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Dia: 22 de Out
Reportagens

Reportagens (16)

Napoleão Mira: “O que eu quero é correr mundo, correr perigo”

A peregrinação foi cansativa, ou estás pronto para outra? “Sim foi. Estou a precisar de férias das férias. Claro que estou pronto para outra. Amigos, viajar é levar o olhar a passear e eu, tenho inundado o meu de riquezas que muitas vezes não sei descrever”. 

João Pina

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

Fotografias: Napoleão Mira e Natália Duarte

“Hello Índia here i am agaartein! A caminho de Chennai, publicou Napoleão Mira no seu mural do Facebook, no dia 4 de janeiro do novo 2018 e, foi com este «post» que o jornalista soube de mais uma viagem por terras da Índia e de outras pelo oriente. Disto isto, aliás, escrito, ao ter conhecimento de mais uma aventura:“Bons dias, Napoleão. Boa e excelentes viagens para memória futura”e, o jornalista, ora amigo, prosseguiu em jeito de comentário e provocação: “Pensei de súbito, sabes que sou repentista a falar e a decidir, como viajar é contigo, podemos contemplar os leitores do www.algarvemaisnoticias.pt para o que proponho remeter algumas questões às quais agradeço umas respostas por mensagem no Facebook ou por mail, uma espécie de diário à pressa e de mangas arregaçadas com fotos”.

Mãos à obra:

Mais uma viagem? Para além do espírito “viajante” conhecedor do mundo, o que te leva e motiva a viajar?

“Depois do Peru e Bolívia decide com a mulher, Natália Duarte regressar a este subcontinente que é a Índia. Já cá tínhamos estado há dois anos, viajando pelo norte deste país singular. Desta feita, resolvemos viajar para sul. Viajamos de mochila às costas sem destino, tanto que amanhã é, dia de partida e ainda não sabemos bem para onde ir, talvez Paducherry, uma antiga colónia francesa. De qualquer modo esta, apesar de estar no início, tem sido um poço de surpresas. No momento em que escrevo estamos em Mamallapuram um santuário à beira-mar onde aportam indianos aos milhares. As pessoas do sul são mais simpáticas”, replicou Napoleão Mira e, de volta do correio virtual, quis saber: E que tal a alimentação? A comida é vegetariana, mas, boa e as sensações são as melhores. Continuo a pensar que viajar: é levar o olhar a passear. Por isso e por estas bandas os meus olhos têm-se regalado com o que lhes é dado presenciar. De facto, estamos na presença de um povo único e hospitaleiro, mas claro sempre com a ideia de negócio plantada, ou não fossem eles indianos”, uma pausa no teclado do portátil, pensamos e continua a escrever: “O que me leva a viajar, para além de passear o olhar, é sobretudo o prazer da descoberta, o surpreender-me em cada esquina, experienciar o que nunca vivi e, acima de tudo, por saber que apenas temos uma vida e haver tanto para garimpar. E como dizia Caetano Veloso: eu quero é correr mundo, correr perigo. Eu quero dar o fora, eu quero é ir embora. E quero que você venha comigo. Forte abraço que tenho de ir jantar”, acentuou Napoleão Mira.

Entretanto, dou uma vista de olhos pelas imagens fotográficas captadas, umas por Natália Duarte, a mulher companheira de tantos anos, a fã número do Napoleão Mira e uma excelente profissional de turismo no Tivoli Hotels & Resort e outras fotos pelo próprio viajante e, ainda outras por locais. “Ah! Esta viagem longínqua já é a quinta. Espero viver o suficiente para fazer mais 10 pelo menos”, recebi de seguida esta pequena resposta a que acrescentou: “Agora são 17,30 horas, ou sejam, 5,30 horas de diferença”, e escreveu de seguida: “Ah! Já coloquei mais umas fotos bastante interessantes referentes ao dia de hoje à tarde na verdade, uma terra que parecia não ter nada, afinal, tinha toda uma magia que transborda na alegria e no rosto das pessoas, agora vamos jantar”.

Como referido no início da presente reportagem virtual, mas verídica e, dando tempos para que os meus amigos viajantes por terras da Índia, jantem e respondam a outras questões enviadas daqui dos «Algarves» do Atlântico, recordamos mil e uma conversas tidas em centenas de horas e de quilómetros por esse país real à volta da música e dos poemas falados pelo Napoleão e sobretudo por ainda termos o Natal no pensamento:

Idos Natais e Artilheiros do Benfica

"Todos os anos, mais ou menos por esta altura, tento a escrever sobre a quadra que atravessamos. Já o fiz de várias formas, sob variados ângulos e abordagens. Mas este ano, sobretudo este ano, não me sinto com vontade de pintar de cores celestes o cinzentismo dos dias que atravessamos.

Prefiro recuar no tempo, regressar à memória, esse território de conforto de que tantas vezes me socorro.

Hoje é dia 24 de dezembro de 1979. Fui pai, de novo, há poucos meses. Nasceu-me o meu único filho varão, de seu nome Samuel. Tenho vinte e três anos e sou recepcionista de hotel em Lisboa. Trabalho de noite, regra geral, das onze da noite às oito da manhã. Tal quer dizer que conheço melhor a cidade pelas suas sombras, do que pela luz que a tornou famosa.

Hoje, 24 de dezembro, teimo em afirmar que não gosto do Natal. Há muito que lido com desdém com a data que hoje se assinala. No caminho para o trabalho, que faço mais cedo para que o colega que vou render jante com a família, penso na tristeza da noite que terei pela frente. A cidade, à hora que saio de casa, é uma urbe deserta. No transporte que me conduz ao meu destino, sou um dos três únicos passageiros. Eu sei para onde vou. Os outros, pelo seu olhar, parecem-me ir para lugar nenhum. Na minha imaginação, são apenas dois viajantes solitários dando voltas de autocarro até que este recolha à estação.

Encosto a cabeça ao vidro e sinto pela primeira vez uma sensação de vazio. Esboço corações na névoa do vidro utilizando a condensação da minha respiração. Desenho dois, um por cada filho. Penso que talvez tivesse sido bom ficar em casa junto deles. Um calafrio elétrico percorre-me a espinha, obrigando-me instintivamente a correr até ao pescoço o fecho do casaco.

Já no hotel, as pessoas rareiam e a vida é quase invisível. Os poucos hóspedes recolhem aos seus aposentos ou demandam casas de amigos.

Como acontece todos os anos, alguns dos meus comparsas hão de me telefonar. Se aparecerem, com eles repartirei as couves e o bacalhau que me deixaram para a minha solitária consoada. João de Castro, cliente do local onde trabalho, tem por mim um carinho especial. Vá-se lá saber porquê, chama-me “Fruta” desde que me conhece. Deixa o carro a trabalhar, entra a correr no hotel e deposita em cima do balcão uma caixa com doze meias garrafas de vinho tinto do Dão, dois bacalhaus e duas caixas de chocolates.

«“Fruta”, isto é para ti. Feliz Natal para ti e para os teus. » — disse, batendo com palma da mão na caixa, ao mesmo tempo que desaparecia no breu da noite, quase sem me deixar agradecer, o generoso “Pai Natal” daquele ano de 1979.

César Martins de Oliveira foi o primeiro jogador estrangeiro contratado fora de Portugal para representar o Benfica.

Chegou ontem a Lisboa. É a primeira vez que vive fora do Brasil e é também ele um homem só. Admira-se com o silêncio da cidade. Sinto que dele se apodera uma certa melancolia e convido-o a dividir comigo o repasto natalício. Noto-lhe, agradecido, um certo brilho no olhar. Não conhece por enquanto ninguém em Lisboa e rejubila com o meu convite. 

Somos rapazes da mesma idade e logo ali criámos uma amizade que há-de durar enquanto jogar no Benfica.

Estávamos nós de volta do bacalhau e a descobrir afinidades quando, de repente, toca a campainha.

Espreito. Do outro lado da porta de vidro, um vulto. Um homem alto, vestido de ganga, cabelo e barba compridos, esfrega as mãos ao mesmo tempo que assopra para dentro delas o ar quente que expira. Está fria esta noite de consoada.

Aproximo-me com algum cuidado. A figura do outro lado do vidro não me inspira confiança. Não pode ser cliente. Todos os hóspedes já recolheram aos seus aposentos, excepto César que reparte comigo a solidão desta noite.

Quando a figura do outro lado do vidro me olha nos olhos, reconheço-a de imediato, franqueando-lhe a entrada.

«Vítor Baptista! Entra. O que fazes por aqui? Posso ajudar?» — perguntei, curioso e surpreso, ao deparar-me com o grande artilheiro do Benfica, que sabia ter caído nos abismos da toxicodependência.

«É pá, Napoleão, desculpa lá, até pensei que não me reconhecesses. Estou numa aflição. Estou ali na pensão em frente com uma miúda, não tenho fósforos e não sei onde os conseguir numa noite como esta. Não me arranjas uma caixa?» — implorou envergonhado “O Maior” — como se intitulava — que se notava a olhos vistos estar em franca degradação.

Ainda o convidei a comer connosco. Como recusou, abri a caixa de vinho que me foi ofertada, e reparti-a com ele. Arranjei-lhe um saca-rolhas, a tal caixa de fósforos e vi-o atravessar a rua, entrando na pensão.

Regressei algo consternado para junto do César. Contei-lhe o percurso do Vítor como jogador. Lembro-me até de lhe ter contado o episódio do último golo que este apontou pelo Benfica em Alvalade, perdendo o brinco ao efetuar o disparo que ditaria o resultado. Ao sentir falta deste, não celebrou o golo e pôs toda a gente à procura de tão dispendioso adereço durante largos minutos... Incluindo o árbitro
No final do jogo, disse aos jornalistas que não festejara porque o brinco era mais caro que o prémio de jogo. 
Episódio caricato, no qual César nem queria acreditar.

Só hoje, ao rememorar este episódio natalício, me dei conta do simbolismo dessa consoada de 1979.
“O Maior”, já mora nas planícies eternas. Ao César, perdi-lhe o rasto. Sobro eu e a minha demência, escrevendo sobre idos natais e artilheiros do Benfica"Do livro “De Coração D'interiores” de Napoleão Mira”

“Já tenho mais respostas do Napoleão, vamos a isto que se faz tarde e os leitores estão curiosos pelos passos do casal”raciocino. “Não me vejo a fazer estas incursões sozinho, tanto mais que a Natália é que me meteu nisto e é ela que trata das burocracias da viagem. Se bem que por aqui se encontra muita gente a viajar sozinha, são normalmente gente jovem, para além de que eu sou diabético, o que tornaria a coisa mais arriscada, caso tivesse uma crise por aqui. É claro que com a Natália é outra coisa. Ela é mais aventureira que eu e muitas vezes vamos a locais que sozinho não me atreveria a irViajamos low cost, portanto ficamos instalados em guest houses, e por vezes ficamos mal instalados. Dou-te um exemplo: ontem em Chennai, cidade de que não tínhamos referências, fomos dar a um sítio tipo Cova da Moura, mas dez vezes pior. Andámos às voltas até que um tic-tic nos levou a uma hospedaria, que se ta descrevesse em pormenor assustavas-te. Basta dizer que não tinha casa de banho, lençóis ou mesmo papel higiénico, mas a casa era gira e decidimos ficar. Comemos na rua e em restaurantes indianos de baixo custo, mais ou menos 3 ou 4 euros por pessoa, dependendo se bebo uma cervejinha. Comemos comida vegetariana que é a mais barata. Acabei de comer um arroz de legumes frito que estava divinal por 2,50 euros”, escreveu Napoleão e, aproveitando a tal pausa no teclado, atirei: E aquela fotografia onde estás num qualquer sapateiro? “Aquele sapateiro fez-me por medida uns chinelos de cabedal. Custaram a módica quantia de 300 rupias, 4 euros. Naquela foto estava a encomendar mais dois pares, um para a minha filha Catarina, outro para o seu namorado o Martin”, e sublinhou à cena do «sapateiro» “Se pudesse regressar com alguma frequência ao meu Alentejo, claro que poderia morar numa destas paragens. Um viajante que conheci ontem, vive na Ásia há 37 anos entre a Tailândia e a Índia com o dinheiro que recebe da renda da sua casa na Holanda. E olha que há muito mais gente a fazer estas opções que possas julgar. Pode-se fazer uma vida desafogada se tiveres 1000 euros de rendimento”, despediu-se por hoje com um “Abraço”, explicou Napoleão Mira.

Recuperando algumas notas recebidas em relação às imagens fotográficas: “Por recomendação do Luxman Miracle - o senhor que está ao meu lado, fomos comer a restaurante típico indiano. Comemos com as mãos numa folha de bananeira o petisco por ele recomendado. Este holandês vive há 37 anos na Ásia entre a Tailândia e a Índia. Chamei-lhe milagre porque estávamos a precisar de um, aliás, naquela foto da prima balerina num festival a que assistimos graças ao Luxman Miracle. Aqui vai um pequeno álbum da nossa passagem por Mamallapuram. Amanhã outro destino. Como vamos para onde o vento nos levar, ainda não sabemos para onde iremos. De certeza que será uma nova descoberta esta zona da Índia que nos surpreende a cada dia que passa, noutra foto, vê-se em Chennai o gerente do hotel onde pernoitaremos esta noite. Xpetáculo!! Mas por 7 euros estavam à espera de algum Sheraton, não!”

Se esta reportagem passasse num cinema ou na televisão, seria a altura ideal para um intervalo a fim de o canal descarregar 10 minutos de anúncios, mas, não e, dando umas horas de descanso ao Napoleão Mira e, ainda em tempo de Natal, oferecemos mais um conto do já consagrado escritor, dizer de poemas de sua autoria e também viajante pelos mundos seus…

Um Conto de Natal Quase Verdadeiro

"Hoje é sábado. Um sábado de dezembro. Um sábado em que uma estúpida melancolia natalícia se apoderou de mim.

Sou um gajo de altos e baixos. Um fulano de profunda tristeza ou de exultante alegria. Um sujeito com ímpetos de cortar os pulsos à facada ou de subir ao cume de um monte e proclamar aos quatro ventos e a plenos pulmões o júbilo de estar vivo. Um tipo capaz de mergulhar em novos e arriscados projetos ou entrar em prolongada e profunda depressão. Sou assim uma espécie de oito ou oitenta: dentro de mim, em certos dias, vive Helenah, noutros, Dionísio!

É nesta montanha russa de estados d’alma, neste permanente ziguezaguear de contraditórios espíritos que vou construindo o meu percurso. Bem... tudo isto para vos dizer que hoje é sábado. É sábado, e apoderou-se de mim uma estúpida melancolia natalícia.

Hoje é sábado de um qualquer dia de dezembro de um século que já passou, de um ano que já não volta, mas que o calendário teima em afirmar que é 1961. Minha mãe brada por mim e pede-me para lhe ir fazer um mandado. «Vais ali à Loja Grande e trazes um cruzado de café, vais num pé e vens no outro, o tostão que sobra é de melhadura.»

Minha mãe retirara-me ao pensamento em que estava absorto e que consistia em tentar perceber se os pretos eram pessoas. Eu nunca tinha visto nenhum preto na minha vida e, no dia em que nos fomos despedir da família Cabo Silva, o patriarca Luís dissera às pessoas que aí estavam para a função do adeus, que ia para África guardar pretos com um chicote, coisa que se me afigurou pouco humana, logo, motivo para a dúvida permanente que de mim se apoderou.

A Loja Grande, assim chamada por ser a maior da vila, pertencia ao senhor João de Brito Palma. Aos meus olhos de petiz, era um imenso caleidoscópio de mercadorias.
As prateleiras, tulhas, sacas e caixas estavam permanentemente recheadas de víveres que ao tempo se vendiam a peso ou à unidade. Ao fundo da loja, havia toda uma panóplia de artefatos que na minha fraca lembrança me dava a ideia de ser uma babilónia de riquezas dignas do maior dos Alibabás.

— Jacinto, quero um cruzado de café e um tostão de migalhas de bolacha. — pedi, mostrando a moeda de cinco tostões necessária.

Jacinto saiu detrás do balcão, rasgou um quarto de folha de papel pardo, humedeceu com cuspo os dedos e, com a destreza de quem já fez milhares, enrolou mais um minúsculo cartuchinho em forma de cone que depositou na balança já com a quantidade de chicória (a que chamávamos café) que os seus afinados dedos estipulavam ser o peso certo.

Com a medideira numa mão e o olho no ponteiro da balança, deu por finda a operação, fechando o cartuxo com os dedos de uma mão e jogando com a outra para dentro da lata o artefato de medir.

— Agora vamos às bolachas. — disse.

À medida que Jacinto abria a metálica e redonda tampa da caixa das bolachas, arregalavam-se-me os olhos, salivando sem parar, numa ânsia de quem está prestes a experimentar uma sensação digna de ser apreciada lenta e preferentemente de olhos fechados.

Já com os dois cartuxos na mão e fazendo menção de sair, tentei a minha sorte com uns rebuçados que me estavam a fazer crescer água na boca, e disse:

— Jacinto, dás-me um rebuçado?

