Dia: 19 de janeiro
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Os melhores pilotos do mundo de Superbike começam o ano no Autódromo Internacional do Algarve

Os melhores pilotos do mundo de Superbike no Autódromo Internacional do Algarve a partir de janeiro

Janeiro marca o arranque da época desportiva 2018 e o Autódromo Internacional do Algarve (AIA) está incluído no roteiro dos melhores pilotos de motos do mundo, nesta que é a primeira fase de treinos para as provas deste ano.
Nos dias 28 e 29 de Janeiro, as equipas oficiais que vão participar no Campeonato do Mundo de Superbike e Supersport vão estar a preparar a nova época no circuito algarvio, que tem início em Fevereiro. Entre as 16 equipas que marcam presença no Autódromo do Algarve, estão as conhecidas marcas Yamaha, Ducati, Kawasaki, Aprilia, BMW e Honda, que se fazem acompanhar pelos seus 27 pilotos, entre eles os campeões do campeonato em 2017.
Jonathan Rea, actual campeão, terceiro título mundial de Superbike consecutivo, irá estar acompanhado durante os dois dias de preparação para a época de 2018, de Lucas Mahias, campeão de Supersport 2017 (Yamaha), pelo ex-piloto da Parkalgar-Honda e vice-campeão do Mundo de Supersport, Eugene Laverty (Aprilia), o ex-piloto de MotoGP Loris Baz (BMW) e ainda Mike Di Melio, campeão Mundial de Resistência pela equipa GMT94 Yamaha.
As boas notícias não ficam por aqui nem são só para o AIA. Estes dias trazem ainda a oportunidade única para os amantes deste desporto: os fãs de superbike e supersport vão ter a possibilidade de assistir ao vivo aos treinos dos pilotos, já que o acesso do público ao paddock do autódromo será permitido. Os passes, que podem ser adquiridos directamente na loja do Kartódromo Internacional do Algarve, têm um valor diário de 5 euros por pessoa.
Este é mais um momento importante do Autódromo Internacional do Algarve na sua afirmação como um dos circuitos mais relevantes a nível mundial. Recorde-se que o AIA irá receber, entre outras grandes provas internacionais, o Campeonato Mundial de Superbike e Supersport nos dias 14, 15 e 16 de Setembro e os bilhetes já se encontram à venda.

 

“Alfaiate” de Helena Tapadinhas vence Prémio Literário Santos Stockler/2017

O Prémio Literário Santos Stockler é uma iniciativa do Município de Lagoa, cuja entrega dos prémios se inscreve este ano no programa das Comemorações dos 245 anos da criação deste concelho.

Após avaliação dos trabalhos concorrentes ao Prémio Literário Santos Stockler/2017, o Júri deliberou, em reunião de 12 de janeiro 2018, distinguir o conto “Alfaiate” de Helena Tapadinhas.

Esta decisão, tomada por unanimidade, foi justificada pelo Júri nos seguintes termos: “o conto reúne todas as qualidades previstas nos critérios, expressa uma notável capacidade de fixação literária de um património imaterial do concelho e revela uma profundidade que lhe confere uma evidente universalidade”.

O Prémio consta do valor pecuniário de 10.000,00€ a que se junta a publicação do trabalho.

Para além da primeira distinção, o mesmo Júri deliberou ainda atribuir 6 Menções Honrosas aos contos: “Camaleão”, de Ana Maria Nunes Gonçalves; “A casa de Verão”, de Isabel Rio Novo; “A vida inteira num prato de barro, de Carla Marisa P. Vieira Pais; “Nepomuceno na terra dos possíveis”, de David Eduardo V. Roque; “Memórias fugazes”, de Paulo M. Morais e “Da permanência, de António Conduto Oliveira.

O Prémio Literário Santos Stockler foi instituído em pelo Município de Lagoa em 2016 com o objetivo de promover, defender e valorizar a Língua Portuguesa e a identidade e diversidade socio culturais do concelho; promover e incentivar a criação literária, o gosto pela escrita e pela leitura, e, ainda, homenagear o poeta, jornalista e romancista lagoense, Santos Stockler.

A Cerimónia de Entrega destes Prémios, realiza-se no dia 27 de janeiro 2018, na Quinta dos Vales às 15H:30. Na mesma oportunidade terá lugar a apresentação pública do livro que integra as duas Menções Honrosas atribuídas no Prémio de 2016. Será ainda apresentada a 3.ª edição do Prémio Santos Stockler 2018/19.

Jazz promove Vinhos do Algarve

Dando continuidade ao programa de animação Jazz nas Adegas, que obteve enorme sucesso, o Município de Silves organiza este a 2ª edição do evento que teve início na Quinta João Clara que rapidamente viu a sua lotação esgotada.

Texto e fotos: Vico Ughetto

Não podia começar da melhor forma a 2ª Edição do programa de animação Jazz nas Adegas, uma iniciativa do Município de Silves, inserida no programa de apoio 365 Algarve, que visa promover a realização de eventos culturais na região durante a época baixa, procurando desta forma combater a sazonalidade turística verificada neste período. A abertura do programa decorreu dia 13 de janeiro na Quinta João Clara em Alcantarilha, com o quarteto Low Tech Groove, com a casa completamente esgotada e tendo desde já sido anunciado que o próximo concerto, que será na Quinta Mata-Mouros em Silves, está igualmente esgotado.

