Dia: 19 de janeiro

Itens filtrados por data: terça, 02 janeiro 2018

Portimão canta as “Janeiras” com forte movimento associativo

No dia 6 de janeiro, pelas 21h00, a Alameda da Praça da República vai ser palco da quarta edição do “Cantar das Janeiras” com um leque variado de grupos de cantares. A apresentação ficará a cargo da locutora, Fátima Peres.

Portimão convida a comunidade a participar neste encontro para ouvir, cantar e celebrar o Cântico das Janeiras e dos Reis num ambiente de boa disposição e alegria. O serão terminará com o sabor a Bolo-Rei e a Jeropiga, tal como a tradição dita, ficando assim registado um momento festivo e de excelência oferecido pelos cantadores.

A 4ª edição de “Cantar das Janeiras” conta com a participação de seis grupos do concelho de Portimão e dos concelhos vizinhos. É sempre importante preservar as tradições e manter vivo o movimento associativo, através dos grupos presentes que utilizarão a sua voz, mas também as violas, os instrumentos de percussão e de cordas. São eles, as Estrelas do Barlavento - o Grupo de Cantares de Música Tradicional Portuguesa, o Grupo Coral Adágio, o Grupo Coral do Centro de Convívio de Alvor ACRA 1º Dezembro, o Grupo de Janeiras da Associação Cantares do Parchal, o Grupo de Cantares do Instituto de Cultura de Portimão e a Associação Grupo Coral de Portimão.

Na ocasião será servido Bolo-Rei e a Jeropiga, tal como a tradição dita, ficando assim registado um momento festivo e de excelência oferecido pelos cantadores.

A 4ª edição do “Cantar as Janeiras” é organizado pela Câmara Municipal de Portimão e tem o patrocínio da cadeia de supermercados Pingo Doce que oferece o Bolo-rei.

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Paulo Leote e Brito diz: “Sou português. Sou ibérico. Também sou europeu. Sou consequentemente ocidental. Sou queluzense. E sintrense. E albufeirense. Sou algarvio e também minhoto. Sou benfiquista. Sou ateu, mas também sou católico…)”

Crónica: Intolerâncias avulsas

Sou português. Sou ibérico. Também sou europeu. Sou consequentemente ocidental. Sou queluzense. E sintrense. E albufeirense. Sou algarvio e também minhoto. Sou benfiquista. Sou ateu, mas também sou católico. Gostava de rezar como os muçulmanos, rezar em todo o lado, num ritual, a praticar um ritual.

Gostava de praticar o bem e obter resultados imediatos. Ou de saber praticar o bem sem esperar resultados. Sou pai, mas não tenho filhos. Sou filho mas não tenho pais. Sou irmão mas não tenho irmãos. Amo e não sou amado. Sou amigo. E vejo amigos desconstruírem a amizade sem arrependimento. Lamento por eles. O Eles são todos os que cabem nas desconstruções nomeadas. Sinceramente?! Magoa. Claro que sim. Ainda bem que sim, detestava ter uma vida como as vidas de todas as pessoas; tudo perfeito, tudo bonito, tudo se ama, tudo é fraterno. Eu não, eu carrego montanhas de dor e mágoa. Mas sabem?! Ainda bem. Faz-me sentir! Quem me conhece diz "como é que aguentas tanta mágoa". E dizem porque não me escondo atrás da perfeição, do perfeitinho, do mais do que perfeito. Como posso se sou humano?! Faço coisas com isso, aprendo, valorizo o avesso da dor, o avesso da mágoa. Faz-me mais atento e ser mais atento empurra-me para o que de melhor o humano e os Deuses, esses loucos, constroem.

Vamos ao "sou humano"; Obedeço a leis. Infrinjo leis. Sou o que fiz e o que faço. Não garanto que farei. Garantias, promessas, contratos. Agora tenho de me rir. As invenções humanas, tudo invenções humanas. Os humanos são uns trapaceiros, horrivelmente enganadores, mentirosos, fingidores. Eu, em dias de poesia, e nos outros dias, finjo dores. Claro, finjo as dores que sinto. Serão minhas? Só minhas? Quem me faz mal deve julgar que lhe faço mal. Chama-se vingança. Ou outra coisa qualquer. Eu disfarço; reajo, sou um reactor, como se fosse um Concorde a aquecer motores, ou um foguete, ou o raio que ma parta. Na Biblia coisas escritas, eu miúdo ainda católico, (ainda dou católico, não sou em crente) a não perceber, "dar a outra face" e depois a seguir "olho por olho, dente por dente". Hoje percebo, somos humanos é assim que isto funciona.

