Dia: 26 de Mai
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O médico, João Amado, põe os dedos nas feridas da saúde: “É a nossa vergonha. Hoje, todos voltaram a apontar o dedo ao outro" (...). Destaque

Poderia ser, e é também, um sentimento de revolta, de indignação, de comiseração, de tristeza, de angústia, aquele que se manifesta ao constatar imagens como esta, do hospital de faro neste caso, mas que se repete noutros hospitais do SNS. Acima de todos esses sentimentos, há um que me domina: vergonha.

João Amado

Médico e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Portimão

(Compilação de depoimentos: João Pina – Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

Vergonha, pois.

Vergonha pela nossa incapacidade, pela nossa incompetência, pela nossa indiferença. Nossa. Incapacidade, incompetência e indiferença dos nossos dirigentes, os atuais e os passados, os locais, os regionais, os nacionais. Incapacidade, incompetência e indiferença minha.

Se a nossa capacidade de intervenção cívica, social, política, partidária, a capacidade dos outros e a minha, não consegue atingir melhores resultados que isto, então que sentimento nos pode invadir senão vergonha?

Vergonha alheia e vergonha própria.
Vergonha, e muita, que esta imagem não é uma excepção, um aproveitamento maldoso desta ou da outra oposição.

Esta é a imagem do poder, deste e dos outros, a imagem da ausência colectiva de capacidade de impedir a profunda falta de humanidade, de dignidade, de respeito, de compaixão que esta foto nos faz entrar pelos olhos e pelo coração.

É uma vergonha.

É a nossa vergonha.
Hoje, todos voltaram a apontar o dedo ao outro.

Amanhã todos voltarão a apontar o dedo ao outro.

Aos outros.

Aos que nos governam, ou aos que nos governaram.

Aos que administram, ou aos que administraram os hospitais.

Ao SNS, ou aos privados. Aos médicos, ou aos enfermeiros, ou aos técnicos, ou aos administrativos.

À esquerda, ou à direita. 
Hoje, vou virar o dedo para mim, fechar a mão, baixar a cabeça e sentir vergonha.

