Dia: 16 de Jul
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Tribuna do Leitor

Tribuna do Leitor (10)

Mia e o senhor Manuel

 

Crónica: Mia e o senhor Manuel 

Mia é uma gata sphynx, daquelas que custam mil e quinhentos euros e que precisa de cuidados extremos; "a cada dois dias come peito de codorniz, peito de frango e carapau fresco só com um escaldão" seja lá o que isso for, tudo isto "sem sal nem gorduras". "Bebe água de Monchique (pelo seu ph neutro) e do Luso porque ajuda a trabalhar os seus rins". Na higiene os cuidados não abrandam "usa gel de banho recomendado para bebés de foram a manter saudável a gordura da pele".
Assino a Visão por causa das crónicas do Lobo Antunes e aproveito para dar uma vista de olhos pelos diversos artigos e nunca consigo passar das primeiras linhas da crónica do dispensável Araújo Pereira. Retirei da Visão este trabalho sobre animais de estimação e não passo ao parágrafo seguinte sem antes reproduzir mais um dos cuidados a ter com a Mia "e se a gata se cortar, hidrata e cicatriza a ferida com um creme de óxido de zinco, óleo de coco ou vitamina A." No relato acrescenta-se "uma bolinha de croché com um guizo e umas vitaminas com taurina para fortalecer a vista e o coração de Mia."

Há dois anos Manuel bateu-me à porta e pediu para alugar um quarto numa casa que tenho disponível. Manuel tem 70 anos, na altura andava a tratar da reforma e trabalha num restaurante ali perto como grelhador. Percebia-se que a saúde o atormentava, arrastava o andar como se estivesse acorrentado ao peso dos anos somados de disparates. Percebia-se que já tinha alguns problemas de senilidade. O tempo passou e poucas vezes nos vimos, mesmo para pagar a renda o senhor Manuel entregava o envelope no vizinho que sabia ser meu amigo. Uma anormalidade já que nunca me pediu autorização para o fazer. Também nunca lhe disse nada. Nunca falhou com o envelope, às vezes engana-se nas contas e faço vista grossa nada lhe dizendo e por vezes até tenho vontade de lhe devolver o restante. O quarto que na altura lhe mostrei, sinceramente, era para ele recusar, mas não recusou. Nem janelas tinha e anteriormente servia-me de armazém. Disse que sim, insistiu que lhe servia na perfeição. Mandei pintar o quarto, coloquei uma mobília e até uma televisão. Era o mínimo que podia fazer mesmo sabendo que nada exigiria.

Com visíveis dificuldades cognitivas raramente se lembra de desligar o esquentador e tanto teimou com a maquina de lavar que acabei por ter de comprar uma nova. Por vezes pago a alguém para limpar o resto da casa e aproveito para pedir para não se esquecerem do quarto do senhor Manuel que é pouco dado a cumprir a responsabilidade de manter o quarto limpo.
Há uns meses atrás precisei de resolver uns problemas na casa e era preciso aceder ao quarto do senhor Manuel mesmo que nunca feche a porta do quarto peço sempre autorização para entrar no quarto. Não o encontrava em lado nenhum, até que soube que duas semanas antes tinha se sentido mal e tinha ido de ambulância para o hospital; "Uma pneumonia" afiançavam, mas ao certo ninguém sabia de nada. Fiz uns telefonemas e lá descobri que o senhor Manuel estava internado com um ...AVC".
Cinquenta quilómetros depois fui encontrá-lo com o melhor aspecto que alguma lhe tinha visto e nada de novo lhe encontrei, estava mesmo na melhor forma de sempre.

Ficou surpreendido por me ver ali, até os olhos brilharam e mal disfarçou uma lágrima. Três semanas internado e nenhuma visita. Nem a morada certa tinha dado, estava lá a mais recente que se lembrava. Preocupado com o pagamento da renda que nem se lembrava que estava ainda em dia, disse-me na segunda vez que lá fui; "Vamos ao banco para eu levantar dinheiro para lhe pagar a renda". Disse-lhe que isso não interessava nada o que era preciso era que recuperasse bem. Dele nada sabia a não ser algumas coisas que verbalizava "Fui fotografo", mais tarde soube que tinha tido um restaurante em Lisboa, daqueles bem frequentados por politicos e desportistas. As coisas tinham corrido mal e o abismo onde caiu levou-o até aquele quarto, tendo no bolso uma reforma de pouco mais de quatrocentos euros. Fuma e não sei como faz para comer. Durante algum tempo ia a uma associação buscar comida, depois deixei de ver as caixas de plástico onde trazia a comida.

Descobri que tem sete filhos, mas não sabe deles, e dos nomes lembra-se do da filha mais velha e baralha-se com outros dois cuja memória ainda retêm um pormenor "Foram os gémeos do ano de 1969". Deduzi que devem ter sido os primeiros bebés do ano. O paradeiro deles é que nem sombra e nem se mostra decepcionado "Tive três mulheres e não fui assim grande coisa como marido e como pai, não me sinto à vontade para os procurar". Claro que esta frase não é original, é composta de algumas palavras em resposta a outras tantas perguntas e resumida para melhor se entender.

Daquela unidade foi para outra, noutra cidade. Ali já estava fora da cama e numa das visitas convenceu-se que o ia buscar para o levar para casa. Mas não, ainda tinha uma viagem grande para fazer, mas deixei a promessa de o vir buscar no dia em que tivesse alta. Uns tempos depois um telefonema do hospital "Por acaso sabe do senhor Manuel?", o senhor Manuel tinha desaparecido. Não sei bem como mas apareceu no café ao lado da casa, pediu uma tosta mista, uma meia de leite e pouco minutos depois já estava no chão à espera da ambulância.
Regressou à unidade de avc do Hospital e lá ficou à espera da alta e da boleia no dia aprazado. Por alguma razão o hospital decidiu encurtar o prazo e como estava a trezentos de distância, enfiaram-no numa ambulância e deixaram-no à porta de casa.
Antes, numa das visitas, a assistente social dizia "O que é normal é o senhorio aparecer aqui com os pertences a informar que já alugou a casa a outra pessoa".

