Dia: 21 de Set

Comerciantes de Armação de Pêra, apelam ao bom senso dos “mandantes” na vila Destaque

Ao longo dos últimos 40 anos de vida, os ventos da “revolução de abril” nem sempre sopraram de feição com os desejos e interesses dos armacenenses de gema, hoje, filhos e netos dos velhos lobos-do-mar e, sobretudo, de algumas centenas de portugueses de outras paragens e retornados que aqui fixaram residência e têm os seus negócios, comércios e família

Armação de Pêra há muito que deixou de ser a velha aldeia de «armação de pera» em busca do atum, hoje, a vila caminha em direção ao destino de ser cidade, os filhos do «25 de abril» conquistaram o direito de falar, criticar, reivindicar - nada já é como ontem – depois, da «Polis Apoteose», chega a “Clã” e, promete, em conjunto com os armacenenses lutar por uma melhor Armação de Pêra democrática e de relação aberta desde o povão da praia até às cadeiras do poder autárquico sempre empunhando a bandeira branca e azul da paz e do bom senso piscatório.

O “Algarve Mais Notícias” foi, também, em paz auscultar o pulsar dos armacenenses e dos mandantes da vila, para que as suas gentes se conheçam mais e melhor.

Reportagem: João Pina

Carteira Profissional de Jornalística Nº 4 408

São, precisamente, alguns destes chefes de família que desde há dois anos se têm manifestado “contra o exagero de eventos em plena época alta do turismo de veraneio, mormente, com a montagem de stands, barracas e barraquinhas, onde se comercializa tudo em concorrência desleal aos comerciantes instalados há anos e muitos deles o ano inteiro”, afirmam alguns dos associados de uma nova associação de classe:

Resultante do referido descontentamento por parte significativa de comerciantes de Armação de Pêra, foi constituída no dia 28 de março do corrente ano a e da qual foram associados fundadores: António Caixinha, 51 anos, comerciante da “Nice Cream”, Presidente da Assembleia Geral; Luís Santos, 45 anos, das “Lojas Santos”, Presidente da Direção; João Ribeiro, 44 anos, do “Havana Bar”, Presidente do Conselho Fiscal; Paulo Caixinha, 45 anos, da “Água Salgada Café”, Presidente do Conselho Fiscal; Miguel Leal, 50 amos, da “Loja Ametista”; Filipe Silva, 49 anos, da “Casa dos Chapéus”; José Carvalho, 41 anos, do “Black Velvet”; João Carlos Simões, 60 anos, do “Artesanato Opção”; Miguel Carvalheiro, 42 anos, da “Carvalheiro Joias”; Rui Reis, 45 anos, do “Artesanato Arisol”; Sérgio Pontes, 40 anos, do “Papas & Compª”.

No final do verão de 2016, um grupo de comerciantes e em conversas de uma forma informal, diziam. “Temos de tomar uma posição. A programação de animação não pode continuar a ser programada assim. Uma coisa, são espetáculos nos locais habituais (antigo Minigolfe, Fortaleza, zona da Lota), uma ou outra manifestação de rua durante uma hora ou duas, como o carnaval, Santos Populares, fim de ano, tudo bem, agora, a montagem de feiras gastronómicas durante dias e dias com os feirantes do ramo que correm o país e nas zonas onde o nosso comércio está instalado há décadas… “, alegavam, acrescentando de seguida, “E nós abertos praticamente todo o ano, com empregados, rendas, água, luz, impostos e à espera das férias da Páscoa e do mês de agosto, depois vêm montar tascas e tasquinhas na avenida, no Largo da Igreja e esses comerciantes quase «saltimbancos» é que faturam e nós ficamos quase às «moscas», assim não dá…”.

E, de contestação em contestação à «boca fechada» e cientes que chegara a altura de tomarem uma posição escrita e pública, no mês de dezembro do ainda ano de 2017, cerca de 50 comerciantes e lojistas de Armação de Pêra fizeram chegar à Câmara Municipal de Silves um abaixo-assinado, em que resumidamente assumiram o descontentamento com a realização do evento “Pirate Week” em pleno mês de agosto. “Nessa altura, Armação de Pêra tem mais de 70 mil pessoas em férias diariamente, as pessoas marcam as férias antecipadamente, já cá estão”, alegaram no dito abaixo-assinado.

António Caixinha, sempre frisou e continua a afirmar: “Não somos contra a realização de espetáculos e outros eventos, mas que não venham com a montagem de «feirinhas» com mais de 100 stands a vender o que nós já temos à venda”, e isso, “É concorrência desleal, temos compromissos o ano inteiro e assim passamos a ter prejuízo. Fechamos as lojas e restaurantes? Mais desemprego? Sublinha Luís Santos.