O programa do Jazz nas Adegas 2018 consta de 8 espetáculos sempre às 21h, nas seguintes datas e locais:

• 13 Janeiro – Quinta João Clara – Alcantarilha

• 20 Janeiro – Quinta Mata-Mouros – Silves

• 10 Fevereiro – Quinta do Francês – Odelouca

• 24 Fevereiro – Quinta do Barradas – Venda Nova 

• 10 Março – Quinta do Barranco Longo – Algoz • 17 Março – Quinta da Vinha – Sítio da Vala

• 07 Abril  - Quinta do Outeiro – Silves

• 14 Abril – Quinta da Malaca – Pêra

Todos os produtores estão localizados em Silves e o objetivo do evento, segundo a presidente da edilidade – Rosa Palma – foi o de “associar o território aos vinhos dos produtores aqui localizados e desta forma dar a conhecer os Vinhos do Algarve e de Silves em particular pois é o Concelho que agrega mais produtores”.

Para os produtores algarvios esta é uma forma original e diferente de dar a conhecer os seus vinhos, tanto ao público local como estrangeiro, como foi o caso da Quinta João Clara, gerida por Edite Alves com o apoio das suas filhas Ana e Joana Alves, numa propriedade com perto de 11 hectares de vinha. Para além do prestigiado monocasta Negra Mole, feito com a esta casta autóctone da região, os vinhos João Clara tem mais 8 referências no seu portfólio, tendo Edite Alves aproveitado o evento para apresentar ao público 3 novidades a serem lançadas, ainda este ano, pelos vinhos João Clara e que são: Um Late Harvest (Colheita tardia); um monocasta Alvarinho, com estágio em barrica; e também o primeiro espumante da marca, feito com 100% Negra Mole.

Dado o sucesso do evento, realizado pela primeira vez o ano passado, verificou-se o aumento da participação e interesse dos produtores participantes, que passaram de 6 para um total de 8 produtores aderentes, com 3 estreias e 5 repetentes. E se na edição anterior foram-se verificando sucessivas lotações esgotadas, a situação começa desde já a verificar-se também com a edição desde ano. Estas são razões que deixam satisfeitos tanto Rosa Palma, que refere que “os ingredientes de associar a boa música ao bom vinho e a espaços privilegiados resultam na enorme adesão registada ao evento”; como também Desidério Silva – presidente da RTA – convidado no âmbito do 365 Algarve, e que mencionou, durante a abertura, “estar satisfeito com a moldura humana presente, o que confirma que atualmente os Vinhos do Algarve já conseguem atrair público devido à qualidade e imagem positiva que têm” .

 Segundo a organização, para assistir aos espetáculos, é necessário efetuar a reserva junto dos serviços da CM de Silves, tendo o ingresso, para cada sessão, o custo de 10 euros (inclui, para além do concerto, prova de vinhos do produtor, voucher de visita ao Castelo e Museu Municipal de Arqueologia e a oferta de uma garrafa de vinho).

Legendas das fotografias:

O Quarteto Low Tech Groove atuou na primeira noite do Jazz nas Adegas 2018 e é composto por: Leon Baldesberger (trompete); Pedro Calquinha (Piano); Paulo “Strak” (Contrabaixo) e Paulo “Gefits” (Bateria).

Rosa Palma (pres. CM Silves) Edite Alves (Vinhos João Clara ao centro) e Desidério Silva (pres. RTA) na abertura do programa Jazz nas Adegas.

Casa esgotada na Quinta João Clara.

Edite Alves com as filhas Ana e Joana e os diplomas dos prémios obtidos no concurso internacional Selezione del Sindaco, onde obteve 2 medalhas de Ouro - João Clara Reserva 2013 e 2014 e medalha de Prata com o João Clara tinto 2015

Rosa Palma (pres. CM Silves) brinda ao sucesso do Jazz nas Adegas com Desidério Silva (pres. RTA)

Rosa Palma (pres. CM Silves) brinda ao sucesso do Jazz nas Adegas com Desidério Silva (pres. RTA) e à dir. o pres. da Ass. Geral da CM Silves - Vítor Rodrigues.

“Amanhã outro destino. Como vamos para onde o vento nos levar, ainda não sabemos para onde iremos”, diz Napoleão Mira, enquanto, escritor, poeta diseur viaja pela Índia.

 “Amanhã outro destino. Como vamos para onde o vento nos levar, ainda não sabemos para onde iremos, de certeza que será uma nova descoberta esta zona da Índia que nos surpreende a cada dia que passa, noutra foto, vê-se em Chennai o gerente do hotel onde pernoitaremos esta noite. Xpetáculo!! Mas por 7 euros estavam à espera de algum Sheraton, não!”

João Pina

Carteira Profissional de Jornalista Nº 4 408

“Hello Índia here i am again! A caminho de Chennai”, publicou Napoleão Mira no seu mural do Facebook, no dia 4 de janeiro do novo 2018 e, foi com este «post» que soube de mais uma viagem por terras da Índia e de outras pelo oriente, de que o jornalista amigo teve conhecimento num passado recente e não resistiu: “Bons dias, Napoleão. Boas e excelentes viagens com reflexão para memória futura” e, prosseguiu em jeito de comentário e provocação: “Pensei de súbito, sabes que sou repentista a falar e, como tal, viajar contigo virtualmente para contemplar os leitores do www.algarvemaisnoticias.pt  proponho remeter algumas questões a que agradeço umas respostas por mensagem no Facebook, uma espécie de diário à pressa e de mangas arregaçadas com fotos”.