Dois meses depois regressou a casa, antes o quarto tinha sido limpo, os trinta quilos de roupa que compõe o seu espólio, lavados, engomados e arrumados e os papeis e fotografias que lhe restam de uma vida colocados num dossier.
Regressou também o hábito de fumar só que desta vez resolveu contrariar a regra de não se fumar dentro de casa. No bolso uma maço de notas que tinha ido ao banco levantar todo o saldo acumulado naqueles meses de internamento. A desorientação era visível como era a compreensão do que se passava com ele. No dia seguinte encontrei-o na esplanada do café a comer um bife com batatas fritas e ovo a cavalo, ao lado uma de três imperiais que pediu para empurrar aquele monte de comida.

Do hospital vinha com uma receita, trinta euros mensais de comprimidos para várias maleitas, fui à farmácia aviar a receita, passei por uma drogaria para comprar uma daquelas caixas de plástico "Manhã, Almoço, Jantar" e coloquei os comprimidos em ordem. Uns dias depois percebi o caos e o mais certo era o senhor Manuel apanhar uma overdose se persistisse nesta ideia.

Que fazer?! Contactada uma associação da zona, percebi que não há vagas e a lista de espera é enorme. Decidiu-se pelo centro de dia, vão buscá-lo, toma banho, lavam a roupa, dão-lhe de comer e os comprimidos e ao fim do mês sobra-lhe um euro e mais alguns cêntimos. Por sorte os funcionários são suficiente humanos e aceitaram uma cópia da chave de casa e lá o vão acordar e ajudá-lo a vestir e ao regresso abrem-lhe a porta. A Câmara Municipal oferece os comprimidos e um subsidio de renda através de uma fórmula que tem mais para dar errado do que certo sendo que o certo arredonda a coisa para lhe sobrar por volta dos quarenta euros. Entretanto começou a usar fralda e como nunca se lembra do meu nome chama-me "Patrão" que lhe parece apropriado. As fraldas são dispensadas pela pela associação, só não sei até quando. A autoridade tributária reclama mais de novecentos euros de IRS que nem sei como é que ele o preencheu. Deve ter sido algum automatismo do sistema. O que vale é anda com o saldo da conta bancária no bolso. Para o tabaco é não encontrei patrocinador.

O senhor Manuel pode ficar no quarto enquanto precisar, não devia era de precisar. Percebo perfeitamente que haja quem opte por gastar mil e quinhentos euros numa gata sphynx e lhe dê peitos de codorniz, carapaus só com um escaldão e vitaminas com taurina.

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"Bruno de Carvalho não se demite. A crise no Sporting continua. A selecção já está na Rússia"

Bruno de Carvalho não se demite.
A crise no Sporting continua.
A selecção já está na Rússia

"By Fanan"

Cristiano Ronaldo voltou para trás e deu um abraço num miúdo
Bruno de Carvalho vai processar os jogadores.
Marcelo deu banho no mar dos Açores.
Hoje é o primeiro treino da selecção na Rússia
Os moços da Juveleo continuam presos.
Não vai haver Assembleia Geral no Sporting.
Vai haver Assembleia Geral no Sporting. 
A selecção já está na Rússia.
Bruno de Carvalho não se demite.
A advogada do Fernando Mendes é do Porto.

O que vale é que chove todos os dias.
Se que houvesse incêndios, teriam de abrir mais três canais de televisão para arranjarem espaço para essas noticias. Finalmente um governo com um plano para acabar com os incêndios. Custa mais 47% em ajustes directos mas pelo menos inclui chuva dia sim, dia não…

A única notícia que deve ser mentira é que Costa teve um almoço com Vítor Gaspar e diz que não há dinheiro. Deve ter apanhado o vírus, ou pior , acordou.

As greves passam em rodapé sem qualquer destaque, afinal Passos Coelho já não é primeiro-ministro. 
Bruno de carvalho não se demite.
A selecção já está na Rússia...

As televisões andam a contratar comentadores desportivos nas empresas de trabalho temporário para cobrir tanta bola...

Uma miséria franciscana. Já nem se vê o Papa.

Fernando Santos

"By Fanan" Revista da semana

 

 

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A dez à hora

(…) “Sócrates será absolvido mas o PS quer mata-lo politicamente para que não aconteça (…).

Paulo Leote E Brito

1 - O primeiro-ministro António Costa diz sobre Pinho e Sócrates que "Se estas ilegalidades vierem a confirmar-se serão certamente uma desonra para a nossa democracia".

2- O líder da Geringonça demarca-se assim em definitivo do seu ex-amigo e antigo líder do partido a que agora preside. Numa forma que tresanda a deslealdade.

3- Nem sequer evoca o "deixamos a justiça trabalhar" ou um compreensível "esperemos pelo trânsito em julgado." 

4- António Costa enterra o político Sócrates de forma definitiva, mesmo que venha a ser absolvido, Costa já fez o seu julgamento e condenou o seu ex-colega a uma sentença de morte política.

5- Carlos César que tem imensos telhados de vidro e que tanto tem passado pelos intervalos da chuva armou-se em virgem ofendida e aparece a exemplificar quanto nojento é o "balneario" da política nacional.

6- Mais vozes se têm feito ouvir o que demonstra a concertação para "limpar" podridão intelectual que grassa no partido socialista.