Aliás, este abaixo-assinado deu que falar, teve direito a resposta da “Polis Apoteose”, associação organizadora do “Pirate Week” e muitos comentários nas redes sociais, originando desmentidos e mal entendidos, “o que uniu, ainda mais, os comerciantes que os levou a constituir a novel associação, ressalvando, desde o início do processo que são a favor dos eventos na vila, porém, que não carreguem com o comércio dos feirantes e artesãos atrás para fazer concorrência aos da terra que estão cá durante o ano”, afirmam, reconhecendo, igualmente, o bom trabalho do Presidente da Junta de Freguesia, Ricardo Pinto, que de facto renovou a mentalidade dos armacenenses e pôs a vila no mapa, “mas nem oito nem oitenta”, explicam os fundadores da associação dos comerciantes, reforçando, também, “temos de defender os nossos interesses e até os dos forasteiros que nos visitam e que tenham um pouco de sossego, já que com tanta animação e stands espalhados pela marginal, só falta montar dentro da igreja…”

Após alguns comentários, Luís Santos exibiu ao jornalista a escritura pública, na qual se lê, entre outras cláusulas, o seguinte:

“Pela presente escritura, constituíram uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, denominada “CLÃ – ASSOCIAÇÃO DE COMERCIANTES DE ARMAÇÃO DE PÊRA”, pessoa coletiva número 514 358 033, com sede na rua Bartolomeu Dias, Escola Primária Antiga, 8365-112, Armação de Pêra, freguesia de Armação de Pêra, concelho de Silves.

Que a denominada associação tem por objeto “Defesa dos direitos e dos interesses dos associados, proteção das atividades comerciais que desenvolvem como pessoas singulares e/ou coletivas, no sentido de lhes serem proporcionadas as condições necessárias à melhoria do exercício das sua atividades; resolver os assuntos respeitantes ao comércio nos seus aspetos económicos, sociais, fiscais e afins; promover e desenvolver entre os associados o apoio recíproco; estimular um sistema de relações solidárias entre os associados; desenvolver ações e atividades, incluídas as de prestação de serviços aos associados e a representação dos seus interesses junto do poder político, da administração e privada, tribunais, e de um modo geral junto de quaisquer entidades que se entenda ser necessário para a defesa dos interesses dos associados”. 

A escritura pública está feita, os estatutos são oficiais, mas na prática o que pretendem em concreto? “Apenas diálogo, uma vez que vivemos num regime democrático, e como já dissemos, não estamos contra ninguém e muito menos contra o senhor Presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, mas, e agora que somos associação, pretendemos ser ouvidos, consultados, apoiados e sempre no pressuposto de ajudar a nossa terra no que diz respeito aos comerciantes pagadores de impostos. Somos armacenenses, quer por nascimento, como por opção de residência, investimento. Nós, comerciantes, não caímos aqui de paraquedas, escolhemos e preferimos Armação de Pêra, não somos políticos e não queremos e, como tal, não fomos nem andamos à procura de ser eleitos. Só queremos o melhor para Armação de Pêra e para os nossos filhos”, alegam ols associados fundadores da Associação de Comerciantes.

A seguir à escritura pretendem apresentar a CLÔ Associação de Comerciantes de Armação de Pêra”, e confirmar o que já foi dito, e sobretudo:

“O mais difícil está feito, que foi juntar os comerciantes com o mesmo objetivo. Há muito tempo que se falava que Armação de Pêra necessitava de uma associação de comerciantes. A conversa era sempre a mesma em relação à quantidade de venda ambulante que nos meses de verão continuava a aumentar de ano para ano e à vista de toda gente. Falado e relatado sempre sobre este problema com as entidades próprias, tanto com Câmara Municipal, Junta de Freguesia, como GNR, nada era feito. A situação continuava a persistir, ao mesmo tempo que a nossa economia se ia estrangulando cada vez mais. Os tempos estão cada vez mais difíceis e cada vez mais sazonais, agravados com os últimos eventos realizados na frente mar e em frente dos estabelecimentos comerciais na altura do verão quando todos nós esperávamos ganhar. Perdemos horas de sono para aproveitar dia a dia, como costumo dizer, vou dormir à pressa porque daqui a algumas horas é tempo de voltar ao trabalho”, adianta Luís Santos. 

Quanto aos objetivos da “CLÃ - Associação de Comerciantes de Armação de Pêra”, Luís Santos, na qualidade de Presidente da Direção diz: Queremos dizer presente! Queremos ser ouvidos. Queremos colaborar com as entidades que vão ao encontro do nosso objetivo. Como nunca fomos ouvidos, queremos dizer que estamos cá!

Somos comerciantes, trabalhamos diariamente. A associação levará o seu rumo a seu tempo com a nossa disponibilidade. Já está marcada uma reunião com a Câmara Municipal, 27 de abril 2017 para uma apresentação e abordar alguns temas que vão ao nosso encontro. Até à presente data só existem os órgãos constituintes da associação. No devido tempo e com a logística organizada, vamos dar a conhecer a associação a todos os estabelecimentos sem exceção, distribuindo um convite para comparecerem em local e em data ainda não definida, mas a seguir à Páscoa para uma apresentação formal e dar a conhecer a associação e, aí, cativar associados”, acrescentando que a joia será de 40 euros e o valor da quota mensal de 5 euros. “Vamos marcar reuniões com a GNR e Capitania para abordar o tema da venda ambulante também, e com a GNR alguns assuntos em relação à circulação de viaturas automóveis, cargas e descargas junto aos estabelecimentos do comércio local. Vamos criar um autocolante que nos identifique como associado para uma melhor colaboração por parte da autoridades e dos próprios clientes”.

A voz do povo

O "Algarve Mais Notícias" foi para a rua e, de uma forma aleatória e informal, foi ao encontro de comerciantes da terra e puxou a conversa para o tema do presente na vila piscatória, a criação da "CLÃ - ASSOCIAÇÃO DE COMERCIANTES DE ARMAÇÃO DE PÊRA.

