João Porfírio, (...) "floresta a arder, ano após ano, há vidas que se perdem, há animais que morrem" Destaque
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Foram hoje anunciados os prémios de fotojornalismo "Estação Imagem" e, com o trabalho "A Imagem do Terror Tem Som", que retrata os incêndios de Monchique do último verão, coube-me o prémio da categoria "Notícias".
Quero, antes de mais, agradecer à minha mãe (bolas, a minha mãe é a maior), aos meus amigos e colegas de profissão e um agradecimento especial a toda a redação do Observado com quem tenho o prazer de trabalhar todos os dias, já lá vão quase dois anos.

Quero aproveitar este prémio para fazer com que este assunto seja novamente falado.
Que estas fotografias sejam novamente vistas. Que este assunto não seja esquecido.
Não pode.
Há milhares de hectares de floresta a arder, ano após ano, há vidas que se perdem, há animais que morrem.

Ano após ano.
E, ano após ano, a situação repete-se. Com aldeias evacuadas, com feridos, com perda de vidas humanas, com animais que morrem, com casas completamente destruídas.
Com vidas destruídas.

Quero que estas fotografias sejam novamente vistas.
E que quem as volte a ver se lembre, nem que seja por uns minutos, do flagelo que ensombra todos os verões em Portugal — e, às vezes, até fora do verão.
Espero nunca mais tirar fotografias parecidas com estas.

É este o objetivo dos prémios, para mim: uma oportunidade de os trabalhos voltarem a serem vistos e de os temas voltarem a ser discutidos.
O jornalismo também é isto: não deixar esquecer.
Obrigado a todos e parabéns a todos os vencedores nas restantes categorias. Que dia bom para o fotojornalismo português.

João Porfírio, fotojornalismo
Galeria fotográficas em baixo
