Armação de Pêra.

Assim sendo, e por que no ano passado este casal luso/russo tinha almoçado com outras famílias emigrantes, em Portimão, e que este ano abriu as portas da residência para receber três outras famílias estrangeiras da cidade do barlavento, a reportagem da «Algarve Mais Notícias» esteve presente para efeitos de reportagem à iniciativa “Família do Lado”.

À hora marcada, ou seja, entre as 12,30 horas e as 13,00 horas, chegaram os convidados, Ludmila Mogli Levscaia, dirigente da CAPELA – Centro de Apoio a População Emigrante de Leste e Amigos, Alexandr Mogli Levscaia; Valeriu Levscaia Liudmila; Pilipets anna; Iryna Ivanyuk; Dmytro Ivaniyk; Paulo Dinis Afonso; Igor Dinis Afonso, os quais e depois das apresentações e palavras de circunstância, a convite de Rogério Pinto e de Svetlana Menshova, tomaram os lugares em redor da mesa para almoçar.

O repasto iniciou-se em amena cavaqueira, com o anfitrião Rogério Pinto, bem secundado por Svetlana Menshova,que na qualidade de dona da casa foi explicando a concepção da gastronomia do leste que constou de um prato Moldavo, plachnta, salada russa, doce-bolo napoleon, mosse com nozes e ameixas e, ainda outras iguarias e bebidas daqueles países do leste europeu.

A dar início as minientrevistas dos convidados, iniciámos a conversa informal com Moghilevscaia Liudmila, que, igualmente ia registando o que se passava com os seus conterrâneos em termos de imagens, “são para o meu arquivo na CAPELA”, disse, antes de responder à primeira questão: “Neste dia, conforme já foi dito, em todo o mundo pessoas de várias nacionalidades juntam-se em redor de uma mesa para mostrarem as suas tradições e para criarem novos amigos. Eu, já participei no terceiro almoço. Em Portugal o movimento chegou pela primeira vez em 2012, e registo que até hoje, o vosso país e agora o meu é, um dos que tem maior número de participantes. Entre 2012 e 2015, ocorreram 367 encontros que envolveram 833 famílias, sendo que, 452 famílias de imigrantes e 381 famílias portuguesas, de 50 nacionalidades diferentes, num total de 2572 participantes aos quais acresceram 373 voluntários”, começou por esclarecer, Ludmila Mogli Levscaia, visivelmente feliz por estar presente. “A ideia deste convívio é para estabilizar novas amizades, mas, encontra-se famílias que conhecem outras e assim vamos alargando o número que umas apresentam outras. No dia de hoje e a esta mesma hora decorrem oito almoços”. E de que falam nestes almoços, questionámos: “Oh! De tudo, da nossa comida, cada pessoa apresenta a comida do seu país porque é diferente, falamos muito sobre a nossa família e sobre Portugal. Sobre o nosso Natal, falamos menos de política e mais da amizade e do que mais gostamos aqui”, referiu Ludmila, que sobre a sua identidade, acrescentou: ”Uf! É muito complicado, minha mãe é ucraniana, pai também, eu nasci na Moldávia e muitos anos vivi na Rússia e agora sou portuguesa (risos), tenho bilhete de identidade português e moldavo, ou seja dupla nacionalidade por que já estou em Portugal há 17 anos”, e sem que perguntássemos, prosseguiu: “Estou feliz aqui. Este país já é a minha terra, quando vou de férias à minha terra, não consigo estar lá maus do que duas ou três semanas. Eu não posso ficar cá para sempre, mas não consigo viver lá. É muito complicado, não sei como vai ser”, desabafa com sinais de preocupação, “tenho cá filho e netos, um filho está agora na Ucrânia por causa do seu negócio, mas ele também já é português”, “aliás, “a minha família mais chegada está em Portugal”, acrescentou.

Entre brindes às famílias ausentes e também à tão badalada saudade, palavra que só os portugueses e os estrangeiros que adotaram Portugal como o seu país do coração sabem o significado, “muitas vezes oiço a palavra discriminização, tratamento dos estrangeiros, mas, eu acho que nós somos muito bem tratados e também depende de nós próprios, é óbvio que, pagamos os nossos impostos (risos), adiantando: “Assim, com bom clima, boa comida, bem tratados, quando estamos nos outros países sentimos falta de Portugal. Penso, que este é o significado da palavra saudade. Quanto à comida, eu não vejo grande diferença entre a gastronomia do nosso país com o vosso. A nossa comida tem os mesmos ingredientes, mas a preparação é de outra maneira. Eu gosto muito da comida portuguesa e em casa já comemos muito à portuguesa (risos) ”.