— Não te posso dar rebuçados porque não são meus. — respondeu Jacinto quase, quase a ceder.

— Então dás-me dois, que eu dou-te um a ti! — respondi em manobra desconcertante que fez o jovem marçano meter a mão dentro da lata e oferecer-me a ansiada guloseima, ao mesmo tempo que punha o dedo indicador ereto sobre os lábios em sinal de cúmplice silêncio. Sorri agradecido e, já de abalada, resolvi perguntar:

— Sabes se os pretos são pessoas?

Jacinto olhou para mim, encolheu os ombros e respondeu:
— Não sei, nunca vi nenhum!

Já na rua, ao dobrar a esquina, dou com o meu amigo Manel António que logo ali me convidou para a nossa brincadeira preferida: construir casas de palha e barro, coisa que nos deixava sempre assim para o irreconhecível, ou como quem diz, cobertos de barro dos pés à cabeça.

A minha mãe, com o cartuxo do café numa mão e com a outra em forma de raqueta, afirmava que, se aparecesse sujo, experimentaria a especialidade com que me ameaçava.
É claro que era impossível construir uma aldeia inteira de terra, palha e água e aparecer imaculado em casa.

Estávamos os dois muito entretidos a erguer paredes, quando lhe perguntei: «Sabes se os pretos são pessoas?»

Manel António olhou para mim espantado e respondeu ao mesmo tempo que limpava as mãos ao bibe. «Não sei, nunca vi nenhum!»

O Natal aproximava-se a passos largos e, apesar dos nossos desejos serem sempre na proporção do que nos rodeia, tanto eu como os meus irmãos lá formulámos os nossos ao Menino Jesus que religiosamente, e naquele dia, desceria pela chaminé da nossa imaginação e nos traria os presentes ansiados.

Nessa noite de 24 de dezembro fomo-nos deitar depois de mais uma vez, e à roda do lume, termos voltado a pedir ao Menino que nos contemplasse com os nossos desejos.

Pela calada da noite, quando toda a gente dormia, pareceu-me ouvir um barulho estranho vindo lá dos lados da cozinha. Cheio de medo, aventurei-me a ver o que se passava. Aterrorizado, dei com um pequeno vulto de volta dos nossos sapatos depositando uns quantos presentes.

Quando dele me abeirei, perguntei-lhe:
— Quem és tu? Tu és o Menino Jesus?

Assustado, respondeu-me que sim, mas que deveria guardar segredo, até porque ninguém iria acreditar.

— Mas tu és preto, ou estás tisnado da chaminé? — Questionei, abismado.

— Esta é mesmo a cor da minha pele, assim como a do meu pai, da minha mãe e a das outras pessoas lá de onde eu venho — retorquiu. — Sei dessa tua inquietação. Para além da prenda que tenho para ti, o melhor presente é ficares a saber que, por debaixo da minha pele, bate um coração igual ao teu, com os mesmos sonhos e desejos e, se o mundo fosse governado por crianças, a cor da pele seria a coisa que menos importaria. —­ afirmou, num tom filosófico de quem detém todos os poderes do universo.

— Agora tenho de ir, mas não te esqueças do nosso segredo! — disse, voltando por artes mágicas a subir pela chaminé.

Quando minha aflita mãe me acordou aos gritos, estava eu estendido junto ao madeiro no lume, que alguém inexplicavelmente fizera com que ficasse aceso pela noite adentro.
Ainda estremunhado, lembrei-me do meu noctívago encontro e, enquanto minha mãe me levava ao colo de regresso à cama, abracei-a. Num súbito e compulsivo choro, supliquei-lhe: Mãe, quando escreveres ao Cabo Silva, pede-lhe para não bater nos meninos pretos!", do livro “De Coração D'Interiores”, de Napoleão Mira

Acerca das múltiplas imagens, Napoleão Mira referencia algumas notas curiosas: “De comboio não (é um risco andar), mas de autocarro sim... É pavoroso e exaspera-se”, “De comboio não (é um risco andar), mas de autocarro sim... É pavoroso e exaspera-se”, adiantando “Não podes mudar de ideias e dizer: já não quero estar aqui... Não tens alternativa. No momento em que escrevo estou com receio do autocarro que vou apanhar amanhã. A experiência anterior foi assustadora e durante 7 horas sem comer, urinar ou mexer um músculo...”. Noutra nota, afirma: Aqui são quatro horas da manhã e não consigo dormir com o barulho de um motor. É a Índia como bem sabes”, “não, não sei, digo para os meus botões”.

"E pronto! Nas feiras e nas férias tenho dois fetiches. Nas feiras compro colheres de pau, nas férias faço a barba. Aqui vai a prova da promessa cumprida”, sublinhou, referindo a fotografia em que está sentado num barbeiro local. Em relação a outra imagem em que está descalço: “Estou descalço… Isto é um templo, não se pode entrar calçado”, escreveu para se despedir temporariamente e “bom ano para ti também velho amigo”.

Depois de alguns dias sem notícias de Napoleão Mira e Natália Duarte e, segundo as notas jornalísticas, o casal algarvio iniciou a viagem aterrando em Mumbai, onde permanecemos dois dias, média de dias que ficam em cada cidade. “Daí apanhámos um avião que nos levou a Chennai, capital do Tamil Negu. De Chennai fomos para Mamallapuram onde permanecemos outros dois dias. Saímos de Mamallapuram e fomos para Paducherry, ex capital das Índias francesas. Daqui apanhámos um autocarro local (dia de pesadelo) para Thanjavur. De Thanjavur fomos para Manurai”, informou, para depois comunicar: “Hoje saímos de Manurai e estamos no Tiger Reserve de Periyar”.

Quanto à experiência por terras da Índia, Napoleão Mira é peremptório nas afirmações repentinas e a quente em termos emocionais dada a distância e à forma como decorre a reportagem em termos jornalísticos: “De resto vamos indo com o vento e até onde o dinheiro que metemos no bolso chegar”, enfatiza, ao que questionamos na volta do correio (ah! ah! ah! E os custos são acessíveis? “Como viajamos em low coast, ficamos quase sempre instalados em hospedarias modestas, desde que sejam limpas, tenham um banho, ainda que rudimentar, mas privativo, que tenha net, não tenha bichos e que custe no máximo 1000 rupias, na nossa moeda cerca de 13 euros”prosseguindo: “A nossa alimentação é feita um pouco como o nosso alojamento. Comemos em estabelecimentos locais onde os demais indianos comem. Apesar de me fazer alguma impressão ver comer com as mãos. Procuro na medida do possível experimentar coisas novas. Eu não sou muito afoito nessa matéria, a Natália é que é. Pela minha parte, quando a coisa não me satisfaz tenho a solução do arroz frito, que é sempre um bom plano B. De manhã é, que não atino com os pequenos almoços deles, rios de molhos, arrozes e outras coisas picantes que me provocam ânsias só de para elas olhar”.

Gostava de estar escondido e ver a cara do Napoleão, um bom garfo e habituado aos hotéis de 5 estrelas e também às boas tascas com os enchidos alentejanos e o seu queijo de Entradas”, penso, enquanto leio o que ele vai escrevendo e enviando. Já quanto aos costumes do povo indiano, é de opinião: Os costumes desta gente, nada têm a ver com os nossos. Trabalham desalmadamente e desconhecem isso dos direitos do trabalho. Um exemplo: um recepcionista de um pequeno hotel onde pernoitámos, de cada vez que ia à recepção lá estava ele. Perguntei-lhe se era dono ou familiar do mesmo. Que não, que era empregado. Quando o questionei acerca da sua folga, sorriu e disse que era no dia seguinte, pois tinha trabalhado 15 dias seguidos, 24 horas por dia e agora teria direito a um ou dois dias de folga”, escrevo, ao mesmo tempo que coço o queixo e passo os dedos pelos cabelos por constatar com a escravatura deste povo. “Hoje perguntei ao cobrador do autocarro quantas horas trabalhava. Disse-me a sorrir que no mínimo 20 horas. Não era por semana, era por dia! Depois esta gente é muito crente. Tem muito ritual, muita cerimónia religiosa que varia de região para região, sendo que os deuses (diz-se que podem ser trinta milhões) também mudam de nome e às vezes de identidade de templo para tempo, como se diz na nossa terra - não tenho carta de condução para esta cilindrada religiosa - depois eu sou agnóstico, logo com uma noção de lógica bastante enraizada”confessa o poeta declamador afamado. “Acredito, sim na e evolução humana, mas, isto era conversa que nos levaria por outros caminhos. A sociedade é patriarcal, logo vivem todos em torno desse pilar que é o patriarca da família. As mulheres têm poucos direitos, se comparadas com as nossas e também vivem em função da vontade matriarcal”.

Napoleão Mira, além de poeta e, igualmente escritor, ao longo destas cinco viagens intercontinentais já anotou centenas de anotações e milhares de fotos, demasiado material para alguns livros, aliás, os leitores através desta humilde reportagem podem constatar tão diferente usos e costumes dos povos para lá da Europa Ocidental.

“Como se sabe, a sociedade é compartimentada por castas, mas, este é um tema que tenho algumas dúvidas, até porque não o compreendo na perfeição e ninguém mo soube explicar de modo convincente. Em termos religiosos é maioritariamente Hindu, mas numa Índia plural cabem os mais diversos credos, desde os muçulmanos, cristãos, Sikhs, ou mesmo budistas de entre outras religiões por este imenso território professadas. Os indianos, na minha opinião, têm tanto de fossões como de ingénuos. No que diz respeito aos mitos urbanos e rurais acreditam em tudo e desde sempre. Digo isto baseado nas pessoas que fui conhecendo, e que, regra geral, são gente do povo com quem me cruzo e me procura dar a volta para sobreviver”, refere o nosso interlocutor.

Outro tema abordado por Napoleão Mira é a famigerada política: “Em relação à política local pouco sei. Compreendo que este imenso país é uma democracia e que nela cabem todos os partidos e assim sempre foi desde os tempos de Gandhi. Creio que, presentemente, estão em tempo de eleições regionais. Tenho visto alguns comícios na rua e eclodiu mesmo uma greve geral no dia da nossa chegada a Mumbai. Essa greve impressionou-me porque, ela era mesmo geral. A cidade não estava parada, estava paralisada. Quem se lembrar de furar a greve sofre consequências severas e graves e ninguém arrisca. É claro que isto é pouco democrático, mas que é muito efectivo disso não restem dúvidas. Depois, ao longo dos dias e, até ontem, temos vindo a sentir a greve que se faz sentir nos transportes. Isto para dizer que, por um lado existe uma força sindical com uma força muito grande, mas depois na prática as pessoas continuam sem saber o que são os direitos do trabalho. Acho que nesse particular ainda têm um longo caminho a percorrer”, esclarece.

Um país de paradoxos, pensamos: “Depois, este é um país de contradições e de várias velocidades, aliás, é um colosso emergente cada vez com gente mais qualificada e de entre a mais qualificada eles são a nata do conhecimento científico. No entanto, a corrupção há-de existir e em grande, mas não me sei pronunciar acerca dela, até porque o indiano com quem convivo não é suficientemente politizado ou informado para que eu possa formar uma opinião, argumenta Napoleão Mira.

Outro tema – a cultura – uma vez que Napoleão que é um homem da cultura não deixar de opinar: “Em termos culturais este é um país riquíssimo. A sua cultura é milenar e única. No que diz respeito às artes chamadas plásticas, existem por aqui tantos artistas e artífices tão bons que se vivessem na Europa seriam gente com muito sucesso artístico e monetário. Assisti aqui a um concerto de música carnática, que deve estar para eles como o fado está para nós, pujante e viva. Toda a gente se recorda de Ravi Shankar e as parcerias com os Beatles só para dar o exemplo que me ocorreu. Bollywood com as suas cidades cinema, produz mais que Hollywood e por aí a fora. Em relação à escrita não conheço escritores indianos, mas sei que o nosso José Luís Peixoto, está por cá para apresentar o seu primeiro livro: Morreste-me, com tradução para hindu, e isso é uma demonstração da vitalidade desta cultura a todos os títulos notável. Para finalizar diria: Toda a gente deveria uma vez na vida vir à Índia. Devia partilhar o modo de vida desta gente, comer da sua comida, dormir debaixo dos mesmos tetos, viajar nos mesmos transportes etc. Sei que esta é uma opção que torna a coisa algo dura, mas que saímos daqui muito mais ricos, disso não restem dúvidas”finalizou por hoje, dia 13 de janeiro, o relato possível a partir da Índia para o Algarve. “A partir daqui, apenas sei que lá para dia 22 temos de estar em Kochi (antigo Cochin) para voarmos para Portugal”, despediu-se Napoleão Mira.

Entretanto, a 14 de janeiro e, como a vida de viajante é, viajar, Napoleão Mira e Natália Duarte, surpreenderam-nos com mais uma experiência turística por terras da Índia, ora, vejamos: “Olá pessoal... Depois de abandonarmos a zona dos templos (já estava farto de tanta beleza!) aqui nos eis chegados ao profundo e imaculado verde da província de Kerala. Também, quero, afirmar que não voltarei a andar de elefante. Acho a experiência humilhante para o bicho que tem de repetir este circuito, qualquer coisa como vinte vezes por dia. Pela minha parte fica a foto para a posteridade e o meu pedido de desculpas ao simpático paquiderme”.

Generosa Índia

“Para os poucos que não sabem, as nossas viagens começam com um bilhete de avião e uma noite de hotel que regra geral é a única marcação antecipada e sempre a pior! A partir daí traço uma linha para norte ou Sul, o Napy concorda e lá vamos nós. Quem vai por bem recebe sempre bem”, desabafaram Napoleão e Natália.

“Este blá blá blá para dizer que nunca uma viagem foi tão low cost como esta, isto porque mais que tentemos os meios de transporte que conseguimos são só os governamentais, Índia profunda 99 por cento das vezes somos os únicos brancos no autocarro ou carruagem, ou mesmo no hotel! Tudo isto para dizer que tirando uma viagem de autocarro que de quatro passou a seis horas e que mudaram o destino quatro vezes dentro do mesmo trajecto, tenho a dizer que o sistema funciona e é altamente eficaz, e a menos de um cêntimo ao quilómetro”, diz Natália Duarte. 

A propósito de uma foto de um autocarro com grades, Natália confirma: “Sim os autocarros têm grades, são sujos e os motoristas são lunáticos, mas funciona e as gentes são de uma generosidade que só encontras na Índia. Atrevam-se Namastê, finaliza por hoje, “acho que nunca escrevi tanto…”.

Neste dia, que pensamos que tenha sido a 14 de janeiro, foi passado num destes barcos/ casa e mergulhar nos canais de Cheepunkal - Kerala Índia (ver fotos).

Noutras fotos, Napoleão Mira, brinca, sinal, que anda bem-disposto: ”Então e que me dizem deste senhor? É o dono da guest house onde por esta noite pernoitaremos. E mais não digo...deixo os comentários ao vosso critério”. E de Kerala, recorda a viagem ao lado do cobrador (ver foto) do autocarro. “Olha que belo casal. Pela maneira como me deu o braço a coisa promete… “  

“Relatos de viagem a que chamei “OLHARES” e que será editado nos próximos meses”, conta Napoleão Mira

Passaram uns dias sem resposta dos amigos, Napoleão e Natália e, enquanto jornalista pensava que algo se deveria estar a acontecer, eis que surgem notícias: “E pá, agora que já estou a regressar mentalmente à Índia rebobinando as experiências vividas, remeto aos teus e meus leitores para o livro que estou a preparar sobre a minha experiência indiana nas duas viagens que aí fiz”, leio de empreitada, é mesmo muito texto, penso. “Primeiro ao norte deste país e depois ao sul e a travessia de lés-a-lés, da Baía de Bengala até ao Mar Arábico atravessando os estados de Tamil Nadu e Kerala. Na verdade passámos essa última semana em Kerala, mais própriamente em Marari Beach e Cochin, ambos à beira do Arábico. Como é sabido viajamos à indiana, nos seus autocarros, comboios, Tuk-tuks, táxis etc, entre outras situações onde tivemos as experiências mais incríveis, tanto mais, que em muitas das zonas por onde viajámos éramos os únicos brancos num vasto raio geográfico. Se viajávamos nos seus transportes, ficávamos instalados nas suas casas, dormindo em quartos que estes alugavam, comendo à mesa com eles, sentindo desta forma o pulsar das suas vidas, razão principal desta viagem. Costumo dizer que a nossa maneira de viajar está mais próxima da antropologia que do turismo. Viajar deste modo tem tanto de enriquecedor como de extenuante. Em determinados momentos quisemos desistir. Quisemos sair dali. Porém, quando a coisa passava sentíamos que tínhamos dobrado o nosso próprio cabo das tormentas e que havíamos saído mais ricos desses episódios limite onde nos vimos envolvidos e que vou deixar para os leitores desses meus relatos de viagem a que chamei “OLHARES” e que será editado nos próximos meses”.

