Dia: 21 de Set

Estamos mais uma vez a assinalar o aniversário do 25 de Abril. Destaque

 Foi há 44 anos que na manhã libertadora deste dia, os militares saíram à rua transportando consigo a esperança e a vontade da maioria dos portugueses, transportando consigo o que foram dezenas de anos de luta e empenho dos que resistiram à ditadura e sempre lutaram pela democracia.

É também em memória dos que nunca desistiram que aqui estamos. Assumindo que nos revemos nos que, com prejuízo da sua vida, da sua liberdade, da sua família, trabalharam para que houvesse Abril. Assumindo que nos revemos nós que em estreita ligação com os militares organizados no Movimento das Forças Armadas, iniciaram a gesta heroica de transformação da sociedade, concretizando o que designámos como conquistas de Abril.

Os valores de Abril continuam a ser a nossa referência política e é por uma sociedade que incorpore estes valores que continuamos a lutar.

A lutar e a concretizar neste trabalho exaltante e motivante de no Poder Local contribuirmos para a melhoria das condições de vida das nossas populações.

Quando se comemora Abril, e porque há quem procure limpar a história, é importante lembrar que existia em Portugal uma ditadura.

Que era fascista. Que era uma ditadura terrorista dos monopólios e latifundiários associados ao imperialismo. Que defendia interesses que eram contrários aos do povo português.

Ary dos Santos, poeta da luta, poeta de Abril e poeta da revolução, expressou no seu magnífico poema “As portas que Abril abriu” aquilo que ia na alma e no desejo dos trabalhadores e do povo.

E por isso afirmou sobre esse período negro:

“Era uma vez um país

onde entre o mar e a guerra

vivia o mais infeliz

dos povos à beira-terra”

Mas o povo sempre acreditou na mudança. Porque quando há ditadura há resistência. Há a luta dos que não desistem. Resistir já é vencer e resistir é criar condições para novas etapas e novos avanços.

E como disse o poeta:

“Foi então que Abril abriu

as portas da claridade

e a nossa gente invadiu

a sua própria cidade”

E nesses dias que se seguiram ao dia inteiro e limpo como dizia a poetisa e voltando às palavras sábias e criadoras de Ary:

“Era a semente da esperança 
feita de força e vontade 
era ainda uma criança 
mas já era a liberdade.

Era já uma promessa 
era a força da razão 
do coração à cabeça 
da cabeça ao coração. 

Disse a primeira palavra 
na madrugada serena 
um poeta que cantava 
o povo é quem mais ordena.

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril fez
Portugal renascer.

Agora que já floriu 
a esperança na nossa terra 
as portas que Abril abriu 
nunca mais ninguém as cerra.

Mesmo que seja com frio 
é preciso é aquecer 
pensar que somos um rio 
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar 
que nunca mais tem fronteiras 
e havemos de navegar 
de muitíssimas maneiras.”

E alcançámos a liberdade. A de reunião e de manifestação. A de atuação dos partidos políticos. A do direito de voto aos 18 anos e o direito de voto das mulheres. A liberdade sindical. O subsídio de desemprego. A consagração da igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. O direito à educação, à cultura, à saúde e à segurança social.

Mas também cavámos mais fundo na luta pela igualdade. Com as nacionalizações, com o controlo operário, com a reforma agrária, conquistas que ficaram pelo caminho, pela ação dos que não se reviam em tudo o que significava Abril.

E também avançámos na criação do Poder Local Democrático, espaço de ampla participação, de convergência e de meio para fazer de cada cidade, vila ou aldeia, um território de melhores condições de vida.

Esteio fundamental da democracia, escola de formação cívica e democrática, o poder local afirmou-se pela firme vontade dos eleitos e das populações.

Mas tem sido uma batalha permanente contra os que o usam de forma incorreta e contra os que contra eles atentam, criando-lhe barreiras e dificuldades de que se destaca o garrote financeiro e regulamentar.

Mas as sementes que foram lançadas em Abril, ainda germinam. E darão novos frutos. Abril não é passado. Abril é futuro.

Não permitir que cerrem as portas que Abril abriu é continuar a defender um processo de descentralização que passe pela criação das regiões administrativas, pela reposição das freguesias extintas, pela recuperação da capacidade financeira das autarquias locais e por manter ao nível do estado central competências de âmbito universal nas áreas da educação, da saúde e da ação social.

Continuar a florir a esperança na nossa terra é defender a manutenção da gestão pública da água, do saneamento e dos resíduos, assegurando ao mesmo tempo a autonomia local e tarifas acessíveis aos consumidores.

A semente da esperança feita de força e vontade implica defender políticas públicas assente num forte investimento a cargo do Estado, em fundos comunitários que privilegiam a coesão em detrimento da competitividade e disponibilizem os recursos adequados para o investimento público.

Esta força que também temos de antes quebrar que torcer é a mesma que nos anima no dia-a-dia a continuar a intervir de forma empenhada, para dando expressão aos compromissos assumidos com a nossa população, irmos construindo uma vida melhor, realizando obra, promovendo eventos, apoiando o movimento associativo e outras entidades, valorizando o papel inestimável dos trabalhadores da autarquia.

Da serra ao mar cá estamos empenhados neste combate de todos os dias, de todas as horas, para o qual contamos com o apoio e o empenho da nossa população.

Alexandra Lucas Coelho escreveu recentemente que nesta semana festejamos esta revolução, cada vez mais preciosa. Uma das mais inspiradoras revoluções na história moderna, libertando vários países, além de Portugal. Devemo-la à luta de muitos homens e mulheres (...).

"O 25 de Abril está cheio de passado, foi uma revolução sem sangue depois de séculos de sangue. Também por isso está cheio de futuro. Com ele caminhamos.”

25 de Abril, sempre!

 

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