Dia: 22 de Mai

António Camilo parte de Lagoa a caminho da Guiné-Bissau com o camião carregado de “solidariedade e fraternidade” Destaque

No Barlavento algarvio todos os conhecem, é o Camilo de Lagoa, fez vida de sucesso no ramo dos eletrodomésticos, agora, afastado dos negócios e com a família arrumada, regressa ao passado saudosista dos tempos de militar na guerra colonial na Guiné-Bissau, ajudando a sobreviver as populações gineenses. António Camilo reparte os dias entre Lagoa e a Guiné-Bissau, organizando expedições humanitárias a favor daquele povo africano, ajudando hospitais com equipamentos de saúde, construindo escolas e oferecendo milhares de livros, matando a fome com toneladas de alimentos que transporta ou faz chegar de barco aos amigos africanos.

O «Algarve Mais Noticias" reporta a vida deste humanista solidário e fraterno que em tempos andou de metralhadora em punho a combater aqueles que hoje ajuda...

João Pina

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

(Em atualização)

António Camilo, 66 anos, nascido em Lagoa, 18 de Outubro, estudou na "Escola Nobel International School Algarve",  junto à EN 125, Lagoa e, ao longo de décadas destacou-se na vida empresarial no ramo de electricidade, nomeadamente, nos electrodomésticos, artesanato e enquanto mais jovem, na área de discotecas e bares, entretanto, há poucos anos vendeu o negócio principal e como não é homem de viver da reforma e muito menos dos rendimentos, passou a dedicar-se às missões humanitárias a favor das populações da Guiné-Bissau, “fui furriel miliciano da Companhia de Caçadores que combateu em Jumbembe, Guiné-Bissau”, diz António Camilo, “desde que regressei ao continente depois da comissão de serviço e ao longo dos anos, nunca deixei de pensar daqueles tempos, muitas noites sonhei com os antigos combatentes guineenses que lado a lado comigo defrontávamos os guerrilheiros”, acrescentou na tarde do dia 25 de Novembro, horas antes de partir para a 4ª Expedição da “Associação Humanitária de Apoio Social Internacional” quando nos encontramos junto à sua residência, na Rua Coronel Figueiredo, número 26 e, que serve de sede à associação e também ao armazém onde se encontram depositadas as toneladas de dádivas que a “Humanitários” oferece aos guineenses.

A «Algarve Mais”, hoje “Algarve Mais Noticias» tem acompanhado a actual faceta humanitária de António Camilo e quando o antigo empresário lagoense iniciou na companhia do amigo, Francisco Nunes, 57 anos, motorista e segundo o próprio “pau para todo o serviço” mais uma expedição por terra à Guiné-Bissau, recordamos as conversas via internet da expedição de 18 de Setembro último, enquanto, a partir desta data publicaremos as situações que irão decorrer:

A 18 de Setembro de 2017, António Camilo vindo do Algarve até Algeciras. “Hoje saímos do porto de Tarifa para Tanger com os jeeps super carregados de material humanitário. Chegamos a Marraquexe depois de 900 quilómetros. Neste momento acabamos de vir da grande praça em Marraquexe e estamos a dormir no hotel Íbis”, comunicou, afirmando deseguida: “Comecei a fazer isto em 1998 por estrada. Esta é a 22ª expedição por terra. Normalmente a “Associação Humanitária de Apoio Social Internacional” da qual sou presidente, quase todos os anos envia um contentor humanitário para a Guiné para a construção de escolas, equipamentos que recolhemos em Portugal. Na “Humanitários” que é uma ONG já somos poucos com vagar e disponibilidade financeira para isto, porque as despesas são à conta de cada um”.

Questionamos António Camilo dos motivos que o levam a deixar a sua zona de conforto no Algarve para andar sempre a pensar na Guiné-Bissau, e quando está em Lagoa passa os dias a angariar equipamentos, roupas, materiais diversos e preparar a próxima expedição. “Como sabes fui militar na Guiné e voltei lá trinta anos depois. Nessa altura, vi as condições que a Guiné estava, joguei mão ao assunto e enquanto tiver força vou continuar”, referiu. Nas expedições António Camilo transporta vários tipos de material, desde roupa, enciclopédias, e de barco 30 mil livros e várias caixas de roupa, computadores, entre outras coisas que não cabem nos jeeps ou nos camiões.