7- Mas...E este "mas" incomoda-me mais do que gostaria, incomoda-me e sobretudo preocupa-me, mais a mais porque não vi ninguém pegar na segunda parte das declarações do primeiro-ministro a respeito de Sócrates.

8- Costa diz só isto: "Mas se não vierem a confirmar-se (as acusações contra Sócrates) é a demonstração que o nosso sistema de justiça funciona"

9- Ou seja se as acusações resultarem na condenação de Sócrates isso significará que o nosso sistema de justiça não funciona?! Que raio quis Costa dizer com isto?

10 - Primeira leitura que faço é que Sócrates será absolvido mas o PS quer mata-lo politicamente para que não aconteça o mesmo que aconteceu com Isaltino Morais que ao pé de Sócrates não passa de um menino de coro. Vivemos o período mais imoral da muito imoral história da política nacional que já nem sequer encontra paralelo no conturbado período da primeira república.

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A humanidade a transformar-se em pó e as cinzas chagam mais longe em dia de vento

Paulo Leote e Brito, homem do futebol, jornalista/repórter meio aposentado, conversador nato e contador de histórias vividas, quando está bem-disposto e sem sono escreve como só ele sabe e com a mestria de seduzir os leitores. Dito isto, leiam mais duas crónicas à laia de desabafos

Por Paulo Leote e Brito

A humanidade a transformar-se em pó

Viver a vida rodeado de flores e amor, seja lá o que isso for, não é viver. Também não é sobreviver.

É sonhar! É um suporte de vida dourado.

Não sei se existe e se existe o mais parecido que encontro para comparar é a Paris Hilton e sucedâneos.

Nomeio a rapariga, confesso, por preguiça, foi o primeiro nome que me veio à cabeça, exactamente para recusar a ideia de que viver bem é viver de flores e amor, seja lá o que isso for.

Não faço balanços prolongados e muito menos definitivos de vida mas há coisas a que me vou chegando como quem burila um diamante que é isso que a vida é; um diamante em bruto para ser burilado.

Li no meio de muitas leituras um pequeno texto de alguém que não retive o nome, que por sua vez estava a ser citado por outra pessoa e que se referia às leis que a esquerda vai impondo por falta de assunto e que a carneirada que também não tem assunto, se encarrega de tomar como sua qualquer idiotice sugerida.

É óbvio que há coisas que faz sentido falar delas, mas que devem ser discutidas e encaixadas nas prioridades que a sociedade reclama, não prioridades que alguns membros egocêntricos da sociedade reclamam.

Digo egocêntricos, como podia nomear outra patologia, porque é de patologias que falo.

Voltando ao início deste amontoado de palavras, para dizer que a minha vida, como a da maior parte das pessoas, não é um monte de flores nem tão pouco uma barriga cheia de amor, seja lá o que isso for.

Ontem ouvi um desabafo de alguém que passa a vida a ser mensageiro de más novas; "tenho um familiar em coma há 12 anos, já gastei, eu e meus irmãos e irmãs, para cima de 200 mil euros", sem mais detalhes, concluímos que a invocação do lado material é uma forma de dar força ao lado racional que é o de desligar a máquina, o familiar com 92 anos já terminou há 12 o seu ciclo de vida.

Há quatro dias, estacionado na sala de espera de um hospital escutei uma conversa "...foi despejada e com a roupa que tinha no corpo..." interrompi a leitura que fazia, sem mexer uma pestana, e estava a remoer o que acabara de ouvir, que é já um quadro costumeiro nos dias que correm, quando outra frase me paralisou ainda mais "...por isso é que não veio hoje ao hospital fazer as análises ao bebé...". Percebi que um mensageiro de más novas tinha acabado de expulsar uma jovem, com a roupa que tinha no corpo e um bebé nos braços.

Por outro lado, há uns anos atrás conheci uma jovem que mesmo avisada e "reavisada" teimou num comportamento que a condenou a uma vida errática que descambou em drogas, prostituição, filhos de vários parceiros a crescer em instituições e não, não se pense que era filha de gente modesta e de pouca instrução que é como quem diz, gente que passa o dia a comer batata frita de pacote e cuja conversa tem somente capacidade para resumir uma telenovela ou duas e um big brother ou casa dos segredos, seja lá que trampa estejam a agora a passar na televisão.

Se esta crónica fosse um romance, o mensageiro de más novas seria o mesmo da familiar em coma que expulsou de casa a miúda dos (re)avisada com um bebé ao colo e não faço ideia se o romance acabaria num drama ou se teria um final feliz.

O que sei é que a vida me tem trazido tantos dissabores como momentos de alegria. Muitos dos momentos de alegria resultaram da forma como enfrentei e resolvi os dissabores que acho que assim é que deve ser.

Tendo a afastar-me dos eufóricos para não os contaminar com a minha força da gravidade que me empurra os pés para solo seguro, mas sou intolerante para com as vitimas como forma de ser e estar, porque essa é uma contaminação que se propaga pela mente e corpo até definhar todo e qualquer relacionamento.

Esquartejava eu a esquerda, como de costume, uns parágrafos lá mais atrás quando a mão resolveu por si desviar-me do caminho.

Peço desculpa, não por isto da mão, mas à esquerda, por vezes deixo-me guiar pelas emoções e elas são fruto da minha experiência de vida.

É sempre a esquerda, irrequieta, imatura, adolescente, rebelde, e todos sabemos que os adolescentes rebeldes podem estar a maturar uma doença mental, mas dizia, porque é que é sempre a esquerda a lutar por direitos que parecem ser do senso comum e exercidos pelas pessoas de direita, também apetece dizer, seja lá o que isso for, porque, muitas vezes, educação e formação cheiram a conservadorismo. Mas escrevia eu, as minhas emoções são fruto da minha experiência de vida, e a forma como reajo perante a sociedade é um reflexo disso mesmo.

