Dia: 21 de outubro

Opiniões são como os peidos, cada um dá os que quer. Então eu vou dar um, posso?

Esta polémica em torno do "peido verbal" do Salvador, é uma pequena amostra da imbecilidade de seres "adultos" em que nos tornamos.

Por: Telma Alexandra Barreto

Arrastamos connosco padrões que nos limitam e condicionam a nossa forma de ser e de agir perante a vida.

Tornamo-nos adultos e é-nos ensinado que não devemos ser tão sinceros.

Perdemos o direito de dizer o que pensamos ou o que sentimos sem medo das consequências.

O mundo pede que percamos a espontaneidade e que se utilize apenas o raciocínio e a razão acima de tudo.
A idade tira-nos o direito de rir ou de chorar alto. De andar descalço na rua, de andar à chuva, lamber os dedos ou de soltar um peido sem querer. 
Encarceramos o nosso eu, vivendo demasiado ocupados com as regras de etiqueta e de boas maneiras que nos foram impostas.
Eu mesma, por vezes, esqueço-me muitas vezes que o mundo não gosta de espontaneidade. 
Não há e deveria haver um equilíbrio entre o ser criança e ser adulto, quando a natureza nos permitiu sermos os dois. E nessa transição somamos e moldamo-nos ao ser que fomos com o ser que somos. 
E o que fomos não morreu, está em nós.

Não devemos querer ser SÓ adultos, esquecendo a criança que há dentro de nós, pois corremos o risco de perder a criatividade, a espontaneidade, a irreverência, algum informalismo e acima de tudo o sentir, a vivência corporal, a ligação fundamental entre o corpo e a razão.

Tal como não podemos ser SÓ crianças, esquecendo o ser adulto em que nos tornamos, pois corremos o risco de nos perdermos em rasgos de criatividade, sem direção, sem foco, sem estratégia, sem estrutura, sem algum formalismo.

O ideal é atingirmos o equilíbrio e podermos ser um pouco dos dois.
O Salvador revela muito dessa dúbia personalidade.

Ele não esconde o lado da criança que há nele.

Até na forma como se expressa gestualmente.

E que até tem a sua graça.

É espontâneo e não age de má-fé.

Aparenta ter bom íntimo e revela até alguma insegurança e timidez em público. Não deve ser fácil ver-se de repente transformado numa figura mediática e em dois tempos passar de bestial a besta só porque a sua genuinidade não fê-lo ser uma pessoa diferente daquela que foi no Festival da Eurovisão, (onde foi aplaudido), só porque agora estava num concerto solidário.

Não acho que deva ser enxovalhado por isso.

Pode não ter sido muito feliz na analogia ou a analogia pode não ter sido feita no momento certo, mas não é motivo pra tanta indignação.   
Uma coisa é satirizarem um pouco com a situação, fazerem umas piadas curtas e brincarem com o momento, outra coisa é esta onda de indignação, de martirização e de punição que agora criaram em torno do miúdo.

Há limites.

Até parece que ele nunca se tinha saído com nenhuma.

Até parece que nunca ninguém teve nenhum lapso verbal.

Toda a gente já teve.

Os mesmos que o punem, são capazes de pagar um bilhete para ir ver o Raminhos, o Tochas ou as anedotas repetidas e os palavrões em barda do Fernando Rocha.    
Riem-se mais e critiquem menos.

Não levem a vida tão a sério.

Resgatem o vosso senso de humor, perdido na infância. 

Não vai ser por isso que vão ser mais ou menos maduros ou sérios. Rir é também uma forma de levar a vida a sério. Riam-se pelos dois.

Ah, e já agora, com a mesma força e seriedade que criticam o peido verbal, elogiem a verba de 1 milhão de euros angariada neste concerto solidário, pelo Salvador e pelos outros artistas que ali estiveram unidos por uma só voz.

Porque isso sim, é sério.

Isso sim, é importante para aquelas famílias das vítimas. 
Indignem-se sim, com aquela tragédia.

Porque, aquilo sim, foi um momento triste.

Não um peido!

Modificado emsábado, 01 julho 2017 06:08
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