Sobre a actual situação guineense, sublinha: “Infelizmente a situação não é nada boa, derivado a interesses políticos, mas a população é que sofre e muito" e, em Portugal? perguntamos: "Já aqui em Portugal, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de Lagoa têm colaborado, no entanto, a maior parte do apoio vem de uma lojinha humanitária que temos em Lagoa, na Rua João Chagas e que é minha", despede-se virtualmente o antigo empresário de sucesso, hoje filantropo luso guineense, avisando: “Ok amigo, todos os dias quando houver internet vou remetendo notícias. Amanhã vamos sair daqui para Agadir, Goelmim, Tizenit e dormir no Cabo Bojador, terra que está germinada com Lagos, visto o descobridor, Gil Eanes ser de Lagos, tendo, aliás dobrado o Bojador, vou enviar fotos do Farol que é monumento da Unesco construído pelos portugueses”.

19 setembro de 2017, António Camilo saiu de Marraquexe pelas 07,00 horas da manhã, visitando Agaddir. “Do morro avistamos uma vista soberba de Pafa, o porto de Agadir, na cidade, o Forte no morro, construção feita pelos portugueses antes do terramoto. Seguimos em direção a Tizenit Guelmim, TamTam e Tam Tam de lá Plage, se recordarem, era o local aonde o Dakar parava um dia para descanso e, como o casal que vem comigo era nessa altura o diretor das apostas da Santa Casa. Aliás, era ele que tratava dos contratos com o euro milhões e, na partida de Lagoa teve a amabilidade de nos oferecer camisolas, relógio, lenços e facas multiusos com a publicidade do Dakar e do euro milhões que não se realizou nesse ano. Amanhã, sairemos daqui para Layone, já no Sara Ocidental, em direcção, também ao Cabo Bojador depois de Dakla, última cidade de Marrocos”, escreveu o nosso entrevistado através da Internet, adiantando, esperemos que não haja muita areia para irmos ainda dormir ao Hotel Dalas, perto da fronteira com Mauritânia, mas ainda teremos que atravessar a “terra de ninguém” que é uma faixa minada e controlada pela ONU”.

"O estado de degradação do país, das pessoas, deu-me vontade de chorar.Tinha de fazer qualquer coisa"

Ainda a 26 de Novembro, nas expedições acontecem sempre peripécias de última da hora e que alteram toda a programação da viagem, de outro modo, deixava de ser um desembaraço, ainda agora, quando aguardava comunicação de António Camilo que nas minhas contas devia de estar em Algeciras, recebi a seguinte mensagem: “Bom dia, Pina, ainda estamos em Lagoa, tivemos que regressar. Apareceu um problema mecânico no camião e viemos resolvê-lo. Vou tentar falar com um mecânico, uma vez que hoje é domingo”.

Uma vez que estamos com a mão na massa, vamos recuperar outras conversas com António Camilo: “Em determinada altura, seguiram 30 sacos de roupas usadas, 10 caixas com sapatos, doadas à “Gazeta de Lagoa” e um aparelho para a realização de ECG, doado por um grupo de Clínicas de Portimão com destino ao Hospital de Bafatá. De outra vez seguiu um contentor num barco com cerca de 50 mil euros de roupas novas, especialmente para crianças, doadas por várias fábricas e que fiz questão de acompanhar, como sempre o faço da distribuição na Guiné-Bissau”.

Há dias, conversando com António Camilo, disse-lhe que apresentava algum nervosismo, ao que respondeu de imediato. “Esta noite nem consegui dormir a pensar no que ainda tenho de fazer até carregar o camião” e, prosseguiu a desfiar o álbum de recordações recentes da sua missão de solidariedade e fraternidade a favor dos guineenses, povo que, enquanto militar lhe fez ver a vida de outra forma, a dos que tudo têm e outros que nada tem. “Foram 23 meses intensos que me assinalaram até hoje, sobretudo, já em clima de paz o choque manteve-se. O estado de degradação do país, das pessoas, deu-me vontade de chorar. Tinha de fazer qualquer coisa".

O telemóvel não para de tocar, atendeu e relatou: “São pessoas a querer doar roupas, outros telefonemas são de empresas. São, também, antigos combatentes, que ouvem falar de mim e do que faço, e pretendem participar na próxima expedição. São também, chamadas que chegam da Guiné-Bissau”.