Em plena Praia dos Pescadores, encontramos no seu estabelecimento,
Eduardo Lino, 62 anos, "Restaurante Estrela do Mar", interpelado acerca da constituição da Associação de Comerciantes de Armação de Pêra: "Talvez sim, talvez não. Pode ser alguma coisa, mas também pode morrer ao fim da rua, a ver vamos", começou por referir, no entanto, "como comerciante, penso que festas e atrativos para chamar turistas devem realizar-se na época fraca, no inverno e não no verão. No verão não precisamos que já temos gente a mais, ou então que façam festas para animar as pessoas que possam ver os espetáculos e não para comer e beber, porque restaurantes e esplanadas já cá existem muitos", disse Eduardo, enquanto, Manuel Lino, 70 anos, também do "Restaurante Estrela do Mar" opinou: "Eu, no primeiro ano em que vieram com os "O Pirate Week" disse sim, que ajudaria. Depois do evento, já diria que não porque não veio ninguém do concelho, não participou ninguém daqui, mas sim especialistas de feiras e romarias que vêm de qualquer parte do país e vêm lixar aqueles que cá estão. Muito ou pouco vêm-nos tirar clientes, eles não nos vêm trazer nada", referenciou Manuel Lino, adiantando, ainda: "E nos eventos dos "Pirates" dos dois anos seguintes ainda foi pior", finalizou. Quanto ao papel da Associação de Comerciantes de Armação de Pêra, independente de quem esteja à frente da direção no futuro, que preocupações deve ter, perguntamos ao que o proprietário da "Estrela do Mar" foi peremptório: "Preocupação? É para isso que devem existir. Esses festivais de música pimba e não pimba, música electrónica e essas coisas, é sempre para meia dúzia deles que não são os turistas. Querem festas do marisco? Que paguem do bolso deles (organização) que eu e os comerciantes não temos nada que pagar", referiu Manuel Lino.

Mas estão milhares de pessoas nesses dias? Sublinhamos: "Pois estão todos os dias, mas é em férias para descansar e pela praia e sol", responde, acrescentando: "Eu tenho a experiência, ainda este ano no Carnaval que passou agora, se fiz 20 euros à sua custa foi o máximo e todos os anos tem sido assim, meia dúzia de águas e mais nada", desabafa o veterano patrão de um dos restaurantes à Beira Mar de Armação de Pêra.
Alguns metros a seguir a este estabelecimento, encontramos na esplanada do "Pedro’s Bar" o seu concessionário,

Pedro Santos,57 a nos, do "Pedro’s Bar" que depois de contarmos ao que íamos, ou seja, saber o que pensava sobre a "Clã - Associação de Comerciantes de Armação de Pêra", não se fez rogado e disse: "A constituição da associação de comerciantes é um facto importante para a vila e para a nossa classe. Já devia ter sido constituída há muito mais tempo. Temos mais força do que sozinhos. Sempre que for necessário tratar de um problema, em conjunto tem outra eficácia, abre portas, as instituições recebem-nos de outra forma do que individualmente e tudo se resolverão”. Existem problemas em Armação de Pêra respeitantes à vossa classe? Perguntamos: "Eu acho que deve haver um planeamento em tudo o se quer fazer na terra e que de certa forma atinja ou beneficie os comerciantes e a população em si", diz Pedro Santos. E quais planeamentos? "Uma concertação com o pessoal, isto em relação às datas da organização dos eventos e que se chegue a consenso para depois não existirem bocas e problemas que afetam a população. Desde que haja interesses entre todas as forças da vila para que tudo corra bem, datas marcadas e acordadas, todos ficamos satisfeitos", finaliza o proprietário do "Pedro’s Bar", uma das esplanadas mais apetecíveis junto à praia e local habitual de grandes eventos promovidos pela Junta de Freguesia de Armação de Pêra.
Outro conhecido comerciante e empresário muito conhecido no concelho, mas que por questões óbvias pediu o anonimato e só assim autorizou que gravássemos a sua opinião sobre o que diz
- o acordar dos armacenenses - "Esta associação de comerciantes tem como função principal defender os comerciantes de Armação de Pêra, mas não só, tem de defender a sua população. E como? Tendo os preços mais baratos, para que nós possamos concorrer com os comerciantes e empresas de outras localidades. Temos de ter a nossa associação com uma mentalidade de negócio. E como? Ter um espaço alugado por todos e divido por todos para negociarmos um rapel com as fábricas e grandes produtores de carnes, negociadores de peixe, produtos hortícolas e outros bens indispensáveis para os comerciantes e termos preço mais competitivos. Assim ganhamos mais a ter preços mais baratos. Esta é a solução de negócio rentável. A associação com o seu número de contribuinte iria negociar com os sócios e cada um iria usufruir de uma quota-parte mediante o seu investimento”.