Napoleão Mira escreve como fala, “como forma de aperitivo, deixo aqui aos leitores, aquela a que chamo: escrita instantânea, matriz que escolhi para estes relatos em forma de crónica instintiva”.

Dia 17 de janeiro em Marari Beach: “Hoje tive um acordar aldeão. De certo modo, regressei aos hábitos da minha terra. É certo de que acordei num barco ancorado à porta do barqueiro, mas a azáfama matinal que se faz sentir lá fora, é em tudo idêntica àquela que aconteceria na minha aldeia, caso lhe passasse um rio navegável pelas entranhas”diz Napoleão Mira, adiantando: “Saio à rua. Impõe-se o silêncio dos despertados. Dos que embora acordados, ainda não largaram os braços de Morfeu, ou então, dos que fazem desta serenidade matinal um elogio à vida. Passeio pela quietude da língua de terra rodeado de água de um lado e outro. Uma mulher à frente do barco com uma vassoura de palma, varre acocorada e em silêncio as folhas perecidas que tombaram durante a noite. O ruído desta vassoura, transporta-me de novo para o meu quinhão e, esta senhora que em passe ritmado limpa o seu pedaço de rua, já não é mais uma aldeã indiana, é sim a Maria Antónia, mulher do Pereirinha a varrer a sua. Se fechasse os olhos e fosse dia de verão, quase que reconheceria a Maria Antónia pelo sincopado da sua varredura. Mais à frente, um outro homem de sabonete e escova de dentes na mão entra destemido no rio. Mergulha à beira de água e quando volta à tona começa a fazer a sua higiene diária.

Não o quero importunar com o olhar de metediço e sigo o meu caminho. Do outro lado da rua, um outro homem sentado à soleira da porta lê no jornal as notícias matinais enquanto a mulher lhe prepara um café. Todas as casas têm idosos.

Sinal de que por aqui, tomam conta uns dos outros até à contagem final dos dias. Com todos os que na rua comigo se cruzaram, novos e velhos, homens ou mulheres, adultos ou crianças, todos, mas mesmo todos, me sorriram e cumprimentaram num gesto de boa educação”, filosofa o poeta escritor vagueando pela utopia do pensamento. E, pelos vistos, o viajante algarvio de Entradas, regressa ao seu Alentejo por terras da Índia. “No regresso ouço uma buzina igual à do Joaquim padeiro lá da minha terra. Acelero o passo para ver se a memória não me atraiçoa. É que de repente, assim num passe de mágica, daquelas coisas que acontecem durante a noite, podiam ter mudado o cenário à minha terra e aquela buzina ser mesmo a do Joaquim e eu estar convencido que estava na Índia.

Não. Não era o Joaquim.

Tinha-me esquecido que na Índia não há padeiros, visto o pão, da forma que o conhecemos e que o Joaquim o vende, não fazer parte dos hábitos alimentares desta gente. Sucedem-se as buzinas tal e qual como na minha aldeia. A que agora vejo passar é a do leiteiro. Uma bicicleta pasteleira, uma campainha, duas vasilhas de grande porte, uma em cada lado, mais as medideiras necessárias, são a ferramenta de trabalho deste profissional. Duas crianças, de olhos mais negros que a noite mais escura, escancaram o sorriso e acenam-me de leiteira na mão, enquanto aguardam a pontual chegada do homem do leite. Recordo agora, quando era criança tive uma igualzinha. Logo atrás um Custódio Feio indiano anuncia ao que presumo o seu produto”, relata o prosador romântico no seu cantare molengão, contagiando o jornalista amigo.

Seguindo as palavras de Napoleão Mira, o seu Custódio Feio não tinha ares de indiano, mas tinha uma motorizada muito parecida e apregoava com o mesmo entusiasmo o seu produto“Ainda parece que o ouço através da voz deste indiano. Há carapau e pêxe”, “era o seu grito de guerra”, relembra Napoleão, contando: “Certa vez, vendo-o aparecer ao longe na estrada que liga Entradas ao Carregueiro e pretendendo fotografá-lo fiz-lhe sinal de paragem. O homem parou, eu fotografei-o e ele foi-se embora. Mais tarde soube que se tinha amedrontado pensando que ia ser assaltado ao não me ter reconhecido. Já tinha cara de muita coisa, agora de meliante é que não sabia! Se a minha aldeia tivesse barcos, era lá que eu morava. Gosto desta coisa de me poder mover com a casa atrás água adentro. Gosto disto de comer e ver a vida passar mesmo aqui ao meu lado. Gosto de saber que as pessoas que me dão de vaia, o fazem sem ser só por fazer”Napoleão Mira, hoje está empolgado a escrever, sobretudo, a relembrar o seu Alentejo e os amigos de Entradas e a confrontar os campos e rios indianos com os riachos e ribeiras que alimentam o Alqueva. “E gosto desta Índia de silêncios e calmarias. Gosto sobretudo da cozinha do Beldram que não para de me surpreender. Ontem à noite voltou a presentear-nos com umas variações de galinha, que quase me deixou sem adjectivos. Ah... neste momento escrevo a bordo do Dream Palace e estamos prestes a partir para a última visita antes de rumarmos a outro destino. A Natália já lançou o desafio. Da próxima vez ficamos o tempo todo em Kerala. Eu, encolho os ombros e mentalmente já me vejo por aqui a criar raízes. Penso muito no meu pai.

Penso nele todos os dias, mas aqui na Índia dou comigo a falar com ele. Tenho a certeza que o meu pai se em vez de me ter concebido tivesse nascido de mim, era eu. Enquanto vivo, sempre fomos farinha do mesmo saco. Gostávamos das mesmas coisas, de prevaricar juntos, de sonhar juntos, de ir aos ninhos juntos, de “roubar cavalos” juntos. O meu pai era um homem simples que se orgulhava do meu processo de sofisticação. Orgulhava-se de que lesse. Orgulhava-se de que escrevesse. Orgulhava-se de si por eu ser a sua extensão. E eu orgulhava-me dele por ele se orgulhar de mim. É inútil dizer que tenho saudades dele. Não se tem saudades do que está sempre presente”fabulosas sabedorias de quem passa pela vida agarrando-a com saberes e gostos, registo em pensamento as palavras de Napoleão Mira acabadas de receber e de as publicar.

"Olhares que surpreendem

o mundo de Napoleão Mira,

qual poeta escritor e, viajante

filosofando d’improviso, homenageando

os seus para o futuro dos seus"

É neste registo instintivo que quero partilhar com os meus leitores a minha experiência indiana.

Não é diário, nem guia de viajante nem sequer um livro que relate detalhadamente monumentos itinerários etc.. é antes a minha maneira de fotografar com a caneta.

Para tal, quase tudo o que escrevi, será publicado dessa maneira crua, às vezes ingénua, às vezes incrédula pelo que se me é dado presenciar”, poetiza viajando pelas cores das palavras. “Portanto, é só aguardar pela saída destes OLHARES, lá para a Primavera”, recitou Napoleão Mira, prosando e olhando a vida qual poeta das palavras faladas acerca da sua última viagem.

Napoleão por terras da Índia

“Impressões gerais colhidas desta peregrinação «Napoleão por terras da Índia», nomeadamente, sobre o povo, os remediados, ricos e políticos, caso tenham arquivado na memória…” , havíamos pedido para que nas contasse: “O povo indiano é uma verdadeira caixa de surpresas. Conheço muita gente que nunca lá colocou um pé, mas tem uma ideia predeterminada, uma opinião cimentada, um certo orgulho no desconhecimento que ostentam.

A Índia é um país a várias velocidades.

Se por um lado tem uma parte da população a viver em condições infra- humanas, por outro lado tem uma comunidade científica que dá cartas em todo o mundo.

São uma das economias emergentes a nível planetário, mas o rio que circunda o Taj Mahal, uma das sete maravilhas do mundo moderno, não está poluído, está putrefacto!

Podia catalogá-los neste oito ou nestes oitenta, mas julgo que o povo indiano é muito mais do que isso.

É uma sociedade complexa, arcaica, no sentido conservador da palavra, patriarcal e, naturalmente, muito fechada em círculos familiares onde o divórcio não existe, só para dar um exemplo do quão medieval pode ser.

São 28 os estados que formam esta união indiana. No entanto não nos podemos esquecer que eram cerca de 600 reinos antes da ocupação europeia, nomeadamente a inglesa, portuguesa e francesa.

Como é de prever, o norte é diferente do sul, o este diferente do oeste.

É neste pote de diferenças que emerge um dos países mais fascinantes do planeta e onde regressarei sempre que puder”, conta Napoleão para adiantar como se entretêm os indianos no seu dia-a-dia para além do trabalho? Aliás, que profissões têm? Há desemprego? Quais as carências deste povo? “Os indianos devem entreter-se bastante na prática de aumentar a população, pois são cada vez mais e em breve ultrapassarão os chineses neste particular. Já o tinha dito em resposta anterior acerca das leis laborais deste país. Se exceptuarmos os trabalhadores da função pública, aqui não existe essa coisa das 35 horas semanais. Tem gente que ao segundo dia de trabalho já as tem no costado. Os indianos são trabalhadores. Têm de ser, caso contrário está uma fila de compatriotas a querer roubar-lhe o lugar. Vi muita gente a trabalhar por tuta e meia, ou será que era só por uma tuta? Nesse capítulo ainda lhes falta percorrer um longo caminho. Claro que há desemprego. O que não me parece que haja é subsídio de desemprego. Aqui a regra é: ou te fazes à vida, ou a vida faz-se a ti.

As carências deste povo são de toda a ordem, isto se estivermos a falar dos mais pobres entre os pobres.

Nesse capítulo falta tudo. Às vezes lembrava-me da música do Gabriel o Pensador acerca daquele pobre, cujo sonho era morar numa favela. Na Índia devem ser aos milhões os que têm esse sonho, isto se ainda tiverem capacidade para sonhar. Por outro lado, existem riquezas arábicas, sumptuosidades indescritíveis, ostentações abjectas, pornográficas mesmo”, refere Napoleão Mira.

A «peregrinação» foi cansativa, ou estás pronto para outra? Última questão jornalística em jeito de despedida: “Sim foi. Estou a precisar de férias das férias. Claro que estou pronto para outra. Amigo, viajar é levar o olhar a passear e eu, tenho inundado o meu de riquezas que muitas vezes não sei descrever. “O que eu quero é correr mundo, correr perigo”.

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“No primeiro encontro contamos com 24 veículos clássicos, nunca pensamos que tivéssemos passado a marca dos 240”, refere Sérgio Costa

Realizou-se no domingo, 3 de Dezembro, o último encontro do corrente ano, o 44º do “Clube dos Veículos Clássicos do Barlavento”, com cerca de 100 automóveis antigos vindos do Algarve e cidades e vilas do país, confirmando, assim Armação de Pêra como a capital dos clássicos no sul, quiçá, do Minho ao Algarve.

João Pina

Carteira Profissional de Jornalista Nº4 408

Está, assim, de parabéns o “Clube dos Veículos Clássicos do Barlavento”, com sede em Armação de Pêra, sob liderança do Presidente Sérgio Costa, bem coadjuvado por Ricardo Pinto, Presidente da Assembleia Geral e, também, Presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra e Rogério Pinto, Vice-Presidente da Direcção e Vereador da Câmara Municipal de Silves.

Como de costume realizou-se o habitual desfile dos carros antigos pelas ruas e avenidas da vila, sendo que, o habitual repasto de confraternização foi especial, uma vez que se tratou do almoço de Natal da grande família dos clássicos do barlavento algarvio, desta feira realizado no Hotel Holiday Inn, de Armação de Pêra, o qual recebeu com pompa e circunstância os convivas servindo um excelente menu composto com várias entradas, pratos de peixe e carne, sobremesas de frutas, doces de grande qualidade e quantidade, além de cafés e digestivos.

Foi almoço, seguramente, o melhor entre os melhores 44 almoços do “Clube dos Veículos Clássicos do Barlavento” já realizados até hoje, pelo que a troca de lembranças entre os participantes e as palavras de Sérgio Costa no final do almoço selaram evento com grande felicidade no rosto de todos enquanto trocaram, também, votos de bom Natal.

"Sou feliz, pois tenho uma família que me acompanha nesta aventuras e porque estou convicto que faço um bom trabalho, fazendo assim muitas pessoas felizes, tal como eu”, desabafa Sérgio Costa

No final do almoço no Hotel Holiday Inn, em conversa informal com o Presidente da Direção, Sérgio Costa, do “Clube dos Veículos Clássicos do Barlavento”, que já entrou no quarto ano de atividade regular, ou seja, na organização no primeiro domingo de cada mês encontros de automóveis clássicos, propriedade de pessoas residentes na região algarvia, e com o decorrer dos meses começaram a participar proprietários dos referidos clássicos vindos de várias regiões do país e, também, da vizinha Andaluzia, entre mais um café com o referido Sérgio costa, questionamo-lo a que se deve este aumento de popularidade da adesão de cerca de 100 automóveis mensalmente. “Os encontros começaram por ser apenas um encontro de amigos, amigos esses que tinham em comum um gosto: automóveis clássicos. Numa conversa na pastelaria do Tó Zé, com o Rogério Pinto e o Tó Zé, achamos que seria interessante fazer um encontro mensal semelhante ao que já existia em Faro. Foi agendada uma data para o primeiro encontro, o dia seis de abril de 2014, e a partir daí contatamos os nossos amigos dos clássicos a informar da ideia. Nesse primeiro encontro contamos com 24 veículos clássicos. Nunca pensamos que teríamos tanta adesão! Sabe-se que o passar da palavra é muito importante e, como tal, mês a mês, temos vindo a ter a melhor a adesão ao "nosso" encontro. Podemos sempre contar com o apoio com cada um dos proprietários que nos visitam, pois damos sempre o melhor de nós no acolhimento a novas participações. A popularidade deve-se a todos os proprietários que aderem aos "nossos" encontros, fazendo com que já tivéssemos passado a marca dos 240 veículos clássicos”, sublinha Sérgio Costa.

O “Clube dos Veículos Clássicos do Barlavento” funcionou até ao mês de março do corrente ano como um grupo restrito de amigos residentes em Armação de Pêra e localidades vizinhas, se bem que sempre teve o apoio logístico da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, da própria Câmara Municipal de Silves, GNR, da simpatia do Clube de Futebol “Os Armacenenses”, e de alguns restaurantes e empresas locais, nomeadamente do Hotel Holiday Inn, porém, quisemos saber que razões levaram o núcleo duro do clube a demorar três ano fundar o mesmo legalmente. E que diferenças se estão a processar desde que o “Clube dos Veículos Clássicos do Barlavento” é oficial? “Permita-me que discorde da afirmação. Nunca fomos e nunca seremos um "núcleo duro". Sempre se assumiu uma postura aberta. O que no início era um grupo de amigos de meia dúzia de pessoas, passou a ser um grupo de amigos abertos e sem restrições, unidos pelo um único gosto - veículos clássicos – logo após os primeiros encontros, apercebemo-nos que tínhamos uma boa adesão por parte da população. É por isso, que hoje em dia, contamos com pessoas de várias nacionalidades. Ao verificarmos a boa adesão por parte de todos, começou-se a pensar na ideia de criar um clube, para que se pudesse oficializar perante a sociedade, com todas as responsabilidades, direitos e deveres. Podemos agradecer a todas as entidades o suporte e apoio que nos dão e que nos fazem ser quem somos e que nos ajudam a crescer, nomeadamente, e com grande agradecimento por parte da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, na pessoa do seu Presidente, Ricardo Pinto, da Câmara Municipal de Silves, na pessoa da sua Presidente, Rosa Palma, bem como o Clube de Futebol "Os Armacenenses", GNR de Armação Pêra, e ainda os Restaurantes: Balbino, Almadrava, Sonabrasa, Camping de Armação de Pêra, Sardinha Assada, "O Turco" e Hotel Holiday Inn. O clube está numa fase embrionária, e, como tal, contamos com o apoio e as ideias de todos, para que possamos crescer. Estamos a angariar sócios, a organizar eventos e em prospeção de parcerias. Os sócios têm o melhor acolhimento por parte do clube em todas as questões”, refere Sérgio Costa.

A propósito do crescimento do clube, como está a decorrer a campanha de angariação de associados. Fale-nos um pouco sobre os valores de jóias e de quotas e que direitos usufruem? “A angariação dos sócios é feita presencialmente em cada encontro e, também, através do preenchimento da ficha de inscrição, online, disponível no facebook do clube”. O valor da jóia e da quota anual, ficou definido na primeira reunião do Clube, aberta a qualquer cidadão, e de acordo com a Direção do clube e todos os presentes na dita reunião. Desta forma, chegou-se ao valor da jóia de 10 euros  e da quota anual de 20 euros", acrescentando "Como já fora referido, encontramo-nos em negociações para parcerias, sendo que as inscrições para os sócios iniciaram-se, apenas, em setembro passado. Contamos, para já, surpreender os sócios no próximo aniversário do clube, bem como em regalias nos próximos eventos, onde o clube esteja presente”, explica o Presidente do “Clube dos Veículos Clássicos do Barlavento.