Tudo isto para regressar ao tema que li, cujo autor não me lembro, que interpelava a inteligência de quem o lê colocando algumas questões, já não sei se era ele que as colocava, ou se foi a minha interpretação que o fez, apontando o exemplo de que se uma pessoa abandonar um idoso, incontinente, incapaz entre outras surpresas que a vida nos oferece, à porta do hospital, se o fizer nada de criminoso lhes é apontado. Mas se fizer o mesmo a um cão...

Não escrevo mais nada que este espaço é curto e desaconselhável para textos longos.

Também não tenho nada para dizer, isto sou eu a pensar e a mão, sempre a mão, toma conta do pensamento e os dois cozinham estas coisas cheias de letras. Eu leio e ao ler produzo mais pensamento e o pensamento pega na mão e lá vão eles... Até que há um momento que digo; Basta.

Então, o pensamento e as mãos vão fazer outra coisa qualquer.

Escrito por Paulo Leote e Brito em 10.02.2012

 

As cinzas chagam mais longe em dia de vento

Ontem cheguei tarde a casa.

Sem saber onde deixei o sono, que é coisa rara.

Não sei se deva preocupar-me, por não saber onde coloquei o sono.

Ainda não tenho idade para me esquecer assim das coisas, às vezes não sei onde estão os óculos que uso para ler o Correio da Manhã ou as chaves de casa, mas isso é mais porque a minha mulher tem a mania de limpar a credência e acha que as chaves ficam melhor no chaveiro.

Eu não, dá-me mais jeito assim, abro a porta e ponho logo as chaves em cima da credência.

A minha mulher diz que risca o mármore, que é uma credência com um tampo de mármore importado, veio das colónias, a minha mulher é retornada que era assim que se chamavam os portugueses que tinha ido lá para a terra dos pretos para os explorar e depois quando a devolveram aos donos legítimos tiverem de retornar.

Não sei bem se é retornar, a minha mulher é de Casal de Cambra e eles retornaram para Loures que era terra que nunca antes tinham visto.
Falava das chaves, não era?!

Pois, ela embirra com as chaves em cima da credência de mármore importado que os pais trouxeram de África, porque pode riscar, e leva aquilo muito a peito, mesmo que eu ponha sempre as chaves em cima no naperon que a mãe dela, ou a avó, não me lembro ao certo qual, bordou que como era do enxoval não ficava bem não o usar e sempre protege o mármore importado do pó.

Protege do pó e não protege das chaves, diz ela, por causa dos buracos do naperon. Já lhe disse que o mármore gasta-se mais com as polidelas que ela lhe dá, pelo menos uma vez por dia, do que o pó as chaves e a correspondência, que é ela sempre que recebe o correio mas diz que o papel não risca.
Já não me lembro do que queria dizer.

Ando assim, mais esquecido, mas todos dizem para não me preocupar, pode ter sido por causa de me ter reformado recentemente.

Não que eu quisesse, mas a empresa mudou de dono, e uns meses depois o novo proprietário disse que para não ter que fechar o negócio tinha que despedir o pessoal mais velho e eu que entrei como aprendiz aos 12 anos, era dos mais velhos, só o Carlos dos Anzóis é que estava lá há mais tempo.

Fui dos primeiros a ser dispensado. “Você já trabalhou muito, aproveita para desfrutar, ainda é novo pode ir fazer as coisas que gosta, fica com mais tempo para a família”, eu ainda pensei dizer-lhe que agora já não precisava de tempo para a família que os filhos já estavam na vida deles e só apareciam aos domingos e nos dias de aniversário, mas nunca fui de conflitos e calei-me. Aceitei a decisão e cá estou. Ainda urino bem, sem ser às pinguinhas, como o coitado do Rodolfo, vou sempre à mesma hora à casa de banho, sinto-me bem, os filhos estão na vida deles, vêm sempre comer o cozido aos domingos mas não trazem netos porque ainda não têm filhos. Às vezes sou assim, digo umas coisas com graça, lá nas oficinas riam-se muito das coisas que eu contava, diziam sempre o “Florival é fino e atento”.
Posso dizer que sou feliz, a casinha está paga, faltavam ainda umas prestações, mas com a indemnização pagamos logo tudo. Deu também para comprar uma máquina costura nova que a minha mulher faz uns arranjos em roupas, uma televisão, destas novas muito magrinhas e fomos a três excursões; a Fátima, a Sevilha e ao Algarve.

A Fátima fomos também ver as grutas de Serra D’Aire.

Planeamos fazer mais excursões, mas a minha mulher tem sempre umas costuras para fazer, felizmente trabalho não lhe falta e sempre dá para acomodar as poupanças.

Já me disse que se eu quisesse podia ir que ela ficava bem. Mas não acho bem deixá-la sozinha e eu também não gosto muito de andar aí a passear sem ela.
Ontem fui a um jantar com os amigos da sueca, fazemos sempre todos os anos um jantar, voltei tarde, deixei as chaves em cima do naperon que cobre o mármore importado da credência e fui até à sala, agarrei no comando da televisão magrinha e andei a pular canais sem saber o que fiz ao sono que desapareceu por completo. Depois fiquei um bocadinho a pensar no que tinha comido e bebido para ver se descobria o mistério do sono desaparecido, foi quando percebi o que tinha acontecido ao sono; o malandro, fugiu com o café que tomei.

Está o mistério resolvido, agora é esperar que o café se aborreça com o sono e o mande de volta para mim.

Às vezes digo coisas com graça, já na oficina o pessoal ria-se destas coisas.

