Dia: 18 de Mar

Município de Lagoa, Auditório Carlos do Carmo, ou “Aprender a ser para melhor aprender” Destaque

 

Plateia cheia para receber o colóquio “Aprender a ser para melhor aprender”

Plateia cheia para receber o colóquio “Aprender a ser para melhor aprender”, organizado pelo Município de Lagoa no passado dia 30 de novembro para assinalar o Dia Internacional das Cidades Educadoras. O elevado número de participantes obrigou a autarquia a deslocalizar o colóquio para o Auditório Carlos do Carmo, onde palestrantes convidados e visitantes partilharam muitas ideias sobre o que é e como deveria ser a Educação.

“Sentimos a educação e a cultura como base da nossa sociedade, esses são os nossos pilares e o nosso investimento”, referiu, na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Francisco Martins. Dirigindo-se aos presentes, o autarca falou da importância das partes no todo:“Esta rede é uma rede internacional, mas obviamente que se constrói em parceria com as pequenas redes locais, concelhias”.

Na mesma linha de pensamento, Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve (UALg), citou um estudo das Nações Unidas que encara Portugal como um país muto desenvolvido, com um índice de desenvolvimento humano que está no 41.º lugar. Contudo, adiantou, “não podemos estar satisfeitos quando a taxa de pré-escolar é de 85,6%; somos a segunda região do país com a taxa mais baixa no contexto nacional (cuja média é de 86,4%).”

Para Paulo Águas, “temos que estar em permanente desassossego para fazer mais e melhor”. Patrícia Constante, psicóloga no Município de Matosinhos, também um parceiro – Cidade Educadora, trouxe ao colóquio a importância da “Contribuição da Literacia Emergente para o desempenho em leitura no 1º CEB”. A psicóloga divide o projeto “A ver vamos…, criado em 2015, com mais 11 colegas que avaliam a importância da intervenção precoce da literacia emergente e do contexto de oportunidades em que se constitui a educação de infância.

Patrícia Constante atestou que se “observam relações de reciprocidade entre conhecimentos e competências na leitura e na escrita” através de um dos estudos apresentados no qual participaram 117 alunos de Matosinhos, observados em 2007-2008, no Pré-Escolar, e depois em 2011-2012, no 4.º ano.

A intervenção de Sandra Barão Nobre recuou um pouco mais com o painel Ler faz bem… aos Bebés XXS também!”. Depois do projeto de voluntariado inicial criado pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda, em 2016, intitulado “Ler faz bem”, e aplicado no Hospital de St.º António, Porto, a biblioterapeuta desenvolve agora um projeto de leitura na ala de Neonatologia no Centro Materno-Infantil do Norte, no Porto, com pais e bebés prematuros. “Ler para o bebé promove uma sensação de controlo, conforto e normalidade, estabelece uma vinculação efetiva com o bebé, na medida em que ultrapassa a barreira física e psicológica da incubadora ou máquina, que o apoia”, declarou.

Estudos de países como os Estados Unidos, Reino Unido ou Canadá “confirmam que ler em voz alta a bebés prematuros mais de duas vezes por semana tem um impacto positivo no seu desenvolvimento cognitivo, quando avaliada aos 2 anos de idade. Vocaliza sons mais cedo e adquire vocabulário novo com mais facilidade em relação a bebés prematuros a quem não foi lido”, revelou. Os estudos científicos confirmam igualmente os benefícios da leitura para os pais e mesmo para os profissionais de saúde, “que estão a ser treinados para a capacidade de escutar histórias, permitindo-lhes fazer um melhor diagnóstico do doente”.

João Canossa Dias, da Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã (ARCIL), referiu que “as melhores histórias são palcos para a inclusão”. Na sua intervenção: “Livros para a participação, histórias sobre inclusão!” falou da importância de adaptar as histórias. “O livro pode e deve ser um excelente instrumento de inclusão na educação de todas as crianças!”, rematou.

E é em torno das emoções positivas que Lourdes Mata, do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA) intervém. O painel “As emoções na sala de aula – conhecer, reconhecer e gerir para Aprender a Ser” fala da importância das emoções, nomeadamente as emoções de realização. “Porque a criança aprende sempre - a criança nasce para aprender -, mas se puder aprender de uma forma positiva, tanto melhor, e essa aprendizagem positiva deve ser levada também para as aprendizagens escolares”.

“Uma espiral de bem-estar conduz a um melhor funcionamento, logo, a uma melhor aprendizagem e as crianças necessitam de ser apoiadas nesse desenvolvimento emocional”, acrescentou. Afinal, as emoções positivas permitem alargar o enfoque na atenção e desenvolvimento de estratégias muito mais abrangentes e, depois, construir mais competências e crescer mais.

Para a construção deste bem-estar é de elevada importância a relação que a criança estabelece com os seus pares, mas sobretudo com os seus pais. Em Quem tem medo da Parentalidade Positiva?”, Magda Gomes Dias, autora do blog Mum’s the boss”, da obra “Berra-me baixo” e fundadora da Escola Parentalidade e Educação Positivas, falou sobretudo de uma filosofia de respeito mútuo entre pais e filhos.

O conceito assenta em cinco pilares (o respeito mútuo, o vínculo, a parentalidade pró-ativa, a liderança empática e a educação sem punição) e estes têm por base a inteligência emocional, a arte das questões e a comunicação positiva.

Magda Dias reforçou a importância do papel dos limites e regras, lembrando que “a melhor oportunidade de ensinar os miúdos é quando algo corre mal”“O grito, a ameaça, o castigo, a humilhação e a moeda de troca não são parentalidade positiva – apesar de tudo isso funcionar, mas quero acreditar que a maior parte de nós não o quer usar como estratégia”, adiantou.

As boas perguntas, que merecem ser escutadas e exploradas, o pensamento divergente, a Filosofia para Crianças e Jovens foram as temáticas abordadas por Dina Mendonça, do Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa, na conferência Filosofia para Crianças e Jovens: alguns aspetos fundamentais”.

Esta conferência permitiu refletir nos poucos momentos existentes nas escolas para promover e cultivar a pergunta. É preciso ensinar a criança a pensar bem e a colocar boas perguntas. Conversar com perguntas provoca uma espécie de faísca mental”, referiu Dina Mendonça.              

“Quando nos concentramos”, por exemplo, “em não dar as respostas que estão dentro de nós, possibilitamos às pessoas saltos de pensamento que não prevíramos”, refere a docente e investigadora.

“O questionamento cultiva a curiosidade e a esperança”, refere, “mas as perguntas incomodam”. É talvez por este motivo que Dina Mendonça confessa: “conheço as pessoas pelas perguntas que me fazem”.

Modificado emterça, 11 dezembro 2018 12:11

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