Estamos a chegar ao fim do ano de 2017 e a dias do início de um novo ano. Em jeito de balanço, pensamos que o mesmo já foi feito nas respostas anteriores. Quer acrescentar algumas notas, ou aproveitar para informar os associados e fãs dos clássicos algarvios, o que vai acontecer ou que gostará que se realize no ano de 2018 em termos de eventos, designadamente, na participação do clube noutros encontros, passeios, ou até num passeio organizado a cem por cento pelo “Clube dos Veículos Clássicos do Barlavento” fora de Armação de Pêra? “Aproveitamos, este momento de reportagem, para informar todos os associados e fãs, que estaremos presentes na Passagem de Ano e Carnaval com uma barraquinha de comes e bebes nos festejos da Vila de Armação de Pêra, onde todos os sócios terão regalias. Contamos com a participação nos passeios organizados pelo Algarve Classic Cars, na pessoa de Luís Brito, pretendemos organizar nós mesmos um ou mais Passeios de Clássicos no Concelho de Silves e até organizar Passeios/Excursões a eventos de clássicos que se organizam pelo país fora, contando com os apoios da Câmara Municipal de Silves e da Junta de Freguesia de Armação de Pêra , bem como a eventos realizados na vizinha Espanha”, enfatiza Sérgio Costa.

A terminar esta entrevista informal, o porquê da paixão do Sérgio Costa pelos automóveis antigos, a qual o conduziu à formação de um clube com estas características? O que está a mudar na sua vida pelo facto de ser o Presidente da Direção do “Clube dos Veículos Clássicos do Barlavento”. “Em relação à paixão pelos clássicos, sempre tive vontade de possuir um veículo com essas características, mas devo este processo a duas pessoas que, infelizmente, nunca puderam participar nos nossos encontros devido à sua vida privada. São dois elementos da Brigada de Transito da GNR, o Bernardo Sousa e o Mateus, que tiveram clássicos antes de mim e que me incentivaram o "bichinho" dos clássicos.  Depois, já possuidor de um clássico, o meu adorado “Lotus”, conheci o Rogério Pinto, um extremoso amante de clássicos e que me incentivou a avançar com este projeto. Quanto ao cargo de presidente do clube fez-me crescer nas relações pessoais com o meio envolvente, ganhando desta forma um infinito de amigos. Aliás, tenho muito orgulho em ter proporcionado um evento mensal à localidade que tão bem me acolheu, e que faço de tudo, como armacenense que me considero, para a elevar a um patamar de maior reconhecimento, a nível ibérico numa primeira fase e a nível internacional, quiçá, (risos). E, sou feliz, pois tenho uma família que me acompanha nesta aventuras e porque estou convicto que faço um bom trabalho, fazendo assim muitas pessoas felizes, tal como eu”, finaliza Sérgio Costa.

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António Camilo parte de Lagoa a caminho da Guiné-Bissau com o camião carregado de “solidariedade e fraternidade”

No Barlavento algarvio todos os conhecem, é o Camilo de Lagoa, fez vida de sucesso no ramo dos eletrodomésticos, agora, afastado dos negócios e com a família arrumada, regressa ao passado saudosista dos tempos de militar na guerra colonial na Guiné-Bissau, ajudando a sobreviver as populações gineenses. António Camilo reparte os dias entre Lagoa e a Guiné-Bissau, organizando expedições humanitárias a favor daquele povo africano, ajudando hospitais com equipamentos de saúde, construindo escolas e oferecendo milhares de livros, matando a fome com toneladas de alimentos que transporta ou faz chegar de barco aos amigos africanos.

O «Algarve Mais Noticias" reporta a vida deste humanista solidário e fraterno que em tempos andou de metralhadora em punho a combater aqueles que hoje ajuda...

João Pina

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

(Em atualização)

António Camilo, 66 anos, nascido em Lagoa, 18 de Outubro, estudou na "Escola Nobel International School Algarve",  junto à EN 125, Lagoa e, ao longo de décadas destacou-se na vida empresarial no ramo de electricidade, nomeadamente, nos electrodomésticos, artesanato e enquanto mais jovem, na área de discotecas e bares, entretanto, há poucos anos vendeu o negócio principal e como não é homem de viver da reforma e muito menos dos rendimentos, passou a dedicar-se às missões humanitárias a favor das populações da Guiné-Bissau, “fui furriel miliciano da Companhia de Caçadores que combateu em Jumbembe, Guiné-Bissau”, diz António Camilo, “desde que regressei ao continente depois da comissão de serviço e ao longo dos anos, nunca deixei de pensar daqueles tempos, muitas noites sonhei com os antigos combatentes guineenses que lado a lado comigo defrontávamos os guerrilheiros”, acrescentou na tarde do dia 25 de Novembro, horas antes de partir para a 4ª Expedição da “Associação Humanitária de Apoio Social Internacional” quando nos encontramos junto à sua residência, na Rua Coronel Figueiredo, número 26 e, que serve de sede à associação e também ao armazém onde se encontram depositadas as toneladas de dádivas que a “Humanitários” oferece aos guineenses.

A «Algarve Mais”, hoje “Algarve Mais Noticias» tem acompanhado a actual faceta humanitária de António Camilo e quando o antigo empresário lagoense iniciou na companhia do amigo, Francisco Nunes, 57 anos, motorista e segundo o próprio “pau para todo o serviço” mais uma expedição por terra à Guiné-Bissau, recordamos as conversas via internet da expedição de 18 de Setembro último, enquanto, a partir desta data publicaremos as situações que irão decorrer:

A 18 de Setembro de 2017, António Camilo vindo do Algarve até Algeciras. “Hoje saímos do porto de Tarifa para Tanger com os jeeps super carregados de material humanitário. Chegamos a Marraquexe depois de 900 quilómetros. Neste momento acabamos de vir da grande praça em Marraquexe e estamos a dormir no hotel Íbis”, comunicou, afirmando deseguida: “Comecei a fazer isto em 1998 por estrada. Esta é a 22ª expedição por terra. Normalmente a “Associação Humanitária de Apoio Social Internacional” da qual sou presidente, quase todos os anos envia um contentor humanitário para a Guiné para a construção de escolas, equipamentos que recolhemos em Portugal. Na “Humanitários” que é uma ONG já somos poucos com vagar e disponibilidade financeira para isto, porque as despesas são à conta de cada um”.

Questionamos António Camilo dos motivos que o levam a deixar a sua zona de conforto no Algarve para andar sempre a pensar na Guiné-Bissau, e quando está em Lagoa passa os dias a angariar equipamentos, roupas, materiais diversos e preparar a próxima expedição. “Como sabes fui militar na Guiné e voltei lá trinta anos depois. Nessa altura, vi as condições que a Guiné estava, joguei mão ao assunto e enquanto tiver força vou continuar”, referiu. Nas expedições António Camilo transporta vários tipos de material, desde roupa, enciclopédias, e de barco 30 mil livros e várias caixas de roupa, computadores, entre outras coisas que não cabem nos jeeps ou nos camiões.

Sobre a actual situação guineense, sublinha: “Infelizmente a situação não é nada boa, derivado a interesses políticos, mas a população é que sofre e muito" e, em Portugal? perguntamos: "Já aqui em Portugal, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de Lagoa têm colaborado, no entanto, a maior parte do apoio vem de uma lojinha humanitária que temos em Lagoa, na Rua João Chagas e que é minha", despede-se virtualmente o antigo empresário de sucesso, hoje filantropo luso guineense, avisando: “Ok amigo, todos os dias quando houver internet vou remetendo notícias. Amanhã vamos sair daqui para Agadir, Goelmim, Tizenit e dormir no Cabo Bojador, terra que está germinada com Lagos, visto o descobridor, Gil Eanes ser de Lagos, tendo, aliás dobrado o Bojador, vou enviar fotos do Farol que é monumento da Unesco construído pelos portugueses”.

19 setembro de 2017, António Camilo saiu de Marraquexe pelas 07,00 horas da manhã, visitando Agaddir. “Do morro avistamos uma vista soberba de Pafa, o porto de Agadir, na cidade, o Forte no morro, construção feita pelos portugueses antes do terramoto. Seguimos em direção a Tizenit Guelmim, TamTam e Tam Tam de lá Plage, se recordarem, era o local aonde o Dakar parava um dia para descanso e, como o casal que vem comigo era nessa altura o diretor das apostas da Santa Casa. Aliás, era ele que tratava dos contratos com o euro milhões e, na partida de Lagoa teve a amabilidade de nos oferecer camisolas, relógio, lenços e facas multiusos com a publicidade do Dakar e do euro milhões que não se realizou nesse ano. Amanhã, sairemos daqui para Layone, já no Sara Ocidental, em direcção, também ao Cabo Bojador depois de Dakla, última cidade de Marrocos”, escreveu o nosso entrevistado através da Internet, adiantando, esperemos que não haja muita areia para irmos ainda dormir ao Hotel Dalas, perto da fronteira com Mauritânia, mas ainda teremos que atravessar a “terra de ninguém” que é uma faixa minada e controlada pela ONU”.

"O estado de degradação do país, das pessoas, deu-me vontade de chorar.Tinha de fazer qualquer coisa"

Ainda a 26 de Novembro, nas expedições acontecem sempre peripécias de última da hora e que alteram toda a programação da viagem, de outro modo, deixava de ser um desembaraço, ainda agora, quando aguardava comunicação de António Camilo que nas minhas contas devia de estar em Algeciras, recebi a seguinte mensagem: “Bom dia, Pina, ainda estamos em Lagoa, tivemos que regressar. Apareceu um problema mecânico no camião e viemos resolvê-lo. Vou tentar falar com um mecânico, uma vez que hoje é domingo”.

Uma vez que estamos com a mão na massa, vamos recuperar outras conversas com António Camilo: “Em determinada altura, seguiram 30 sacos de roupas usadas, 10 caixas com sapatos, doadas à “Gazeta de Lagoa” e um aparelho para a realização de ECG, doado por um grupo de Clínicas de Portimão com destino ao Hospital de Bafatá. De outra vez seguiu um contentor num barco com cerca de 50 mil euros de roupas novas, especialmente para crianças, doadas por várias fábricas e que fiz questão de acompanhar, como sempre o faço da distribuição na Guiné-Bissau”.

Há dias, conversando com António Camilo, disse-lhe que apresentava algum nervosismo, ao que respondeu de imediato. “Esta noite nem consegui dormir a pensar no que ainda tenho de fazer até carregar o camião” e, prosseguiu a desfiar o álbum de recordações recentes da sua missão de solidariedade e fraternidade a favor dos guineenses, povo que, enquanto militar lhe fez ver a vida de outra forma, a dos que tudo têm e outros que nada tem. “Foram 23 meses intensos que me assinalaram até hoje, sobretudo, já em clima de paz o choque manteve-se. O estado de degradação do país, das pessoas, deu-me vontade de chorar. Tinha de fazer qualquer coisa".

O telemóvel não para de tocar, atendeu e relatou: “São pessoas a querer doar roupas, outros telefonemas são de empresas. São, também, antigos combatentes, que ouvem falar de mim e do que faço, e pretendem participar na próxima expedição. São também, chamadas que chegam da Guiné-Bissau”.

António Camilo é um homem grande de altura, corpulento, dinâmico, pai de um casal já com as suas próprias vidas organizadas, tem a sua vida financeira em boa situação até ao fim de vida, porém, há poucos anos a sua companheira de sempre e mãe dos filhos e empresária ao seu lado todos os dias, partiu até ao reencontro final e, ele, homem de afectos vê-se realizado, praticando o bem, ajudando os seus semelhantes. “Há tempos, um homem aflito, devido à mãe estar a morrer e sem dinheiro para medicamentos, telefonou-me. Liguei à pessoa responsável pelo dinheiro que sobra dos patrocínios, e pedi-lhe para comprar os medicamentos e entregar ao homem em causa", frisa António Camilo, coçando o queixo de olhar fixo no céu, como que a dialogar – está a ver, minha querida – continuo fiel aos nossos princípios.

“Há dias chegou-me à fala um casal vindo da Venezuela de mãos vazias, nem casa para viver, dinheiro para comer, roupas, emprego, enfim, a desgraça e as tragédias do mundo, neste caso da Venezuela. Arranjei-lhes um apartamento alugado 

"Se não ajudarmos o que será feito daquele povo?"

António Camilo já contou estas aventuras várias vezes, “de início mandei cartas a empresas portuguesas, a pedir sobras, como mapas para as escolas, e a resposta ultrapassou todas as expectativas, meti mãos à obra”, prosseguindo no folhear das páginas do passado solidário. “Preparei o meu Jeep e fiz o roteiro da viagem, o carro ficou tão cheio que nem cabia mais uma garrafa de água e, disse para os meus botões. Ora eu, que nunca tinha estado em Marrocos nem francês falo, vai ser uma carga de trabalhos (risos)".

Seguindo o seu relato, nesta primeira viagem, uma parte do percurso, na Mauritânia, teve de ser feito pela praia, já que não existiam estradas. "Naquela viagem, chegámos a dormir numa tenda de tuaregues, num areal. Só para entrar no Senegal, despendemos cerca de 500 euros".

Os anos passaram, as viagens multiplicaram-se, António Camilo arrecadou experiência e contactos, conhece as regras bem demais, tem a lista dos hotéis pequenos e grandes, albergues e, antes de viajar a partir de Portugal trata com as diversas autoridades tudo referente a datas, bagagem para que os carros não fiquem retidos depois nas fronteiras. “Já aprendei uma coisa, nunca viajo à noute, é perigoso, levo sempre uma pequena farmácia e até levo umas lembranças para oferecer nas fronteiras ou nos postos de controlo", sublinhou num determinado dia em conversa com o jornalista. “Medo? Até já fiz uma viagem sozinho de Lagoa à Guiné-Bissau. Tenho é medo de conduzir em Lisboa (risos).

Por cada viagem são percorridos cerca de 4.300 quilómetros com a duração de sete a oito dias. “Em cada fronteira perde-se uma manhã ou até um dia. Na Guiné-Bissau e contando com o tempo de viagem estamos duas ou três semanas. Por vezes oferecemos os carros em que viajamos e regressamos a Portugal de avião, aliás, desta vez, o camião vai ficar na Guiné-Bissau para uso dos operários que estão a trabalhar por conta da Associação porque estamos a construir uma escola de raiz”, esclareceu António Camilo.

"Chegados ao país africano, antiga colónia portuguesa, os materiais que levamos é entregue porta a porta, nas escolas, hospitais e igrejas carenciadas. "Conheço a Guiné total, incluindo as tabancas e também já possuo lá uma casa, sempre fica mais barata as estadia", referiu António Camilo.

A 27 de Novembro antes das 08,00 horas da manhã, António Camilo informou que chegaram ontem a Algeciras no princípio da noite e, que de seguida foram descansar e dormir após cerca de 900 quilómetros por estradas de Portugal e de Espanha.

Mal nascia o sol no Algarve, recebemos a comunicação: “Vamos ficar aqui até às 6.30 horas da tarde, porque a travessia por barco foi cancelada, aliás, de todos os barcos devido ao mau tempo no estreito de Algeciras para Marrocos”, pelo que os viajantes têm mais umas horas de descanso e o jornalista aproveita para trabalhar noutras tarefas.

(Em atualização)

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Carnaval Trapalhão anima Armação de Pêra nos dias 24, 26 e 28 de fevereiro

A vila piscatória de Armação de Pêra festeja este ano o carnaval trapalhão, como, aliás o faz há décadas. No entanto, desde há três anos que a Junta de Freguesia decidiu tomar as rédeas das várias organizações artísticas na vila e que se iniciam precisamente com o carnaval terminando na passagem do ano.

Reportagem: João Pina 

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

Tais resoluções têm sido bem recebidas pela população, designadamente, pelos milhares de forasteiros que em determinadas épocas do ano visitam a vila, se bem que, uma franja da população ligada ao comércio local também critique o excesso de festas e feiras organizadas e que causam, segundo, os mesmos comerciantes algumas quebras nos seus negócios nos meses de julho e agosto.

É, tempo de carnaval e não de trapalhadas e Armação de Pêra prepara mais uma edição do tradicional Carnaval Trapalhão que este ano tem como tema central o "CINEMA".

Com a colaboração da população que adere em massa nos preparativos, realizam-se os habituais cortejos de domingo e terça-feira, com início pelas 15,30 horas, junto ao Hotel Holiday Inn Algarve, percorrendo, a Avenida Frente-Mar.

Haverá como novidade um Desfile Infantil na sexta-feira, dia 24 de Fevereiro e o Enterro do Entrudo previsto para o dia 1 de Março.

O grande destaque deste ano vai para a emissão em direto do programa "RTP MAIS PERTO" durante o dia da "terça-feira gorda" que irá fazer uma emissão de 6 horas diárias a partir de Armação de Pêra.

 

O arraial no final dos desfiles, na zona da Lota, com “Cultugarve Band" (domingo) e "Xico Barata" (terça-feira) garantem a animação das centenas de foliões até às 20,00 horas, num recinto onde as instituições que estão a organizar a edição deste ano do Carnaval Trapalhão irão ter "barraquinhas" de comes e bebes.