Acho que tenho algum jeito para dizer graças.

Escrito por Paulo Leote e Brito em 11.02.2012

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“O Centeno pediu bilhetes para a ir à Bola ou foi convidado pela direcção do Benfica a assistir a um jogo de futebol? (…)”, pergunta Paulo Leote e Brito no seu “Dez à hora”

“Tal como o porreiraço do primeiro-ministro não pode dizer que se Centeno "pediu era porque certamente tinha boas razões para o fazer". 

Paulo Leote e Brito

1 - O Centeno pediu bilhetes para a ir à Bola ou foi convidado pela direcção do Benfica a assistir a um jogo de futebol?
2 - Se pediu, pediu a quem, à secretária "Oh Balsemina, arranje-me lá uns bilhetes que me apetece ir ver o Benfica" e a rapariga viu-se aflita para os arranjar e ou comprava no mercado negro ou pedia a alguém do Benfica.
3 - Ou o ministro ligou directamente para o presidente do Benfica provavelmente porque já o conhece desde os tempos em que ia meter pneus novos no carro.
4 - Parece-me cordial que os clubes convidem alguns governantes a assistir a um jogo. Presidente da CM Lisboa, presidente da república, primeiro-ministro, presidente da assembleia, presidente da junta de freguesia e de repente não me lembro de mais ninguém "convidável".
5 - Há muitos anos, esta história passa-se logo a seguir à revolução, havia uma porta no estádio da Luz por onde entravam todos os que tinham algum cartão que lhes desse acesso livre ao estádio.
6 - Estava na fila para entrar, era um derby isso também me lembro, quando oiço um senhor que estava à minha frente a esclarecer o sempre feroz porteiro "Eu sou ministro!" Eu sou ministro!" "Eu sou ministro!". Lá entrou o ministro, com o porteiro com cara de não o conhecer de lago algum, mas a não querer arranjar problema caso o homem fosse mesmo ministro. E era, era o Vítor Alves e não me parece que fosse dos medíocres, antes pelo contrário. 
7- Na mesma porta, uns anos mais tarde vi o Coluna a ser barrado na mesma porta, já era homenzinho e não me contive "mas o senhor não vê que é o senhor Coluna?", meio atarantado, o porteiro só repetia que não tinha creditação e ele não tinha ordens para deixar quem não a tivesse. Alguém que também o reconheceu levou-o para a porta por onde entravam os jogadores e lá as coisas ganharam rumo mais digno para a velha glória benfiquista.
8 - Estas duas histórias, talvez com 15 anos de diferença a que se soma esta do ministro das finanças a pedinchar uma borla ao presidente do Benfica merecem-me bastante reflexão.
9 - A primeira é que os tempos mudaram, e definitivamente, vivemos a época da pouca-vergonha instalada e é altura de relembrar que "à mulher de César não basta ser honesta, tem também de o parecer". Tal como o porreiraço do primeiro-ministro não pode dizer que se Centeno "pediu era porque certamente tinha boas razões para o fazer". 
10 - Incomoda-me a invasão de privacidade, mas também sou da opinião de que havendo interesses superiores se deve denunciar punindo quem deve ser punido. Porque se houve vantagens tiradas nesta ligação, pelo filho do presidente do Benfica então temos de saber a verdade. E já agora saber a razão do perdão à Brisa, EDP, Galp e sabe-se lá mais quem.

(…) “Propunha para avaliação, para além do Sócrates, o Arménio da CGTP mais o do Sindicato dos professores” (…).

1 - Se existissem exames psiquiátricos para determinar e avaliar a possibilidade de algumas pessoas poderem desempenhar tarefas como as de primeiro-ministro ou treinador de futebol desconfio que havia alguns partidos e clubes de futebol que teriam de procurar outros líderes.
2 - Nos Estados Unidos da América vários especialistas são convidados a dar opinião ou até mesmo a escreverem diagnósticos sobre o presidente Trump.
3 - Tenho duas perspectivas antagónicas, uma que me leva a pensar sobre por que raios de ética se regulam os cientistas que concluem que Trump sofre de um transtorno de personalidade conhecido por narcisismo. A outra é que têm toda a razão.
4 - Há muito que pergunto no meu restrito círculo de amigos o porquê de nenhum órgão de comunicação social se ter lembrado de convidar psiquiatras a comentar a personalidade evidentemente transtornada de, por exemplo, José Sócrates.
5 - Ou será que a Ordem não lhes permite fazer diagnósticos públicos.
6 - Se assim for muito bem, mas que fariam um excelente e útil serviço público não tenho nenhuma dúvida.
7- Contudo, nos tempos em que ainda via televisão, ouvi um médico especialista avançar, cautelosamente diga-se. Com um diagnóstico sobre um suspeito de vários assassinatos.
8 - Garanto que voltava a ver televisão se um especialista em psiquiatria fosse convidado por uma televisão e aceitasse, claro, para fazer avaliações de carácter e diagnósticos sobre algumas figuras públicas que intoxicam a vida pública deste país de... Loucos!
9 - Propunha para avaliação, para além do Sócrates, o Arménio da CGTP mais o do Sindicato dos professores, o Duarte Lima, o Salgado, o Zenial Bava, o Bruno de Carvalho, o Sérgio Conceição, o merdas do Quadros, o Castelo Branco e mais uma mão cheia que me escuso de nomear.
10 - De fora deixei os casos de óbvia senilidade ou simples estupidez. Sejam livres de apresentar mais nomes e tentem não confundir pessoas sérias e honestas imbuídas de valores em desuso com(o) pessoas com transtornos de personalidade.

