Dia: 22 de Mai

António Rocha da Silveira: Um médico obstetra ligado à história de Portimão e dos seus hospitais

 

António Rocha da Silveira foi um médico, ginecologista/obstetra, que viu nascer milhares de pessoas

Chegou a Portimão em 1950, cinco anos após ter completado o curso de medicina e concluído os estudos na área das cirúrgicas na Faculdade de Medicina de Coimbra e no seu Hospital Universitário.

Jornalista: Tony Melo

O Dr. Silveira, como era carinhosa, popular e resumidamente tratado em Portimão e localidades vizinhas, ingressou nos quadros médicos do Hospital da Misericórdia, que funcionava, em 1950, numa ala do edifício da Igreja do Colégio. Recordá-lo é, por um lado, um exercício de gratidão e, de um outro, contribuir para a historiografia de uma unidade hospitalar como foi e, de outra forma, continua a sê-lo, o Hospital da Misericórdia, hoje S. Camilo. É também uma tentativa de enriquecer a história de uma cidade, região e instituição secular que não pode avançar, segura, sem que preste a devida vénia a quem ajudou a formular e fazer a sua história.
Rocha da Silveira foi durante alguns anos, o único médico obstetra na cidade (só nos anos 60 do século passado surgiria a Dr.ª Estela, que, porém, se manteve mais ligada à Saúde Materno Infantil , na denominada Caixa de Previdência) e, por esse motivo, assistiu clinicamente a grande maioria das mulheres em processo de gestação. Mais tarde, apareceram no Hospital de Portimão outros especialistas, nomeadamente os Drs. Lurdes Santos e Paixão Manso.
Pode dizer-se, sem receio de erro, que praticamente todas as pessoas, atualmente com idades entre os 40 e os 60 anos, nasceram sob a vigilância e olhar médico daquele especialista.
Há muitos casos em que pais, filhos e netos, três gerações, tiveram António Rocha da Silveira como médico ao nascerem.
O médico fez parte até 1975 dos quadros daquele hospital, onde foi Diretor Clínico. Estava de serviço 24 sob 24 horas, ao alcance de uma chamada telefónica.
Com a nacionalização do Hospital da Misericórdia, Rocha da Silveira integrou os quadros do Distrital de Portimão, onde ficou como Diretor do Serviço de Obstetrícia. Esteve ainda no Hospital do Barlavento, nas mesmas funções.

 António Rocha da Silveira nasceu em S. Romão, Seia, em 2 de setembro de 1920. Faleceu em Lisboa, para onde se deslocara em busca de alguma solução para um grave problema de saúde que o afetara, em 29 de julho de 1993.

De Portimão, seguiram pessoas, em vários autocarros, para velarem o seu corpo e incorporarem-se no seu funeral.
António Rocha da Silveira tem o seu nome numa rua em Portimão. A sala de partos do Hospital do Barlavento também o ostenta. Faltou, porventura, a doação do seu nome – o que chegou a ser pensado ou, aliás, ficou assente entre quem podia decidir – ao novo hospital de Portimão no Poço Seco.
António Rocha da Silveira, um homem baixo, mas de grande alma, foi alvo de uma homenagem nos anos 90, num jantar na Adega da Torralta, que esteve à pinha. Nessa ocasião, enquanto membro da Comissão Organizadora, chefe de delegação do Correio da Manhã e, sobretudo, como pai de três seres que nasceram sob a sua orientação clínica, estive presente e tive a oportunidade de testemunhar-lhe o meu apreço e respeito.
Se fosse vivo, António Rocha da Silveira faria 99 anos no próximo dia 2 de setembro. Honremos a sua Memória.

Jornalista: Tony Melo 

Foto: António Rocha da Silveira nesta foto ao lado do então presidente Américo Tomás, quando da inauguração do novo hospital da Misericórdia, Arquivo de Notícias de Coração

Modificado emsegunda, 01 abril 2019 11:11

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