O Carnaval deste ano conta, ainda, com a participação especial do grupo Percutunes, APEXA, Amigos dos Veículos Clássicos do Barlavento e Cultugarve.

Para o corso carnavalesco estão previstos a participação de 15 a 20 carros alegóricos, sendo previsível que este número aumente com a adesão de vários grupos informais, incluindo das freguesias vizinhas que são sempre bem-vindas.

A organização é da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, Agrupamento Escolas Silves Sul, Associação De Pais Apa, Casa do Povo de Alcantarilha, Pêra e Armação de Pêra, Clube de Futebol «Os Armacenenses», Agrupamento 0598 - Armação de Pêra, POLIS APOTEOSE, Associação Amigos de Armação e, que conta, com o apoio da Câmara Municipal de Silves, GNR de Armação de Pêra, Delegação Silves-Albufeira da Cruz Vermelha Portuguesa, Turismo Algarve e RTP.

Nota: As imagens foram captadas em reportagens dos últimos corsos trapalhões de Armaçãos de Pêra porJoão Pina{gallery}carnavalsss{/gallery}

 

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Florentino de Oliveira, da engenharia aos telefones, futebol e política, festeja mais um aniversário com 72 amigos

Florentino Mascarenhas de Oliveira, antigo Diretor de Faro/Beja na empresa Portugal Telecom, hoje aposentado, comemorou o 72º aniversário no conhecido restaurante “O Petisco”, em São Bartolomeu de Messines, na companhia de 72 amigos, oriundos de vários locais do Algarve, onde se destacaram alguns ex-presidentes de câmaras municipais, juntas de freguesia e presidentes de clubes desportivos, nomeadamente, de futebol e de muitas empresas e amigos, alguns desde a infância

Texto e fotos: João Pina 

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

É das caras mais conhecidas do Algarve, conhecido por milhares de pessoas e reconhece um a um, porque em cada rosto vê um amigo e não foi, nem é, através do Facebook ou qualquer outra rede social, mas sim pelo tratamento que dirige a cada um e que tenta resolver os seus problemas.

Com residência em Faro e em São Bartolomeu de Messines, o Engº Florentino de Oliveira enquanto jovem, licenciou-se em Engenharia Eletrónica pela Universidade do Porto, em 19.10.1971 e passou pela Circunscrição de Telecomunicações do Porto e nos Serviços Municipalizados de Silves. Cursou, ainda Ciências Pedagógicas na Faculdades diale Letras do Porto e foi professor do Ensino Técnico Profissional de 1969 a 1974 na Escola Industrial e Comercial de Silves e na escola Neutel de Abreu, em Nampula, tendo, sido ainda, Oficial Miliciano de Transmissões.

Em termos profissionais foi admitido nos CTT de Faro em agosto de 1974, sendo Chefe de Circunscrição de Telecomunicações de Faro, desde 3 de outubro de 1975, nomeado Gestor da área de Telecomunicações de Faro desde 1 de dezembro de 1977 e diretor da Telecom Portugal de Faro desde 1 de abril de 1992 e diretor da área Operacional de Negócios de Faro, Beja da Telecom Portugal desde 2 de abril de 1993 e finalmente Presidente do Conselho de Administração da TV Cabo Guadiana desde 11 de março de 1998 até à aposentação.

Como se depreende do referido, Florentino de Oliveira foi o homem dos "telefones" nos primórdios da área das telecomunicações e, durante 30 e tal anos a partir de Faro, desenvolveu o mercado no sul do país. “Quando cheguei à empresa estavam instalados 10 mil telefones. E, quando saí deixei 250 mil telefones. Cabines telefónicas existiam algumas dúzias e comigo foram instaladas cabines em todas as aldeias, vilas e cidades do Algarve”, referiu Florentino de Oliveira, em jeito de desabafo na noite de aniversário. Além, dos "telefones", ainda hoje é recordado como Presidente da Associação de Futebol do Algarve, “Com o engenheiro na presidência da Associação de Futebol do Algarve, estávamos garantidos com as telecomunicações nos clubes e com os pagamentos das taxas dos futebolistas. Ele resolvia tudo e depois logo acertávamos as contas, foi sempre um bom presidente e amigo dos clubes”, comentou um dirigente desportivo e ainda presidente da direção de um clube de futebol.

Aliás, do seu currículo e, por que se tem falado muito dessa faceta do Engº Florentino de Oliveira, neste jantar, registaamos que foi Presidente do Clube Desportivo de Portugal de 1968 a 1970, da Associação de Futebol do Algarve de 1987 a 1992. Foi, igualmente, membro do Conselho Pedagógico da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Algarve e Perito Avaliador Distrital e Presiddente da 2ª Comissão Permanente de avaliação da Propriedade Urbana da Repartição de Finanças de Albufeira.

Atendendo, às boas relações de amizade e, sobretudo, à popularidade granjeada, após deixar a empresa ainda no seu tempo, Portugal Telecon e posteriormente Meo, devido à aposentação, foi algumas vezes convidado para se candidatar à Câmara Municipal de Silves, ora pelo PS, como até integrar as listas do PSD e finalmente encabeçar a lista de um movimento político a formar, mas a política a tempo inteiro nunca o seduziu, embora, “ainda desempenhei as funções de Chefe de Gabinete do Presidente Arsénio Catuna, pelo PS, em Albufeira, mas, mais por amizade do que a pensar em seguir a carreira política”, relembra o aniversariante. Igualmente, satisfeito com o jantar, estava José Carlos Araújo “Piasca”, “faz bem recordar estes momentos de boa amizade, um homem bom nunca está só, esta noite foi fantástica porque o Eng. Florentino Oliveira merece tudo de bom. Espero que para o próximo ano estejamos novamente todos juntos. Um abraço grande para todos”, adiantou à reportagem do «Algarve MaisNotícias».

No jantar que se realizou no dia 5 de janeiro, estiveram 72 pessoas, número igual aos anos que comemorava, uma prática que o aniversariante tem seguido nos últimos anos:

Entre outros convidados, registamos as presenças de José Carlos Rolo, Vice-Presidente da Câmara de Albufeira, José Viola, antigo Presidente da Câmara de Silves, Luís Coelho, antigo Presidente da Câmara de Faro, Rogério Pinto, antigo Presidente da Câmara de Silves, Reinaldo Teixeira, Administrador da Garvetur, Comandante da GNR de S. Bartolomeu de Messines, Sarg. Mouralinho, 2º Comandante da GNR de Armação de Pêra, Sarg. Tomé, Sarg. Ajudante Pires da GNR de Silves, António Matias, Ten. Coronel e ex-Comandante do Destacamento de Albufeira, Dr. Melo, médico em Albufeira, Dr. Leonel Laranjo, médico em Faro e filho, também, médico em Faro, Henrique Viegas, Chefe de Finanças Adjunto de Silves e vários funcionários públicos, Martinho, comerciante e exportador de frutas, Prof. Carreira, muitos funcionários da Portugal Telecom, militares da PSP de Faro, Délio proprietário da Fresbolo, Baltazar da Chocofigo, proprietários do Restaurante dos Salgados, Luís Serra, Centro de Empresas do BPI de Faro, D. Margarida do BPI Faro, Monteiro, hoteleiro de Albufeira, Eng. Sérgio Neves, Valdemar da Messiluz, Eng, Bonança, Pres. da Telecert Faro, Júlio Catuna, Empresário de Albufeira, Adolfo

Gregório, Presidente do Imoral de Albufeira, José Carlos Araújo, Presidente da Casa do Povo de Messines, Hélder Brás, Presidente da União Desportiva Messinense, Sousa Cabrita e esposa, da Auto Jardim, Florival, Empresário hoteleiro e de Bares, Albufeira, José Emídio e filho, proprietários hoteleiros e Rent a Cars, Arqª. Ana Filipa e marido da Câmara de Albufeira, Nelcinho, Garrafeira Soares, Eng. Barros da Câmara de Loulé, Dimas, antigo funcionário da EDP, Hilário Monteiro, Captações de Água, Alfredo Machado, Empresário e Jornalista, Jorge Silva, Companhia de Seguros Fidelidade. 

Florentino de Oliveira passou a noite do jantar do seu aniversário mais tempo em pé e de mesa em mesa a conversar com os convidados do que a jantar propriamente dito e que frisou várias vezes, “são meus amigos de uma vida, quer de trabalho como de negócios, sobretudo, de boas relações, este é mais um encontro de convívio, só que estamos mais tempo juntos uns como outros”, explicou ao jornalista e a propósito do protocolo na organização das mesas e da oferta de prendas, sublinhou: “Como disse, é um jantar informal, não gosto de prendas e cada um senta-se onde quiser e houver lugar, também é tempo de se conhecerem mais e melhor uns aos outros, se bem que somos amigos há décadas… discursos, não gosto de agradecimentos públicos e muito menos de agradecimentos, também, públicos, nunca andei à procura de protagonismo e muito menos com esta idade”.

Na hora das despedidas, Maria P. Cabrita fez questão de fazer chegar a Florentino de Oliveira e por escrito a seguinte mensagem: “Parabéns. E já agora devo dizer-lhe muito obrigada pois sem a sua ajuda e boa vontade a minha aldeia Alfarrobeiras não tinha tido linhas telefónicas. Isto apesar de vários pedidos aos Serviços Telefónicos e com justificações médicas de pessoas que estavam bastante doentes e o telefone mais perto para se chamarem os socorros se encontravam instalados no “Fica Bem” a mais de um quilómetro. Muito obrigada, muita saúde e bem-haja”.

Texto: João Pina 

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

Fotos: João Pina e Hélder Fontainhas da Cunha

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Baía de Armação de Pêra com mais peixes “meros”

(…) “A baía de Armação de Pêra é considerada um paraíso para biólogos marinhos e mergulhadores, servindo de casa a mais de 800 espécies, entre elas, uma alga protegida a nível internacional.

O recife natural da Baía de Armação de Pêra estende-se por sete milhas náuticas (cerca de 12 quilómetros) e é estimado ser um dos maiores em Portugal, onde a beleza subaquática já foi apresentada na BTL - Feira Internacional de Turismo de Lisboa, sendo muito procurada por parte de investigadores e turistas estrangeiros.
(…) "É um local com um interesse científico enorme, que contínua intato, sem nenhuma intervenção humana".

Aproveitamos a operação da libertação de cerca de 50 meros ao seu habitat natural, para «falarmos» de um dos melhores recifes do mundo com quem sabe e que nele mergulha diariamente, ou seja, Miguel Rodrigues.

Texto e fotos: João Pina 

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

Adiado por duas vezes devido às más condições climatéricas na costa algarvia, aos ventos suestes que fustigaram a costa marítima, designadamente, a zona de Armação de Pêra, só a 13 do corrente mês de dezembro, é que depois de capturados na EPPO, os meros foram transportados para a praia dos pescadores da vila piscatória atrás referida e destinados ao repovoamento destes peixes.
Com um pequeno atraso, a transferência dos mesmos para as embarcações que procedeu à sua libertação e que se verificou cerca das 11,00 horas, em plena praia, partindo, depois, os três barcos para cerca de três milhas a fim de serem finalmente libertados para o novo habitat.

A presente operação de repovoamento previamente realizada pelo IPIMAR desde 2001, o IPMA procedeu à libertação de 150 meros (Epinephelus marginatus) na costa Sul do Algarve, entre Quarteira e Armação de Pêra.

“Os meros produzidos e criados na Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (EPPO) estão identificados com uma marca amarela numerada, têm entre 3 e 4 anos de idade, pesando entre 700g e 2Kg (média 1,3kg) e medem entre 35 e 48cm (média 41cm) ”, informa o investigador do IPMA, Pedro Pousão, à comunicação social, na praia dos Pescadores de Armação de Pêra, antes de serem lançados ao mar da baía, adiantando: “Os peixes foram produzidos a partir de reprodutores selvagens para serem libertados durante o final do mês de novembro, princípio de dezembro, em colaboração com a Armalgarve (Associação de Armadores do Algarve), a Associação de Pescadores de Armação de Pêra e com clubes de mergulho de Quarteira e Armação de Pêra”.

Segundo, Pedro Pousão: “O objectivo é estudar a viabilidade do repovoamento com esta espécie emblemática para o mergulho e que está praticamente extinta na costa Sul do Algarve, onde já foi comum, tendo sido esta zona escolhida para libertação por ser uma grande extensão de fundo rochoso a baixa profundidade, que é o habitat preferencial desta espécie”. Esta tese é, também, corroborada por Miguel Rodrigues, mergulhador e Presidente da Associação dos Pescadores de Armação de Pêra: “Esta ação conjunta com o sector da pesca e do mergulho recreativo tem como objetivo alertar os principais utilizadores da área de libertação para a colaboração com a investigação no sentido de libertarem os peixes caso eles sejam capturados com vida e para reportarem os avistamentos dos peixes marcados”.

A baía de Armação de Pêra é considerada um paraíso para biólogos marinhos e mergulhadores, servindo de casa a mais de 800 espécies, entre elas uma alga protegida a nível internacional. O recife natural da baía de Armação de Pera estende-se por sete milhas náuticas (cerca de 12 quilómetros) e é estimado um dos maiores em Portugal, onde a beleza subaquática já foi apresentada na BTL - Feira Internacional de Turismo de Lisboa, sendo muito procurado por parte de investigadores e turistas estrangeiros.

O recife em causa e, segundo os biólogos marinhos, terá sido criado há cerca de 30 mil anos, após a subida das águas do mar, que cobriram toda a antiga linha de costa."É um local com um interesse científico enorme, que contínua intato, sem nenhuma intervenção humana"referiu o investigador, Pedro Lino, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera IPMA),sendo que, o recife cruza debaixo de água três concelhos: desde o Farol de Alfanzina, concelho de Lagoa, até à ponta da Galé, Albufeira, ocupando toda a baía de Armação de Pêra, Silves.

Nos últimos anos foram reconhecidas novas espécies com valor científico, que se mistura com o interesse turístico.

"A ciência e o turismo podem desenvolver atividades em conjunto, que podem contribuir para a preservação dos habitats que existem no local", explicou o especialista do CCMAR.

À riqueza biológica e geológica junta-se também à beleza procurada por mergulhadores. "Já temos mais de duas mil horas de acompanhamento de equipas de investigação", refere Miguel Rodrigues, da empresa de mergulho Divespot, que diz que o recife de Armação de Pera "é um paraíso para os mergulhadores e está nos cinco melhores locais de mergulho de Portugal continental".

(---) “Eu costumo dizer que os peixes têm barbatanas e uns dias andam para a direita e outros para a esquerda. Naturalmente, temos as condições ideais para eles viverem”

Miguel Rodrigues, que acompanhou o processo desde o IPMA, em Olhão, ou seja, a reprodução destes animais em cativeiro, obviamente, filhos de animais selvagens criados lá, segundo, os investigadores: “Cresceram e se aquela parte do processo já era um sucesso, agora, havia a necessidade de liberta-los para o mar. Antigamente havia muito mais meros na costa do Algarve. Nós temos relatos dos pescadores, o pessoal do mar sabia que era comum haver mais meros. Em Armação de Pêra, todos os pescadores sabiam que até aos anos 90 ainda existiam meros grandes e, infelizmente, como outras espécies deixaram de ser vistas. Agora, houve esta oportunidade de se fazer a repovoação, contatamos o IPMA, uma vez que eu tinha feito parte deste projeto há dois anos, já tínhamos inserido alguns meros no projeto-piloto, porque este é a sequência dessa fase. Chegamos a acordo com o apoio da Junta de Freguesia da vila que nos ajudou, nomeadamente, o camião com o transporte dos animais para cá. Depois, com o consenso geral da Associação dos Pescadores que, fez questão de serem eles, os pescadores, em participar e a levar os peixes para o mar, o seu habitat”.

E, agora, o que vai acontecer aos meros, atendendo, que estão no seu meio ambiente entre centenas de espécies de peixe. Serão capturados pelos pescadores com as suas redes ou abatidos pelos adeptos da caça submarina? Quisemos saber: “Boa pergunta”, diz Miguel Rodrigues, continuando: “Os resultados, obviamente, como projeto de investigação científica, às vezes não são branco ou preto. Um sucesso já foi conseguido de certeza absoluta, foi o facto de terem nascido, crescido e libertados, porém, agora a natureza é que manda”. E, essa natureza vai deixar que os meros continuem pela baía de Armação de Pêra muitos anos, ou através dos mares vão parar a outros lados? “Pois! Eu costumo dizer que os peixes têm barbatanas e uns dias andam para a direita e outros para a esquerda. Naturalmente, temos as condições ideais para eles viverem. Antigamente, era um habitat muito comum encontrar meros de grande porte. Chegamos a ter meros de 30 a 40 quilos, portanto, as condições ideais estão cá o recife, é um fundo típico de meros, digamos a casa própria e de conformo temos aqui. Mas, estamos no inverno, é mar de fora, é levante, as condições do mar mudam, os animais podem assustar-se, arrancar e ir para outro lado qualquer, mas, temos a esperança que alguns fiquem por aqui nestes buracos maravilhosos para eles.