A dar seguimento às palavras do médico, João Amado, publicamos alguns comentários: Canários Serrano: Ao que parece isto é em Faro, mas em Portimão e por essas Urgências deste País, passa-se o mesmo, é de facto VERGONHOSO!”, Maria Elisa Barreiras Muito forte e triste o texto e comentários”. Sónia Caetano: Dr. João: será que estas imagens chegarão a quem pode intervir solucionando o problema de uma vez por todas? É deveras triste e desolador”. João Trindade: VERGONHOSO! AO QUE O NOSSO PAÍS CHEGOU, A SAÚDE PÚBLICA ESTÁ A MAIOR DAS MISÉRIAS DE TODOS OS TEMPOS. O NOSSO HOSPITAL DO BARLAVENTO ALGARVIO ERA QUASE UM DOS MELHORES, AGORA ESTÁ UMA AUTÊNTICA DESGRAÇA”. Carlos Godinho: “É preciso que o povo tome consciência do estado do Serviço Nacional de Saúde e exija medidas por parte dos governantes e não, como alguns fazem, reclame contra os que ainda tentam trabalhar, dar a cara e esforçar-se para que as coisas ainda vão funcionando. Há que distinguir os profissionais que se esforçam, muitas vezes sem condições e arriscando a sua própria segurança dos verdadeiros responsáveis pela situação a que se chegou. Povo português: há mais vida além do futebol e dos programas merdosos de televisão! Abram os olhos!”. José Duarte Santinho: Pura e simplesmente a incompetência desta gente que deveria governar o País. Na sua grande maioria vão para lá para se governarem a eles próprios, aos familiares e a alguns correligionários. Se não fosse o elevado profissionalismo e a dedicação das pessoas que lá trabalham nos hospitais, isto seria muito pior”. Maria Graciete Deveras vergonhoso”. Venceslau Eusébio: Nunca tinha visto esta pouca vergonha. Onde está esse ministro da saúde em casa, não vem isto”. Inês Guerreiro “Muito bem Dr. João Amado. Cada um assuma as suas responsabilidades e as administrações também. Tristeza!” Valdemar Duarte: “Obrigado Dr. por denunciar esta vergonha, e pelo seu texto sem segundas intenções. Tal como o Senhor diz: a culpa é sempre do outro. Também, nós, o povo somos culpados destas situações, devemos exigir mais aos governantes, mas como somos um Pais de brandos costumes pactuamos com estas situações”. Maria Fernanda Natal Sequeira” “Vergonhoso! Onde isto chegou...nunca vi isto. Também sempre tive médico de família... hoje não tenho... Está mesmo mal...” Filipa Alves: “Infelizmente a saúde no Algarve nunca deu um pouco de atenção por parte dos senhores da grande capital... Algarve serve para passar férias e para tudo se sentir em casa nas épocas balneárias! A saúde no Algarve e toda a falta de cuidado por parte da saúde nacional já vem de anos... Isto não é de hoje nem de ontem, isto tem anos de imagem degradante. É triste mas é a realidade”. Ana Paula Filet: ”Já vi até pior na decisão clínica do Hospital de Faro! Triste, degradante e incompreensível Alberto Jesus Vi esta miséria vergonhosa na televisão agora estou vendo no fb não admissível uma desgraça destas vou publicar também Fiquei revoltado com esta realidade como é possível?”. Tony Melo, jornalista consagrado também deu o seu contributo: “Vergonha, sem dúvida, que nos envergonha, passe a redundância. Mas afinal porque acontece? Acréscimo de doentes, sem dúvida, sobretudo pelas gripes, doenças respiratórias e afins. Contudo, os responsáveis não sabiam das contingências? Houve plano, pergunto”. Victor Rodrigues: “Dr. João Amado! Comentários para quê! Depois de ler um texto dessa natureza e escrito por quem está dentro do serviço de saúde nada me cabe dizer, até porque infelizmente já recorri algumas vezes a hospitais e da minha parte quando estive internado fui sempre tratado muito bem, mas sei que nem todos podem falar assim”. Ângela Venâncio Quadros: “É mesmo vergonha! E mais vergonha tenho pelo facto do Poder Autárquico ter uma Providência Cautelar e que pelos vistos não foi utilizada. Vergonha, tenho é de todos os partidos terem assobiado para o lado. Em Portimão se existir movimento cívico disposto a lutar ao lado dos partidos, são apelidados de "gentinha", sim Dr. João Amado é mesmo para termos muita vergonha!”. Ângela Venâncio Quadros: “E mais vergonha, em fez de se aproveitar os recursos para o SNS... os mesmos sirvam para dar sustentabilidade ao privado ... e sempre ao mesmo privado...é mesmo para ter vergonha!”. Já Isabel Rosa garante: “Isto não é só agora, infelizmente desde horas e horas de espera, e mandarem os doentes como a minha mãe para casa sem uma resposta e, simplesmente porque ela há vários anos teve um avc hemorrágico e ficou dependente de nós para tudo com vários episódios”. Maria Dias: “Vergonha sim e revolta nem tenho palavras para descrever o que senti, quando vi tamanha desumanidade. Adérito Alvo: “Caro amigo Dr. João Amado! Nunca estive num Hospital em Portugal. Sinto-me mesmo envergonhado com esta situação. Já estive hospitalizado na Alemanha, Finlândia e Austrália, nada tem comparação com aquilo que estou deparando no meu País. Tenho medo de adoecer aqui. Segundo me parece ainda estamos na Europa! Vamos acabar com as Máfias e pagar devidamente aos profissionais. Um abraço do tamanho do mundo...”.

Ainda, sobre o assunto em debate Carlos Estanislau publica: “Podem-me dizer se o Senhor dos afectos que foi muito bem tratado no Serviço Nacional de Saúde, o senhor que faz de Portugal um oásis ou algum dos dois parceiros dele que só existem com protagonismo em Portugal, passaram pelo Algarve? Terminando com a interrogação: “Temos Autarcas no Algarve?”.

E, nas redes sociais circula um comunicado:

"A equipa de Enfermagem do serviço de urgência do Centro Hospitalar Universitário do Algarve - Unidade de Faro, vem por este meio, divulgar a todos os meios de comunicação, a crescente degradação das condições existenciais aos seus utilizadores.

Esta situação arrasta-se há mais de dois anos, com conhecimento e conivências do CA, que nada tem feito até ao momento, para resolver de forma eficaz as condições deploráveis a que são sujeitos os doentes e profissionais de saúde.

