Dia: 19 de janeiro

Itens filtrados por data: sábado, 06 janeiro 2018

Não é só em Berlim que habitam muros

 

Há vezes que são duas. Nunca mais do que três. Geralmente é uma, só uma. Uma pessoa é habitada por muitas vidas.

Por Paulo Leote e Brito

Quantas vidas são precisas para se fazer uma pessoa.

E quantas pessoas podem caber numa vida.

Não pontuo estas interrogações.

Há perguntas enfermas de resposta.

Passo a barreira, aquilo não é uma barreira.

Aquilo é um muro, um muro vigiado, um muro alto, vigiado e espesso.

Do lado de lá é que está tudo o que interessa saber.

Interessa-me a mim que sou curioso e gosto de saber o que está por detrás dos muros.

Sabe-se que não é coisa boa.

Sempre desconfiei de pessoas vestidas de gabardine.

Ou que andam com óculos escuros.

E pessoas que nunca tiram o chapéu e usam barba. 
Acho sempre que do lado de lá dos muros andam pessoas nuas.

Nuas e tristes.

As pessoas que habitam desse lado e que andam nuas e tristes nunca se deixam abraçar. 
Os gordos usam roupa larga.

Se um magro usar roupa larga toda a gente o escarnece.

As mulheres que são surpreendidas pelo envelhecer usam lenços na cabeça e óculos enormes nos olhos.

As vezes não temos tempo que chegue para preencher a criança que somos e a velhice apanha-nos desprevenidos.

A morte reclama a presença dos vivos, mas nunca nos quer vivos.

Os hospícios são habitados por excedentes cuja liberdade não é compreendida.

Os sem-abrigo habitam no purgatório ou são também excedentes de uma sociedade que não tem clubes privativos que cheguem para albergar tanta gente.

Em Florença cruzei-me com um espanhol que anda pela europa a dar abraços grátis. Aceitei claro.

Ao seu lado estive dez minutos a roubar-lhe a ocupação.

Frustrante, nem um consegui dar.

Passa-se algo errado com os meus abraços.

Vou comprar um martelo e vou derrubar o meu muro.

Ficarei nu mas livre, não estarei triste e não tenho medo nem do desabrigo nem do hospício.

Só sei que aprendi a não gostar de muros.

Vou tratar do meu e desistir de derrubar muros alheios.

(em memória das madalenas irlandesas).

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Paulo Leote e Brito afirma: “Sobre o futebol jogado pelos dois clubes é que não obtive informação".

“Sobre o futebol jogado pelos dois clubes é que não obtive informação. Saudades dos tempos em que ia ver os dérbis lado a lado (de braço dado) com adeptos rivais e que, ganhasse ou perdesse, saiamos do estádio e íamos beber uma laranjada e comer um bolo”

Paulo Leote e Brito, antigo futebolista e jornalista

A DEZ À HORA
1- Há muito que deixei de contribuir publicamente com comentários sobre futebol.
2- Continuo a ter paixão pelo jogo ao qual tanto devo.
3- Não me recordo da última vez que vi um jogo ao vivo, muito menos na televisão que deixei mesmo de ver e que mesmo quando via não me seduzia por ai além ver um jogo nessa forma tão limitada. 
4- Tenho a certeza de que nunca vi um jogo de futebol desde a invenção do vídeo árbitro.
5- Outra certeza é a de que a degradação começou a atingir o inadmissível quando os canais de televisão começaram a prostituírem-se com a multiplicação de programas sobre futebol (?) dando tempo de antena a comentadores (?) sem noção nem do ridículo nem da decência e muito menos do que é a paixão pelo jogo.
6- Já basta o triste espectáculo dado nas redes sociais pelos adeptos que levam o seu amor clubístico a patamares onde vale tudo e nada o justifica.
7- Sou benfiquista desde que me conheço por razões que desconheço mas acima de tudo tenho uma paixão pelo jogo de futebol que não me estupidifica e dentro de parâmetros que há muito defini prefiro pensar pela minha cabeça e há regras éticas que me recuso a ultrapassar.
8- Esta lenga lenga toda para, publicamente, afirmar inequivocamente o repúdio, o nojo e a indignação que sinto pelas direcções dos clubes que inventaram e usam de uma forma cobarde e injustificável ao abrigo do pomposo cargo de "directores de comunicação", autenticas marionetas ao (péssimo) serviço da hipocrisia e lamentável falta de tudo (ética, educação, desportivismo) de homens que lideram clubes sem perceberem patavina do que e o estar na vida quer como cidadãos quer como desportistas.
9- Aquilo que me levou a silenciar a minha opinião na forma pública que chegou ao ridículo de ver amigos de anos a virarem costas com infantis "desambiguações", bloqueios e outras formas de revelar falta de racionalidade, e que receio um dia terminar numa desgraça qualquer, tem dois responsáveis; a infinita estupidez do ser humano e esta corja de líderes clubísticos que cobardemente lançam estes cães de fila que se prestam, uns a troco de ordenados e outros pela vaidade de estar num ecrã televisivo a um péssimo serviço ao futebol.
10- Da minha parte o divórcio é cada vez mais irreconciliável, ja me jornais leio e pasme-se há dias cheguei a casa e perguntei que jogo era o que estava a ser relatado na rádio. Era o Derby! E eu nem sabia que era naquela noite. Nem me interessou. Soube depois do empate que como benfiquista que me prezo tem sempre sabor a derrota, soube depois das polémicas, do comportamentos dos adeptos do diz que disse destes chulos (sim, chulos ou prostitutos, escolham que tanto me faz) que são dirigentes, candidatos a dirigentes, comentadores, comunicadores e o raio que os parta a todos. Sobre o futebol jogado pelos dois clubes é que não obtive informação. Saudades dos tempos em que ia ver os dérbis lado a lado (de braço dado) com adeptos rivais e que, ganhasse ou perdesse, saiamos do estádio e íamos beber uma laranjada e comer um bolo.

Por Paulo Leote e Brito

 

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