Entretanto, andam centenas de pescadores ao mar, se os meros forem parar às redes, qual será a reação dos pescadores? “Eu penso que neste caso e nesta espécie emblemática como é o melro, os pescadores sabem perfeitamente que os que foram libertados têm cerca de um quilo e meio. Portanto, são muito bebés, e eles atingem cerca de 40 quilos, pelo que só terá um valor comercial quando for um animal grande. O feedback dos últimos anos dos pescadores é muito positivo, muitos deles têm consciência do animal que é, temos tido relatos desta última fase do repovoamento de Quarteira e de Armação de Pêra e eles têm participado muito, devolvido alguns animais ao mar. É claro, que os que já vêm mortos nas redes não há nada a fazer, a não ser contatarem o IPMA e entregarem a marca que foi colocada no peixe e a referência onde é que andavam para conseguirmos fazer o mapa e estuda se eles se fixam ou se vão para outros lados e mares”..

Como mergulhador e, também, investigador que o Miguel Rodrigues é, perguntamos o que faz o desportista profissional ao mergulhar em caça submarina ao avistar os meros, dispara? “Eu acho que não. Antigamente havia muitos casos desses, o mero era um animal muito procurado pelo porte e imponência que tem, mas, hoje em dia, há muito mais informação. Nós, neste projeto convidamos alguns campeões, atletas de renome de Portugal com vasto currículo em caça submarina para passar essa mensagem e não houve necessidade. A caça submarina é muito seletiva, é a mais seletiva de todas e eu acredito que hoje em dia o caçador submarino não procura o mero como troféu de maneira nenhuma”. É sabido que existem meros no Oceanário de Lisboa e no Zoomarine aqui bem perto de Armação de Pêra, “aliás, no Zoomarine há meros deste projeto que, também foram repovoados no aquário grande e que as pessoas podem ir vê-los muito próximos”.

Em final de conversa jornalística o que pensa Miguel Rodrigues em relação à baia e ao tal recife da praia de Armação de Pêra, onde nos encontramos? “É de facto um grande oceanário, do melhor que temos em Portugal continental. Armação de Pêra está considerado entre os melhores cinco sítios para mergulhar em toda a linha de costa, todo o valor que tem na parte da zoologia este recife aparece depois do segundo degelo em que o mar avançou cá para dentro. O facto de estar a quatro milhas e proteger esta baía, há uma competição enorme na fauna e flora estando completamente habitado. Antigamente, havia muito mais peixe, mas hoje em dia continua a ser um local maravilhoso, obviamente, que é Atlântico e não existem muitas espécies que as pessoas estão habituadas a ver nos filmes, os nemos, os chamados peixes-palhaços, por exemplo, mas, a nossa fauna e flora é lindíssima, temos animais lindíssimos dentro de água”.  

A baía de Armação de Pêra ou recife é muito procurada pelos mergulhadores? ”Sim! Sim! Sim! Nós (Dive Spot) estamos aqui sediados há 19 anos e no mundo científico e académico é muito reconhecida a nível nacional e internacional, porque temos condições para mergulhar o ano inteiro. É muito normal no inverno virem portugueses de todo o lado aos fins de semana para mergulhar”.

       

No fundo do mar da Baía de Armação de Pêra, o mergulhador depara e usufrui a olho nu com um autêntico jardim de mil cores de uma extensão a perder de vista e que tem conquistado a curiosidade da comunidade científica. Os investigadores da Universidade do Algarve, em parceria com o centro de mergulho, de Miguel Rodrigues, Armação de Pêra, além da investigação biológica deste recife milenar e cada vez mais fascinante, acabam por divulgar através das suas imagens fotográficas e dos filmes realizados e distribuídos pelo mundo.

Por último, como está a divulgação e promoção de todas estas condições magníficas para o desporto e turismo que é a atividade do mergulho e o que gira em seu redor? “Ainda está muito por explorar. Considero que Armação de Pêra continua a ser um «diamante em bruto» e temos ainda muita coisa para melhorar e apresentar para um turismo de qualidade. O mergulho é um nicho de mercado fantástico e por e explorar. Não é só o mergulhador que vai dentro de água, é a família que traz e que fica hospedada na área de Armação de Pêra e que frequenta os restaurantes. É óbvio que esta atividade continua a crescer e é um turismo sustentável de qualidade”.

 

Em jeito de despedida, atiramos ao Miguel Rodrigues, quantas horas passas dentro de água por mês? “Ui! São muitas horas, praticamente quase todos os dias, só quando o mar não deixa é que ficamos em terra, mas sempre que o mar deixa, temos sempre atividades. Debaixo de água, uma média de uma hora e tal, no entanto, com os preparativos do equipamento e da logística envolvente são quatro a cinco horas por dia”, refere Miguel Rodrigues.

 

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Imigrantes do leste felizes (…) “Sim, sim, sim, não é a minha terra, mas adoro aqui…” e (…) “Eu já vai morrer aqui. Estou na minha casa”, afirmam na reportagem «Família ao Lado»

Não é todos os dias que um estranho se senta à mesa composta por mais de dez pessoas para almoçar, jantar, reunião de trabalho e, respira-se felicidade na troca de palavras, de histórias, de tradições. Come-se e bebe-se «novas amizades, cumplicidades, esperança no futuro» e, nada de ressentimentos, invejas, discriminação, racismos.

Na presente reportagem, o jornalista observou, viu e ouviu ao vivo o que vai na alma de uns quantos e quantas imigrantes do leste europeu e africano residentes em Portugal e que já falam a nossa língua, trabalham, pagam impostos, têm os seus filhos que crescem, estudam, trabalham e são felizes entre nós.

A «Algarve Mais Notícias» reporta ao que se passa na «Família do Lado».

 

Texto e fotos: João Pina *

(Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408)

 

Nos tempos que decorrem, cada vez mais se fala na implementação da globalização, nomeadamente, nos EUA e na EU, ou seja, na Federação dos Estados Unidos da América e dos Países da Europa Unida e, um pouco pelo resto do mundo, através de várias associações e de protocolos de amizade.

Em nosso atender, a chamada globalização acaba por ter mais o efeito da circulação de pessoas e bens entre os povos e do conhecimento teórico entre todas e da informação do que se passa, tudo e todos transversalmente pelas redes sociais e difusão maciça da internet.

Este fenómeno positivo - o do conhecimento – torna, contudo, o isolamento das pessoas e sobretudo das famílias que se fecham em casa, correndo desenfreadamente de emprego e de trabalho em trabalho, sem tempo ou vocação para a convivência entre eles, mesmo que de vizinhos se trate.

As famílias e os vizinhos nas últimas décadas a habitarem nos mesmos prédios, lotes e blocos de apartamentos, cruzam-se nos elevadores, entrada e saída dos prédios, mas, nem se cumprimentam, conhecem e muito menos entram nas casas de uns e de outros.

Os dias são passados a correr de casa para o trabalho e deste para casa, cansados e desejosos de uma ou duas horas sentados nos sofás a ver televisão, futebol e no Facebook.

Quanto às crianças, nas escolas mal brincam, por que todo o tempo é pouco para estar a ler e a enviar mensagens e a jogar nas redes sociais.

As pessoas, desde crianças, adolescentes, homens e mulheres até aos idosos vivem aos encontrões nas ruas, nos metros, autocarros, mas não convivem, não tomam café, vivem os tempos do consumismo e da internet, é, óbvio que existem exceções dos nichos de comunidades e de vizinhança.

 

O grito da tolerância e da afeição

 

Na velha Europa, conhecida pelo poder de intervenção, das mudanças, da luta pela liberdade, nasceu na República Checa, em 2004, um movimento, ou um novo conceito de viver, que consiste na integração efetiva dos imigrantes que diariamente aumentam nos países abertos à mão de obra e, como tal, recebendo-os como vizinhos, o que rapidamente passou a ser encarado pelos próprios residentes da mesma nacionalidade.

Inicialmente, este ideal de vida implementou nos ditos bairros inclusivos, porém, alastrou-se a outras zonas de bairros, vilas e cidades, não tanto como se pretende, mas está-se no bom caminho, ou no regresso aos tempos dos nossos avós em que as portas de casa estavam sempre abertas aos mais próximos.

No passado domingo, 27 de novembro, oito famílias portimonenses e imigrantes mostraram a sua hospitalidade ao aderir à iniciativa “Família do Lado” e abriram as portas das suas casas a dez outras famílias que não conheciam para a realização de um almoço convívio, típico da sua cultura de origem, como forma de acolhimento do “outro”.

A partir das 13h00, e em simultâneo com tantas outras “Famílias do Lado” que em Portugal, Espanha e República Checa se associaram a esta iniciativa, em Portimão, vários pares de famílias - uma imigrante e outra autóctone (ou vice-versa) viveram um almoço de domingo bem diferente onde, foram partilhadas à mesa, não só iguarias gastronómicas de cada país como hábitos e costumes de cada um.

Famílias de nacionalidade portuguesa, angolana, brasileira, moldava, ucraniana, gaulesa, britânica e refugiados da Síria e de Eritreia neste momento a serem acolhidos em Portimão, viveram decerto momentos de especial convívio que abriram caminho para novas amizades e futuros encontros, aproximando culturas e fomentando a integração e o acolhimento local.

Este desafio foi lançado pelo segundo ano consecutivo pela Câmara Municipal de Portimão, no âmbito da iniciativa transnacional dinamizada pelo Alto Comissariado para as Migrações - “Família do Lado” - centrada na hospitalidade entre famílias como forma de promover a inclusão e as relações interculturais. 

A «Algarve Mais Notícias» teve conhecimento de que um desses almoços se realizava este ano em casa de uma família de um português, Rogério Pinto e de uma cidadã russa, Svetlana Menshova, há muito tempo, a viver no sítio do Quintão, Armação de Pêra.

Assim sendo, e por que no ano passado este casal luso/russo tinha almoçado com outras famílias emigrantes, em Portimão, e que este ano abriu as portas da residência para receber três outras famílias estrangeiras da cidade do barlavento, a reportagem da «Algarve Mais Notícias» esteve presente para efeitos de reportagem à iniciativa “Família do Lado”.

À hora marcada, ou seja, entre as 12,30 horas e as 13,00 horas, chegaram os convidados, Ludmila Mogli Levscaia, dirigente da CAPELA – Centro de Apoio a População Emigrante de Leste e Amigos, Alexandr Mogli Levscaia; Valeriu Levscaia Liudmila; Pilipets anna; Iryna Ivanyuk; Dmytro Ivaniyk; Paulo Dinis Afonso; Igor Dinis Afonso, os quais e depois das apresentações e palavras de circunstância, a convite de Rogério Pinto e de Svetlana Menshova, tomaram os lugares em redor da mesa para almoçar.

O repasto iniciou-se em amena cavaqueira, com o anfitrião Rogério Pinto, bem secundado por Svetlana Menshova,que na qualidade de dona da casa foi explicando a concepção da gastronomia do leste que constou de um prato Moldavo, plachnta, salada russa, doce-bolo napoleon, mosse com nozes e ameixas e, ainda outras iguarias e bebidas daqueles países do leste europeu.

A dar início as minientrevistas dos convidados, iniciámos a conversa informal com Moghilevscaia Liudmila, que, igualmente ia registando o que se passava com os seus conterrâneos em termos de imagens, “são para o meu arquivo na CAPELA”, disse, antes de responder à primeira questão: “Neste dia, conforme já foi dito, em todo o mundo pessoas de várias nacionalidades juntam-se em redor de uma mesa para mostrarem as suas tradições e para criarem novos amigos. Eu, já participei no terceiro almoço. Em Portugal o movimento chegou pela primeira vez em 2012, e registo que até hoje, o vosso país e agora o meu é, um dos que tem maior número de participantes. Entre 2012 e 2015, ocorreram 367 encontros que envolveram 833 famílias, sendo que, 452 famílias de imigrantes e 381 famílias portuguesas, de 50 nacionalidades diferentes, num total de 2572 participantes aos quais acresceram 373 voluntários”, começou por esclarecer, Ludmila Mogli Levscaia, visivelmente feliz por estar presente. “A ideia deste convívio é para estabilizar novas amizades, mas, encontra-se famílias que conhecem outras e assim vamos alargando o número que umas apresentam outras. No dia de hoje e a esta mesma hora decorrem oito almoços”. E de que falam nestes almoços, questionámos: “Oh! De tudo, da nossa comida, cada pessoa apresenta a comida do seu país porque é diferente, falamos muito sobre a nossa família e sobre Portugal. Sobre o nosso Natal, falamos menos de política e mais da amizade e do que mais gostamos aqui”, referiu Ludmila, que sobre a sua identidade, acrescentou: ”Uf! É muito complicado, minha mãe é ucraniana, pai também, eu nasci na Moldávia e muitos anos vivi na Rússia e agora sou portuguesa (risos), tenho bilhete de identidade português e moldavo, ou seja dupla nacionalidade por que já estou em Portugal há 17 anos”, e sem que perguntássemos, prosseguiu: “Estou feliz aqui. Este país já é a minha terra, quando vou de férias à minha terra, não consigo estar lá maus do que duas ou três semanas. Eu não posso ficar cá para sempre, mas não consigo viver lá. É muito complicado, não sei como vai ser”, desabafa com sinais de preocupação, “tenho cá filho e netos, um filho está agora na Ucrânia por causa do seu negócio, mas ele também já é português”, “aliás, “a minha família mais chegada está em Portugal”, acrescentou.

Entre brindes às famílias ausentes e também à tão badalada saudade, palavra que só os portugueses e os estrangeiros que adotaram Portugal como o seu país do coração sabem o significado, “muitas vezes oiço a palavra discriminização, tratamento dos estrangeiros, mas, eu acho que nós somos muito bem tratados e também depende de nós próprios, é óbvio que, pagamos os nossos impostos (risos), adiantando: “Assim, com bom clima, boa comida, bem tratados, quando estamos nos outros países sentimos falta de Portugal. Penso, que este é o significado da palavra saudade. Quanto à comida, eu não vejo grande diferença entre a gastronomia do nosso país com o vosso. A nossa comida tem os mesmos ingredientes, mas a preparação é de outra maneira. Eu gosto muito da comida portuguesa e em casa já comemos muito à portuguesa (risos) ”.

 Em Portugal, a iniciativa é dinamizada pelo Alto Comissariado para as Migrações, em parceira com entidades públicas e privadas de todo o país, até por que o projeto “Família do Lado” visa contribuir para a integração efetiva dos imigrantes na sociedade portuguesa, reforçando, assim, as relações sociais e promovendo a diversidade cultural existente no nosso país, pelo que questionamos a nossa interlocutora quanto às diferenças entre as mulheres e os homens, nomeadamente a nível da juventude? “Nos nossos países, às vezes o sucesso da família depende da mulher. O marido é para trabalhar, ganhar dinheiro e tudo, mas a qualidade de vida depende das mulheres”, enfatiza Ludmila Quer dizer que os homens não ajudam em casa, perguntamos. “Eu posso dizer como é na minha casa. Quando eu posso, tenho tempo, faço tudo. Quando não tenho tempo, o meu marido pode fazer o mesmo que eu, ele sabe e faz”, respondeu à provocação do jornalista.

A «Família do Lado» (Next Door Family EU) esta na 5ª edição e todos os encontros tiveram lugar no domingo, 27 de novembro, pelas 13,00 horas, em Portugal, Espanha e República Checa, contando-se que se realizaram em cerca de 30 concelhos, desde Viana do Castelo a Portimão, passando pelos Açores e Madeira, envolvendo-se na sua realização mais de 100 entidades.

 Em Portugal existem mais de 170 nacionalidades e que falam mais de 100 línguas, uma vez que nas ruas de cada cidade e região existem pessoas de diferentes origens.

“Eu já não posso dizer como é viver sem este calor, eu já vou morrer aqui. Na Rússia cheguei a apanhar 52 graus negativos, agora com este clima é maravilhoso”, sublinha Ludmila, confirmando que cidadãos russos, presentemente não há mutos, ”russos não há muitos, nos últimos anos houve grandes alterações, muitos saíram e outros entraram, mas propriamente cidadãos do Leste existem muitos em Portimão, cerca de 20 por cento dos imigrantes são do Leste”.

Outra presença no almoço “Família do Lado” é Valeriu Levscaia Liudmila a residir há 16 anos em Portugal, o qual depois de dizermos ao que vínhamos, passou por afirmar: “Olha! Aconteceu assim. Depois de Portugal ter aderido ao acordo deSchengen, ou seja, a  livre circulação de pessoas entre ospaíses da União Europeia (EU), as coisas ficaram mais fáceis para os trabalhadores do Leste. Eu cheguei a Portugal em 1999 e a Mirandela, onde comecei a trabalhar numa fábrica de mármores. Depois e, embora, ilegal, mas como tinha amigos no Algarve, vim para Portimão, onde arranjei trabalho como motorista de pesados numa empresa de construção civil, Catarino & Catarino, Lda”.

