Dia: 21 de Set

Desigual ou igual eis a questão… Destaque

Somos um país de críticos, treinadores de bancada, sabichões de tudo e mais que todos, entendemos de cantores e de compositores, andamos armados em cucos frustrados e temos dito e escrito cobras e lagartos sobre Salvador Sobral.

Por João Pina

Carteira Profissional de Jornalsta Nº 4 408

Antes da Eurovisão bateu-se no cantor quanto à sua indumentária em palco, interpretação vocal e gestual.

Agora, idolatra-se, diz-se que canta bem, que a música é um cântico à representação do Portugal Tuga na Eurovisão e, porquê, simplesmente, pela diferença do canto em si.

"Amar pelos Dois" não terá a melhor música, nem o melhor poema, mas é, seguramente, Desigual pelo que faz do Salvador um Deus Maior dos palcos.

Nunca se tinha visto e ouvido nada assim!

Apanhou-nos!

Surpreendeu-nos!

Silenciou-nos e pôs-nos de boca aberta de espanto!

A isto chama-se arte!

Boa! Má! Bonita! Soberba!

Incomparável! Diferente!

Nem o próprio Salvador Sobral cantará igual ao sempre igual tema.

Cantará constantemente de uma forma diferente, será cada vez um intérprete criativo na sua performance artística.

É isso!

O difícil é ser Desigual, por que o certinho é ser igual como os outros.

E, assim sendo, seria apenas mais um entre tantos, como da mesma forma que ser polémico é, ser diferente, é dar nas vistas, é ser criticado, é ser falado.

Picasso foi e, continua a ser um mestre da pintura, ou o doido que borrava as telas enquanto ébrio ou drogado?

Claro que não!

Genial no seu estado de criador enxertado de maluquice momentânea fazendo história de memória futura, que ainda hoje dura e durará pelos séculos vindouros.

Na desigualdade musical e interpretativa é que se faz a diferença dos ditos normais e copiadores da arte básica dos livros de composição e da orquestração.

Ser Desigual dos outros, faz do Salvador um outro artista, quiçá, já um ícone internacional.

Em tempos, Marceneiro, Max, Variações foram chamados cantores esquisitos, polémicos, desequilibrados e fora de tom. Porém, mortos tornaram-se geniais, imortais por que foram Desiguais, fora do comum, inimitáveis.

Salvador Sobral à boa maneira portuguesa passou de besta a bestial, salvo seja, como se diz.

Vamos aguardar até sábado, abençoados por Francisco, o Santo Papa do Centenário, também, Desigual do Milagre de Fátima, para vermos se acontece outro milagre a favor de São Salvador, desta feita em Kiev…

Modificado emquinta, 11 maio 2017 22:14

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