Mãos à obra:

Mais uma viagem? Para além do espírito “viajante” conhecedor do mundo, o que te leva e motiva a viajar?

“Depois do Peru e Bolívia decidimos (com a mulher Natália Duarte) regressar a este subcontinente que é a Índia. Já cá tínhamos estado há dois anos, viajando pelo norte deste país singular. Desta feita, resolvemos viajar para sul. Viajamos de mochila às costas sem destino, tanto que, amanhã é dia de partida e ainda não sabemos bem para onde ir, talvez Paducherry, uma antiga colónia francesa. De qualquer modo esta, apesar de estar no início, tem sido um poço de surpresas. No momento em que escrevo estamos em Mamallapuram um santuário à beira-mar onde aportam indianos aos milhares. As pessoas do sul são mais simpáticas”, respondeu Napoleão Mira.

E que tal a alimentação?

“A comida é vegetariana mas boa, e as sensações são as melhores. Continuo a pensar que viajar: é levar o olhar a passear. Por isso e por estas bandas os meus olhos têm-se regalado com o que lhes é dado presenciar. De facto, estamos na presença de um povo único e hospitaleiro, mas claro sempre com a ideia de negócio plantada, ou não fossem eles indianos”, uma pausa no teclado do portátil, pensamos e continua a escrever: “O que me leva a viajar, para além de passear o olhar, é sobretudo o prazer da descoberta, o surpreender-me em cada esquina, experienciar o que nunca vivi e, acima de tudo, por saber que apenas temos uma vida e haver tanto para garimpar. E como dizia Caetano Veloso: eu quero é correr mundo, correr perigo. Eu quero dar o fora, eu quero é ir embora. E quero que você venha comigo. Forte abraço que tenho de ir jantar”.

Entretanto, dou uma vista de olhos pelas imagens fotográficas captadas, umas por Natália Duarte, a mulher companheira de tantos anos, a fã número do Napoleão Mira e uma excelente profissional de turismo no Tivoli Hotels & Resort e outras fotos pelo próprio viajante e, ainda outras por locais. “Ah e esta viagem longínqua já é a quinta. Espero viver o suficiente para fazer mais 10 pelo menos”, recebi de seguida esta pequena resposta a que acrescentou: “Agora são 17,30 horas, ou sejam, 5,30 horas de diferença”, e escreveu de seguida: “Ah já coloquei mais umas fotos bastante interessantes referentes ao dia de hoje à tarde na verdade, uma terra que parecia não ter nada, afinal tinha toda uma magia que transborda na alegria e no rosto das pessoas, agora vamos jantar”.

Como referido no início da presente reportagem virtual, mas verídica e, dando tempo para que os meus amigos viajantes por terras da Índia, jantem e respondam a outras questões enviadas daqui dos «Algarves» do Atlântico, recordo as mil e umas conversas tidas em centenas de horas e de quilómetros por esse país real à volta da música e dos poemas falados pelo Napoleão e sobretudo por ainda termos o Natal no pensamento:

Idos Natais e Artilheiros do Benfica

Todos os anos, mais ou menos por esta altura, tento a escrever sobre a quadra que atravessamos. Já o fiz de várias formas, sob variados ângulos e abordagens. Mas este ano, sobretudo este ano, não me sinto com vontade de pintar de cores celestes o cinzentismo dos dias que atravessamos.

Prefiro recuar no tempo, regressar à memória, esse território de conforto de que tantas vezes me socorro.

Hoje é dia 24 de dezembro de 1979. Fui pai, de novo, há poucos meses. Nasceu-me o meu único filho varão, de seu nome Samuel. Tenho vinte e três anos e sou recepcionista de hotel em Lisboa. Trabalho de noite, regra geral, das onze da noite às oito da manhã. Tal quer dizer que conheço melhor a cidade pelas suas sombras, do que pela luz que a tornou famosa.

Hoje, 24 de dezembro, teimo em afirmar que não gosto do Natal. Há muito que lido com desdém com a data que hoje se assinala. No caminho para o trabalho, que faço mais cedo para que o colega que vou render jante com a família, penso na tristeza da noite que terei pela frente.

A cidade, à hora que saio de casa, é uma urbe deserta.

No transporte que me conduz ao meu destino, sou um dos três únicos passageiros. Eu sei para onde vou. Os outros, pelo seu olhar, parecem-me ir para lugar nenhum. Na minha imaginação, são apenas dois viajantes solitários dando voltas de autocarro até que este recolha à estação.

Encosto a cabeça ao vidro e sinto pela primeira vez uma sensação de vazio. Esboço corações na névoa do vidro utilizando a condensação da minha respiração. Desenho dois, um por cada filho. Penso que talvez tivesse sido bom ficar em casa junto deles. Um calafrio elétrico percorre-me a espinha, obrigando-me instintivamente a correr até ao pescoço o fecho do casaco.

Já no hotel, as pessoas rareiam e a vida é quase invisível. Os poucos hóspedes recolhem aos seus aposentos ou demandam casas de amigos.