Quanto ao futuro, o moldavo Valeriu Levscaia Liudmila, diz: “Está tudo bem. Não há problemas na minha vida (risos).Regressar ao meu país? Estou a pensar, sim. Talvez daqui a quatro anos. Um filho meu mais velho que já tinha uma empresa de construção civil no Algarve, as coisas começaram a não correr bem… depois, fechou e foi embora. Agora, tem lá o seu próprio negócio”.

Quanto a estes almoços, o moldavo, Valeriu Levscaia Liudmila é cético, encolhe os ombros e deixa transparecer: “Úteis para a comunidade! Família! É muito complicado! Olha, a família não está toda junta em Portugal, durante a semana a gente almoça, janta, bebe copos, fala. Ouve, mas… está tudo bem, o senhor Rogério e a Svetlana é boa gente. Estou contente com este almoço…”.

 Iryna Ivanyuk é outra participante do presente almoço «Família do Lado» e uma figura relevante na comunidade imigrante em Portimão desde há 16 anos, designadamente na CAPELA onde trabalha e sem rodeios principiou por informar: “Esta é a minha família e não tenho outra”, mas, segundo sabemos, existe algo mais forte para estares em Portugal, provocamos: “Sim, o meu marido é português e angolano, certo”, falando mais a sério, o que é que fazes na CAPELA? “Sou professora de dança e tenho um grupo de dança. A maioria são filhas de imigrantes, mas, também temos crianças portuguesas. Ao todo 40 alunas de 40 famílias. Já existimos há muitos anos. Em 2017 fazemos 10 anos que somos um grupo de dança aberto dentro da associação, chama-se Estúdio MIX Dance”. Fala-nos um pouco do grupo de dança, questionámos: “É um grupo que nasceu no Centro de Apoio a População Emigrante de Leste e Amigos (CAPELA) com o nome de "Estrelinhas" no dia 1 de Setembro de 2007, visando o desenvolvimento da criação de competências no âmbito da realização de atividades de dança. O nosso objetivo tinha como finalidade o desenvolvimento da cultura, a organização de espetáculos e animação e entretenimento do público, tendo, sempre como fim a pessoa em si e a sua expressão no âmbito da criatividade. Desde o início que pretendemos aprofundar e estruturar a matéria de movimento, adquirindo ferramentas e ensaiar a sua aplicabilidade educativa em coreografias justificadamente estruturadas. Promovem-se a ocupação dos tempos livres dos jovens, apelando-os ao desenvolvimento das suas capacidades e adquirimos novas competências; cultura e arte, no seio da população e, especificamente, em cada indivíduo. Depois, no dia 1 de Setembro 2014 mudamos o nome para Estúdio MIX Dance”.

 Quanto a danças, Iryna Ivanyuk explica: “As maiorias das danças são as tradicionais dos nossos países, ucranianos, moldavos, russos e depois de outros países a que nós chamamos danças do mundo e claro, as danças criativas; danças tradicionais; danças modernas; danças contemporâneas; jazz; iniciação à dança; danças de salão; danças latino-americanas; hip hop; dança oriental e zumba” 

Em relação ao tema da reportagem Iryna Ivanyuk, não tem dúvidas: “As pessoas e as famílias passam a ser mais amigas, conhecem-se melhor, convivem mais, preocupam-se com os problemas dos outros, «Família ao lado» é mesmo conhecer as famílias que estão ao nosso redor”. A finalizar a sua intervenção e acerca de como se sente em Portugal, se é feliz, o que a obriga a continuar a viver neste país, Iryna é peremptória: “Agora, já não me obriga nada! No início era o dinheiro (risos). Agora, não! Estou bem aqui em Portugal. Gosto do que faço, tenho a «família ao lado», tenho amigos, a única coisa é que  não tenho familiares da minha parte, estão todos na Ucrânia, mas, às vezes vou lá passar férias”. És bem tratada, exclamamos em jeito de pergunta: “Sim, sim, sim, não é a minha terra, mas adoro aqui…”, finaliza a professora de dança ucraniana apaixonada e muito feliz em Portugal.

“CAPELA” Centro de Apoio a População Emigrante de Leste e Amigos

É uma instituição sem fins lucrativos, criada por iniciativa de um grupo de imigrantes de leste residentes em Portimão. A Associação procura, essencialmente, facilitar o processo de integração dos imigrantes, através da resolução dos seus problemas primários, do conhecimento básico das leis portuguesas, do melhoramento das suas condições de vida e dos seus filhos, da criação dos próprios negócios, da compreensão da cultura e sociedade de acolhimento, entre outros.

À frente desde fevereiro de 2006 está a entrevista de hoje, Ludmila Mogli Levscaia que nos diz: “A associação foi criada em 2005 por iniciativa dos pais, por que naquela altura chegaram muitas crianças do Leste a Portimão e, eu mais uma pessoa dos EUA que era russa, mas casada com um senhor português e criamos a associação e o primeiro projeto, foi o de ensinar a língua portuguesa aos filhos dos imigrantes. O nosso projeto principal é o Centro de Apoio aos Imigrantes que funciona num espaço da Câmara Municipal de Portimão na Urbanização do Pimentão, Lote 2, Cave, Três Bicos 8500-776 Portimão, onde temos dois gabinetes e várias salas de reuniões. Acompanhamos os processos dos vários imigrantes de todos os países do mundo, damos e recolhemos informações, analisamos os referidos processos e acompanhamos nas várias instituições depois. Temos, ainda, um Centro Cultural, aulas de pintura, de dança, estúdio de arte, uma escola para ajudar a integração dos filhos dos emigrantes nas escolas portuguesas, temos, ainda outros projetos”.

Ludmila Mogli Levscaia está a tempo inteiro na CAPELA e, embora, reconheça a grande ajuda da autarquia de Portimão na cedência das instalações e assegurar o pagamento de água e luz, a nossa associação onde trabalham sete pessoas, dois juristas e cinco técnicos, deixou de receber qualquer tipo de subsídios e financiamento desde 2014 do Alto Comissariado para as Migrações, pelo que, “agora trabalhamos todos como voluntários. Conseguimos sobreviver com o pagamento das quotas dos cerca de 2 mil membros da associação”.

A dirigente Ludmila Mogli Levscaia vive de corpo e alma em Portugal e no seu Algarve, como assegura: “Estou apaixonada por este país, sim, posso dizer isso. Aqui é a minha casa e pronto… Sinto-me segura, na minha terra é um bocadinho complicado por que a situação económica no país não é estável”, finaliza esta cidadã do mundo, mas de coração português e algarvio e, que depois de mais de sete anos contratada como técnica da CAPELA está no fundo de desemprego, recebendo, agora, o que muitos portugueses recebem por direito, no entanto, diz: Eu já vou morrer aqui! Estou na minha casa”.

As despedias do almoço «Família do Lado»

O almoço já ia no final, tempo dos cafés portugueses, chás do Leste e da foto da hoje «família aqui» e, também, as indispensáveis palavras da russa meio portuguesa, Svetlana Menshova e do anfitrião, Rogério Pinto.

A cidadã russa Svetlana vive legalmente integrada em Portugal, neste caso, em Armação de Pêra, com filhos na universidade em Lisboa e trabalhadores na hotelaria nas férias de verão, trabalha como funcionária de uma grande empresa do ramo alimentar com uma central de distribuição no concelho de Silves, limitou-se a agradecer a presença de todos os convidados: “Foi e é um prazer recebê-los na nossa casa, porque somos todos e todas imigrantes do leste, já nos receberam nas vossas casas e, espero que tenham gostado da minha comida e doces das nossas terras. Obrigado”.

Rogério Pinto, antigo professor e diretor de um Agrupamento Escolar do Ensino, político, ex-Vereador, Vice-Presidente e Presidente de Câmara, está aposentado e continua a ser um grande colecionador de veículos clássicos e a ir semanalmente às reuniões de câmara como vereador da oposição.

Assim sendo, como bom político que se preza falou de improviso, em pé à boa maneira de discurso de campanha: “Agradecer-vos mais uma vez virem cá. Hoje é um dia especial. Dia dos vizinhos e dia da mãe, ao lado e da mãe. E juntar estes portugueses com cidadãos de outros países que estão aqui, é aceitá-los da mesma forma como nos aceitam a nós, que também somos emigrantes. Porque, eles não são mais nem menos do que nós somos nos países nos seus países, nomeadamente dos nossos filhos e dos desempregados portugueses que têm de procurar outros países e formas de vida e de trabalho. Este almoço é importante, as ações do movimento «Família do Lado», eu, não estou a falar como político, estou como um cidadão normal e português, claro, mas, sinto-me orgulhoso e agradecido por vos receber. Esta casa está sempre aberta para a vossa comunidade, aliás, basta repararem no portão da residência, está sempre aberto de dia e de noite, felizmente, nunca me assaltaram a casa, só alguns cães da rua e que esfomeados saltaram para o galinheiro e já comeram algumas galinhas (risos) ”.

Rogério Pinto afirmou que conhece razoavelmente a Rússia e outros países do leste, “São realidades e de culturas diferentes, com climas desiguais, mas com pessoas boas, sentimentos bons, muito trabalhadores e amigos dos seus amigos. São pessoas de países com espírito de partilha, habituados aos sacrifícios, mas com história, muita história, ressalve-se, por isso, é normal que se sintam bem em Portugal, por que somos, também, um povo hospitaleiro. A terminar, deixo-vos os desejos e votos de que continuem felizes em Portugal, que é sinal que já passaram a viver os nosso desígnios e que as nossas famílias e filhos estarão mais unidos no futuro. Ah! A nossa casa 

  

*Fotos de João Pina e «CAPELA»

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Antigo futebolista profissional, XICO BARATA vira músico cantor

No Algarve, com os seus quase 500 mil habitantes, pelo menos 400 mil já dançaram e bateram palmas ao «Rei do Kizomba», ao antigo futebolista do “Torralta” e, de outros emblemas algarvios, e muitos tomaram drinkyes com Xico Barata nos mais afamados bares da região, pois é dele que vamos falar, aliás, escrever. Minhas senhoras e meus senhores, damos a conhecer um pouco mais a personalidade humanística de Xico Barata na primeira pessoa.

Por João Pina

Carteira Profissional de Jornaista Nº 4 408

Xico Barata, de seu nome completo, Francisco Barata Mota Lemos, nasceu em Angola a 31 de março de 1964, pertencendo a uma família de grandes futebolistas angolanos. Da sua infância recorda os quatro irmãos e todos jogaram futebol no Sporting Clube de Portugal nas camadas jovens, “onde eu comecei”, sublinhando, ainda, “fui muito feliz em Angola até começar a guerra”. Os amigos de Xico Barata já se habituaram a ouvi-lo recordar os tempos passados no Andulo, província do Bié, em Angola. “Foi nessa terra que fui agraciado com o muito ou pouco talento para a música e o para futebol. Aos cinco anos de idade já fazia os meus shows muito próprios para os militares e encantava no «Chá das Seis», um programa da antiga Emissora de Angola”. 

“Em 1975 tivemos de fugir para Portugal devido à guerra em Angola que se instalara”

Cheguei à Metrópole aos 10 anos com os meus quatro irmãos. “Depois estudei na escola Almada Negreiros, no Lumiar, no Liceu de Oeiras, onde concluí o 9º ano”, relembra Xico Barata, continuando. “Era um menino traquina, como sempre fui e passado pouco tempo ingressa no clube do coração, o Sporting Clube de Portugal. Aos 16 anos tornei-me jogador profissional no então promissor Clube da Torralta, em Alvor”.

O jovem futebolista, Xico Barata aquando representou o Clube Desportivo da Torralta, nos tempos dourados do turismo algarvio e dada a sua popularidade e as suas primeiras grandes noitadas no Algarve, apercebeu-se que se não viesse a ser como o Eusébio, tinha sempre à mão a carreira de músico, “nasci com o dom de cantar, se não desse em estrela no futebol ia ser cantor”, enfatiza.

Xico Barata companheiro de Futre no Sporting

É com emoção que Xico Barata recorda os primeiros anos de vivência em Portugal e, ficamos a saber: Antes de se tornar no popular cantor de música Afro-Latina, foi um prometedor avançado que deu nas vistas nos escalões mais jovens do Sporting ao ponto de ser chamado às seleções jovens.
No entanto, uma lesão inoportuna não deixou que Xico Barata se estreasse pela seleção, pelo que terminou a formação no Torralta, fazendo parte na primeira época de sénior da equipa de Portimão, que pela primeira e única vez subiu à 2ª Divisão Nacional, em 83/84.

Depois de passagens por Santiago do Cacém, Almada e Açores, Xico Barata volta ao Algarve para alinhar no Quarteirense e jogando já a médio ofensivo, passa pelo Vianense, Campomaiorense, Palmelense antes de se fixar definitivamente no Barlavento algarvio. Aí protagoniza uma das transferências mais polémicas e caras do Distrital dos anos 90, uma vez que em 93/94 o Messinense pagaria cerca de 400 contos ao Mexilhoeira Grande pela sua transferência. Terminaria a carreira no Juventude Aljezurense para depois se dedicaràsua carreira de popular cantor demúsica africana, passando a ser muito requisitado por todo o Algarve.

Questionado sobre os futebolistas com quem se iniciou no Sporting Clube de Portugal, diz: “Comecei em “Alvalade” com o Futre de quem continuo amigo, Mourato, Alegre e depois no “Torralta” com o Décio, Barrocal, Seca e outros”, adiantando que, “como amador já tocava nos bares” e “o melhor clube por onde passei foi sem dúvida o “Torralta”.

 Xico Barata tem dois grandes amores, o futebol e a música e ainda tem muitos amigos do futebol e dirigentes desportivos e treinadores. “Quem se lembra de mim, garante que espalhei os meus dotes prodigiosos em diversos clubes de norte a sul do país. E foi entre os relvados e a noite algarvia que iniciei a carreira de cantor no Algarve, tornando-me em pouco tempo uma referência da música africana na região. Construí aos poucos a minha carreira de músico e entertainer,  como gostam de definir”, refere orgulhoso de imediato: “Tenho dado espetáculos por toda a Europa e Brasil. A minha grande satisfação é representar Angola, cantando em Umbundu e homenageando assim a gente da minha terra”O antigo futebolista e agora músico profissional prossegue dedilhando em palavras a sua carreira da mesma forma como toca guitarra e canta: “Aprendi a tocar guitarra, sozinho com 16 anos e faço 25 anos de estrada este ano” e, com alguma vaidade, garante que foi o percursor do ensino de Kizomba no Algarve. Comecei há 10 anos a dar as primeiras aulas, porque quando cantava, aplaudiam mas ninguém dançava. Então, fui conversando com o público e decidi mais o Badoxa a darmos aulas em Lagos e Portimão. Fomos os pioneiros, assim como sou também o precursor a cantar Kizomba há 25 anos, é obra”, referindo, ainda, “Alguém tinha que abrir o caminho da Kizomba nestas zonas. Esse alguém fui eu e o «puto» Badoxa. Demos tudo quando o Kizomba era vista como a música de pretos e dança de pretos. Só brancos corajosos e atrevidos dançavam e também eram apontados como amigos dos pretos…”

 Xico Barata é um nostálgico da vida, mas, não sofre por ter visto passar ao lado duas grandes carreiras, futebolista e cantor. “Sou um gajo calmo, sou do povo, adoro o Algarve e sei que sou muito querido aqui, os meus filhos nasceram cá, não nasci aqui, mas sou daqui…”, desabafa, continuando.“Sou feliz assim, peço a Deus saúde para criar os meus filhos, o resto corro atrás… Já passei a idade das fãs, agora é pro meu puto Badoxa, mas às vezes com o barulho das luzes ainda consigo dar um ar de graça a dançar e conviver com as fãs”, (risos). Recordações? Saudades? “Claro que sim! Tenho em casa dos meus pais os meus troféus e dos meus manos e não é coisa pouca. É o meu museu”.

O criador do popular e fenómeno Badoxa

“O Badoxa veio ter comigo com 12 anos, vinha da “Capoeira”. Não queria estudar e queria tocar precursão comigo, porque fazia isso na “Capoeira”. Peguei nele como se fosse um filho e andamos na luta por esse mundo. Aprendeu tudo o que tinha que aprender. Um talento nato. Tenho um orgulho muito grande no seu sucesso. Está ali muito de mim…”, confessa Xico Barata, como se falasse de um filho. Quem se lembra de ver o Xico Barata chegar aos bares, auditórios, festas para atuar, ainda tem aquela imagem de ver ummiúdo atrás dele com os instrumentos e equipamentos de som e montar tudo no palco. Aos pouco começou a experimentar o som e depois a afinar a guitarra do artista principal e a seguir já a acompanhar o Xico e a fazer a segunda voz. Aos poucos ia aprendendo e imitando o Xico Barata no palco. Cresceu na idade e no peso, o público e os amigos do Xico pensavam que era filho, sobrinho ou afilhado.