João Bernardo, 44 anos, da Pastelaria Jimmy, é de opinião: "Espero que seja uma associação para defender os interesses de todos os comerciantes e não só de uns. Acho que faz falta, é sempre bom que tenhamos uma voz que fale com as autoridades, que peça as coisas. Com a idade que tenho e a experiência adquirida, quer como desportista, como comerciante e, tudo o que tenho visto e ouvido, que seja uma associação forte, que não seja só para um grupo de comerciantes, que seja para o bem da terra. Sempre dei o meu apoio e podem contar comigo".
E quanto à animação, dita, de verão, qual o comentário?
"Eu por mim, até acho que podia haver mais animação. Agora as fórmulas e os timings em que têm sido feitas é que não estão certos. Deviam de ser noutras alturas, nos meses mais fracos para puxar pessoas e dar direito às associações de Armação de Pêra ou do concelho a serem elas a explorar e a montar os stands, porque se vamos fazer no mês de Julho e Agosto, o pessoal tem tanto trabalho que não consegue dar resposta. Temos de trazer as pessoas para cá, mas noutros meses para termos mais oferta de animação. Como já disse, não concordo com grandes festas e festivais no mês de Agosto e muito menos com os stands em frente às portas dos comerciantes, mesmo na época mais baixa. Essas coisas não têm sido vistas e ponderadas, aliás, em 2016, ou seja no último ano foi um caos. Não estou a criticar as pessoas que organizaram os eventos do "Pirate Week", há que dar valor a todas as pessoas envolvidas pelo trabalho que realizaram, agora as pessoas têm de sentar-se, falar, ponderar os aspetos positivos e negativos e não ir para as redes sociais falar mal, agora que é fácil dizer para não se ir às casas. Isso está mal, não leva a lado nenhum, não é para a população, nem para os comerciantes e para quem nos visita", sublinha João Bernardo, disse e, em jeito de despedida já que a sua presença na esplanada do "Jimmy" estava a ser pedida, finalizou: "Já participei um ano no "Pirate Week" e adorei, deu-me gozo, foi um excelente evento, mas no ano passado não consegui, não dava em Agosto, o timing não dá, houve um exagero de stands fora do concelho, têm de rever a programação, nomeadamente as datas".
No seguimento desta reportagem, dirigimo-nos ao Restaurante Cliper, situado em plena Avenida Marginal em frente ao mar.

Manuel Duarte, 61 anos, do Restaurante Clipper, na Avenida Beira Mar. Acerca da associação de Comerciantes de Armação de Pêra começa por afirmar: ”Precisamos todos de uma associação, é necessário para os comerciantes e que junte todos, se não nos juntarmos não há nada a fazer, espero que tal aconteça, ou seja a união da classe. Quanto a grandes eventos no mês de agosto é um bocado complicado. A mim não me complica nada, sinceramente, porque eu estou no top, o meu restaurante claro está… agora, há muitos comerciantes que sofrem muito com os eventos nomes de agosto, pelo que no verão devem realizar-se em junho, julho e setembro, em agosto nunca. Por alturas da Páscoa ou mesmo em maio, também são boas datas”, referiu o conceituado comerciante da Marginal de Armação de Pêra.

Nelson Barreto, 57 anos, comerciante das “Drogarias Barreto”, residente em Armação de Pêra há décadas e uma das pessoas sempre disposto a colaborar com as organizações em prol dos eventos religiosos, solidariedade social e de animação de verão é de opinião:“As associações de classe nas terras com um número de habitantes consideráveis, como é o da nossa, devem existir, fazem falta para defender as populações e os associados em si, tudo bem. Quanto às festas, devem ser feitas, mas numa altura em que haja menos pessoal, não vai ser em agosto. Em junho, pela Páscoa, Natal para trazer mais pessoas à vila, porque em agosto há gente a mais aqui, defende Nélson Barreto. Quanto a sugestões sobre esta matéria.“Eh pá! De momento não… isto não é fácil (risos) ”,finaliza bem-disposto.

Na segunda-feira, a seguir ao dia de Páscoa, o «Algarve Mais Notícias» foi ao encontro do mais antigo comerciante da vila no ativo, António Domingues Prudêncio da Silva (Serol), 72 anos e mais conhecido por ”Toinho da Grelha», por ser há décadas o proprietário do “Restaurante A Grelha”, na Rua do Alentejo, na zona antiga da vila piscatória de Armação de Pêra. Além de este restaurante, António Prudêncio explorou ao longo da vida outros restaurantes, bares e discotecas, pelo que tem uma visão muito sua sobre a problemática ou não do teor da presente reportagem: “Eu e, indo direto ao assunto, acho que a animação de verão e os eventos de agosto, não afeta absolutamente nada a maior e grande qualidade da restauração, dos bares, das esplanadas, pastelarias, não vejo no que é que pode afetar o funcionamento e inclusive o trabalho dos meus colegas”. No entanto, a Associação de Comerciantes de Armação de Pêra é uma velha reivindicação da população? “A associação faz sempre falta para defender os nossos interesses, mas não vamos ser mais «papistas que o papa». Há coisas que fazem falta, porém, concordo plenamente com a Junta de Freguesia de trazer para cá tudo o que possa trazer pessoas, os bons eventos, as festas, os fins de semana musicais, concordo a cem por cento com isso”, referiu António Prudêncio, acrescentando, “Acho que a Junta de Freguesia está a fazer um excelente trabalho” e os stands e barracas de petiscos, artesanatos e outros produtos à venda e que os comerciantes afirmam ser concorrência desleal, provocamos: “Não acho que afete absolutamente nada nem ninguém no nosso trabalho e na nossa atividade. Desde que cada um no seu lugar. Na minha opinião, acho que isto dá para todos”, não é o que dizem os comerciantes, argumentamos, respondendo de seguida: “Quem disser o contrário, mente. Concordo plenamente que sem qualquer problema, desde que não se verifiquem exageros da parte dos stands, pela minha parte são sempre bem-vindos”.
Aproveitando a longa vivência do que tem sido a vila de Armação de Pêra cinco durante as últimas cinco décadas, perguntamos a António Prudêncio. O que é que se pode fazer ara bem da população e do comércio em geral? “A Junta de Freguesia já faz tanta coisa, que concordo como já frisei, em todo o lado se faz. O concelho de Albufeira, realmente, é uma maravilha, é um exemplo do que se faz no Algarve, daí que é sempre de Albufeira que se fala, em Lagos também, todas as sedes de concelho têm associações de comerciantes, desenvolvimento, culturais, pelo que esta recém-criada Associação de Comerciantes de Armação de Pêra pode e deve ter muita força e fazer o que for preciso para atrair e chamar mais visitantes que é isso que nós precisamos. Praticamente, nunca houve união, nunca”. Há dias um empregado de mesa que começou a trabalhar no restaurante do pai aos nove anos, por sinal, o mais conhecido da vila por que inovou na venda do peixe à descrição e que hoje já tem o seu próprio filho der 16 anos a trabalhar no mesmo restaurante de família, disse quando lhe perguntamos o que pensava dos comerciantes da terra, “Os comerciantes? São todos uma data de ciumentos e de invejosos”, responde entre risos. “Ora, sim senhor! Plenamente! Concordo! Aqui anda tudo e desculpa a palavra, anda tudo à procura de lixar…”, acrescentou António Prudêncio, “Não há necessidade para isso, isto é uma inveja incrível, dá para todos. Andamos a ver se nos comemos uns aos outros e sempre ouvi dizer que a união faz a força e a terminar digo. Será bom que a associação de comerciantes se una, tenha força, procure apoios para que consiga levar Armação de Pêra ainda mais longe”, sublinha empolgado, António Prudêncio. E a finalizar, atiramos em jeito de despedida, na restauração que é te faz ainda “correr” na restauração entre a cozinha, as mesas, o peixe, todos os dias às compras. Já não consegues passar sem esta azáfama? “É um vício! Não, de maneira e alguma! Não consigo afastar-me, vai ser assim até morrer…” enfatiza o mais antigo dono de restaurante da vila dos velhos lobos-do-mar a que pertence António Prudêncio.