Como acontece todos os anos, alguns dos meus comparsas hão de me telefonar. Se aparecerem, com eles repartirei as couves e o bacalhau que me deixaram para a minha solitária consoada. João de Castro, cliente do local onde trabalho, tem por mim um carinho especial. Vá-se lá saber porquê, chama-me “Fruta” desde que me conhece. Deixa o carro a trabalhar, entra a correr no hotel e deposita em cima do balcão uma caixa com doze meias garrafas de vinho tinto do Dão, dois bacalhaus e duas caixas de chocolates.

«“Fruta”, isto é para ti. Feliz Natal para ti e para os teus. » — disse, batendo com palma da mão na caixa, ao mesmo tempo que desaparecia no breu da noite, quase sem me deixar agradecer, o generoso “Pai Natal” daquele ano de 1979.

César Martins de Oliveira foi o primeiro jogador estrangeiro contratado fora de Portugal para representar o Benfica.

Chegou ontem a Lisboa. É a primeira vez que vive fora do Brasil e é também ele um homem só. Admira-se com o silêncio da cidade. Sinto que dele se apodera uma certa melancolia e convido-o a dividir comigo o repasto natalício. Noto-lhe, agradecido, um certo brilho no olhar. Não conhece por enquanto ninguém em Lisboa e rejubila com o meu convite. 

Somos rapazes da mesma idade e logo ali criámos uma amizade que há de durar enquanto jogar no Benfica.

Estávamos nós de volta do bacalhau e a descobrir afinidades quando, de repente, toca a campainha.

Espreito. Do outro lado da porta de vidro, um vulto. Um homem alto, vestido de ganga, cabelo e barba compridos, esfrega as mãos ao mesmo tempo que assopra para dentro delas o ar quente que expira. Está fria esta noite de consoada.

Aproximo-me com algum cuidado. A figura do outro lado do vidro não me inspira confiança. Não pode ser cliente. Todos os hóspedes já recolheram aos seus aposentos, excepto César que reparte comigo a solidão desta noite.

Quando a figura do outro lado do vidro me olha nos olhos, reconheço-a de imediato, franqueando-lhe a entrada.

«Vítor Baptista! Entra. O que fazes por aqui? Posso ajudar?» — perguntei, curioso e surpreso, ao deparar-me com o grande artilheiro do Benfica, que sabia ter caído nos abismos da toxicodependência.

«É pá, Napoleão, desculpa lá, até pensei que não me reconhecesses. Estou numa aflição. Estou ali na pensão em frente com uma miúda, não tenho fósforos e não sei onde os conseguir numa noite como esta. Não me arranjas uma caixa?» — implorou envergonhado “O Maior” — como se intitulava — que se notava a olhos vistos estar em franca degradação.

Ainda o convidei a comer connosco. Como recusou, abri a caixa de vinho que me foi ofertada, e reparti-a com ele. Arranjei-lhe um saca-rolhas, a tal caixa de fósforos e vi-o atravessar a rua, entrando na pensão.

Regressei algo consternado para junto do César. Contei-lhe o percurso do Vítor como jogador. Lembro-me até de lhe ter contado o episódio do último golo que este apontou pelo Benfica em Alvalade, perdendo o brinco ao efetuar o disparo que ditaria o resultado. Ao sentir falta deste, não celebrou o golo e pôs toda a gente à procura de tão dispendioso adereço durante largos minutos... Incluindo o árbitro
No final do jogo, disse aos jornalistas que não festejara porque o brinco era mais caro que o prémio de jogo. 
Episódio caricato, no qual César nem queria acreditar.

Só hoje, ao rememorar este episódio natalício, me dei conta do simbolismo dessa consoada de 1979.
“O Maior”, já mora nas planícies eternas. Ao César, perdi-lhe o rasto. Sobro eu e a minha demência, escrevendo sobre idos natais e artilheiros do Benfica.

Do livro De Coração D'interiores de Napoleão Mira”

Ah! Digo eu, já tenho mais respostas do Napoleão, vamos a isto que se faz tarde e os leitores estão curiosos pelos passos do casal:

“Não me vejo a fazer estas incursões sozinho, tanto mais que a Natália é que me meteu nisto e é ela que trata das burocracias da viagem. Se bem que por aqui se encontra muita gente a viajar sozinha, são normalmente gente jovem, para além de que eu sou diabético, o que tornaria a coisa mais arriscada, caso tivesse uma crise por aqui. É claro que com a Natália é outra coisa. Ela é mais aventureira que eu e muitas vezes vamos a locais que sozinho não me atreveria a ir.