Neste sentido enviamos uma vez mais um aviso ao CA, Ordem e Tutela do CHU Algarve.

Aviso esse em que, uma vez mais, denunciamos a falta de condições de utentes e profissionais do serviço de urgência.

Segue também em anexo fotografias da normalidade quotidiana do SU, já que tudo muda quando somos visitados pela Comunicação Social num mágico "empurrar de gente doente para baixo do tapete" e em que parece tudo ser apenas "mais um pico de afluência". Nesta normalidade quotidiana contamos com uma média de utentes muitas vezes superior a 60 podendo inclusive ultrapassar os 80 doentes numa sala com capacidade para 24. O rácio de enfermeiros nunca é ajustado.

Convém não esquecer que para além das horas de espera pelo atendimento médico que tanto sensacionalismo causa nos telejornais, existem ainda uma parte mais escondida do Serviço de Urgência que são os doente internados em macas durante dias e até semanas.

Estes doentes estão submetidos a autênticas torturas dias e dias. Confinados num ambiente altamente contaminado e saturado, é-lhes negado a sua privacidade (são expostos em frente a toda a gente), não tem janelas nem referências do dia/noite (constantemente expostos ao stress e barulho da urgência 24x7 dias semana).

É-lhes negado o direito a serem cuidados e tratados com segurança. O espaço e o rácio a que estão sujeitos não permitem a prestação de cuidados de qualidade e são um caldo do erro.
É-lhes negado dignidade.
É-lhes negado direito a comer- (muitos não comem apenas porque não tem quem lhes dê comida).
Muitos morrem sozinhos. Sós, rodeados de tanta gente".

Ainda nas redes sociais, pesquisamos algumas centenas de depoimentos, de que destacamos: Fábio Correia “Presenciei durante três dias esta triste realidade e segundo os colegas isto é o “normal” entre novembro e fevereiro... Vê-se na cara de quem tenta prestar cuidados de enfermagem e não consegue chegar à metade dos doentes que tem a cargo”, e Natacha Sofia Fernandes desabafa: “Normal? O pessoal não pode aceitar! Há que haver revolta sempre! Pode ser os nossos a terem de ir para o público... “Temos de lutar! Pelos enfermeiros, auxiliares e doentes! Têm de arranjar dinheiro quando há vidas em jogo! Não é discutível. Rrrrr que raiva!!!”, revolta-se Natacha Sofia Fernandes, enquanto Helena Antunes responde: “Enfermeira Ximenez, todos somos comunistas quando queremos Saúde e Ensino para todos, todos somos comunistas quando vemos a situação a que a saúde no nosso país chegou e alguns são fascistas porque apenas olham para o seu umbigo. Sou orgulhosamente Enfermeira e tudo isto me entristece. Infelizmente pouco podemos fazer pela saúde do nosso país, a não ser diariamente fazer o melhor que sabemos”, e Jorge Carrilho adianta: “Infelizmente os Políticos responsáveis por este sector, não querem nem saber. E são uns atrás dos outros. É o país que temos”. Irene Costa sublinha: “Tanto se fala de saúde, mas que saúde é esta? É isto os cuidados de que tanto se fala nos telejornais? E, Maria Deolinda Coelho Soares confirma: “Apetece-me dizer onde estão aqueles senhores da política, da religião e até da saúde, que vêm para a televisão falar contra a eutanásia? Não será esta falta de condições para cuidar doentes, com falta de dignidade, privacidade e respeito, uma forma de provocar a eutanásia contra a vontade dos próprios doentes?”

E o teor de dezenas e dezenas de declarações não termina: Vitória Lamego garante: “Igual um pouco por toda a parte, é o que dá andar a cortar lotações de serviços. Depois restam os corredores, até parece que cortar lotações acaba com os doentes. A confirmar os desabafos, Isabel Outeiro afiança: “Estas imagens são do meu hospital, onde há dias um enfermeiro triador foi ameaçado com uma arma branca...” e, Antonio Joao Santos Carvalho: “Não desistas daquilo que achas que é justo”, para Paula Monteiro em sua opinião: “As Urgências dos Hospitais não é culpa dos profissionais de saúde, mas sim dos nossos GRANDES... Quantos mais doentes houver nas urgências melhor, não há profissionais de saúde para tantos doentes, assim os desgraçados dos doentes morrem, será menos dinheiro que têm que investir na saúde e nas reformas, seremos menos, nós somos um saco roto, porque os tachos têm os GRANDES”.