De férias na Páscoa, encontramos Manuel Baião, 68 anos, funcionário público aposentado, de Beringel, Alentejo e proprietário de dois apartamentos em Armação de Pêra. Por isto, o nosso entrevistado passa muito do seu tempo ao longo do ano
nesta vila e tem a sua opinião acerca do tema da presente reportagem:
"Quanto a mim, a situação é que noutros meses, sem ser em Agosto deve fazer-se alguma coisa em Armação de Pêra, umas festinhas, umas barraquinhas e divertimentos. No mês de agosto, não vejo necessidade por que as pessoas já cá estão e, ao estarem cá não precisam de ser convidadas para vir. Chegadas cá, Armação de Pêra está repleta de animação mais que suficiente, não entendo por que é que se realizam aquelas feiras do tipo “Feiras Populares” e segundo a minha observação direta e em conversas com muitos comerciantes, estes queixam-se de que sofrem avultados prejuízos financeiros, uma vez que Armação de Pêra passa a ter no mês de agosto dezenas e dezenas de stands a vender petiscos, jantares, artesanato numa concorrência desleal aos comerciantes locais”. Quanto ao papel da Câmara Municipal de Silves e da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, Manuel Baião garante: “Em relação à Câmara de Silves e da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, não tenho nada a opor, por que trabalham em prol do bem-estar da vila e as pessoas esforçam-se por manter os seus estabelecimentos em boas condições para receber quem vem, e sobretudo, proporcionam uma boa estadia aos milhares de forasteiros que todos os anos vêm, mas há sempre um mas no meio de isto tudo…”, sublinha o alentejano quase algarvio. Mas, o quê, questionamos: “Se a senhora Presidente da Câmara de Silves e o senhor Presidente da Junta de Freguesia, se calhar, se tivessem outras ideias, não quer dizer que as que têm sejam más, ideias essas a pontos de não prejudicar principalmente os comerciantes da restauração ao permitirem as tais barraquinhas e eventos atrás de eventos no mês de agosto”.  

A opinião das instituições

Depois de ouvirmos alguns comerciantes e forasteiros com interesses em Armação de Pêra, o "Algarve Mais Notícias" convidou Noel Vieira, Presidente da Associação Polis Apoteose, Ricardo Pinto, Presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra e Rosa Palma, Presidente da Câmara Municipal de Silves que, de certo modo foram citadas ao longo a reportagem pelos entrevistados, pelo que é, mais evidente para usarem da palavra para melhor se compreender o que se passa em Armação de Pêra.

Noel Vieira, 26 anos, nascido e criado em Armação de Pêra, fez o ensino secundário na Escola de Silves, Licenciado e Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior, Covilhã, trabalhou na Rádio Universitária da Beira Interior, e o Presidente fundador da POLIS APOTEOSE, sendo ainda, Creative Copywriter.