Viajamos low cost, portanto ficamos instalados em guest houses, e por vezes ficamos mal instalados. Dou-te um exemplo: ontem em Chennai, cidade de que não tínhamos referências, fomos dar a um sítio tipo Cova da Moura, mas dez vezes pior. Andámos às voltas até que um tic-tic nos levou a uma hospedaria, que se ta descrevesse em pormenor assustavas-te. Basta dizer que não tinha casa de banho, lençóis ou mesmo papel higiénico, mas a casa era gira e decidimos ficar. Comemos na rua e em restaurantes indianos de baixo custo, mais ou menos 3 ou 4 euros por pessoa, dependendo se bebo uma cervejinha. Comemos comida vegetariana que é a mais barata. Acabei de comer um arroz de legumes frito que estava divinal por 2,50 euros”, escreveu Napoleão e, aproveitando a tal pausa no teclado, atirei: E aquela fotografia onde estás num qualquer sapateiro? “Aquele sapateiro fez-me por medida uns chinelos de cabedal. Custaram a módica quantia de 300 rupias, 4 euros. Naquela foto estava a encomendar mais dois pares, um para a minha filha Catarina, outro para o seu namorado o Martin”, e sublinhou à cena do «sapateiro» “Se pudesse regressar com alguma frequência ao meu Alentejo, claro que poderia morar numa destas paragens. Um viajante que conheci ontem, vive na Ásia há 37 anos entre a Tailândia e a Índia com o dinheiro que recebe da renda da sua casa na Holanda. E olha que há muito mais gente a fazer estas opções que possas julgar. Pode-se fazer uma vida desafogada se tiveres 1000 euros de rendimento”, despediu-se por hoje com um “Abraço”.

Recuperando algumas notas recebidas em relação às imagens fotográficas:

“Por recomendação do Luxman Miracle - o senhor que está ao meu lado, fomos comer a restaurante típico indiano. Comemos com as mãos numa folha de bananeira o petisco por ele recomendado. Este holandês vive há 37 anos na Ásia entre a Tailândia e a Índia. Chamei-lhe milagre porque estávamos a precisar de um, aliás, naquela foto da prima balerina num festival a que assistimos graças ao Luxman Miracle. Aqui vai um pequeno álbum da nossa passagem por Mamallapuram. Amanhã outro destino. Como vamos para onde o vento nos levar, ainda não sabemos para onde iremos. De certeza que será uma nova descoberta esta zona da Índia que nos surpreende a cada dia que passa, noutra foto, vê-se em Chennai o gerente do hotel onde pernoitaremos esta noite. Xpetáculo!! Mas por 7 euros estavam à espera de algum Sheraton, não!”

Se esta reportagem passasse num cinema ou na televisão, seria a altura ideal para um intervalo a fim de o canal descarregar 10 minutos de anúncios, mas, não e, dando umas horas de descanso ao Napoleão Mira e, ainda em tempo de Natal, oferecemos mais um conto do já consagrado escritor, dizer de poemas de sua autoria e também viajante pelos mundos seus…

Um Conto de Natal Quase Verdadeiro

Hoje é sábado. Um sábado de dezembro. Um sábado em que uma estúpida melancolia natalícia se apoderou de mim.

Sou um gajo de altos e baixos. Um fulano de profunda tristeza ou de exultante alegria. Um sujeito com ímpetos de cortar os pulsos à facada ou de subir ao cume de um monte e proclamar aos quatro ventos e a plenos pulmões o júbilo de estar vivo. Um tipo capaz de mergulhar em novos e arriscados projetos ou entrar em prolongada e profunda depressão. Sou assim uma espécie de oito ou oitenta: dentro de mim, em certos dias, vive Helenah, noutros, Dionísio!

É nesta montanha russa de estados d’alma, neste permanente ziguezaguear de contraditórios espíritos que vou construindo o meu percurso. Bem... tudo isto para vos dizer que hoje é sábado. É sábado, e apoderou-se de mim uma estúpida melancolia natalícia.

Hoje é sábado de um qualquer dia de dezembro de um século que já passou, de um ano que já não volta, mas que o calendário teima em afirmar que é 1961. Minha mãe brada por mim e pede-me para lhe ir fazer um mandado. «Vais ali à Loja Grande e trazes um cruzado de café, vais num pé e vens no outro, o tostão que sobra é de melhadura.»

Minha mãe retirara-me ao pensamento em que estava absorto e que consistia em tentar perceber se os pretos eram pessoas. Eu nunca tinha visto nenhum preto na minha vida e, no dia em que nos fomos despedir da família Cabo Silva, o patriarca Luís dissera às pessoas que aí estavam para a função do adeus, que ia para África guardar pretos com um chicote, coisa que se me afigurou pouco humana, logo, motivo para a dúvida permanente que de mim se apoderou.

A Loja Grande, assim chamada por ser a maior da vila, pertencia ao senhor João de Brito Palma. Aos meus olhos de petiz, era um imenso caleidoscópio de mercadorias.
As prateleiras, tulhas, sacas e caixas estavam permanentemente recheadas de víveres que ao tempo se vendiam a peso ou à unidade. Ao fundo da loja, havia toda uma panóplia de artefatos que na minha fraca lembrança me dava a ideia de ser uma babilónia de riquezas dignas do maior dos Alibabás.

— Jacinto, quero um cruzado de café e um tostão de migalhas de bolacha. — pedi, mostrando a moeda de cinco tostões necessária.

Jacinto saiu detrás do balcão, rasgou um quarto de folha de papel pardo, humedeceu com cuspo os dedos e, com a destreza de quem já fez milhares, enrolou mais um minúsculo cartuchinho em forma de cone que depositou na balança já com a quantidade de chicória (a que chamávamos café) que os seus afinados dedos estipulavam ser o peso certo.

Com a medideira numa mão e o olho no ponteiro da balança, deu por finda a operação, fechando o cartuxo com os dedos de uma mão e jogando com a outra para dentro da lata o artefato de medir.