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Não é só em Berlim que habitam muros

 

Há vezes que são duas. Nunca mais do que três. Geralmente é uma, só uma. Uma pessoa é habitada por muitas vidas.

Por Paulo Leote e Brito

Quantas vidas são precisas para se fazer uma pessoa.

E quantas pessoas podem caber numa vida.

Não pontuo estas interrogações.

Há perguntas enfermas de resposta.

Passo a barreira, aquilo não é uma barreira.

Aquilo é um muro, um muro vigiado, um muro alto, vigiado e espesso.

Do lado de lá é que está tudo o que interessa saber.

Interessa-me a mim que sou curioso e gosto de saber o que está por detrás dos muros.

Sabe-se que não é coisa boa.

Sempre desconfiei de pessoas vestidas de gabardine.

Ou que andam com óculos escuros.

E pessoas que nunca tiram o chapéu e usam barba. 
Acho sempre que do lado de lá dos muros andam pessoas nuas.

Nuas e tristes.

As pessoas que habitam desse lado e que andam nuas e tristes nunca se deixam abraçar. 
Os gordos usam roupa larga.

Se um magro usar roupa larga toda a gente o escarnece.

As mulheres que são surpreendidas pelo envelhecer usam lenços na cabeça e óculos enormes nos olhos.

As vezes não temos tempo que chegue para preencher a criança que somos e a velhice apanha-nos desprevenidos.

A morte reclama a presença dos vivos, mas nunca nos quer vivos.

Os hospícios são habitados por excedentes cuja liberdade não é compreendida.

Os sem-abrigo habitam no purgatório ou são também excedentes de uma sociedade que não tem clubes privativos que cheguem para albergar tanta gente.

Em Florença cruzei-me com um espanhol que anda pela europa a dar abraços grátis. Aceitei claro.

Ao seu lado estive dez minutos a roubar-lhe a ocupação.

Frustrante, nem um consegui dar.

Passa-se algo errado com os meus abraços.

Vou comprar um martelo e vou derrubar o meu muro.

Ficarei nu mas livre, não estarei triste e não tenho medo nem do desabrigo nem do hospício.

Só sei que aprendi a não gostar de muros.

Vou tratar do meu e desistir de derrubar muros alheios.

(em memória das madalenas irlandesas).

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As minhas apoquentações…

Encarando os dias de vivência sem fazer conta à duração do passado, concluo que tenho existido em prestações, vezes sem tenteio a sorrir, como outras a lacrimejar, temporadas a comer em hotéis estrelados, casinos do pecado, albergarias de luxo, mulheres amores de sonho, namoradas com dor de corno, quadras temporais de cliente assíduo de tabernas e tascas com minis e tremoços, tudo numa mescla a dormir de dia, de noite e às horas desencontradas com recebimentos e pagamentos faseados com juros altos e baixos. Homem de mil amigos, também, inimigos invejosos, ontem e hoje, consciente e usurário a tempo inteiro da liberdade de viver ao “meu modo”.

João Pina

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4. 408

Na tarde sombria de um pinheiro centenário, albergueiro de sardinhada salina com batata e orégãos à montanheira em tarde de veraneio, bem molhada com vinhaça e oriundos de medronheiros de Monchique e, consecutivo passaporte de regresso ao aconchego da tarde para a sesta das horas calorentas, aterro no mundo dos sonhos, acaso, apoquentações da alma.

Enquanto, repouso em horários ilustres vagueando pela meia-luz da noite, acordo quando devia dormir.

E, eis que, embuchado no amigo sofá, caibo no enredo de fitas cinematográficas de putas, traficantes e agiotas de fusca deitada na mão, extorquindo o pão de cada dia aos avariados do sistema em vigor na sociedade do século XXI.

Na hora de acordar, como bom cidadão que, ainda vota em dias de eleições do faz de conta desta democracia tirana e mercadejada, memoro o meu “25 de abril” de cravo vermelho na mão de braço alçado na direção da utopia de felicidade de ser livre, adormeço, para três ou quatro horas de, pelo menos, sonhar que a geração do meu sobrinho Jerónimo e da “mulher amor da sua vida” não tenham pesadelos como eu, pobre rico de espírito” e os amigos do meu tempo transportamos às costas.

Armação de Pêra, 13 de agosto de 2017

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Os bufos engraxadores viram assessores especialistas para pular para vices e depois judas presidentes

Qualquer dia, a Assembleia da República legisla uma velhíssima e clandestina profissão, para que passe a constar nos currículos a apresentar nos recursos humanos das empresas e nos concursos públicos para a função pública.

João Pina

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4. 408

Qualquer dia, a Assembleia da República legisla uma velhíssima e clandestina profissão, para que passe a constar nos currículos a apresentar nos recursos humanos das empresas e nos concursos públicos para a função pública.

O embaraço será designar o nome de uma das mais antigas profissões do mundo, atenção, não me refiro às prostitutas (os), mas sim aos conhecidos bufos engraxadores e democraticamente, "jobs for the boys".

Os bufos ou lambe botas graxistas de merda não passam de moços de recados de presidentes de clubes desportivos, de administradores de empresas, diretores gerais e gerentes de importantes firmas.

Os engraxadores são aqueles que estão sempre prontos para ir comprar um maço de tabaco, lavar o carro do boss, levar e ir buscar os filhos ao colégio, enfim, serem os lacaios de serviço e fora de horas.

É, óbvio, que começam por contar o negativismo acerca dos ditos e que se passa nas empresas, instituições e organismos de negativo, deixando os colegas de trabalho em maus lençóis.

Ao longo da vida dei com muitos berdamerdas a bajularem-me, dando-me graxa e palmadinhas nas costas e por detrás criticarem-me - só queriam promoção - e subir na vida através do que eventualmente poderia publicar, promovendo-os, aliás, muitos queriam pagar e bem.