 Em Portugal, a iniciativa é dinamizada pelo Alto Comissariado para as Migrações, em parceira com entidades públicas e privadas de todo o país, até por que o projeto “Família do Lado” visa contribuir para a integração efetiva dos imigrantes na sociedade portuguesa, reforçando, assim, as relações sociais e promovendo a diversidade cultural existente no nosso país, pelo que questionamos a nossa interlocutora quanto às diferenças entre as mulheres e os homens, nomeadamente a nível da juventude? “Nos nossos países, às vezes o sucesso da família depende da mulher. O marido é para trabalhar, ganhar dinheiro e tudo, mas a qualidade de vida depende das mulheres”, enfatiza Ludmila Quer dizer que os homens não ajudam em casa, perguntamos. “Eu posso dizer como é na minha casa. Quando eu posso, tenho tempo, faço tudo. Quando não tenho tempo, o meu marido pode fazer o mesmo que eu, ele sabe e faz”, respondeu à provocação do jornalista.

A «Família do Lado» (Next Door Family EU) esta na 5ª edição e todos os encontros tiveram lugar no domingo, 27 de novembro, pelas 13,00 horas, em Portugal, Espanha e República Checa, contando-se que se realizaram em cerca de 30 concelhos, desde Viana do Castelo a Portimão, passando pelos Açores e Madeira, envolvendo-se na sua realização mais de 100 entidades.

 Em Portugal existem mais de 170 nacionalidades e que falam mais de 100 línguas, uma vez que nas ruas de cada cidade e região existem pessoas de diferentes origens.

“Eu já não posso dizer como é viver sem este calor, eu já vou morrer aqui. Na Rússia cheguei a apanhar 52 graus negativos, agora com este clima é maravilhoso”, sublinha Ludmila, confirmando que cidadãos russos, presentemente não há mutos, ”russos não há muitos, nos últimos anos houve grandes alterações, muitos saíram e outros entraram, mas propriamente cidadãos do Leste existem muitos em Portimão, cerca de 20 por cento dos imigrantes são do Leste”.

Outra presença no almoço “Família do Lado” é Valeriu Levscaia Liudmila a residir há 16 anos em Portugal, o qual depois de dizermos ao que vínhamos, passou por afirmar: “Olha! Aconteceu assim. Depois de Portugal ter aderido ao acordo deSchengen, ou seja, a  livre circulação de pessoas entre ospaíses da União Europeia (EU), as coisas ficaram mais fáceis para os trabalhadores do Leste. Eu cheguei a Portugal em 1999 e a Mirandela, onde comecei a trabalhar numa fábrica de mármores. Depois e, embora, ilegal, mas como tinha amigos no Algarve, vim para Portimão, onde arranjei trabalho como motorista de pesados numa empresa de construção civil, Catarino & Catarino, Lda”.

Quanto ao futuro, o moldavo Valeriu Levscaia Liudmila, diz: “Está tudo bem. Não há problemas na minha vida (risos).Regressar ao meu país? Estou a pensar, sim. Talvez daqui a quatro anos. Um filho meu mais velho que já tinha uma empresa de construção civil no Algarve, as coisas começaram a não correr bem… depois, fechou e foi embora. Agora, tem lá o seu próprio negócio”.

Quanto a estes almoços, o moldavo, Valeriu Levscaia Liudmila é cético, encolhe os ombros e deixa transparecer: “Úteis para a comunidade! Família! É muito complicado! Olha, a família não está toda junta em Portugal, durante a semana a gente almoça, janta, bebe copos, fala. Ouve, mas… está tudo bem, o senhor Rogério e a Svetlana é boa gente. Estou contente com este almoço…”.