— Agora vamos às bolachas. — disse.

À medida que Jacinto abria a metálica e redonda tampa da caixa das bolachas, arregalavam-se-me os olhos, salivando sem parar, numa ânsia de quem está prestes a experimentar uma sensação digna de ser apreciada lenta e preferentemente de olhos fechados.

Já com os dois cartuxos na mão e fazendo menção de sair, tentei a minha sorte com uns rebuçados que me estavam a fazer crescer água na boca, e disse:

— Jacinto, dás-me um rebuçado?

— Não te posso dar rebuçados porque não são meus. — respondeu Jacinto quase, quase a ceder.

— Então dás-me dois, que eu dou-te um a ti! — respondi em manobra desconcertante que fez o jovem marçano meter a mão dentro da lata e oferecer-me a ansiada guloseima, ao mesmo tempo que punha o dedo indicador ereto sobre os lábios em sinal de cúmplice silêncio. Sorri agradecido e, já de abalada, resolvi perguntar:

— Sabes se os pretos são pessoas?

Jacinto olhou para mim, encolheu os ombros e respondeu:
— Não sei, nunca vi nenhum!

Já na rua, ao dobrar a esquina, dou com o meu amigo Manel António que logo ali me convidou para a nossa brincadeira preferida: construir casas de palha e barro, coisa que nos deixava sempre assim para o irreconhecível, ou como quem diz, cobertos de barro dos pés à cabeça.

A minha mãe, com o cartuxo do café numa mão e com a outra em forma de raqueta, afirmava que, se aparecesse sujo, experimentaria a especialidade com que me ameaçava.
É claro que era impossível construir uma aldeia inteira de terra, palha e água e aparecer imaculado em casa.

Estávamos os dois muito entretidos a erguer paredes, quando lhe perguntei: «Sabes se os pretos são pessoas?»

Manel António olhou para mim espantado e respondeu ao mesmo tempo que limpava as mãos ao bibe. «Não sei, nunca vi nenhum!»

O Natal aproximava-se a passos largos e, apesar dos nossos desejos serem sempre na proporção do que nos rodeia, tanto eu como os meus irmãos lá formulámos os nossos ao Menino Jesus que religiosamente, e naquele dia, desceria pela chaminé da nossa imaginação e nos traria os presentes ansiados.

Nessa noite de 24 de dezembro fomo-nos deitar depois de mais uma vez, e à roda do lume, termos voltado a pedir ao Menino que nos contemplasse com os nossos desejos.

Pela calada da noite, quando toda a gente dormia, pareceu-me ouvir um barulho estranho vindo lá dos lados da cozinha. Cheio de medo, aventurei-me a ver o que se passava. Aterrorizado, dei com um pequeno vulto de volta dos nossos sapatos depositando uns quantos presentes.

Quando dele me abeirei, perguntei-lhe:
— Quem és tu? Tu és o Menino Jesus?

Assustado, respondeu-me que sim, mas que deveria guardar segredo, até porque ninguém iria acreditar.

— Mas tu és preto, ou estás tisnado da chaminé? — Questionei, abismado.

— Esta é mesmo a cor da minha pele, assim como a do meu pai, da minha mãe e a das outras pessoas lá de onde eu venho — retorquiu. — Sei dessa tua inquietação. Para além da prenda que tenho para ti, o melhor presente é ficares a saber que, por debaixo da minha pele, bate um coração igual ao teu, com os mesmos sonhos e desejos e, se o mundo fosse governado por crianças, a cor da pele seria a coisa que menos importaria. —­ afirmou, num tom filosófico de quem detém todos os poderes do universo.

— Agora tenho de ir, mas não te esqueças do nosso segredo! — disse, voltando por artes mágicas a subir pela chaminé.

Quando minha aflita mãe me acordou aos gritos, estava eu estendido junto ao madeiro no lume, que alguém inexplicavelmente fizera com que ficasse aceso pela noite adentro.
Ainda estremunhado, lembrei-me do meu noctívago encontro e, enquanto minha mãe me levava ao colo de regresso à cama, abracei-a. Num súbito e compulsivo choro, supliquei-lhe: «Mãe, quando escreveres ao Cabo Silva, pede-lhe para não bater nos meninos pretos!»

Napoleão Mira in De Coração D'Interiores

Acerca das múltiplas imagens, Napoleão Mira referencia algumas notas curiosas: “De comboio não (é um risco andar), mas de autocarro sim... É pavoroso e exaspera-se”, adiantando. “Não podes mudar de ideias e dizer: já não quero estar aqui... Não tens alternativa. No momento em que escrevo estou com receio do autocarro que vou apanhar amanhã. A experiência anterior foi assustadora e durante 7 horas sem comer, urinar ou mexer um músculo...”. Noutra nota, afirma: “Aqui são quatro horas da manhã e não consigo dormir com o barulho de um motor. É a Índia como bem sabes”, “não, não sei, digo para os meus botões”.

"E pronto! Nas feiras e nas férias tenho dois fetiches. Nas feiras compro colheres de pau, nas férias faço a barba. Aqui vai a prova da promessa cumprida”, sublinhou, referindo a fotografia em que está sentado num barbeiro local. Em relação a outra imagem em que está descalço: “Estou descalço… Isto é um templo, não se pode entrar calçado”, escreveu para se despedir temporariamente e “bom ano para ti também velho amigo”.