Na presente compilação de declarações várias e aleatórias, verificámos que o descontentamento dos enfermeiros, utentes e familiares dos mesmos é unânime – uma vergonha – que salta a olhos vistos por todos nós e que todos, incluindo a classe política dos últimos 30 anos não resolvem ou não pretendem resolver em detrimento dos interesses privados. Fatima Lacao E uma vergonha depois desculpa-se dizendo que é o pico da gripe! E qual será a desculpa que o hospital de Portalegre esteve 24 horas sem médicos na urgência e uma vergonha enquanto deixarem sair os nossos profissionais de saúde para contratarem empresas que nos deixam horas sem fim à espera para sermos mal atendidas é vergonhoso”, Maria Fatima refere: “Colega, vivemos felizmente num País livre em que parece termos liberdade de expressão. E enquanto pudermos usar o direito a palavra pela dignidade humana devemos usá-la. Lutar e exigir melhores cuidados para todas as pessoas é o nosso direito. Viver e morrer com dignidade é um direito constitucional. Ultrapassa política e religião. Um abraço para a colega. Bom Ano com saúde e exigência de melhores cuidados de saúde”, finaliza para dar a palavra a Maria Tavares: “É verdade que doces e salgados não fazem parte da higiene de VIDA, mas isto que vimos nos hospitais é a MORTE certa para muitos. Sr. Ministro da Saúde comece por aí, porque creio eu que há muito a fazer...vivo na Suíça e tenho alguns problemas de saúde, mas nunca nos proibiram de comer ou beber o que fosse. Que eu saiba as visitas não são doentes e alguns até vêm de longe...” Mario Roque Antonio é categórico: “Sou contra este tipo de situação, mas vejamos que não se tem visto esta situação só de agora mas, já em tempos atrás no tempo do governo PSD/CDS aquando o Sr. Paulo Macedo também fez o mesmo, fechava os olhos a muita coisa que vi. Sei que não vai mudar nada, mas chega desta situação vergonhosa”. Maria Judite Paulino Matias confirma: “Vergonhoso o que se passa nos hospitais! Imagens muito chocantes, parece que estamos num PAÍS de terceiro mundo!” Marilia Lurdes Caetano: Os responsáveis deveriam passar por esta situação. Só sentindo na pele entenderiam”, enquanto Liliana Gouveia sublinha: “Uma realidade de tantos outros serviços de urgência... E foi por isso que desisti de ali trabalhar... Não conseguia mais compatuar com aquela forma de 'não cuidar'...” João Santos destaca: “É evidente que qualquer pandemia se torna num pandemónio... O que se vê nessas fotos está a acontecer em todo o país. As pessoas criaram um hábito de, por qualquer ponta de febre que tenham, irem logo para as urgências e essa é a grande causa do caos que está instalado nos hospitais. Graça Pacheco: “Coitado de quem precisa e coitado quem é profissional e não consegue dar o seu melhor porque o sistema não dá condições de trabalho para estes profissionais e sofremos todos, mas estão muito preocupados com os salgados que se vendem nas cantinas, etc., etc. e, já Natália Sofia diz: “Coitados dos enfermeiros, são os que tem mais trabalho. Graça Pacheco sintetiza: “Os enfermeiros trabalham muito e além disso estão sujeitos aqueles micróbios todos enfim. É o País que temos, mas se ficarmos calados é pior, temos que divulgar estas situações” Sofia Morgado: “Façam o favor de nos contratar. Os colegas que estão de serviço nestes locais agradecem. Os doentes ainda mais. Tenham a noção de que cuidamos de pessoas. Não de animais. Pois até estes merecem mais cuidado e atenção. Façam alguma coisa já!”, refere. Rosa Palma é peremptória: “Parecem imagens de hospital em situação de guerra ou uma outra calamidade, mas para o Sr. Adalberto e restantes amigos está tudo está bem!” Gina Lourenço Oliveira renova o descontentamento da classe e dos utentes: “Não sei quem teve a coragem de fazer esta publicação mas quero desde já dar-lhe os parabéns pela sua coragem. As verdades devem ser ditas, um bem-haja por existir. Concordo plenamente consigo. Grande abraço para si, precisamos de muitas pessoas como você”. Lucília Roriz: Meu Deus...ao que nos fizeram chegar... As políticas do passado e do presente... Sempre do