Dia: 19 de janeiro

Uma hora para tomar café no primeiro dia do ano no Algarve! (Podem esperar pelo café e ir lendo, por que o atendimento está demorado...) Destaque

Ainda, me chega às ventas, o rescaldo da noite dos ricos endividados ao toque do rock com fogo-de-artifício de milhões e que terão de os pagar a meses a descoberto de perder de vista.

João Pina

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

Tenho saudades dos encontros, cumprimentarmos-mos, falarmos cinco minutos e despedirmos-mos e, ao fim de três horas ainda estamos a destrocar ideias.

O Algarve, nestes meses, continua um deserto de palavras e de amigos, para no verão ser uma quinta de labregos ricos. Depois, no amanhã, tardes e noites não acontecem nada.
Um gajo pode ir avenida abaixo, rua acima e dar uns peidos que ninguém ouve e, se passar a GNR faz de conta que nada escuta também, não vão pensar que é um bêbado a assaltar o multibanco de caçadeira em punho.

Os cheiros da noite e dos desmandos na areia molhada de champanhe rasca à mistura fina com a hipocrisia do fel dos fingidos, não me largam, tal foi a festa dos ricos, quiçá, caloteiros profissionais que olham os trabalhadores como escravos

Das nuvens negras e, amargas, sonhamos com dias doces de sol airoso, retempero da vida, ao invés, dos feitores das noites que nos procuram na noite de fim de ano.
Essa maltinha chega de olhos cerrados na penumbra, nem sois, nem doçarias trazem mas, sim, espinhas na garganta dorida de tanta correria nas contra correntes das carruagens suadas do metropolitano de Lisboa a caminho dos empregos, ou no regresso aos infantários e a casa com os putos ao colo amaldiçoando as horas de ponta.

É, sim, a malvadez dos homens de algibeiras cheias dos roubos da dignidade de quem trabalha para pagar a fome. Enquanto, eles, os ricos que parasitam políticos mercenários impostos pelo sistema, coçam a barriga e batem palmas com as mãos alambazadas pelos milhões roubados nas ruas da corrupção.

É por estas e por outras que adoro viver no Algarve durante o ano singelo, em que a água do mar azul é toda minha, em que o vento sopra e que o agarro, respiro-o a fundo e levo-o para casa para me soprar a lareira no inverno e, nos dias quentes da primavera/verão, ventilar os quartos de janela aberta sem pagar a energia à EDP dos chineses.
É nestes dias de vento agreste que vou à pesca e depois abanco com um robalo ou sargo fresquinho grelhado ao ar livre e almoço à fartazana, sem ter de chegar à praia pelas sete horas da manhã e marcar lugar para poisar a cana, por que os forasteiros nem dormem para ir cedinho acampar na praia, fazendo de conta que são os donos da mesma.

E, depois de esperar 45 minutos para ser atendido numa pastelaria em Armação de Pêra, mais outros 45 minutos para servirem um café e meia de leite e mais 15 minutos a aguardar na fila para pagar, regresso a casa com este “vale a pena” viver no Algarve quando o sol, o vento e o mar é todo dos algarvios, já que em dias de férias de verão, Natal, Carnaval e Páscoa, o melhor é zarpar para a minha terrinha arraiana, Rosmaninhal, concelho de Idanha-a-Nova.

01.01.2018, pelas 18,30 horas

PS: E, agora perguntam – e porque esperaste tanto tempo para beberes um café frio – foda-se, estou no Algarve e fartei-me de ver gajas boas, quarentonas e cinquentonas à deriva à procura de um algarvio marafado…

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