Depois de alguns dias sem notícias de Napoleão Mira e Natália Duarte e, segundo as notas jornalísticas, o casal algarvio iniciou a viagem aterrando em Mumbai, onde permanecemos dois dias, média de dias que ficam em cada cidade. “Daí apanhámos um avião que nos levou a Chennai, capital do Tamil Negu. De Chennai fomos para Mamallapuram onde permanecemos outros dois dias. Saímos de Mamallapuram e fomos para Paducherry, ex capital das Índias francesas. Daqui apanhámos um autocarro local (dia de pesadelo) para Thanjavur. De Thanjavur fomos para Manurai”, informou, para depois comunicar: “Hoje saímos de Manurai e estamos no Tiger Reserve de Periyar”.

Quanto à experiência por terras da Índia, Napoleão Mira é peremptório nas afirmações repentinas e a quente em termos emocionais dada a distância e à forma como decorre a reportagem em termos jornalísticos: “De resto vamos indo com o vento e até onde o dinheiro que metemos no bolso chegar”, enfatiza, ao que questionamos na volta do correio (ah! ah! ah! E os custos são acessíveis? “Como viajamos em low coast, ficamos quase sempre instalados em hospedarias modestas, desde que sejam limpas, tenham um banho, ainda que rudimentar, mas privativo, que tenha net, não tenha bichos e que custe no máximo 1000 rupias, na nossa moeda cerca de 13 euros”, prosseguindo: “A nossa alimentação é feita um pouco como o nosso alojamento. Comemos em estabelecimentos locais onde os demais indianos comem. Apesar de me fazer alguma impressão ver comer com as mãos. Procuro na medida do possível experimentar coisas novas. Eu não sou muito afoito nessa matéria, a Natália é que é. Pela minha parte, quando a coisa não me satisfaz tenho a solução do arroz frito, que é sempre um bom plano B. De manhã é, que não atino com os pequenos almoços deles, rios de molhos, arrozes e outras coisas picantes que me provocam ânsias só de para elas olhar”.

“Gostava de estar escondido e ver a cara do Napoleão, um bom garfo e habituado aos hotéis de 5 estrelas e também às boas tascas com os enchidos alentejanos e o seu queijo de Entradas”, penso, enquanto leio o que ele vai escrevendo e enviando.

Já quanto aos costumes do povo indiano, é de opinião: “Os costumes desta gente nada têm a ver com os nossos. Trabalham desalmadamente e desconhecem isso dos direitos do trabalho. Um exemplo: um recepcionista de um pequeno hotel onde pernoitámos, de cada vez que ia à recepção lá estava ele. Perguntei-lhe se era dono ou familiar do mesmo. Que não, que era empregado. Quando o questionei acerca da sua folga, sorriu e disse que era no dia seguinte, pois tinha trabalhado 15 dias seguidos, 24 horas por dia e agora teria direito a um ou dois dias de folga”, escrevo, ao mesmo tempo que coço o queixo e passo os dedos pelos cabelos por constatar com a escravatura deste povo. “Hoje perguntei ao cobrador do autocarro quantas horas trabalhava. Disse-me a sorrir que no mínimo 20 horas. Não era por semana, era por dia! Depois esta gente é muito crente. Tem muito ritual, muita cerimónia religiosa que varia de região para região, sendo que os deuses (diz-se que podem ser trinta milhões) também mudam de nome e às vezes de identidade de templo para templo. como se diz na nossa terra - não tenho carta de condução para esta cilindrada religiosa - depois eu sou agnóstico, logo com uma noção de lógica bastante enraizada”, confessa o poeta declamador afamado. “Acredito, sim na e evolução humana, mas, isto era conversa que nos levaria por outros caminhos. A sociedade é patriarcal, logo vivem todos em torno desse pilar que é o patriarca da família. As mulheres têm poucos direitos, se comparadas com as nossas e também vivem em função da vontade matriarcal”.

Napoleão Mira, além de poeta e, igualmente escritor, ao longo destas cinco viagens intercontinentais já anotou centenas de anotações e milhares de fotos, demasiado material para alguns livros, aliás, os leitores através desta humilde reportagem podem constatar tão diferente usos e costumes dos povos para lá da Europa Ocidental.

“Como se sabe, a sociedade é compartimentada por castas, mas, este é um tema que tenho algumas dúvidas, até porque não o compreendo na perfeição e ninguém mo soube explicar de modo convincente. Em termos religiosos é maioritariamente Hindu, mas numa Índia plural cabem os mais diversos credos, desde os muçulmanos, cristãos, Sikhs, ou mesmo budistas de entre outras religiões por este imenso território professadas. Os indianos, na minha opinião, têm tanto de fossões como de ingénuos. No que diz respeito aos mitos urbanos e rurais acreditam em tudo e desde sempre. Digo isto baseado nas pessoas que fui conhecendo, e que, regra geral, são gente do povo com quem me cruzo e me procura dar a volta para sobreviver”, refere o nosso interlocutor.