 Iryna Ivanyuk é outra participante do presente almoço «Família do Lado» e uma figura relevante na comunidade imigrante em Portimão desde há 16 anos, designadamente na CAPELA onde trabalha e sem rodeios principiou por informar: “Esta é a minha família e não tenho outra”, mas, segundo sabemos, existe algo mais forte para estares em Portugal, provocamos: “Sim, o meu marido é português e angolano, certo”, falando mais a sério, o que é que fazes na CAPELA? “Sou professora de dança e tenho um grupo de dança. A maioria são filhas de imigrantes, mas, também temos crianças portuguesas. Ao todo 40 alunas de 40 famílias. Já existimos há muitos anos. Em 2017 fazemos 10 anos que somos um grupo de dança aberto dentro da associação, chama-se Estúdio MIX Dance”. Fala-nos um pouco do grupo de dança, questionámos: “É um grupo que nasceu no Centro de Apoio a População Emigrante de Leste e Amigos (CAPELA) com o nome de "Estrelinhas" no dia 1 de Setembro de 2007, visando o desenvolvimento da criação de competências no âmbito da realização de atividades de dança. O nosso objetivo tinha como finalidade o desenvolvimento da cultura, a organização de espetáculos e animação e entretenimento do público, tendo, sempre como fim a pessoa em si e a sua expressão no âmbito da criatividade. Desde o início que pretendemos aprofundar e estruturar a matéria de movimento, adquirindo ferramentas e ensaiar a sua aplicabilidade educativa em coreografias justificadamente estruturadas. Promovem-se a ocupação dos tempos livres dos jovens, apelando-os ao desenvolvimento das suas capacidades e adquirimos novas competências; cultura e arte, no seio da população e, especificamente, em cada indivíduo. Depois, no dia 1 de Setembro 2014 mudamos o nome para Estúdio MIX Dance”.

 Quanto a danças, Iryna Ivanyuk explica: “As maiorias das danças são as tradicionais dos nossos países, ucranianos, moldavos, russos e depois de outros países a que nós chamamos danças do mundo e claro, as danças criativas; danças tradicionais; danças modernas; danças contemporâneas; jazz; iniciação à dança; danças de salão; danças latino-americanas; hip hop; dança oriental e zumba” 

Em relação ao tema da reportagem Iryna Ivanyuk, não tem dúvidas: “As pessoas e as famílias passam a ser mais amigas, conhecem-se melhor, convivem mais, preocupam-se com os problemas dos outros, «Família ao lado» é mesmo conhecer as famílias que estão ao nosso redor”. A finalizar a sua intervenção e acerca de como se sente em Portugal, se é feliz, o que a obriga a continuar a viver neste país, Iryna é peremptória: “Agora, já não me obriga nada! No início era o dinheiro (risos). Agora, não! Estou bem aqui em Portugal. Gosto do que faço, tenho a «família ao lado», tenho amigos, a única coisa é que  não tenho familiares da minha parte, estão todos na Ucrânia, mas, às vezes vou lá passar férias”. És bem tratada, exclamamos em jeito de pergunta: “Sim, sim, sim, não é a minha terra, mas adoro aqui…”, finaliza a professora de dança ucraniana apaixonada e muito feliz em Portugal.

“CAPELA” Centro de Apoio a População Emigrante de Leste e Amigos

É uma instituição sem fins lucrativos, criada por iniciativa de um grupo de imigrantes de leste residentes em Portimão. A Associação procura, essencialmente, facilitar o processo de integração dos imigrantes, através da resolução dos seus problemas primários, do conhecimento básico das leis portuguesas, do melhoramento das suas condições de vida e dos seus filhos, da criação dos próprios negócios, da compreensão da cultura e sociedade de acolhimento, entre outros.

À frente desde fevereiro de 2006 está a entrevista de hoje, Ludmila Mogli Levscaia que nos diz: “A associação foi criada em 2005 por iniciativa dos pais, por que naquela altura chegaram muitas crianças do Leste a Portimão e, eu mais uma pessoa dos EUA que era russa, mas casada com um senhor português e criamos a associação e o primeiro projeto, foi o de ensinar a língua portuguesa aos filhos dos imigrantes. O nosso projeto principal é o Centro de Apoio aos Imigrantes que funciona num espaço da Câmara Municipal de Portimão na Urbanização do Pimentão, Lote 2, Cave, Três Bicos 8500-776 Portimão, onde temos dois gabinetes e várias salas de reuniões. Acompanhamos os processos dos vários imigrantes de todos os países do mundo, damos e recolhemos informações, analisamos os referidos processos e acompanhamos nas várias instituições depois. Temos, ainda, um Centro Cultural, aulas de pintura, de dança, estúdio de arte, uma escola para ajudar a integração dos filhos dos emigrantes nas escolas portuguesas, temos, ainda outros projetos”.