O Badoxa era isso tudo, era e é o filho musical do Xico Barata.

 “Alguém tinha que abrir o caminho da Kizomba nestas zonas. Esse alguém fui eu e o «puto» Badoxa. Demos tudo quando o Kizomba era vista como a música de pretos e dança de pretos. Só brancos corajosos e atrevidos dançavam e também eram apontados como amigos dos pretos…”

   

Afinal o que se passou em relação à separação musical? 

“Estive um ano em Angola em 2012, disse ao Badoxa – faz-te à vida. Tens talento e tens tudo para seres melhor do que eu… Tudo o que eu sabia, ensinei. Com o teu talento vais rebentar isto tudo…”. 

   

E, rebentou, hoje em dia, o Badoxa é dos artistas mais populares em Portugal e em África, cobrando milhares de euros por espetáculo.

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Filhos e netos dos pescadores da “Armação dos atuns”, na rota do futebol nacional, vencendo tudo e todos no último capítulo do Clube de Futebol “Os Armacenenses

A antiquíssima «armação de atuns» que depois de aldeia passou a freguesia e a adotar a designação de «Pêra», era constituída por punhado de pescadores no início do século passado, onde os velhos lobos-do-mar ergueram um aglomerado de barracas na «armação dos atuns» onde passaram a viver.

Foram os homens dos mares e de barba rija que desenvolveram uma pequena comunidade piscatória, cuja primeira referência escrita conhecida remonta a 1577 e que descreve em referência à aldeia de Pêra o seguinte: (…) “Pera é um lugar junto de Alcantarilha, não longe do mar (…). “Faz o mar defronte uma formosa praia da banda do sul, na qual está a armação de atuns que se chama a armação de Pera”.

A existência de uma armação de pesca do atum perto de Pêra, na zona de costa, hoje conhecida como a baía de Armação, para além de explicar a origem do nome da Armação de Pêra atual, denota que já em 1577 existiria uma pequena comunidade de pescadores sazonalmente ou permanentemente fixada neste território.

O tempo não para na história e, essa mesma história já transformou a «armação de atuns» em aldeia, depois em freguesia e há 20 anos em vila, no entanto, nos últimos 81 anos, os armacenenses caminharam lado a lado com o futebol ancorado no Clube de Futebol “Os Armacenenses”.

É, sobre futebol, que vamos escrever sobre mais um facto histórico da vila e do clube da Cruz de Cristo, vestido de azul e branco, as cores predominantes do mar que continuamente ensopou de sabores a sal os fundadores e antigos pescadores do século passado.

Depois de cerca de 50 anos a praticar futebol nos areais vinhateiros da praia de Armação, primeiro no campo dos Salgados, enlameado 9 meses por ano, e no campo poiso das gaivotas em terra todo o ano entre areia, pedras e pedregulhos, os armacenenses de gerações seguidas rasgaram joelhos, deram cabo das canelas, deslocaram tornozelos à chuva, ao vento e a tomar banho na praia e mudar de roupa nas barracas de pesca, mas nunca deixaram de jogar à boa comprada por eles mesmo.

O Clube de Futebol “Os Armacenenses” sempre foi e continua a ser vítima indireta das más relações provocadas pela inveja da localização privilegiada da praia da vila em relação à cidade de Silves e sede do concelho.

Só há escassos anos é que a vila tem um campo de futebol municipal, mas que foi projetado e tem condições de ser um dos melhores complexos desportivos do sul do país, em ponto pequeno, assim haja bom senso e boa vontade do poder autárquico.

Contudo, essas «guerras partidarizadas» não pertencem ao nosso rosário de reclamações, mas sim, cabe-nos enaltecer o feito mais que real que é o comportamento desportivo do clube octogenário que em 2016 se tornou campeão absoluto do futebol algarvio e venceu já a primeira grande prova do mesmo futebol a sul de Portugal e inicia no sábado 21 de agosto a sua primeira época a nível nacional.

 “Os Armacenenses” são os primeiros campeões da Associação de Futebol do Algarve na nova época de 2016/17

O Clube de Futebol “Os Armacenenses” após ter vencido o Campeonato Distrital da 1ª Divisão da AFA, venceu a da Supertaça do Algarve, Supertaça Duarte Murta, batendo a Sociedade Recreativa Almancilense, no campo neutro da Nora, Ferreiras, no desempate por pontapés da marca de penálti, já que no tempo regulamentar empataram 2-2 no final dos 90 minutos, mas que nos penáltis venceram por 4 x 2.

A equipa da vila piscatória de Armação de Pêra foi mais eficaz na primeira parte, chegando ao intervalo a vencer por 2-0 com golos de Matias, aos 30 segundos e Rodrigo Paco, aos 41 minutos.

Após o intervalo o Almancilense reagiu bem e chegou à igualdade com golos de Fábio Marques, aos 58 minutos e Tavinho aos 75 minutos.
No desempate por penáltis, Atabu pontapeou ao lado e Dávila atirou à barra, enquanto “Os Armacenenses” marcaram os quatro penáltis para conquistarem o troféu.

No historial da prova, o Clube de Futebol “Os Armacenenses” seguem na lista dos grandes vencedores o Quarteirense, 2011/12, Lusitano de Vila Real de Santo António, 2012/13 e 2014/15, Ferreiras, 2013/14 e Lagoa, 2015/16.

Sander Guerreiro a caminho de uma grande carreira

No final do jogo e da entrega da Supertaça Duarte Murta, no Campo da Nora, Ferreiras e já nos balneários entre os cânticos “Campeões” Campeões!”, Sander Guerreiro exprimia-se, assim: “Sinto um orgulho enorme pela continuidade dada pelo trabalho da época passada. O clube tem vindo a crescer muito e isso será sempre benéfico para todos “Os Armacenenses”. Sinto também um orgulho enorme neste grupo de trabalho que diariamente se tem esforçado para podermos alcançar no final os objectivos”.
Quanto ao plantel do clube e se já está fechado, referiu:
“Estou muito satisfeito com todos os jogadores. Eles são muito importantes. Só se poderá encaixar neste grupo fantástico alguém que venha acrescentar qualidade, tanto como atleta como homem”, acrescentando. “Sim, é o meu plantel, a direção, como na época passada ajudou a construir o plantel com os jogadores que a equipa técnica referenciou. Estes são os melhores jogadores que servem os interesses do clube”. Já quanto aos objetivos para a presente época, Sander Guerreiro: “Um dos objectivos já foi alcançado que era a Supertaça, uma vez que era vencer a prova. Na Taça de Portugal, é tentar ir o mais longe possível e pelo caminho conseguirmos uma equipa dos escalões superiores. E, por fim, no Campeonato de Portugal Prio é jogo a jogo, para depois no final da época os armacenenses e a nossa grande claque Raio Azul se orgulharem de nós”, sublinhou, o jovem treinador Sander Guerreiro, que depois se ter sagrado campeão dsitrital do futebol senior ao serviço dos "Armacenenses" na prova maior da Associação de Futebol do Algarve (AFA), acaba de vencer a Supertaça Duarte Murta, prova também da AFA, deixando os adeptos da vila piscatória de Armação de Pêra com «água na boca» a sonhar - e agora - vamos continuar a ganhar...

Texto. João Pina

O grande vencedor da noite na Gala da “Festa do Futebol” foi o Clube de Futebol “Os Armacenenses”, que levou para a vila piscatória de Armação de Pêra, os principais prémios das categorias em que estavam nomeados

Realizou-se no domingo, 5 de junho a “Festa do Futebol Algarvio”, pelas 19,30 horas, na Casa dos Rapazes, em Faro, evento organizado pela Associação de Futebol do Algarve e onde foram entregues os prémios anuais e ainda distinguidas algumas figuras pelos serviços prestados ao longo da vida desportiva.

O jovem Mica, na categoria de jogador do ano, onde estava, também, nomeado Pituca, Sander Guerreiro e a sua equipa técnica na categoria de treinador do ano e, finalmente, o dr. Fernando Serol, na categoria de dirigente do ano.

Foram indicados três nomes para cada um dos onze prémios, mediante as votações dos treinadores de futebol e futsal dos clubes do Algarve e pelo departamento técnico da Associação de Futebol do Algarve.

Prémios de Dirigente do Ano, nomeados, Hélder Brás, Fernando Rocha e Fernando Serol, presidentes do Messinense, Portimonense e Armacenenses, respetivamente. 
Jogador do Ano Futebol, nomeados, Mica e Pituca, do Clube de Futebol “Os Armacenenses” e Chico, do Esperança de Lagos.


Treinador do Ano de Futebol, Nuno Costa (Lagoa), Sander Guerreiro (Armacenenses) e Tedu (Silves). 
Prémio jogadora do ano de futebol, Carlota Cristo e Catarina Carmo (Guia) e Bruna Costa (São Luís).
No futsal masculino, Filipe Soares e João Duarte (Portimonense) e Hugo Figueiredo (Farense), foram os nomeados para Jogador do Ano e André Santos (Lusitano), Carlos Juliano (Farense) e Pedro Moreira (Portimonense) figuraram entre os candidatos a Treinador do Ano, enquanto Daniel Cabrita e Ana Rita Joia (Silves) e Sara Gomes (Castromarinense) disputaram o prémio Jogadora do Ano Futsal.
Foram, ainda, entregues os prémios de Jogador Jovem e de Equipa Jovem, tanto em futebol como em futsal, e para os vencedores do prémio Árbitro do Ano - José Salema (futebol) e Herberto Caleiras (futsal), uma vez que os mesmos resultaram das classificações obtidas a nível distrital.

Homenagens especiais a Manuel Cajuda, Manuel José, Rui Bento, João Moutinho ou Rui Coimbra.

O Clube de Futebol “Os Armacenenses” que se sagrou campeão destacado do Campeonato Distrital Sénior da Associação de Futebol do Algarve na presente temporada, subindo, assim, ao escalão nacional do Campeonato de Portugal Prio, uma ambição pessoal e da direção liderada pelo Dr. Fernando Serol.
A época de futebol de 2016/17, espera marcar um novo ciclo de esperança ao clube fundado pelos pescadores armacenenses há 81 anos, um feito que a população está a viver e, que decerto, vai corresponder semana a semana junto da equipa principal do clube.

Na hora de mais uma homenagem da população armacenenses ao seu clube, os associados do clube azul e branco expressaram votos de uma boa época desportiva que se inicia brevemente, e formularam desejos de rápidas melhoras a José Manuel Fernandes, adepto número 1 ao longo da época vitoriosa dos “Armacenenses”.

 

Texto. João Pina

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Premiados no Concurso de Vinhos Bacchus 2016

 A Mostra de Vinhos em Albufeira é aposta ganha e a Confraria do Bacchus bate todos os recordes e já prepara a edição de 2017

Este ano, a oitava edição da Grande Mostra de Vinhos de Portugal, voltou a bater recordes. Tanto no número de produtores, vindos de todo o país, como em número de visitantes. A iniciativa da Confraria do Bacchus de Albufeira que durante quatro dias levou ao EMA a excelência da vinha nacional ofereceu ao público uma viagem inesquecível plena de sabores aliados ao protagonista do certame: o vinho.  Uma aposta ganha e para repetir!

 Albufeira, durante quatro dias transformou-se na capital do vinho ao receber a Grande Mostra de Vinhos de Portugal.

 Pelo oitavo ano consecutivo a iniciativa, da Confraria do Bacchus de Albufeira, ganhou a aposta, aumentando em 27 por cento os números de visitantes, e é já a maior mostra de vinhos realizada a sul do país.  

 A 8ª Grande Mostra de Vinhos de Portugal que terminou na passada segunda-feira, vestiu-se de cores múltiplas com particular ênfase  para as vestes dos confrades anfitriões que realçaram sempre que o consumo do vinho deve ser feito com moderação.

 Cento e vinte produtores e o "Concurso de Vinhos 2016",  fizeram as honras do evento que contou com mais de onze mil e quinhentos visitantes que degustaram as cerca de mil referências colocadas à prova no certame. 

 Os diversos vinhos à prova (brancos, tintos, verdes, rosados e licorosos), foram o centro das atenções, a somar ao lançamento de novos produtos, show cookings diários de tributo à dieta mediterrânica harmonizados com diferentes néctares, apresentação de cocktails com vinho, decantação de garrafa a fogo e sabre, barista e a degustação de queijos, enchidos e doçaria regional sem esquecer outras iniciativas paralelas, como a exposição “BeberArte”, a semana Enogastronómica “Vinho e Sabores” e o Fórum "A Vinha e o Vinho".

 Os 19 produtores de vinhos algarvios, com um número recorde de inscrições - mais de metade dos cerca de 30 que existem na região -  estiveram igualmente em destaque, com a atribuição de três medalhas no Concurso de Vinhos Bacchus 2016, provando a vitalidade e qualidade deste sector a sul do país.

 O evento não se esgotou na promoção do vinho e teve igualmente um cariz solidário - uma das premissas da organizadora Bacchus. Para o efeito, através de uma parceria com o Delta Cafés, um stand desta marca foi explorado pela Santa Casa da Misericórdia de Albufeira,  com os lucros das vendas a reverterem a favor da instituição. 

 Destaque ainda para a realização no último dia da mostra, e pela primeira vez, de um fórum temático. Desta feita, subordinado ao tema “O  Vinho e a Vinha no Algarve, Caminhos, perspectivas e percursos" contando com as presenças de Carlos Gracias, da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA),  Carlos Silva e Sousa, Presidente da Câmara Municipal de Albufeira (CMA), Francisco Toscano Rico, do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV)  e José Arruda, da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) e do professor emérito Nuno Magalhães, entre outros oradores.

O vinho “Flor do Tua Reserva 2014”,  da Essência Douro conquistou o Prémio de Excelência no Concurso Vinhos Bacchus 2016 (reconhecido pelo Instituto da Vinha e do Vinho I.P.) realizado no âmbito da oitava edição da Grande Mostra de Vinhos de Portugal, da responsabilidade da Confraria Bacchus de Albufeira.


A cerimónia de entrega dos premiados decorreu ontem, por ocasião do jantar de boas vindas da 8ª Grande Mostra de Vinhos de Portugal, que termina na próxima segunda feira no final dia no Espaço Multiusos de Albufeira.
Recorde-se que,  com mais 100  produtores oriundos de várias regiões vinícolas de Portugal,  a edição do Concurso Bacchus de Albufeira 2016  é o resultado de uma significativa paleta diversificada de texturas, sabores e aromas,  de Trás-os-Montes ao Algarve.
Destaque para as três medalhas conquistadas por produtores algarvios, Quinta do Francês e Única - Adega Cooperativa do Algarve, atestando a evolução positiva que a produção vitivinícola desta região continua a registar.

 

TINTOS
 Excelência
•Flor do Tua Reserva 2014 (Essência Douro)
 Ouro
•100 Hectares Collection 2013 (100 Hectares)
•Senhor Doutor d’Évoramonte 2013 (Herdade da Maroteira)
•Vidigueira Alicante Bouschet (Adega Cooperativa  da Vidigueira)
 Prata
 •Quinta do Monte Alegre - Alicante Bouschet (Casa (Xavier Santana)
•Quinta das Távoras Reserva 2013 (Essência do Douro)
•Palácio das Távoras Grande Reserva 2013 (Essência do Douro)
•Fonte Mouro Reserva 2012 (Soc. Agricola Monte Novo e Figueirinha)
•Encostas de Estremoz Touriga Nacional 2009 (Encostas de Estremoz)
•Conde de Lippe  Selecção 2013 ( Única, Adega Cooperativa do Algarve)
•Quinta do Francês Syrah 2012 (Quinta do Francês)
•HDL Reserva Selecção 2013 (Herdade dos Lagos)
•Piloto Reserva 2013 (Quinta do Piloto)
•100 Hectares Superior 2014 (100 Hectares)
 Bronze 
•Marquês de Marialva Grande Reserva 2010 (Adega Cooperativa  de Cantanhede)
 
 BRANCOS
 Ouro
•Estreia Alvarinho 2015 (Viniverde)
 Prata
•Alvarinho 100% Messala 2015 (Grande Porto)
•Casal da Videira Superior 2014 (Casal da Videira)
•Cortinha Velha Alvarinho 2015 (Cortinha Velha)
•Quinta dos Termos Reserva 2015 (Quinta dos termos)
•São Filipe 2015 (Filipe Palhosa Vinhos)
•Quinta do Francês Branco 2015 (Quinta do Francês)
•Flor do Tua Moscatel  2015 (Essência do Douro)
•Pouco Comum Alvarinho 2015 (Quinta da Lixa)
 
ROSADOS
 Bronze
•São Filipe 2015 Rosé (Filipe Palhosa Vinhos)
•100 Hectares Rosé (100 Hectares)
 
LICOROSOS
Ouro
•Vieira de Sousa LBV 2011 (Vieira de Sousa)
•Casa Santa Eufemia 20 anos (José Viseu Carvalho)
 Prata 
•VCL Palmela Moscatel de Setúbal Reserva 2008 (Venâncio da Costa Lima)

 

Paulo Leote e Brito / Ana Quental

 

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