De mim, esses filhos da puta, a maior parte políticos autarcas da região não levaram nada.

Porém, outros corruptos mercenários do jornalismo foram no conto do vigário, fartaram-se de escrever aldrabices, tais políticos foram eleitos, todos ganharam muito dinheiro e, eu fodi-me, fiquei com a minha consciência limpa, tranquila e tesa... Mas, nunca me arrependi.

Olho à minha volta e observo gajos a lamber o cú a presidentes de clubes, que qualquer dia viram a treinadores principais e num futuro próximo escavam no chefe e traiçoeiramente denegriam-lhes a imagem, apunhalando-os pelas costas sucedendo-lhes na cadeira do poder.

Cada dia que passa, mais esta corja de bufos crápulas sobem na vida atropelando uns e outros e, a porra da sociedade civil adota-os, até por que os figurões endinheirados também se iniciaram na vida dos negócios e da política como engraxadores lambe cús bufos de merda.

Retrato à la minute do mundo que me rodeia e, talvez eu é que esteja a mais, aliás, tenha vivido e convivido com o lado marginal da sociedade democrática sem me deixar contagiar pelo facilitismo desta bandidagem…

João Pina

8.07.2017, pelas 22,55 horas

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Já morreram 64 pessoas e 136 feridos. “TODOS OS ANOS, entre junho e agosto, é sabido que rebenta a época dos fogos

“TODOS OS ANOS, entre junho e agosto, é sabido que rebenta a época dos fogos e há que dar trabalho aos jornalistas, como que castigados voam para as serras atrás dos bombeiros sacrificados, para reportar as tragédias do verão – só que este ano já morreram 64 pessoas e 136 feridos que estavam no sítio errado à hora errada – e, então, a notícia virou tragédia mundial e o país banhado em lágrimas hipócritas quase que festeja como se tratasse de um feito para o Guiness book”.

Por João Pina

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

Nestes dias que marcam o fim da primavera e anunciam o início de mais um verão; tempo de excessos quentes e, que não são propriamente ditos mais um verão, mas, também, mais uma época de incêndios.

De grandes fogos, de dias e noites pelas noites adentro em que as televisões nos encharcam de reportagens de serras cheias de mato, pinheiros, eucaliptos, casas, palheiros a desaparecer entre barrotes queimados da mesma forma como os vendilhões da ocasião encharcam os fregueses de patranhas e desculpas escabrosas.

São os faustosos dias da democracia fascista, desta democracia de m**da em que os políticos de direita, de esquerda, do centro e dos blocos do faz de conta, que depois de baralhadas as cartas parciais todos acordam de que descordar não leva a lado nenhum e que votos mais votos vai tudo dar aos mesmos tachos da repartição milionária dos fundos da EU, que maioritariamente não vão para os seus bolsos, mas sim, para as contas em Offshore espalhadas pelos paraísos da roubalheira. 
E, nestes dias de verão de 40 graus à sombra, em que já morreram 64 pessoas queimadas em comunhão de gritos com cães, gatos, vacas, ovelhas, cabras e outros animais amigos, mas, também abandonadas à negligência humana a meias com a estupidez da mentalidade de alguns políticos que só sabem olhar para as suas barrigas ciosas de dinheiro fácil.
Rebobino a fita do tempo num regresso de épocas idas em que existiam centenas de Guardas Florestais, Guardas Rios, Cantoneiros, que a par de GNR, Guardas-fiscais, PSPs. Polícias de Viação e Trânsito, Funcionários da Alfândega, da Carris, Bombeiros e, também, os famigerdos PIDEs e, que eram os braços armados dos sistemas da "velha senhora", igualmente, guardadores das florestas, das ribeiras e dos rios.

A diferença de 43 anos e de mentalidade entre os outros senhores e os de hoje é, que, se antigamente havia cambalhaços podres, hoje há corrupção viva; se nos outros tempos aos ministros não lhes faltava nada; hoje os ministros de uma forma geral, há sempre exceções, ficam milionários num simples mandato, mas não são só os ministros, mas sim e também, a cambada de bajuladores de secretários, assessores todos enriquecem como fios condutores da corrupção ativa. 

Os fogos são um grande negócio, assim, como os do papel que até fazem dólares falsos aos milhares, aos milhões de euros – o papel - que vem dos pinheiros e dos eucaliptos mal ardidos – o negócio dos canadairs, aeronaves de combate a incêndios são um grandioso negócio de notas de mil transformadas em milhares de euros por dia a lançar água mal despejada que nem insetos mata quanto mais apagar fogos e, tudo por falta de vigilantes e manutenção no tratamento das florestas plantadas para arder, uma vez que sem guardas florestais que tiveram de abandonar as casas fortes ao fogo e ir para o desemprego por extinção dos postos de trabalho programado pelos sabichões do tempo dos doutores da classe política/treta/mercenária.

Todos os anos, entre junho e agosto, é sabido que rebenta a época dos fogos e há que dar trabalho aos jornalistas como que castigados voam para as serras atrás dos bombeiros para reportar as tragédias do verão – só que este ano já morreram 64 e 136 feridos que estavam no sítio errado à hora errada – e, então a notícia virou tragédia mundial e o país banhado em lágrimas hipócritas quase que festeja como se tratasse de um feito para o Guiness book.

Esta é a verdade, tal como na grande tragédia na Ponte Entre os Rios há 16 anos, em Castelo de Paiva, em que morreram 59 pessoas, e que depois de uma semana ou duas já não era notícia nos jornais, também, no final de julho esta tragédia de Pedrógão Grande deixa de ser notícia.

