Dia: 26 de Fev

UMA GAJA DO CARAÇAS Destaque

UMA GAJA DO CARAÇAS

Um novo livro, ainda, não tem título há medida, que for escrevendo da história desenrolando se tal de tempo.

Embora, escreva ficção, costumo afirmar: "Nunca sei acaba a realidade e começa ficção, pelo que, qualquer semelhança com factos, ou pessoas será pura coincidência”.

É, também, uma inédita forma de escrever um livro, o qual, vou tentar seja diário e em permanência com os leitores e amigos.

Informe, desde que 24 dias “Partilhar na tua história”.

 

CAPÍTULO

Naquele princípio de noite de fins de setembro de 2017, as Docas de Faro encontravam-se à pinha, um autêntico mar de gente para receber e ouvir de viva voz o fundador do Partido da Esperança Li­beral (PEL) e conhecerem as figuras do Algarve que alinhavam por esta nova formação partidária.

Dizia-se que seria o comício com mais expetativas, desde a rentrée política do mês de agosto, até porque a célebre rentrée do Pinhal, em Quarteira, foi um fiasco devido aos receios dos protestos e manifestações dos milhares de portugueses em férias na região.

Num palco montado a preceito por uma conhecida empresa de som e luz de Lisboa, o speaker de serviço anunciava para dentro de minutos a chegada do «salvador» da pátria, Miguel Saltos de Athayde (MSA), o líder do novo partido, formado a partir de dissidentes do Partido Sempre Portugal (PSP), do Partido Renovar Portugal (PRP) e ainda do Partido Patriótico Popular (PPP), pelo que o Partido da Esperança Liberal (PEL) tornou-se velozmente num partido pronto a disputar o espaço ocupado pelos ditos partidos e que têm passado sucessivamente pelos governos, e de todos os descontentes com a prestação de Duarte Reboredo à frente do partido «cereja».

Os problemas surgidos com o anunciado pagamento de portagens em todas as SCUTS, o aumento de impostos e as medidas de austeridade, contribuíram para que muitos independentes se afastassem das áreas de influência da oposição chefiada por Antonino Gumersindo, e como tal, também aderiram à formação do PEL.

Do Partido Patriótico Popular (PPP) vieram os antigos seminaristas numa tentativa de deitarem por terra o cada vez mais popular Pompílio Portos.

— Companheiros, companheiros!

— Ai está o homem de quem se fala!

— O líder que vai trazer um novo rumo à política portuguesa!

— Abram alas!

— Deixem-no passar!

— MSA! MSA! MSA!

— O coração, o motor, a inteligência, o querer do PEL.

— PEL! PEL! PEL! — gritava o speaker, de cabelo esguedelhado à direita do palco.

O povo algarvio clamava:

— PEL! PEL! PEL!

— MSA! MSA! MSA!

— Um sucesso o comício — exclamava um militante do partido da «roseira» para outro, certamente, mirones da Federação do Partido Sempre Portugal/Algarve.

Muita gente gira, imensas miúdas bronzeadas pelo sol algarvio que deixa marca todo o ano.

Miguel Saltos de Athayde tinha no rol de admiradores uma grande quota de representantes do sexo feminino. A sua fisionomia de garotão crescido, as madeixas cobreadas no cabelo a lembrar os putos do surf das praias de Sesimbra, Guincho e Arrifana, davam-lhe um ar desprendido, rebelde, ao mesmo tempo arrojado.

Era uma presença diária e semanal nos jornais e revistas sociais.

O povo, nomeadamente as mulheres, gostavam dele.

A atitude política que assumia rondava a simplicidade e acertava em cheio nas mossas do sistema atual, causando boa impressão junto do eleitorado insatisfeito, quiçá à procura de um Messias para o país.

Em frente ao púlpito assentado no palco, Miguel Saltos de Athayde ajeitou o microfone e iniciou o seu discurso. Apenas tinha colocado junto ao tradicional copo com água, uma cábula com algumas notas. Falava de impro­viso dominando as cerca de duas mil pessoas que se juntaram nas Docas de Faro para o ouvir e ver de perto.

Entre a multidão encontravam-se duas esplendorosas mulheres, mãe e filha que mais pareciam irmãs, Bia e Magali, assim se chamavam as duas criaturas, davam quase tanto nas vistas como o líder do PEL. Acompanhadas por um amigo de nome Valenciano, professor do ensino secundário e por mais uma turma de entusiastas do novo partido, não paravam de falar entre elas e gritar em direção ao palco.

Contínua…

João Pina

(Facebook, escrever último livro)

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