Hoje sou intolerante. Refaço a frase; hoje sou intolerante? Olho no espelho para responder. Olho-me nos olhos, sem testemunhas a obstruir a comunicação. Eu e a verdade separados pelos olhos. Respondo. Não confesso aqui em voz alta, mas respondo. Já sei quando me minto, ou quase sempre sei. 
O medo obstrui a verdade. A (in)tolerância é uma fraqueza. Ninguém quer ser fraco. Somos sobreviventes, quando passamos os olhos pela história, tantos, mas tantos iguais a nós que sofreram mortes horriveis, por dá cá esta palha. Em miúdo, outra vez, sabia dos canibais, não sei se sonhei pesadelos, mas se sonhasse seriam pesadelos a meterem pessoas a comerem pessoas. E as guerras, os espanhóis a levarem porrada em Aljubarrota, e os nazis e os soviéticos e o Átila e o Gengis Khan e tantos outros. Agora os tempos são outros, morre-se à fome de um lado do globo e morre-se por excesso de comida do outro lado. Se hoje sou tolerante?! Não sei se é tolerância se é cansaço, cá dentro está tudo ainda. As dores são boas por isso, fazem-nos compreender e compreendendo somos mais tolerantes. Desde que nada nos caia no prato da sopa, aí acaba-se a tolerância toda. 
(Tenho de me lembrar; deixar de comer sopa)

Quero gostar de ser português e de ser ibérico e europeu. E de ser humano. Quero gostar de futebol e gostar de futebol é mais importante que ser do Benfica. Joguei quatro anos no Benfica, (joguei também noutros clubes, mas agora isso não interessa) era um miúdo e ensinaram-me a respeitar os derrotados. Aprendi que a rivalidade era saudável e que se deixar de ser saudável não é rivalidade é um disparate qualquer, é uma doença. Os amigos que tenho do lado de dentro do futebol, nunca falamos inflamados com clubite, falamos de futebol, isso sim.
Fui católico, pratiquei durante dez anos. Ensinaram-me a distinguir o bem do mal. A dar oportunidades e a respeitar os mais fracos entre tantas coisas. Aprendi a rezar e que rezar não tem local, ou hora, tão pouco palavras, aprendi que rezar é uma necessidade individual. Sou pai, fez há dias vinte e sete anos e aprendi a ser mais do que um. Ou o "um" a dividir-se em células, todas maiores do que eu. Agora quero desaprender mas não sei como se faz, entranhou-se. Aprendi a dar sem receber. Aprendi a ser infeliz se não os saber felizes. Fui filho toda a vida e aprendo a perdoar o que vou compreendendo nos pais que se tornaram demasiado humanos com o passar dos anos. Ser filho leva a vida inteira de todas as pessoas antes de nós.
Sou humano, e ainda não desaprendi ser animal humano. Nunca aprenderei. Ser pessoa humana é difícil. As guerras interiores que não cabem nem se ficam do lado de dentro. Todas legítimas. Ou todas ilegítimas. A insensibilidade de quem acorda sempre para o lado do telemóvel e só depois repara no humano. Às vezes nem depois.

Há uma intolerância avulsa à Vida, isso há. Deram-me uma Vida mas não trazia livro de instruções. E todos os impostores que reclamam saber dizer o que devo fazer não passam de impostores. Todos à semelhança dos Deuses que eles próprios inventaram. O verbo foi o inicio, dizem. Eu sei que a palavra foi a pior construção do humano. Eu sou Deus, todos somos pequenos Deuses, uns piores, outros melhores. Há Deuses que gosto, suporto-lhes o humano que resiste dentro deles.

Tanta linguagem diferente. Quis, (sempre em miúdo) saber falar todas as linguas. Queria saber tudo o que existe. Desenterrar todos os mistérios. Depois cresci, afundado nas tentativas. Depois, desisti de as saber falar todas, mas apesar de tudo, ainda não desisti de as aprender. É nesse caminho, é a fazer esse caminho que a Vida parece ensinar aquilo que importa. O que importa? É fazer o caminho, a tentar, a errar, a repetir e depois de novo a tentar, a errar e a repetir. Ás vezes acerto. Nesses dias sou feliz. Vale a pena continuar a tentar.

Paulo Leote e Brito

2 janeiro 2018

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