Confrontado com o tema da criação da “Clã – Associação dos Comerciantes de Armação de Pêra” e porque a associação a que preside tem sido a organizadora em conjunto com a Junta de Freguesia de Armação de Pêra, tem sido visada por parte de alguns comerciantes, dá a sua opinião acerca de tudo, mas por escrito:
“Ora viva caro Pina. A saúde do associativismo é um bom barómetro da Democracia. A Polis Apoteose tem procurado fomentar esse espírito de cooperação com todas as instituições, com plena consciência de que “há sabedoria nas multidões” e de que os muitos estão melhor habilitados para conduzir o destino dos territórios do que o mais notável dos homens.
Há muito que defendíamos a criação de uma Associação de Comerciantes em Armação de Pêra. São um segmento muito relevante da nossa vila e é da maior importância que aceitem um papel ativo nas dinâmicas da comunidade. Melhor do que ninguém, conhecem a realidade das suas atividades e o facto de se terem conseguido ultrapassar possíveis divergências e mobilizarem-se em torno de uma solução construtiva, merece com certeza as nossas felicitações.
Não temos dúvidas de que todos os que aceitam o desafio de abraçar a vida pública, as causas coletivas e a cidadania desejam o melhor para o território. É dessa pluralidade de ideias que vive a Polis.

Apesar de ainda não termos tido nenhum encontro formal, esperamos poder vir a reunir em breve, cientes de que só através de um construtivo diálogo estruturado e do envolvimento efetivo de todos será possível fazer um melhor trabalho em prol  da comunidade e do desenvolvimento social, cultural e económico de Armação de Pêra”.
Reflexão acerca da recente constituição da “CLÃ – ASSOCIAÇÃO DE COMERCIANTES DE ARMAÇÃO DE PÊRA” no atual contexto da nossa freguesia, por Ricardo Pinto, Presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra

Em primeiro lugar quero agradecer ao João Pina a iniciativa de me convidar, na qualidade de Presidente de Junta de Freguesia de Armação de Pêra, a realizar um comentário relativo à recente constituição da “CLÃ – ASSOCIAÇÃO DE COMERCIANTES DE ARMAÇÃO DE PÊRA”, da qual só ainda tive conhecimento através da comunicação social.
De referir que, até à presente data, a referida associação ainda não teve a iniciativa de contactar oficialmente a Junta de Freguesia a que presido, não obstante já terem existido algumas conversas ocasionais com alguns dos membros que, segundo esta notícia, integram os órgãos sociais da mesma, assim como uma reunião de trabalho por mim convocada e realizada no dia 2 de Março de 2017, em que participaram cerca de 25 comerciantes.

Contudo, e não obstante esta evidência, é minha firme convicção que brevemente teremos oportunidade de dialogar e começar a trabalhar para uma Armação de Pêra ainda mais forte, mais atrativa e mais competitiva.
Voltando um pouco atrás, e desde que assumi funções como Presidente de Junta, rapidamente percebi e identifiquei a necessidade de vir a ser criada uma associação dos comerciantes de Armação de Pêra, sendo que a primeira vez que expressei publicamente essa minha vontade e desejo, foi por ocasião das palavras que proferi num almoço de confraternização em prol da nossa vila, realizado no restaurante do Parque de Campismo, em Janeiro de 2015.
Nesse início de tarde, lancei esse repto aos armacenenses que enchiam aquela sala, mormente a vários comerciantes da nossa vila, mostrando-me desde logo disponível para ajudar em tudo o que estivesse ao meu alcance para que a Associação de Comerciantes de Armação de Pêra fosse uma realidade ainda durante o atual mandato autárquico.
Durante algum tempo esta ideia esteve aparentemente adormecida, mas nunca foi esquecida. Assim, foi com entusiasmo e satisfação que recebi a notícia que estavam a ser dados alguns passos, com o objetivo de vir a ser constituída a agora criada “CLÃ – ASSOCIAÇÃO DE COMERCIANTES DE ARMAÇÃO DE PÊRA”.
Enquanto Presidente de Junta, e apoiante fervoroso do movimento associativo que me considero, confesso que não poderia estar mais satisfeito por alguns comerciantes da nossa vila terem sido capazes de se aproximar e criar uma plataforma de diálogo que esteve na génese desta nova associação de Armação de Pêra (a quarta a ser criada já neste mandato autárquico), e há tantos anos necessária na nossa freguesia.

A título de exemplo, e para que melhor se perceba esta necessidade, assim que assumi as minhas atuais funções deparei-me com uma discrepância gritante nos valores arrecadados pela Câmara Municipal de Silves com a cobrança de taxas de ocupação pública e publicidade nas várias freguesias do concelho, sendo que Armação de Pêra dá um contributo para os cofres municipais com valores na ordem dos 60 a 70% das receitas totais. Perante esta situação, confesso que tenho procurado que aquela edilidade aplique essas verbas na dinamização da economia da nossa vila, embora sem sucesso até à presente data!
Por outro lado, e quando se discutem assuntos do maior interesse para Armação de Pêra como questões relativas ao trânsito na nossa freguesia, os comerciantes não têm tido uma voz que os represente e que apresente, perante todas as outras entidades que integram a Comissão Municipal de Trânsito, as suas opiniões e pontos de vista. O mesmo acontece sempre que a Junta de Freguesia é solicitada, pela edil silvense, a pronunciar-se, embora com carácter consultivo, relativamente a: horários de funcionamento de estabelecimentos comerciais; ocupação da via pública; atividades em regime de venda ambulante; licenças de ruído; entre outras que aqui poderia referir.
Neste contexto, e mais do que uma necessidade que há muito estava identificada, sempre afirmei que era imprescindível surgir uma Associação de Comerciantes na nossa Freguesia e nunca alinhei em discursos e opiniões derrotistas que afirmavam que os comerciantes de Armação de Pêra jamais seriam capazes de se entender em relação ao que quer que fosse, dado que só eram capazes de olhar para os seus próprios interesses.