mesmo...mudam as moscas...mas o "dejeto" é o mesmo...” conclui. Paulo Santos: “Este tipo de casos passam também no Hospital Amadora Sintra e passa já há muitos anos e nada se faz. Já que os responsáveis não estão a trabalhar em estas condições”. Para José Rodrigues: “Isto começou em 2004. Enquanto o governo não vos foi aos bolsos, estiveram-se a cagar. No governo do Passos Coelho, devido aos cortes que tiveram nos ordenados, começam a preocupar-se um bocadinho e fizeram algumas greves. Agora estão indignados? Que me critique o primeiro que achar que não tenho razão. Isto é uma VERGONHA. Como funcionário de um hospital há 14 anos, sempre me indignei e me insurgi contra as condições a que são votados os doentes e com as quais temos de trabalhar. Isso valeu-me dois processos disciplinares. Isto é uma VERGONHA e não é só no Algarve” e, neste rosário de lamentações, Rita Martins garante: “A saúde no Algarve está pela hora da morte. E é neste contexto que as instituições privadas crescem e se multiplicam a uma velocidade alucinante. O Estado prefere pagar ao sector privado para resolver problemas que decorrem de má gestão, em vez de corrigir o problema de raiz DENTRO das próprias instituições. Igualdade, qual igualdade? Quem tem possibilidades económicas recorre ao sector privado e aí tem uma panóplia de acessibilidades. Quem não tem, recorre à urgência do hospital público, espera e desespera, muitas vezes (tantas!) em condições vergonhosas”. Esmeralda Dinis Carmo recorda: “Já era assim há 28 anos quando lá trabalhei! É lamentável que continue na mesma ou pior! É uma vergonha!” e Eva Verdú  diz: “Chamar comunista a quem quer que seja que se insurja contra esta vergonha, parece-me de uma ignorância que raia a maldade humana. Pode alguém concordar com esta maneira de tratar um ser humano?” Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiro explica, sublinhando: “Luto todos os dias contra esta vergonha. Atacam-me violentamente por dizer que a dignidade das pessoas está no lixo no que diz respeito ao SNS. O SNS é matéria de Segurança Nacional, estruturante para a democracia e liberdade do país. Estou muito orgulhosa dos "meus" Enfermeiros. Os Enfermeiros Portugueses são uns heróis. E perderam o medo. Nunca me calarei, recusem connosco este país”. Cristina Marques Esparteiro continua: “O que é mesmo triste é que esta situação é transversal a todos os hospitais. Há um ano recorri à urgência do Hospital Dr. Fernando da Fonseca com a minha mãe estava com uma descompensação Diabética e cardíaca. Ficou internada em SO  ao fim de dois dias ligaram-me para dizer que a minha mãe ia ser transferida para o HSJ por causa da residência e ia para SO. Eu dirigi-me ao HSJ e dizem-me que a minha mãe estava em balcão com pulseira verde para ser observada. Entrei pelo serviço a dentro à procura da minha mãe e de momento parecia que estava num ambiente de guerra, macas coladas umas às outras com idosos completamente desorientados e lá dei com a minha mãe ao lado de outro idoso que lhe queria tirar os óculos nasais. E então ali estava para ser novamente avaliada quando já tinha sido noutro hospital. Não estava monitorizada, e estava sem comer desde manhã altura em que foi transferida e eram 23 horas. Nem um soro tinha posto. Fiquei muito revoltada porque as pessoas ficam para ali à espera que alguém olhe para elas. Os profissionais para chegarem a um doente tinham que desviar as macas do lado. Que falta de humanização, de privacidade, de segurança que as pessoas sentem quando mais debilitadas estão, os enfermeiros exaustos a correr de um lado para outro para acudir às pessoas depois. Era o sistema informático que tinha ido abaixo, enfim, se eu não tivesse ido falar com o médico chefe de SO e lhe explicasse toda a situação. Hoje a minha mãe já estaria com toda a certeza na quinta das tabuletas”. Joao Lynce refere: “Se é Católica, então não é comunista, o que aqui mostrou é uma vergonha para toda a classe política, que só pensam em encher os bolsos!”.

 

Modificado emsegunda, 08 janeiro 2018 19:15

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