Pior que tudo, é que estes males acontecem todos os anos e das promessas de resolver o assunto de uma vez, ou quase, a história repete-se para gáudio dos madeireiros e empresas de papel e seus derivados anos após anos.

E os Guardas florestais e o Guarda Rios?

Enquanto os idosos morrem queimados em suas casas nas serras, os sabichões do tempo na altura dos fogos ordenam o corte das estradas, o fechamento de transportes entre as aldeias espalhadas nos montes, encurralando as pobres criaturas que ficam presas nos quintais a apagar os fogos com baldes cheios de água dos poços das suas propriedades.

Como é possível, que aquelas 64 pessoas que morreram e outras 136 ficaram feridas por que foram impedidas de fugir nos seus automóveis, ou desaparecerem a pé, pelo simples facto de as estradas estarem fechadas sem saída e entrada para as ajudas.

Agora, é tempo de enterrar os mortos, regressar a casa e reconstruí-las.

Esperamos que o dinheiro da EU lhes vá parar às mãos e que não seja preciso que os desalojados apresentem certidões das Finanças e da Segurança Social de que não são devedoras ao Estado Papão…

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Ah! Mocês d’um carago, tenho ganas d’vos ir às fuças, meus marafados da “Polis Apoteose”

É, óbvio que não podia ficar alheio ao «post» do Dr. Ricardo Pinto, Mui Nobre Xerife d’ Armação, agora papá da Sua Gentil Camilinha, sorridente como a mãezinha.

Do Ricardo só posso chamar-lhe amigo de calções ou, já nem sei se me toma como inimigo de “colarinho de camisa aberta” de político jovem com sangue na guerra que tem de ser tudo a seu jeito.

É por causa da escrita, n’ é meu.

Porra! Descontrai meu.

João Pina

Carteira Profissional de Jornalista Nª 4.408

A Política é uma meerda, ganham-se eleições, perdem-se eleições! Os amigos não, conquistam-se até à eternidade.

As eleições são de quatro em quatro anos e os amigos são todos os dias.

Pensa nisto, meu, pensa e descontrai, não azedes…

”Eu sei que às vezes sou uma pestinha a escrever, não agrado a todos, escrevo para o povo”.

Em conexão ao encadeamento do teu «post» de ontem, eh pá!

Comprido à fartazana, mas curti bué, vê lá! Nem respondi e nem o faço. Curti e prontos, mas escreve menos p’ra outra vez, gastaste-me os olhos de tanto ler, mas fixe.

E depois o Jorge Griff, gosto deste gajo e dos seus comentários, é porreiro, tens sempre a porta aberta meu, Também não respondi, nem o faço, gostei e prontos, força (já viste, até falo e entendo a vossa linguagem à bué de fixe, não façam caso, o cota anda todo «queimado» da carola…).

Esta noite e ainda não são horas da janta, só escreverei por causa desses mocês d’um carago.

Esses gajinhos, atenção pessoal, tenho lá uma filhota, a Soninha bonita, vocês sabem com’ é,

Só de pensar nas vossas noitadas e bojecas, fico com uma dor de corno do caraças, fonix, vocês dão cabo da carola, a mim, e aos geadas de cabelos brancos e carecas d’ Armação.

Uma dor de corno dos diabos!

Já nem posso ouvir falar de vós! E da “Polis Apoteose”, ainda menos, os mocês não merecem este tratamento depois de terem sido heróis.

E do “Pirate Week!

Fonix! É uma dor de corno sem retorno, sem volta a dar.

E sabem por quê?

Inveja! A tal Dor de Corno”

Por não ter a vossa idade. A vossa loucura! A vossa Juventude”

É, que vocês, fazem! Mudaram Armação de Pêra para melhor, não agrada a todos, tudo bem ou tudo mal, vamos conversar no mês de novembro e preparar o 2018.

Porra! Vocês estão no «ponto», são jovens, não deixem morrer o “Pirate Week”.

E, nós, aliás os contestatários, ou velhos sem tusa parar beber uns copos, saltar, bailar e deitar com o sol nascente.

Pois é!

Amigos Comerciantes já não se lembram das noitadas fora de casa, das bebedeiras, a fuga nos carros dos papás depois da meia-noite enquanto eles ressonavam de escape livre e as mamãs sorriam de olhos fechados.

Pois é!

Temos de ser tolerantes e reviver a nossa inveja dizendo: “Fod*-**. No meu tempo, eu era pior que estes gajos!”

Sabem que mais, agora escrevo a sério.

Armação de Pêra não vos merece! Nem a Junta de Freguesia, nem a Câmara Municipal de Silves!

Só querem o vosso voto.

Só querem popularidade à vossa pala.

Só querem as taxas e licenças camarárias dos vossos pais e dos respetivos estabelecimentos.

Só desejam o vosso futuro como recenseados e pagadores de impostos, de toldos na praia, e sempre e sempre dos vossos votos e dos vossos filhos e aí por diante até sermos cidade, o que muita gente não quer.

alando sério, ainda. Caguem-se nas decisões unilaterais, desculpem…, metam o “Pirate Week” debaixo dos braços e acampem na Praia da Sra. da Rocha, por exemplo, e curtam bué que naqueles lados é tudo boa gente.

Registem o “Pirate Week” no INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial e dediquem-se ao evento o ano inteiro e vão ver.

Com o mediatismo já conseguido nestes últimos dois anos com milhares de fotos espalhadas pela comunicação social; entrevistas, reportagens; televisões; vídeos amadores e profissionais; só aguardar os convites de outras juntas de freguesia; câmaras municipais; associações; tudo o que tenha mar pela frente e condições lojistas para montar o evento e depois negociarem no inverno, tem o futuro garantido, curtindo depois a tempo inteiro, até em franchising.

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