Perante esta nova realidade na nossa freguesia, quero congratular e felicitar fortemente todos os envolvidos, e é minha firme convicção que os nossos comerciantes deram um passo da maior importância ao criar a “CLÃ – ASSOCIAÇÃO DE COMERCIANTES DE ARMAÇÃO DE PÊRA”.
Neste sentido, e tendo sempre por referencial os seus objetivos e fins estatutários, os órgãos sociais constituintes têm pela frente um difícil e exigente desafio, que será tanto mais facilitado quantos mais comerciantes se tornarem sócios desta nova e sua associação, pelo que desde já dou este sinal e lanço uma mensagem clara a todos os comerciantes de Armação de Pêra…

Juntos serão sempre mais fortes, pelo que cada caberá a todos e a cada um de vós, comerciantes, alargar a base associativa da “CLÃ – ASSOCIAÇÃO DE COMERCIANTES DE ARMAÇÃO DE PÊRA” para que esta associação seja de facto representativa e tenha assim condições para ser um verdadeiro e efetivo interlocutor vosso, com as demais entidades.
Pessoalmente, considero que mais do que defender o que quer que seja, e não obstante a total legitimidade que assiste a esse respeito à “CLÔ, o grande desígnio que todos os armacenenses, os que cá residem e aqueles que nos visitam, podem esperar e exigir desta nova associação é o de ser capaz de contribuir para uma Armação de Pêra cada vez mais atrativa e competitiva ao longo de todo o ano.

Sou um acérrimo defensor da pluralidade de opiniões e ao longo do presente mandato, o executivo da Junta de Freguesia, a que tenho a honra de presidir, tem inúmeras provas dadas na sua postura e atitude democrática permanente, dentro e fora do âmbito político, em que o diálogo entre todas as partes e a partilha de recursos, tem sido, inequivocamente, a força motriz que tem permitido à nossa freguesia ser mais ambiciosa, ousada e reivindicativa do potencial que tem para continuar a afirmar-se como um destino turístico de referência na nossa região, mas mais do que isso, uma freguesia onde vale a pena viver e investir.
Ao longo deste mandato, e se dúvidas houvessem, e mesmo que alguns procurem de forma perversa ofuscar e criar dúvidas sobre os méritos de quem os realmente tem, fui sentindo a cada dia que passava, que quando os armacenenses foram capazes de se unir em torno de um sonho, uma ideia, um objetivo, um projeto ou de uma qualquer iniciativa, foram sempre capazes de coisas extraordinárias e feitos da maior importância para Armação de Pêra. São bem exemplo desta minha ideia: a construção/inauguração do Estádio Municipal; a criação de um evento de Fim de Ano; o novo impulso dado ao Carnaval Trapalhão pelas associações coletividades e escolas da nossa freguesia; a criação dos Encontros Mensais de Veículos Clássicos; a dinamização de inúmeros eventos desportivos e culturais ao longo de todo o ano; a promoção do Pirate Week; a reabilitação da Igreja Matriz após o assalto/incêndio; a afirmação do projeto educativo do Agrupamento de Escolas Silves Sul; entre outros.

Perante tantos exemplos de sucesso, tenho para mim, que o atual momento constitui-se como uma real e efetiva oportunidade para muitos de nós esquecerem o secundário que nos divide e pensarmos no essencial que nos deve unir. E a este respeito, não tenho a menor dúvida que o mais exigente desafio que todos temos entre mãos é o de cuidarmos de um bem tão precioso como o é a nossa Armação de Pêra, um autêntico legado que recebemos dos nossos antepassados e que deixaremos para as gerações vindouras.
O nosso interesse coletivo enquanto povo tem que se sobrepor, de forma inequívoca, a qualquer interesse individual. Neste sentido, parece-me evidente que a Junta de Freguesia, pelo facto de estar junto das pessoas e ter nessa sua proximidade uma real e efetiva compreensão dos problemas e satisfação das necessidades da população residente e visitante, terá sempre uma função de crucial importância, tornando mais difícil movimentos inorgânicos ou iniciativas pessoais que questionem o fundamental da nossa democracia e a dinâmica da nossa freguesia.
Com esta ideia, confesso que não entendo e tenho inclusive até alguma dificuldade em lidar com caminhos que insistem em criar divisões e construir “muros” entre os armacenenses, quando todos sabemos por experiência própria, que é através da união e construindo “pontes” que conseguimos ser mais fortes, em todas as dimensões das nossas vidas, e obter melhores resultados. 

Como nota final, quero manifestar a minha firme convicção que a recém-criada “CLÃ – ASSOCIAÇÃO DE COMERCIANTES DE ARMAÇÃO DE PÊRA” tem todas as condições para ser mais um elemento potenciador do desenvolvimento eclético da nossa freguesia, sendo que para tal, entre outros aspetos fundamentais, é essencial que esta seja capaz de alargar a sua base associativa e ousar ainda ir além dos seus fins estatutários, mormente na promoção e defesa do nosso interesse coletivo enquanto povo.
Da parte da Junta de Freguesia, a que tenho a honra de presidir, estamos e estaremos sempre empenhados e disponíveis para trabalhar afincadamente com a “CLÃ – ASSOCIAÇÃO DE COMERCIANTES DE ARMAÇÃO DE PÊRA” para que Armação de Pêra prossiga um caminho tendo em vista o seu crescimento e desenvolvimento sustentado para quem sabe, poder vir a ser dotada de condições para ser elevada a cidade dentro de 10 a 15 anos.