Ludmila Mogli Levscaia está a tempo inteiro na CAPELA e, embora, reconheça a grande ajuda da autarquia de Portimão na cedência das instalações e assegurar o pagamento de água e luz, a nossa associação onde trabalham sete pessoas, dois juristas e cinco técnicos, deixou de receber qualquer tipo de subsídios e financiamento desde 2014 do Alto Comissariado para as Migrações, pelo que, “agora trabalhamos todos como voluntários. Conseguimos sobreviver com o pagamento das quotas dos cerca de 2 mil membros da associação”.

A dirigente Ludmila Mogli Levscaia vive de corpo e alma em Portugal e no seu Algarve, como assegura: “Estou apaixonada por este país, sim, posso dizer isso. Aqui é a minha casa e pronto… Sinto-me segura, na minha terra é um bocadinho complicado por que a situação económica no país não é estável”, finaliza esta cidadã do mundo, mas de coração português e algarvio e, que depois de mais de sete anos contratada como técnica da CAPELA está no fundo de desemprego, recebendo, agora, o que muitos portugueses recebem por direito, no entanto, diz: Eu já vou morrer aqui! Estou na minha casa”.

As despedias do almoço «Família do Lado»

O almoço já ia no final, tempo dos cafés portugueses, chás do Leste e da foto da hoje «família aqui» e, também, as indispensáveis palavras da russa meio portuguesa, Svetlana Menshova e do anfitrião, Rogério Pinto.

A cidadã russa Svetlana vive legalmente integrada em Portugal, neste caso, em Armação de Pêra, com filhos na universidade em Lisboa e trabalhadores na hotelaria nas férias de verão, trabalha como funcionária de uma grande empresa do ramo alimentar com uma central de distribuição no concelho de Silves, limitou-se a agradecer a presença de todos os convidados: “Foi e é um prazer recebê-los na nossa casa, porque somos todos e todas imigrantes do leste, já nos receberam nas vossas casas e, espero que tenham gostado da minha comida e doces das nossas terras. Obrigado”.

Rogério Pinto, antigo professor e diretor de um Agrupamento Escolar do Ensino, político, ex-Vereador, Vice-Presidente e Presidente de Câmara, está aposentado e continua a ser um grande colecionador de veículos clássicos e a ir semanalmente às reuniões de câmara como vereador da oposição.

Assim sendo, como bom político que se preza falou de improviso, em pé à boa maneira de discurso de campanha: “Agradecer-vos mais uma vez virem cá. Hoje é um dia especial. Dia dos vizinhos e dia da mãe, ao lado e da mãe. E juntar estes portugueses com cidadãos de outros países que estão aqui, é aceitá-los da mesma forma como nos aceitam a nós, que também somos emigrantes. Porque, eles não são mais nem menos do que nós somos nos países nos seus países, nomeadamente dos nossos filhos e dos desempregados portugueses que têm de procurar outros países e formas de vida e de trabalho. Este almoço é importante, as ações do movimento «Família do Lado», eu, não estou a falar como político, estou como um cidadão normal e português, claro, mas, sinto-me orgulhoso e agradecido por vos receber. Esta casa está sempre aberta para a vossa comunidade, aliás, basta repararem no portão da residência, está sempre aberto de dia e de noite, felizmente, nunca me assaltaram a casa, só alguns cães da rua e que esfomeados saltaram para o galinheiro e já comeram algumas galinhas (risos) ”.

Rogério Pinto afirmou que conhece razoavelmente a Rússia e outros países do leste, “São realidades e de culturas diferentes, com climas desiguais, mas com pessoas boas, sentimentos bons, muito trabalhadores e amigos dos seus amigos. São pessoas de países com espírito de partilha, habituados aos sacrifícios, mas com história, muita história, ressalve-se, por isso, é normal que se sintam bem em Portugal, por que somos, também, um povo hospitaleiro. A terminar, deixo-vos os desejos e votos de que continuem felizes em Portugal, que é sinal que já passaram a viver os nosso desígnios e que as nossas famílias e filhos estarão mais unidos no futuro. Ah! A nossa casa 

  

*Fotos de João Pina e «CAPELA»

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