Outro tema abordado por Napoleão Mira é a famigerada política: “Em relação à política local pouco sei. Compreendo que este imenso país é uma democracia e que nela cabem todos os partidos e assim sempre foi desde os tempos de Gandhi. Creio que, presentemente, estão em tempo de eleições regionais. Tenho visto alguns comícios na rua e eclodiu mesmo uma greve geral no dia da nossa chegada a Mumbai. Essa greve impressionou-me porque, ela era mesmo geral. A cidade não estava parada, estava paralisada. Quem se lembrar de furar a greve sofre consequências severas e graves e ninguém arrisca. É claro que isto é pouco democrático, mas que é muito efectivo disso não restem dúvidas. Depois, ao longo dos dias e, até ontem, temos vindo a sentir a greve que se faz sentir nos transportes. Isto para dizer que, por um lado existe uma força sindical com uma força muito grande, mas depois na prática as pessoas continuam sem saber o que são os direitos do trabalho. Acho que nesse particular ainda têm um longo caminho a percorrer”, esclarece.

Um país de paradoxos, pensamos: “Depois este país de contradições e várias velocidades é um colosso emergente cada vez com gente mais qualificada e de entre a mais qualificada eles são a nata do conhecimento científico. No entanto, a corrupção há-de existir e em grande, mas não me sei pronunciar acerca dela, até porque o indiano com quem convivo não é suficientemente politizado ou informado para que eu possa formar uma opinião”.

Outro tema – a cultura – uma vez que Napoleão que é um homem da cultura não deixar de opinar: “Em termos culturais este é um país riquíssimo. A sua cultura é milenar e única. No que diz respeito às artes chamadas plásticas, existem por aqui tantos artistas e artífices tão bons que se vivessem na Europa seriam gente com muito sucesso artístico e monetário. Assisti aqui a um concerto de música carnática, que deve estar para eles como o fado está para nós, pujante e viva. Toda a gente se recorda de Ravi Shankar e as parcerias com os Beatles só para dar o exemplo que me ocorreu. Bollywood com as suas cidades cinema, produz mais que Hollywood e por aí a fora. Em relação à escrita não conheço escritores indianos, mas sei que o nosso José Luís Peixoto, está por cá para apresentar o seu primeiro livro: Morreste-me, com tradução para hindu, e isso é uma demonstração da vitalidade desta cultura a todos os títulos notável. Para finalizar diria: Toda a gente deveria uma vez na vida vir à Índia. Devia partilhar o modo de vida desta gente, comer da sua comida, dormir debaixo dos mesmos tetos, viajar nos mesmos transportes etc. Sei que esta é uma opção que torna a coisa algo dura, mas que saímos daqui muito mais ricos, disso não restem dúvidas”, finalizou por hoje, dia 13 de janeiro, o relato possível a partir da Índia para o Algarve. “A partir daqui, apenas sei que lá para dia 22 temos de estar em Kochi (antigo Cochin) para voarmos para Portugal”, despediu-se Napoleão Mira.

Entretanto, a 14 de janeiro e, como a vida de viajante é, viajar, Napoleão Mira e Natália Duarte, surpreenderam-nos com mais uma experiência turística por terras da Índia, ora, vejamos: Olá pessoal... Depois de abandonarmos a zona dos templos (já estava farto de tanta beleza!) aqui nos eis chegados ao profundo e imaculado verde da província de Kerala. Também, quero, afirmar que não voltarei a andar de elefante. Acho a experiência humilhante para o bicho que tem de repetir este circuito, qualquer coisa como vinte vezes por dia. Pela minha parte fica a foto para a posteridade e o meu pedido de desculpas ao simpático paquiderme”.

Generosa Índia

“Para os poucos que não sabem, as nossas viagens começam com um bilhete de avião e uma noite de hotel que regra geral é a única marcação antecipada e sempre a pior! A partir daí traço uma linha para norte ou Sul, o Napy concorda e lá vamos nós. Quem vai por bem recebe sempre bem”, desabafaram Napoleão e Natália.

“Este blá blá blá para dizer que nunca uma viagem foi tão low cost como esta, isto porque mais que tentemos os meios de transporte que conseguimos são só os governamentais, Índia profunda 99 por cento das vezes somos os únicos brancos no autocarro ou carruagem, ou mesmo no Hotel! Tudo isto para dizer que tirando uma viagem de autocarro que de quatro passou a seis horas e que mudaram o destino quatro vezes dentro do mesmo trajecto, tenho a dizer que o sistema funciona e é altamente eficaz, e a menos de um cêntimo ao quilómetro”, diz Natália Duarte. 

A propósito de uma foto de um autocarro com grades, Natália confirma: “Sim os autocarros têm grades, são sujos e os motoristas são lunáticos, mas funciona e as gentes são de uma generosidade que só encontras na Índia. Atrevam-se Namastê”, finaliza por hoje, “acho que nunca escrevi tanto…”.

Neste dia, que pensamos que tenha sido a14 de janeiro, foi passado um destes barcos/ casa e mergulhar nos canais de Cheepunkal - Kerala Índia (ver fotos).

Noutras fotos, Napoleão Mira, brinca, sinal, que anda bem-disposto: “Então e que me dizem deste senhor? É o dono da guest house onde por esta noite pernoitaremos. E mais não digo...deixo os comentários ao vosso critério”. E de Kerala, recorda a viagem ao lado do cobrador (ver foto) do autocarro. “Olha que belo casal. Pela maneira como me deu o braço a coisa promete…”.

(Em atualização)

Ver mais imagens fotográficas erm baixo na galeria:

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