Rosa Palma, Presidente da Câmara Municipal de Silves

Relativamente ao assunto em epígrafe, e com o propósito de facilitar o trabalho jornalístico comunica-se o seguinte:

1) É com grande satisfação e regozijo que a Sr.ª Presidente da Câmara Municipal de Silves tomou conhecimento da criação da Associação de Comerciantes de Armação de Pêra, na medida em que a mesma permitirá aos comerciantes dessa freguesia se organizarem e unirem a uma só voz na defesa dos seus legítimos interesses comuns. Sublinhe-se que o actual executivo da Câmara Municipal de Silves, durante o mandato em curso, tem promovido e defendido o associativismo como forma de potenciar a defesa de interesses comuns e a sua adequada harmonização e compatibilização com a prossecução do interesse público local pelos competentes órgãos autárquicos. A criação da Associação de Comerciantes de Armação de Pêra, bem como de outras em todo o concelho de Silves, são o reflexo do sucesso dessa política pública de incentivo e apoio ao associativismo local.

2) A pedido da Associação de Comerciantes de Armação de Pêra, foi marcada uma reunião com a Sr.ª Presidente da Câmara Municipal de Silves, para o próximo dia 27 de Abril, de modo a possibilitar a apresentação dos dirigentes dos órgãos associativos, bem como a discussão de outros assuntos de interesse geral da referida Associação.

3) Confirma-se que, em 20 de Dezembro de 2016, foi recepcionada na Câmara Municipal de Silves uma exposição dos comerciantes lojistas de Armação de Pêra, contendo um abaixo-assinado contra a realização do “Pirate Week - Festival Pirata” e outros eventos similares que envolvem actividades de comércio a retalho não sedentárias na Frente-Mar de Armação de Pêra, durante o período estival, mas a Sr.ª Presidente da Câmara Municipal de Silves desconhece se o surgimento da referida Associação de Comerciantes de Armação de Pêra se deva ou não a esse abaixo-assinado.

4) Os eventos realizados na Frente-Mar de Armação de Pêra alvo de discordância dos comerciantes lojistas de Armação de Pêra são organizados pela Associação “Polis Apoteose” e pela Junta de Freguesia de Armação de Pêra, e não pelo Município de Silves.

5) A Sr.ª Presidente da Câmara Municipal de Silves entende que os comerciantes lojistas de Armação de Pêra não estão propriamente contra a realização do “Pirate Week - Festival Pirata” e outros eventos similares, “tout court”, mas, sim, contra os termos e condições em que estes eventos são organizados e realizados pelos seus promotores; pois que:

Os comerciantes lojistas de Armação de Pêra pretendem que tais eventos ocorram fora do período de Verão, quando os níveis de afluência de visitantes e turistas a Armação de Pêra são mais reduzidos, com o objectivo de atrair mais pessoas à vila numa época menos movimentada, e, deste modo, dinamizar a economia local; assim como,

·Os comerciantes lojistas de Armação de Pêra, que desenvolvem a sua actividade a título sedentário ao longo do ano, pagando os correspondentes impostos a favor do erário público municipal, não pretendem que aqueles eventos envolvam actividades de comércio a retalho não sedentárias, exercidas por feirantes e vendedores ambulantes, que se mostrem directamente concorrenciais com as actividades de comércio desenvolvidas pelos comerciantes lojistas.

6) Estas preocupações legítimas dos comerciantes lojistas de Armação de Pêra foram antecipadas pela Sr.ª Presidente da Câmara Municipal de Silves ainda em 2014 e atempadamente comunicadas aos organizadores dos eventos reclamados, para que não deixassem de ser tidas em consideração.

7) Recentemente, com base em proposta da Sr.ª Presidente da Câmara Municipal de Silves de 02 de Fevereiro de 2017, a Câmara Municipal de Silves deliberou, em 08 de Fevereiro de 2017, com os votos a favor da CDU e do PS e a abstenção do PSD, recomendar à Associação “Polis Apoteose” e Junta de Freguesia de Armação de Pêra que ponderem e revejam os termos e condições em que são realizados o “Pirate Week - Festival Pirata” e outros eventos similares que envolvem actividades de comércio a retalho não sedentárias na Frente-Mar de Armação de Pêra, tendo em consideração:

a) Que os comerciantes lojistas de Armação de Pêra pretendem que tais eventos ocorram fora do período do Verão, designadamente em alturas do ano em que os níveis de afluência de visitantes e turistas a Armação de Pêra são mais reduzidos, com o objectivo de atrair mais pessoas à vila numa época menos movimentada, e, deste modo, dinamizar a economia local; e,

b) Que os comerciantes lojistas de Armação de Pêra, que desenvolvem a sua actividade a título sedentário ao longo do ano, pagando os correspondentes impostos a favor do erário público municipal, não pretendem que aqueles eventos envolvam actividades de comércio a retalho não sedentárias, exercidas por feirantes e vendedores ambulantes, que se mostrem directamente concorrenciais com as actividades de comércio desenvolvidas pelos comerciantes lojistas.

Comentar e partilhar

Deixe um comentário

Make sure you enter all the required information, indicated by an asterisk (*). HTML code is not allowed.

voltar ao topo
×

Sign up to keep in touch!

Be the first to hear about special offers and exclusive deals from TechNews and our partners.

Check out our Privacy Policy & Terms of use
You can unsubscribe from email list at any time