António Camilo é um homem grande de altura, corpulento, dinâmico, pai de um casal já com as suas próprias vidas organizadas, tem a sua vida financeira em boa situação até ao fim de vida, porém, há poucos anos a sua companheira de sempre e mãe dos filhos e empresária ao seu lado todos os dias, partiu até ao reencontro final e, ele, homem de afectos vê-se realizado, praticando o bem, ajudando os seus semelhantes. “Há tempos, um homem aflito, devido à mãe estar a morrer e sem dinheiro para medicamentos, telefonou-me. Liguei à pessoa responsável pelo dinheiro que sobra dos patrocínios, e pedi-lhe para comprar os medicamentos e entregar ao homem em causa", frisa António Camilo, coçando o queixo de olhar fixo no céu, como que a dialogar – está a ver, minha querida – continuo fiel aos nossos princípios.

“Há dias chegou-me à fala um casal vindo da Venezuela de mãos vazias, nem casa para viver, dinheiro para comer, roupas, emprego, enfim, a desgraça e as tragédias do mundo, neste caso da Venezuela. Arranjei-lhes um apartamento alugado 

"Se não ajudarmos o que será feito daquele povo?"

António Camilo já contou estas aventuras várias vezes, “de início mandei cartas a empresas portuguesas, a pedir sobras, como mapas para as escolas, e a resposta ultrapassou todas as expectativas, meti mãos à obra”, prosseguindo no folhear das páginas do passado solidário. “Preparei o meu Jeep e fiz o roteiro da viagem, o carro ficou tão cheio que nem cabia mais uma garrafa de água e, disse para os meus botões. Ora eu, que nunca tinha estado em Marrocos nem francês falo, vai ser uma carga de trabalhos (risos)".

Seguindo o seu relato, nesta primeira viagem, uma parte do percurso, na Mauritânia, teve de ser feito pela praia, já que não existiam estradas. "Naquela viagem, chegámos a dormir numa tenda de tuaregues, num areal. Só para entrar no Senegal, despendemos cerca de 500 euros".

Os anos passaram, as viagens multiplicaram-se, António Camilo arrecadou experiência e contactos, conhece as regras bem demais, tem a lista dos hotéis pequenos e grandes, albergues e, antes de viajar a partir de Portugal trata com as diversas autoridades tudo referente a datas, bagagem para que os carros não fiquem retidos depois nas fronteiras. “Já aprendei uma coisa, nunca viajo à noute, é perigoso, levo sempre uma pequena farmácia e até levo umas lembranças para oferecer nas fronteiras ou nos postos de controlo", sublinhou num determinado dia em conversa com o jornalista. “Medo? Até já fiz uma viagem sozinho de Lagoa à Guiné-Bissau. Tenho é medo de conduzir em Lisboa (risos).

Por cada viagem são percorridos cerca de 4.300 quilómetros com a duração de sete a oito dias. “Em cada fronteira perde-se uma manhã ou até um dia. Na Guiné-Bissau e contando com o tempo de viagem estamos duas ou três semanas. Por vezes oferecemos os carros em que viajamos e regressamos a Portugal de avião, aliás, desta vez, o camião vai ficar na Guiné-Bissau para uso dos operários que estão a trabalhar por conta da Associação porque estamos a construir uma escola de raiz”, esclareceu António Camilo.

"Chegados ao país africano, antiga colónia portuguesa, os materiais que levamos é entregue porta a porta, nas escolas, hospitais e igrejas carenciadas. "Conheço a Guiné total, incluindo as tabancas e também já possuo lá uma casa, sempre fica mais barata as estadia", referiu António Camilo.

A 27 de Novembro antes das 08,00 horas da manhã, António Camilo informou que chegaram ontem a Algeciras no princípio da noite e, que de seguida foram descansar e dormir após cerca de 900 quilómetros por estradas de Portugal e de Espanha.

Mal nascia o sol no Algarve, recebemos a comunicação: “Vamos ficar aqui até às 6.30 horas da tarde, porque a travessia por barco foi cancelada, aliás, de todos os barcos devido ao mau tempo no estreito de Algeciras para Marrocos”, pelo que os viajantes têm mais umas horas de descanso e o jornalista aproveita para trabalhar noutras tarefas.

(Em atualização)

Ver mais fotografias em baixo na Galeria de imagens

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